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MOVIMENTO DOS IRMÃOS

“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”
II Timóteo 2.2

UM POUCO DE NOSSA HISTÓRIA E QUEM SOMOS
O movimento dos “irmãos” é conhecido e formado por cristãos indenominacionais, que se reúnem num terreno comum a todos os que pertencem à Igreja de Cristo.
Os iniciadores deste movimento, eram jovens, a maioria ligada ao Trinity College, Dublin, Irlanda. Buscavam encontrar uma forma em que pudessem reunir-se para adoração e comunhão, desprezando as barreiras denominacionais, reunidos simplesmente como “irmãos em Cristo”.
Como procuravam reunir-se nesta simplicidade, não pretendendo formar um grupo à parte, não usavam qualquer nome que os diferençasse dos grupos existentes. Não faziam ideia que começavam um movimento, e não tinham esta intenção, pois isto seria a negação do verdadeiro propósito pelo qual se reuniam. Por volta de 1825-1827, em várias cidades da Irlanda e da Inglaterra, foram se formando pequenos grupos de discípulos de Cristo para um estudo mais aprofundado das Escrituras. Eram crentes que pertenciam a denominações diversas.

O Movimento se espalhou pelo Continente Europeu, na Inglaterra receberam o nome de “irmãos de Plymouth” (Plymouth Brethrem), porque no início, formou-se uma igreja local bem numerosa na cidade de Plymouth. Em outros lugares são chamados de “darbistas” (Por causa de John Nelson Darby) para designar o grupo exclusivista. Em Portugal, Argentina e outros países são conhecidos como “assembleia de Deus”. No Brasil, alguns lugares são conhecidos como “igreja cristã”, “irmãos unidos” e até mesmo “casa de oração” por geralmente denominarem assim a casa onde se reúnem.
Sobre este assunto, assim escreveu o irmão Silas G. Filgueiras:

“A existência de muitos nomes indica que nenhum satisfaz plenamente, porque nenhum preenche a finalidade e alguns envolvem alguma inverdade. O desejo, porém, tem sido sempre o de se reunirem como cristãos, remidos por Cristo, como uma expressão local da Igreja de Cristo na terra, sem usar qualquer nome, ou outro distintivo, com o fito de direfençá-los dos outros irmãos em Cristo. Esta é a razão de preferirem tratarem-se uns aos outros como “irmãos” (com “i” minúsculo) por ser um nome aplicável a todos os membros da Igreja de Cristo na terra, não podendo, entretanto, ser apropriado por um grupo somente. A ideia de divisão em grupos e o uso de nomes para se designarem é um mal que começou muito cedo na história da Igreja, e que foi prontamente condenado por Paulo. (1 Co 1.11-13).
O uso de designações, tais como “irmãos”, “igreja cristã” não escapa à acusação de ser impróprio, uma vez que toma para um grupo, nomes que pertencem a todo o povo de Deus, embora, diga-se de passagem, nomes como “presbiteriano”, “batista”, “assembleia de Deus”, etc. são também passíveis da mesma acusação.
O importante não é pertencer a este ou àquele grupo, porém, pela graça de Deus, ter um espírito indenominacional, e ter a visão da comunhão universal, da única verdadeira Igreja que é formada por “todos os que, em todo lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”. (1 Co 1.2) “
No Brasil, o primeiro grupo a reunir-se, foi em 1878, na cidade do Rio de Janeiro à rua da América, 4, formado por membros oriundos da Igreja Fluminense, influenciados por Richard Holden, então residente em Portugal, que fora co-pastor da igreja Fluminense quando esteve no Brasil.
Mais tarde, em 1896, chega o primeiro missionário ao Brasil. Stuart Edmund Mc Nair. Atuando primeiro na cidade do Rio de Janeiro, mais tarde, Petrópolis, Sampaio, Del Castilho, Bemposta e Zona da Mata, região limítrofe entre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, posteriormente fixando residência em Conceição de Carangola-MG.
Não se sabe ao certo quantas igrejas locais existem hoje no Brasil, porém estima-se mais 700 espalhadas por todas as regiões, sendo a região Sudeste com maior número.

CONVICÇÕES E POSIÇÃO DOS “IRMÃOS”

A) A Igreja de Cristo é constituída de todos os que foram comprados com Seu sangue (Atos 20.28) e Jesus orou para que todos fossem um (Jo 17.21), e assim sendo a divisão em seitas, partidos e denominações é contrária à vontade de Deus (1 Cor 1.11-13). O argumento de que as divisões estimulam os crentes a se esforçarem pela sua denominação, produzindo emulação, e assim dão maior contribuição para o progresso do Evangelho, é pensamento humano, esquecendo que a obra de Deus é somente aquela feita pelo poder de Deus, dirigida pelo Espírito Santo.

B) Entendem que no Novo Testamento não encontramos base para a divisão dos crentes em ordenados (clero) e não ordenados (leigos), colocando assim, todos os crentes no mesmo nível eclesiástico. Também não encontramos o ensino de que a execução de certos atos (batismo, Ceia do Senhor, etc.) fica restrita aos ordenados, ou a uma classe.

C) Impedem a promoção pessoal e condenam o culto da personalidade.

D) Consideram a distinção entre Israel e a Igreja de Cristo, que são ambos povo de Deus, porém tem bênçãos e privilégios próprios a cada um.

E) Suas igrejas locais são autônomas, mantendo somente relações de fraternidade cristã umas com as outras. O governo é exercido pela igreja reunida, e por unanimidade (1 Co 1.10; Rm 12.16). Compreendem que é o Espírito Santo quem dirige as reuniões da igreja, e usa os instrumentos que Ele escolhe como no citar hinos, orar, ler um texto das Escrituras, fazer o comentário do mesmo, etc. Quanto ao ministério, na reunião da igreja, os “irmãos” seguem o princípio da liberdade de ministério segundo os dons concedidos pelo Espírito Santo, conforme I Cor 14.26-33, mas entendem que o ministério não proveitoso deve ser evitado, ou não permitido.

F) Entendem estes irmãos que na Bíblia se encontra todo o ensino sobre a Igreja, e só nela. Não há outra fonte de informação. Quando não há um ensino claro a respeito de determinado assunto, não deve ser estabelecida uma interpretação que terá de ser aceita por todos.

Sinésio Barreto, Petrópolis-RJ

Bibliografia:
– Álbum de Reminiscências – Stuart E. McNair
– Mair Reminiscências – Stuart E. McNair
– “Os irmãos” – Silas G. Filgueiras
– Convicção e posição dos “irmãos”
– A History of the Brethrem Movement – F. Roy Coad

A Beleza dos Besouros


A Beleza dos Besouros

Thomas Lachenmaier

Quem observa a Criação com a mente aguçada descobre uma infinidade de espécies nos mares e nas florestas, descobre a imensa diversidade da flora e da fauna, descobre os espaços profundos do Cosmos…

Um livro sobre insetos esclarece justamente isso. Käfer und andere Kerbtiere (Besouros e outros Insetos), contendo desenhos de Bernard Durin (1940-1988) é um deleite para os olhos. Com sua habilidade praticamente insuperável, Durin desenhou uma seleção de insetos hexápodes (que têm seis pernas). A coloração, os mínimos detalhes – perfeição técnica, capacidade artística e exatidão científica se mostram neles de maneira belíssima.

Observando esses desenhos – desde o besouro longicórnio à cigarra – o leitor é imediatamente impactado pela diversidade e beleza desses seres vivos. Ele abre seus olhos para seres vivos do cotidiano e que normalmente não observamos, por serem muito pequenos ou talvez por rejeição (insetos nocivos). A beleza desses insetos leva o observador ao fascínio. As figuras proporcionam alegria diante da multiplicidade e beleza das formas bizarras, das cores e combinações. Não raramente elas provocam um sorriso ao observador diante da aparência desses animais. Fica evidente que o Criador, além do Seu poder de criação, também possui senso de humor. Através do olhar a cada um desses fascinantes besouros, Deus proporciona ao homem uma clara noção da Sua existência.

Não somente a maravilhosa constituição desses animais, mas também a conceituação e a fala das pessoas apontam para o fato de terem sido criadas. Não é à toa que se fala em criaturas e seres criados – e não de “obras do acaso” ou “sem-projeto”. Se as pessoas não têm palavras corretas para reconhecer algo casual ou involuntário, isso indica que os seres vivos foram criados e que não surgiram casualmente. Quando a pessoa fala em ser vivo, então ela obviamente o formula de uma maneira partindo do princípio de que esse ser vivo foi criado (criatura, creatio = criação). De onde essa obviedade influencia a definição dessa denominação? Ela ocorre porque, de certa maneira, de fato é autoexplicativa, de que o ser vivo surgiu de modo criativo (isso significa: com poder de criação, inteligência e fantasia): criaturas são seres formados, originárias de uma Criação.

É algo admirável observar como a natureza domina a difícil tarefa de conciliar o luxo (os fantasiosos modelos, cores e formas) e a estratégia de sobrevivência. “A natureza”, dizem os biólogos evolucionistas, “apresenta uma inteligência direcionada e planificada”, o que, no entanto, ela nem poderia ser de acordo com o modelo da Evolução. Com isso eles entendem que a natureza de fato “dominou” uma tarefa difícil – isto é, que ela sabia antecipadamente dos requisitos que seriam necessários para o ser vivo formado e assim o concebeu de acordo (!). Acrescente-se a isso ainda essa inteligência literalmente imprevisível, incontida e infinitamente criativa: a diversidade desses seres hexápodes é tão imensa que mesmo “as extensas enciclopédias não seriam suficientes para documentá-las mesmo apenas aproximadamente ao modo completo”. Entre os especialistas em insetos, os entomologistas, há muita discórdia sobre a quantidade de espécies de insetos que existem. Até hoje, foram descritas entre 1,2 a 1,5 milhão de espécies.

Ao final, o espanto se transforma em admiração e louvor para Aquele que criou tudo isso com sabedoria imensurável. Se Deus já dedica essa transbordante estima criativa ao escaravelho e ao percevejo-escudo, quanto mais nós deveríamos entoar hinos de gratidão? Entoar hinos de gratidão que ecoam através de toda a Bíblia, desde o Gênesis ao Apocalipse? Não deveríamos também, ao vê-Lo em Seu poder de Criador, reconhecê-Lo como o Senhor e Salvador do mundo e que, com nosso retorno para Ele, deseja somente o nosso bem? “Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações” (Apocalipse 15.3).

O mundo criado é um convite para crer e se alegrar reconhecendo essas maravilhas. “Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção” (Sl 139.14). (Thomas Lachenmaier  — factum-magazin.ch)

CINCO MISSIONÁRIOS MÁRTIRES NO EQUADOR

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CINCO MISSIONÁRIOS MÁRTIRES NO EQUADOR

Cinco homens – todos eles jovens – com personalidades diferentes, provenientes de diversas zonas do Estados Unidos, chegaram ao Equador com um objectivo comum. Todos eles tinham respondido a uma mesma chamada: a de pregar o evangelho onde ele nunca tinha sido pregado. Um mesmo e terrível povo estava no coração deles: os Aucas. No entanto, para evangelizá-los, deveriam estar dispostos a pagar o preço.

Operação Auca

O domingo 8 de Janeiro de 1956 tornar-se-ia uma data inesquecível, ainda que dolorosa, para as missões das selvas equatorianas na América do Sul. Nesse dia o missionário Nate Saint, partiu cedo de Arajuno, a base das operações da “Operação Auca”, e sobrevoou pela enésima vez no seu pequeno Piper Cruiser, a aldeia dos temidos Aucas. A falta de alguns homens encheu-o de alegria. De volta para margem do rio Curaray, a que os missionários haviam dado o nome de “Palm Beach”, avistou um grupo de aproximadamente dez homens que se dirigiam precisamente para esse lugar. Em poucos minutos e adiantando-se ao grupo auca, Nate aterrou junto aos seus companheiros:

— Finalmente rapazes! Eles vêm até cá!

Durante três meses e dois dias estavam fazendo aproximações por avião, deixando prendas atrás de prendas, com mensagens de boa vontade e agora finalmente, tinha chegado a hora de vê-los cara-a-cara, em terra. Os cinco misionários tinham entrado em território auca havia cinco dias e estes, finalmente estavam decididos a aproximar-se.

Com esta boa notícia, Nate chamou às 12h30 a sua esposa Marj, que seguia atentamente os seus movimentos através de radio, em Shell Mera, a base das missões cristãs no Equador oriental. Com palavras entrecortadas disse:

— Uma comissão de 10 homens vem a caminho. Parece que vão estar aqui para o culto da tarde. Orem por nós. Este vai ser o dia! Falamos outra vez às 16h30.

Cinco vocações incontornáveis

A “Operação Auca” foi o ponto final de uma estratégia missionária que havia começado muito tempo atrás no coração de cinco jovens missionários norte-americanos.

Desde muito jovem, Jim Elliot, nascido em 1925, preparou-se para aquilo que ele achava ser a missão da sua vida: pregar o evangelho a pessoas que nunca o tinham ouvido em algum país hispano-americano. Desde pequeno, familiarizou-se com as Escrituras, e desde os anos de colégio – onde foi bom aluno – interessou-se pelo estudo da língua espanhola.

Em Novembro de 1947, Jim escreveu a seguinte carta aos Jim Elliot 1 seus pais: “O Senhor deu-me uma sede de justiça e piedade para qual Ele é a única fonte. Somente Ele pode satisfazer esta sede, ainda que Satanás esteja interessado em apagá-la ao suscitar um vasto leque de diversões, tais como a vida social, a busca de renome, de boa posição, ou a obtenção de diplomas académicos… O que será senão o desejo dos pagãos, cujas paixões são falsas e pervertidas? Estes valores não podem em nada cativar a alma que já viu a beleza do Senhor. Provavelmente vão ouvir falar da menção que obtive na faculdade: ela reveste-se do mesmo carácter. Esse diploma vai ser arrumado daqui a pouco numa velha mala na nossa cave, juntamente com o prémio especial, resultado de 4 anos de estudos em Benson. “Debaixo do sol, tudo é vaidade, e anda atrás do vento”. A verdadeira vida está escondida em Cristo…Nesta vida nunca conseguimos uma realização completa: chegar a um objectivo há muito desejado, levanos a ambicionar por outro ainda mais elevado – processo que só se termina com a morte… Que o Senhor nos ensine a viver cada dia como se fosse o último, como Paulo disse: Não tenho a minha vida em nada por preciosa, somente possa acabar a carreira da fé…”

No verão de 1950, depois dum encontro com um missionário que estava no Equador e que o informou das necessidades daquela região, Jim percebeu com maior clareza que deveria ir para lá. Os seus pais interrogaram, juntamente com outros, se o ministério do Jim não seria mais frutuoso nos Estados Unidos onde tantas pessoas ignoram ainda a verdadeira mensagem do Evangelho. Ele respondeu: “Não consigo ficar no meu país enquanto os Quichuas perecem. Que importa se as igrejas repletas da minha terra não estão avivadas? Elas têm as Escrituras, Moisés e os profetas, e muito mais ainda. A condenação delas está escrita nos seus livros de cheques e no pó que recobre as suas Bíblias.”

Em Agosto de 1951 Jim encontrou-se com um velho amigo, Peter Fleming. nascido em 1928. Este acabava de se formar e estava à procura da direcção divina para a sua vida. Como fruto desse encontro, ambos se deram conta de um destino comum. Em Fevereiro de 1952 Jim e Pete tornaram o sonho deles realidade, viajando para o Equador.

Jim Elliot e Peter Fleming em 1952 O noivado de Pete Fleming com Olive Ainslie não foi impedimento. Partiu sem as responsabilidades de uma família. Seria assim pelo menos no primeiro ano.

Depois de seis meses de estudo de espanhol em Quito, foram para a Selva, até Shell Mera, onde se situava a base da Associação Missionária de Aviação (M.A.F.). Dali seguiram viagem até Shandia, uma estação missionária Quichua.

2 Em Dezembro de 1952, juntou-se a eles, Edward McCully, antigo companheiro de colégio de Jim, desportista e orador destacado. Ed cresceu no Middle West numa família onde o Senhor tinha a primazia. Filho de um pregador activo, que se deslocava um pouco por toda a parte nos Estados Unidos e que testemunhava fervorosamente aos seus colegas de trabalho, Ed tinha pensado tornar-se advogado, mas antes de se matricular no curso de Direito, Deus mostrou-lhe outro caminho. Agora ele, com sua esposa Marilou e o seu pequeno Stevie juntavam-se ao grupo missionário.

Ed Mac Cully, Marilou e Stevie Nate Saint Nate Saint, piloto da M.A.F, e a sua esposa Marj Farris, chegaram a Shell Mera alguns anos antes, em 1948. Como profissional de mecânica dos Aviões, a sua missão consistia em transportar no seu Piper Cruiser, missionários, suas provisões, doentes, até e desde as zonas mais afastadas e isoladas. As preocupações dele eram a segurança, a eficiência e a economia. Num dos aviões, resolveu trocar os belos assentos, por uns menos confortáveis e mais leves que permitiriam transportar mais comida e equipamentos. Nate tinha um princípio espiritual que também aplicava aos aviões: “Quando o voo da vida termina e quando descarregamos do outro lado, aquele que se livrou de cargas inúteis será aquele que apresentará a carga mais valiosa ao Senhor.”

Roger Youderian foi o último elemento a juntar-se ao grupo. Nascido em 1924 numa fazenda do Estado do Montana, era o sétimo filho duma família de agricultores. Recebeu por parte da mãe uma formação bíblica fervorosa e sólida. Tornou-se páraquedista do exército, e lutou na Segunda Guerra Mundial. Quando estava em Berlim, sentiu a chamada de Deus para ser missionário. Desde 1953 que servia entre os índios jivaros e os atshuara.

3 Uma carga especial

Cinco homens com talentos e personalidades muito diferentes, vindos dos Estados Unidos, da Costa Oeste e ainda do Middle West chegaram ao Ecuador; diferentes mas unidos por um desejo comum. Todas as outras tribos em volta tinham sido alcançadas: os jivaros, os quichuas, os colorados, os cayapas, mas os aucas tinham resistido firmemente. Quem eram e porque eram tão hostis?

Os aucas eram uma tribo – e um território – impenetráveis. Todos os missionários anteriores, desde Pedro Suárez em 1667 tinham sido assassinados. Apesar de tudo, eles abriram-se à civilização mas vez após vez terminou em tragédia. A hostilidade para com o homem branco acentuou-se por causa dos caçadores de borracha no princípio do século XX, que os tinham roubado, torturado, escravizado e matado. Isto havia remetido os aucas à desconfiança e ao temor.

Este povo intrigava os missionários. “Seriam eles assassinos natos? Matariam eles para preservar o seu território? Ou matariam para roubar? Estas perguntas ficavam sem resposta. No entanto, algumas coisas estavam claras: para os aucas, o homem branco era indesejado, e qualquer que se atrevesse a pisar território auca, punha a sua vida em risco.

“A Operação Auca”

A operação começou em Setembro de 1955.

O primeiro passo de aproximação foi feito por Ed McCully que se estabeleceu em Arajuno, um lugar onde viviam cerca de uma centena de quichuas, situado à beira do território auca. Somente um rio os separava. Como tal, Ed colocou uma rede de arame eléctrica em volta da casa e tinha sempre à mão uma pistola e uma espingarda, para poder intimidar em caso de algum ataque. Arajuno começou por ser a base das operações.

No dia 19 de Setembro, Nate e Ed sobrevoaram aquela selva cerrada em busca de zonas habitadas. Depois de alguma procura, encontraram cerca de 15 lugares mais abertos e umas poucas casas. Duas semanas depois, Nate e Peter realizaram uma nova exploração e descobriram meia dúzia de casas a somente 15 minutos de voo de Arajuno. Não havia dúvidas quanto ao próximo objectivo!

4 Para ultrapassar a barreira da língua, Jim viajou até uma fazenda das proximidades onde vivia Dayuma, uma mulher auca que, depois de um combate sangrento, viu toda a sua família ser massacrada e não teve outra solução senão fugir. Ela ensinou-lhe algumas frases que permitiram aos missionários a primeira aproximação. “Biti miti punimupa” que significa “eu gosto de vocês”, “Biti winki pungi amupa” que significa “Quero entrar em contacto convosco”, foram algumas das frases que Jim anotou minuciosamente no seu bloco assim como mais algum vocabulário usual.

Dayuma No dia 6 de Outubro, começaram a lançar desde o ar, algumas prendas. Para isso usavam uma técnica que Nate engenhosamente havia criado. Com esta técnica a que chamou de “corda em espiral”, lançavam um cesto amarrado a uma corda. O avião voava em círculos apertados a uma determinada velocidade que permitia ao cesto cair quase direito em determinado sítio pretendido. Em baixo alguém podia recolhê-lo com a mão, tirar o que continha e até colocar dentro alguma coisa antes que fosse novamente levantado desde o avião.

Seguiram-se mais visitas e mais prendas, umas atrás das outras. Alguns utensílios, ferramentas, roupas, etc.. Os missionários achavam que um programa regular de entregas durante algum tempo poderia convencer os índios das boas intenções do grupo. Para despertar alguma curiosidade, eram lançadas coisas diferentes de umas vezes para as outras. As reacções eram animadoras. Os aucas estavam a responder como esperado. O avião era aparentemente aguardado com entusiasmo. Nenhuma reacção de medo, nem de ameaça. As roupas oferecidas eram logo vestidas.

Na quarta viagem, Nate instalou um altifalante que funcionava com ajuda de uma bateria para poder enviar as mensagens amigáveis que Jim tinha aprendido. Na sexta semana, os aucas começaram a agradecer, de vez em quando com alguma oferta que colocavam no cesto. Uma delas foi um belo papagaio. Cada sinal amigável da parte dos aucas era recebido com grande alegria por parte dos missionários.

Ed MacCully, Peter Fleming e Jim Elliot No dia 3 de Dezembro, já iam na nona visita. À medida que o tempo passava, viam aproximar-se o dia de um encontro terrestre. Para isso, começaram a explorar o terreno, o que os levou a descobrir uma praia junta ao Curaray onde seria possível aterrar. Ficava a 6/7 quilómetros da “cidade terminal”, povoação auca que costumavam visitar.

O plano estava traçado até ao mais pequeno detalhe. Cada missionário tinha um cargo na “operação Auca”. Inclusivamente a Marj, teria a importante tarefa de manter o contacto via rádio com o avião desde Shell Mera. Por seu lado, Bárbara (a esposa de Roger) ficaria em Arajuno com Marilou (esposa de Ed) com a tarefa de preparar a comida que seria levada diariamente para Palm Beach.

5 Nesta altura, as cinco esposas (entretanto o Jim Elliot já se tinha casado com a Elisabeth e o Peter Fleming com a Olive Ainslie), tinham bem presente a possibilidade de virem a ficar viúvas nesta operação, mas a conclusão era clara: quando se casaram, não tinham dúvidas quanto a Quem ocuparia o primeiro lugar – Deus e a Sua obra.

Diário do Jim Elliot onde ele escreveu a sua célebre frase…”Não é louco quem abre mão do que não pode reter, para ganhar o que não pode perder.”

Na manhã do dia 3 de Janeiro, os cinco homens cantaram juntos um dos seus hinos preferidos e foram. No avião levaram os utensílios e ferramentas necessários, incluindo, uma pequena casa que instalaram no tronco de uma árvore, a 10 metros de altura, junto à praia.

Na quarta e na quinta, Nate e Peter que iam dormir a Arajuno, sobrevoaram a “Cidade terminal” convidando os homens a virem a Palm Beach. Alguns pequenos sinais deixavam adivinhar uma aproximação para breve.

Na sexta às 11:15 ouviu-se uma voz do outro lado do rio, e viram-se 3 aucas, um homem e duas mulheres. Os missionários receberam-nos amigavelmente. O homem, ao qual deram o nome de “George”, mostrava interesse pelo avião. Então Nate convidou-o a sobrevoar povoação auca. O resto do dia correu sem surpresas.

Nate Saint e “George“ no primeiro encontro terrestre

No sábado, não aconteceu nada de especial.

O dia “D”

No domingo 8, Nate avistou desde o ar, um grupo de 10 aucas a aproximar-se. Às 12h30, contactou sua esposa via rádio, informando-a da situação e pedindo-lhe para se manter atenta para o contacto das 16h30.

Às 16h30, as esposas tentavam contactar o avião. Umas desde Shell Mera, outras desde Arajuno. Chamavam para Palm Beach, mas só restava o silêncio. Esperaram até à noite, na expectativa de que o silêncio se devia a algum pequeno contra-tempo. Os minutos eram longos e dolorosos.

6 Às sete da manhã do dia 9, Johnny Keenan, colega de Nate na M.A.F. sobrevoou a praia de Palm Beach para conseguir algumas notícias dos companheiros. Às 9h30, Johnny, transmitiu a informação, que Marj de seguida também retransmitiu a todos:

—Johnny encontrou o avião na praia. Arrancaram-lhe o estofo. Ninguém à vista.

Os dias seguintes

Na quarta, colegas missionários, militares norte-americanos e equatorianos organizaram uma operação de resgate que partiu de Arajuno rumo a Palm Beach. Abrigavam ainda a esperança de poderem encontrar um deles com vida, eventualmente tentando regressar a pé para a base de Arajuno.

Elisabeth Elliot, após a notícia Quando regressaram a Palm Beach, tinham descoberdo 4 corpos; o quinto tinha sido avistado pouco antes mas foi impossível reencontrá-lo nas águas abaixo. A equipa de salvamento sepultou os corpos debaixo da árvore onde os missionáiros tinham instalado a casa.

No sábado, o capitão Dewitt do serviço de socorros, convidou as viúvas a sobrevoar o local onde tinham sido sepultados os seus maridos. Ao regressar Marj Saint, viúva de Nate Saint, afirmou:

— É o mais belo cemitério do mundo!

O muro abriu-se

A confiança serena das jovens mães ora viúvas ajudou as crianças a encararem a situação sem qualquer sentimento de tragédia. Tratava-se somente do cumprimento do vontade de Deus. “Eu sei que o meu papá está com Jesus. Sinto muito a falta dele, gostava que ele viesse brincar comigo de vez em quando!” dizia o pequeno Stevie McCully com 3 anos. De regresso aos Estados Unidos, algumas semanas mais tarde, nasceu o Matthew, irmão mais novo de Stevie. Certa vez, quando chorava, este último disse-lhe: “Não te preocupes, quando chegarmos ao céu, eu mostro-te o nosso papá”. Seria o preço demasiadamente elevado?

Elisabeth e Valérie Elliot

Para a generalidade das pessoas, parecia um desperdício de cinco jovens vidas, mas Deus tinha um plano e um objectivo em todas as coisas. Muitos viram as suas vidas transformadas após estes acontecimentos. No Brasil, um grupo de Índios duma estação 7 missionária do Mato Grosso, caiu de joelhos ao saber a notícia, pedindo a Deus perdão pela sua negligência para com os seus compatriotas índios não crentes. De Roma, um funcionário americano escreveu a uma das viúvas: “ Eu conhecia o seu marido. Ele era para mim a imagem perfeita do cristão.” Um major da Força Aérea, de serviço em Inglaterra, com muita experiência como piloto de aviões a reacção, decidiu imediatamente juntar-se à Associação Missionária de Aviação. De África, um missionário escreveu: “ O nosso trabalho não será jamais como antes. A vida deles marcou profundamente a nossa”.

Ao largo da Costa Italiana, um oficial da marinha americana foi vítima de naufrágio. Enquanto boiava à superfície da água, lembrou-se das palavras de Jim Elliot (lidas num artigo):” Quando a hora da morte chega, será que não há mais nada a fazer senão morrer?” Ele pediu a Deus para o livrar da morte, porque não estava pronto para morrer e Deus salvou-o.

No estado do Iowa, um rapazinho de 8 anos, orou durante uma semana e anunciou aos pais: “Consagrei inteiramente a minha vida a Deus. Eu quero tentar substituir um dos cinco missionários.”

O massacre dos cinco missionários, publicado pelos jornais, despertou imediatamente uma reacção no mundo inteiro. Mensagens de consolo e condolências começaram a chegar às 5 viúvas de toda a parte. Somente a eternidade poderá revelar a quantidade de orações dirigidas a Deus em favor delas, das crianças e da obra que aqueles 5 homens tinham começado.

Rapidamente fizeram-se planos para continuar a obra dos mártires. Johnny Keenan retomou os voos entregando prendas nas aldeias aucas, para demonstrar as boas intenções dos missionários. A obra nos vizinhos quichuas experimentou um reavivamento e estes também começaram a orar pelos aucas.

No dia 3 de Setembro de 1958, três anos e oito meses depois do massacre, 3 mulheres aucas que se converteram ao Senhor através do ministério da Elisabeth Elliot e Raquel Saint (irmã de Nate Saint) voltaram à aldeia onde ficaram 3 semanas falando do amor de Deus.

Alguns dias depois, Elisabeth e Raquel entraram elas mesmas nessa aldeia, como resposta a um convite. Foram recebidas como irmãs.

A morte dos cinco homens conseguiu romper a desconfiança ancestral. O Caminho para a Palavra da verdade estava agora aberto: Os aucas podiam ser alcançados pelo Evangelho.

Adaptado de Através das portas de Resplendor, de Elisabeth Elliot

Astrofísica atéia se converte a Cristo

Astrofísica atéia se converte a Cristo; “Eu percebi que existe uma ordem no Universo”.

cientifica-se-convierte-cristoPor: Helio Medeiros

Repercutiu em sites de todo o planeta, recentemente, o testemunho de pesquisadora do Departamento de Astronomia da Universidade do Texas e professora de Astrofísica na Universidade Southwestern. A incrível história de Sarah Salviander e sua conversão a Cristo começa com os seus estudos científicos e culmina com a morte da filha. Vale a pena investir cinco minutos em ler o depoimento dela.

Eu nasci nos Estados Unidos e fui criada no Canadá. Meus pais eram ateus, embora preferissem se definir como ‘agnósticos’. Eles eram carinhosos e mantinham uma ótima conduta moral, mas a religião não teve papel nenhum na minha infância”.

“O Canadá já era um país pós-cristão. Olhando em retrospectiva, é incrível que, nos primeiros 25 anos da minha vida, eu só conheci três pessoas que se identificaram como cristãs. A minha visão do cristianismo era intensamente negativa. Hoje, olhando para trás, eu percebo que foi uma absorção inconsciente dessa hostilidade geral que existe no Canadá e na Europa em relação ao cristianismo. Eu não sabia nada do cristianismo, mas achava que ele tornava as pessoas fracas e tolas, filosoficamente banais”.

Aos 25 anos, quando abraçava a filosofia racionalista de Ayn Rand, Sarah entrou em uma universidade dos EUA: “Entrei no curso de Física da Eastern Oregon University e percebi logo a secura e a esterilidade do objetivismo racionalista, incapaz de responder às grandes questões: qual é o propósito da vida? De onde foi que viemos? Por que estamos aqui? O que acontece quando morremos? Eu notei também que esse racionalismo sofria de uma incoerência interna: toda a sua atenção se volta para a verdade objetiva, mas sem apresentar uma fonte para a verdade. E, embora se dissessem focados em desfrutar a vida, os objetivistas racionalistas não pareciam sentir alegria alguma. Pelo contrário: estavam ferozmente preocupados em se manter independentes de qualquer pressão externa”.

A atenção da jovem se voltou completamente ao estudo da física e da matemática.

“Entrei nos clubes universitários, comecei a fazer amigos, e, pela primeira vez na minha vida, conheci cristãos. Eles não eram como os racionalistas: eram alegres, felizes e inteligentes, muito inteligentes. Fiquei de boca aberta ao descobrir que os meus professores de física, a quem eu admirava muito, eram cristãos. O exemplo pessoal deles começou a me influenciar e eu me via cada vez menos hostil ao cristianismo. No verão, depois do meu segundo ano, participei de um estágio de pesquisa na Universidade da Califórnia, num grupo do Centro de Astrofísica e Ciências Espaciais que estudava as evidências do Big Bang. Era incrível procurar a resposta para a pergunta sobre o nascimento do Universo. Aquilo me fez pensar na observação de Einstein de que a coisa mais incompreensível a respeito do mundo é que o mundo é compreensível. Foi aí que eu comecei a perceber uma ordem subjacente ao universo. Sem saber, ia despertando em mim o que Salmo 19 diz com tanta clareza: ‘Os céus proclamam a glória de Deus; o firmamento anuncia a obra das suas mãos’”.

Depois desse insight, a razão de Sarah foi gradualmente se abrindo ao Mistério:

“Comecei a perceber que o conceito de Deus e da religião não eram tão filosoficamente banais como eu pensava que fossem. Durante o meu último ano, conheci um estudante finlandês de ciências da computação. Um homem de força, honra e profunda integridade, que, assim como eu, tinha crescido como ateu num país laico, mas que acabou abraçando Jesus Cristo como o seu Salvador pessoal, aos 20 anos de idade, graças a uma experiência particular muito intensa. Nós nos apaixonamos e nos casamos. De alguma forma, mesmo não sendo religiosa, eu achava reconfortante me casar com um cristão. Terminei a minha formação em física e matemática naquele mesmo ano e, pouco tempo depois, comecei a dar aulas de astrofísica na Universidade do Texas em Austin”.

A penúltima etapa da jornada de Sarah foi a descoberta, também casual, de um livro de Gerald Schroeder:

The Science of God” [“A Ciência de Deus”]. “Fiquei intrigada com o título e alguma coisa me levou a lê-lo, talvez o anseio por uma conexão mais profunda com Deus. Tudo o que sei é que aquilo que eu li mudou a minha vida para sempre. O Dr. Schroeder é físico do MIT e teólogo. Eu notei então que, incrivelmente, por trás da linguagem metafórica, a Bíblia e a ciência estão em completo acordo. Também li os Evangelhos e achei a pessoa de Jesus Cristo extremamente convincente; me senti como quando Einstein disse que ficou ‘fascinado com a figura luminosa do Nazareno’. Mesmo com tudo isso, apesar de reconhecer a verdade e de estar intelectualmente segura quanto a ela, eu ainda não estava convencida de coração”.

O encontro decisivo com o cristianismo aconteceu há apenas dois anos, depois de um acontecimento dramático: “Eu fui diagnosticada com câncer. Não muito tempo depois, meu marido teve meningite e encefalite; ele se curou, felizmente, mas levou certo tempo. A nossa filhinha Ellinor tinha cerca de seis meses quando descobrimos que ela sofria de trissomia 18, uma anomalia cromossômica fatal. Ellinor morreu pouco depois. Foi a perda mais devastadora da nossa vida. Eu caí nas mãos do desespero até que tive, lucidamente, uma visão da nossa filha nos braços amorosos do Pai celestial: foi só então que eu encontrei a paz. Depois de todas essas provações, o meu marido e eu não só ficamos ainda mais unidos, como também mais próximos de Deus. A minha fé já era real. Eu não sei como teria passado por essas provações se tivesse continuado ateia. Quando você tem 20 anos, boa saúde e a família por perto, você se sente imortal. Mas chega um momento em que a sensação de imortalidade evapora e você se vê forçada a enfrentar a inevitabilidade da própria morte e da morte das pessoas mais queridas”.

“Eu amo a minha carreira de astrofísica. Não consigo pensar em nada melhor do que estudar o funcionamento do universo e me dou conta, agora, de que a atração que eu sempre senti pelo espaço não era nada mais do que um intenso desejo de me conectar com Deus. Eu nunca vou me esquecer de um estudante que, pouco tempo depois da minha conversão, me perguntou se era possível ser cientista e acreditar em Deus. Eu disse que sim, claro que sim. Vi que ele ficou visivelmente aliviado. Ele me contou que outro professor tinha respondido que não. Eu me perguntei quantos outros jovens estavam diante de questões semelhantes e decidi, naquela hora, que iria ajudar os que estivessem lutando com esses questionamentos. Eu sei que vai ser uma jornada difícil, mas o significado do sacrifício de Jesus não deixa dúvidas quanto ao que eu tenho que fazer”.

Os palestinos e seus vínculos com Hitler

Os palestinos e seus vínculos com Hitler

Alan M. Dershowitz

A “Guerra Cultural” do Hamas reconhecerá seus laços históricos com o nazismo?
O Hamas, a organização terrorista especializada em alvejar civis, agora decidiu, de acordo com uma manchete do jornal americano The New York Times, mudar “de mísseis para guerra cultural”, num esforço para angariar apoio do público para sua causa. Parte de sua campanha de relações públicas em andamento é descrever os israelenses como os “novos nazistas” e os palestinos como os “novos judeus”. Para realizar essa transformação, será preciso se engajar em uma forma de negação do Holocausto, para apagar o registro histórico da ampla cumplicidade palestina com os “antigos nazistas” em perpetrarem o verdadeiro Holocausto. Tornou-se uma parte importante do mantra dos apoiadores do Hamas que nem o povo palestino nem sua liderança tiveram qualquer participação no Holocausto. Ouça Mahmoud Ahmadinejad falando aos alunos da Universidade Columbia, nos Estados Unidos:

“Mesmo que [o Holocausto] fosse uma realidade, ainda precisaríamos questionar se o povo palestino deveria estar pagando por isso ou não. Afinal, ele aconteceu na Europa. O povo palestino não teve nenhuma participação nele. Portanto, por que o povo palestino está pagando o preço por um evento com o qual ele não teve nada a ver? O povo palestino não cometeu nenhum crime. Ele não teve nenhuma participação na Segunda Guerra Mundial. Ele estava vivendo em paz com as comunidades judaicas e com as comunidades cristãs naquela época”.

A conclusão que se deve tirar desse “fato” é que o estabelecimento de Israel como conseqüência do genocídio do povo judeu pelos nazistas foi injusto com os palestinos. O cerne dessa afirmação é que nem o povo palestino nem sua liderança tiveram qualquer responsabilidade pelo Holocausto e, se alguma reparação é devida ao povo judeu, ela deve ser feita pela Alemanha e não pelos palestinos. Os propositores desse argumento histórico sugerem que o Ocidente criou o Estado Judeu por causa de sua culpa no Holocausto. Conforme esse raciocínio, seria compreensível se uma parte da Alemanha (ou da Polônia, da Lituânia, da Letônia, da França, da Áustria, ou de outras nações colaboradoras) tivesse sido alocada como terra dos judeus – mas, por que a Palestina? A Palestina, de acordo com essa afirmação, foi tão “vítima” quanto os judeus.

Ouço esse questionamento nos campi universitários nos Estados Unidos, e mais ainda nos da Europa.

A verdade, porém, é que a liderança palestina, apoiada pelas massas palestinas, teve um papel significativo no Holocausto de Hitler.

O líder oficial dos palestinos, Haj Amin Al-Husseini, passou os anos da guerra em Berlim, com Hitler, trabalhando como consultor sobre questões judaicas. Ele foi levado a um tour por Auschwitz e expressou apoio ao assassinato em massa dos judeus europeus. Ele também buscou “resolver os problemas do elemento judeu na Palestina e em outros países árabes”, empregando “o mesmo método” que estava sendo usado “nos países da coligação entre Hitler, Mussolini e, posteriormente, o Japão”. Ele não ficaria satisfeito com os judeus residentes na Palestina – muitos dos quais eram descendentes de judeus sefaraditas, que haviam vivido ali por centenas, ou até milhares de anos – permanecendo como uma minoria em um Estado muçulmano. Como Hitler, ele queria ver-se livre de “todo judeu que restasse”. Como Husseini escreveu em suas memórias: “Nossa condição fundamental para cooperar com a Alemanha foi uma ajuda para erradicar até o último judeu da Palestina e do mundo árabe. Pedi a Hitler por uma garantia explícita para nos permitir resolver o problema judeu de maneira que conviesse às nossas aspirações nacionais e raciais e de acordo com os novos métodos científicos empregados pela Alemanha no manejo dos seus judeus. A resposta que obtive foi: ‘Os judeus são seus”’.

Aparentemente, em caso da vitória da Alemanha, o mufti estava planejando retornar à Palestina para construir um campo de extermínio, nos moldes de Auschwitz, perto de Nablus. Husseini incitou seus seguidores pró-nazistas com as seguintes palavras: “Levantem-se, ó filhos da Arábia. Lutem por seus direitos sagrados. Chacinem os judeus onde quer que os encontrarem. O sangue derramado deles agrada a Alá, nossa história e religião. Isso salvará nossa honra”.

Husseini não apenas exortou seus seguidores a matarem os judeus; ele também teve uma participação concreta na tentativa de fazer com que esse resultado acontecesse. Por exemplo, em 1944, uma unidade do comando árabe-alemão, sob as ordens de Husseini, saltou de pára-quedas na Palestina com a intenção de envenenar os poços e as fontes de água de Tel Aviv.

Husseini também ajudou a inspirar o golpe pró-nazista no Iraque e auxiliou a organizar milhares de muçulmanos nos Bálcãs em unidades militares conhecidas como divisões Handshar, que cometeram atrocidades contra os judeus iugoslavos, sérvios, e ciganos. Após um encontro com Hitler, ele registrou em seu diário:

O mufti: “Os árabes eram os amigos naturais dos alemães. (…) Portanto, eles foram preparados para cooperar com a Alemanha de todo o seu coração e ficaram prontos para participar da guerra, não apenas negativamente, cometendo atos de sabotagem e de instigação de revoluções, mas também positivamente, pela formação de uma Legião Árabe. Nesse conflito, os árabes estavam batalhando pela independência e unidade da Palestina, da Síria e do Iraque…”.

Hitler: “A Alemanha estava resolvida, passo a passo, a pedir a uma nação europeia após a outra para resolver seu problema judaico, e, no devido tempo, a direcionar um apelo semelhante também a nações não-européias. O objetivo da Alemanha seria, então, somente a destruição do elemento judaico que estivesse residindo na esfera árabe, sob a proteção do poder britânico. No momento em que as divisões de tanques e os esquadrões aéreos alemães chegarem ao sul do Cáucaso, o apelo público requisitado pelo grão-mufti poderia ser feito ao mundo árabe”.

Hitler assegurou a Husseini de que maneira ele seria considerado a partir de uma vitória nazista e “da destruição do elemento judeu residindo na esfera árabe”. Nessa hora, o mufti seria o porta-voz mais dominante para o mundo árabe. Seria, então, tarefa dele dar início às operações que havia preparado secretamente.

As significativas contribuições de Husseini ao Holocausto foram multiformes: primeiro, ele pleiteou com Hitler o extermínio dos judeus europeus e aconselhou os nazistas como procederem para tanto; segundo, ele visitou Auschwitz e instou Eichmann e Himmler a acelerarem o ritmo do assassinato em massa; terceiro, ele, pessoalmente, impediu 4.000 crianças, acompanhadas por 500 adultos, de deixarem a Europa e fez com que fossem enviadas a Auschwitz e mortas nas câmaras de gás; quarto, ele impediu outros dois mil judeus de deixarem a Romênia e irem para a Palestina, e outros mil de deixarem a Hungria e irem para a Palestina, judeus esses que foram subseqüentemente enviados para os campos de extermínio; quinto, ele organizou a matança de 12.600 judeus bósnios por muçulmanos, a quem ele recrutou para a divisão nazista-bósnia da Waffen-SS. Ele foi também um dos poucos não-germânicos que tomou conhecimento do extermínio praticado pelos nazistas enquanto ele estava acontecendo. Foi na qualidade oficial de líder do povo palestino e seu representante oficial que ele fez seu pacto com Hitler, passou os anos da guerra em Berlim, e trabalhou ativamente com Eichmann, Himmler, von Ribbentrop, e com o próprio Hitler para “acelerar” a solução final através do extermínio dos judeus da Europa e do planejamento para exterminar os judeus da Palestina.

O grão-mufti não apenas teve um papel significativo no assassinato dos judeus europeus, mas também buscou replicar o genocídio dos judeus em Israel durante a guerra que resultou a chamada Nakba. A guerra iniciada pelos palestinos contra os judeus em 1947 e a guerra iniciada pelos árabes em 1948 contra o novo Estado de Israel, foram guerras genocidas. O alvo não era meramente fazer uma purificação étnica contra os judeus da área, mas a total aniquilação deles. Os líderes assim o disseram e as ações de seus subordinados refletiram o objetivo genocida. Eles receberam auxílio de ex-militares nazistas – membros da SS e da Gestapo – aos quais havia sido dado refúgio no Egito, por causa da instauração dos processos por crimes de guerra, e que tinham sido recrutados pelo grão-mufti para completar o trabalho de Hitler.

Também é oportuno dizer que a solidariedade e o apoio pró-nazista de Husseini eram extensamente difundidos entre seus seguidores palestinos, que o consideravam como herói mesmo após a guerra e com a revelação da participação que ele teve nas atrocidades nazistas. A famigerada fotografia de Husseini com Hitler, juntos em Berlim, era ostentada orgulhosamente em muitos lares palestinos, mesmo depois que as atividades de Husseini no Holocausto se tornaram amplamente conhecidas e elogiadas entre os palestinos.

Husseini ainda é considerado por muitos como o “George Washington” do povo palestino, e se os palestinos conseguissem um Estado para si, ele seria homenageado como fundador. O mufti foi o herói deles, a despeito de – e muito provavelmente por causa de – seu papel no genocídio contra o povo judeu, ao qual ele apoiou e prestou assistência abertamente. De acordo com o autor da biografia de Husseini: “Grandes partes do mundo árabe compartilharam da solidariedade [de Husseini] aos alemães nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. (…) A popularidade de Haj Amin entre os árabes palestinos e dentro dos países árabes realmente aumentou mais do que nunca durante o período em que esteve com os nazistas”.

Em 1948, o Conselho Nacional Palestino elegeu Husseini como seu presidente, embora ele fosse um criminoso de guerra procurado, que vivia exilado no Egito. De fato, Husseini ainda hoje é reverenciado entre muitos palestinos como herói nacional. Yasser Arafat, numa entrevista realizada em 2002 e reeditada no jornal palestino Al-Quds em 2 de agosto de 2002, chamou Husseini de “nosso herói”, referindo-se ao povo palestino. Arafat também se orgulhava de ser “um dos soldados das tropas”, embora ele soubesse que Husseini era “considerado um aliado dos nazistas”. Atualmente, muitos palestinos em Jerusalém Oriental querem fazer da casa dele um santuário. (Ironicamente, essa mesma casa foi comprada por um judeu para construir o controvertido conjunto residencial judaico em Jerusalém Oriental.)

Portanto, é um mito – outro mito perpetrado pelo comandante fabricador de mitos do Irã, bem como pelo Hamas e por muitos da extrema esquerda que buscam demonizar Israel – que os palestinos “não tiveram nenhuma participação” no Holocausto. Considerando o apoio concreto dado pela liderança e pelas massas palestinas ao lado perdedor de uma guerra genocida, foi mais do que justo que as Nações Unidas oferecessem a eles um Estado próprio em mais da metade das terras aráveis do Mandato Britânico.

Os palestinos rejeitaram aquela oferta e várias outras desde então porque queriam que não houvesse um Estado judaico mais do que desejavam seu próprio Estado. Essa era a posição de Husseini. O Hamas ainda tem a mesma posição. Talvez a nova “guerra cultural” deles finalmente faça com que reconsiderem – e aceitem a solução de dois Estados. (Alan M. Dershowitz – Hudson New York – http://www.beth-shalom.com.br)

O islã e a “matança” de inocentes

O islã e a “matança” de inocentes

Denis MacEoin

“Nenhuma religião admite a matança de inocentes”. – Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, 10 de setembro de 2014.

“O islamismo é uma religião de paz”. – David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, 13 de setembro de 2014.

“Existe um lugar para a violência no islamismo. Existe um lugar para a jihad (guerra santa) no islamismo”. – imã Anjem Choudary, do Reino Unido, CBN News, 5 de abril de 2010.

Lamentavelmente, é impossível reinterpretar o Corão de uma maneira “moderada”. A interpretação moderna mais famosa, de Sayyd Qutb (morto em 1966), ideólogo da Fraternidade Muçulmana, leva o leitor cada vez mais ao território político, no qual a jihadé a raiz da ação.

Somente na Índia, entre 60 e 80 milhões de hindus podem ter sido assassinados pelos exércitos muçulmanos entre os anos 1000 e 1525.

Antes que o Estado Islâmico decapitasse o terceiro ocidental, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que: “O ISIL não é islâmico. Nenhuma religião admite a matança de inocentes”.

Bem, não exatamente!

Com que freqüência – a despeito do atual espetáculo do Estado Islâmico [EI, IS, ISIL ou ISIS] na Síria e no Iraque – ouvimos os políticos ou os líderes eclesiásticos dizendo que o islamismo é uma religião de paz; que o extremismo islâmico é uma inovação moderna, um profundo desvio de algum “verdadeiro” islamismo imaginado, e até mesmo que seu próprio nome, a palavra “islã”, significa “paz”!

Não são apenas os muçulmanos que dizem que o islamismo é uma religião de paz: alguns políticos ocidentais e líderes eclesiásticos também repetem isso.

Foi o que enfatizou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, no dia 13 de setembro de 2014, na BBC, em resposta à decapitação pelo ISIS do agente humanitário britânico David Haines.

O ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse[1] o mesmo mais de uma vez,[2] inclusive em um discurso[3] que fez no dia 7 de setembro de 2001.

Da mesma forma, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair afirmou: “Não existe um problema com o islamismo. Para aqueles dentre nós que o estudamos, não há dúvida sobre sua natureza verdadeira e pacífica”.[4]

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não questionava nada antes, assim como não questiona nada agora. Em novembro de 2010, em Mumbai, na Índia, ele disse: “A religião [o islamismo] ensina a paz, a justiça, a imparcialidade e a tolerância. Todos nós reconhecemos que essa grandiosa religião não pode justificar a violência”.[5]

O papa Francisco I fez declarações semelhantes: “Tendo-nos deparado com episódios desconcertantes de fundamentalismo violento, nosso respeito aos verdadeiros seguidores do islamismo deveria nos levar a evitar generalizações odiosas, pois o islamismo autêntico e a leitura adequada do Corão se opõem a toda forma de violência”.[6]

O islamita britânico Anjem Choudary, entretanto, em uma entrevista à CBN News,[7] em 2010, rejeitou categoricamente tais interpretações do islamismo:

“Não se pode dizer que o islamismo seja uma religião de paz”, disse ele. “Porque islã não significa paz. Islã significa submissão. Portanto, o muçulmano é uma pessoa que se submete. Existe um lugar para a violência no islamismo. Existe um lugar para a jihad no islamismo”.

“Existe um lugar para a violência no islamismo. Existe um lugar para a jihad no islamismo”.

Choudary está certo. Embora a palavra árabe para paz, salam, e a palavra árabe para submissão, islam, venham da mesma raiz de três consoantes, elas têm significados bastante distintos e vêm de diferentes formas verbais. Ninguém que saiba a língua árabe cometeria o erro de tomar uma palavra pela outra.

Islã não significa “paz”. Islã significa “submissão”. Sua raiz, salam, significa paz, mas não no sentido ocidental da palavra. A palavra significa a paz que prevalecerá no mundo assim que a humanidade se converter ao islã, embora ainda esteja em discussão a qual das suas ramificações.[8]

O curioso é que ninguém, que eu saiba, tem colocado muita ou qualquer ênfase na história inicial do islamismo. Por qualquer critério, essa história inicial demonstra tristemente que o islamismo jamais foi uma religião de paz e que os jihadistas modernos, especialmente os salafistas, buscam sua inspiração diretamente nas ações das primeiras três gerações da fé: os “salaf” (antepassados/ancestrais), os companheiros do profeta, seus filhos e seus netos. O que é preocupante, ou deveria ser, é que essas figuras servem como modelos construtivos para os muçulmanos atualmente.

O Corão está repleto de injunções para lutar a jihad; os próprios radicais modernos dizem que tiram sua inspiração de lá. Há estimativas de cerca de 164 versos sobre ajihad[9] no Corão. E esses não incluem inúmeras passagens ordenando ou descrevendo a guerra santa na Hadith, ou seja, na biografia do profeta. Alguns exemplos (traduções do autor) incluem:

“Deixem que aqueles que vendem a vida deste mundo pela vida por vir lutem da maneira de Deus; quer ele seja morto ou viva vitoriosamente, lhe daremos uma poderosa recompensa” (4.74).

“Lançarei medo nos corações dos incrédulos. Portanto, cortem a cabeça deles e cortem as pontas de todos os dedos deles” (8.12).

“Matem os incrédulos onde quer que vocês os encontrem; levem-nos cativos e os deixem sitiados; e montem tocaias contra eles, fazendo-os cair em emboscadas” (9.5).

Lamentavelmente, é impossível reinterpretar o Corão de uma maneira “moderada”. A mais famosa tafsir (interpretação) moderna do livro sagrado é uma obra de vários volumes intitulada In the Shade of the Qu’ran [À Sombra do Corão]. Ela foi escrita por Sayyd Qutb (morto em 1966), ideólogo da Fraternidade Muçulmana, freqüentemente considerado como o pai do moderno radicalismo. Sua interpretação leva o leitor cada vez mais ao território político, no qual a jihad é a raiz da ação.

Lamentavelmente, é impossível reinterpretar o Corão de uma maneira “moderada”.

O Corão contém muitos versos pacíficos e moderados, e esses poderiam muito bem ser usados para criar uma reforma genuína – alguma coisa que vários reformadores sinceros tentaram fazer. Mas há algo que chama a atenção. Todos esses versos moderados foram escritos na fase inicial da carreira de Maomé, quando ele morava em Meca e aparentemente tinha decidido seduzir as pessoas. Quando se mudou para Medina, em 622 d.C., tudo mudou. Logo ele se tornou um líder religioso, político e militar. Durante os dez anos seguintes, como suas propostas religiosas às vezes não eram bem-vindas, seus versos pacíficos deram lugar aos versículos da jihad e aos seus discursos (ou conversações filosóficas) intolerantes contra os judeus, os cristãos e os pagãos. Quase todos os livros de tafsir pressupõem que os versos escritos mais tarde revogam os que foram escritos mais cedo. Isto significa que os versos pregando amor por todos já não são mais aplicáveis, exceto com relação aos companheiros muçulmanos. Os versos que ensinam a jihad, a submissão e as doutrinas relacionadas continuam formando a base para a abordagem de muitos muçulmanos aos não-crentes.

Um problema é que ninguém pode mudar o Corão de forma nenhuma. Se o livro contém a palavra direta de Deus, então a remoção de um simples til ou de um ponto acima ou abaixo de uma letra seria uma blasfêmia da pior espécie.[10] Qualquer mudança sugeriria que o texto na terra não combina com a tábua no céu – a “Mãe do Livro”, da forma como Maria é a Mãe de Cristo – pois esse é o Corão original eterno. Se um ponto pudesse ser mudado, talvez outros pudessem ser mudados, e palavras longas poderiam ser substituídas por outras palavras. O próprio Corão condena os judeus e os cristãos por terem manipulado seus livros sagrados, de forma que nem a Torá nem os Evangelhos podem ser considerados como a Palavra de Deus. O Corão nos pega em uma armadilha por sua absoluta imutabilidade.

O pecado que ataca os políticos, líderes eclesiásticos e multiculturalistas ocidentais modernos é sua pronta aceitação da ignorância e a promoção de sua própria ignorância à categoria de erudição. O islã é um dos tópicos mais importantes da história humana, mas quantas crianças ouvem detalhes como os mencionados acima em suas aulas de história? Quantos livros-texto pintam uma figura honesta sobre como o islamismo começou e como ele teve continuidade como um pano de fundo para a maneira que ele prossegue hoje?

Além disso, a quantos verdadeiros especialistas é negado o contato com governos e políticos para que mentiras não se tornem a base de decisões governamentais no Ocidente? Quantas vezes a verdade será sacrificada por causa de fábulas, enquanto os extremistas muçulmanos bombardeiam, atiram e decapitam em seu caminho para o poder?

Esses fatos não vêm de relatos modernos do Ocidente; eles estão lá nos textos que alicerçam o islamismo, nas histórias de al-Waqidi e de al-Tabari. Ninguém está inventando isso. Os muçulmanos que evitam sua própria história deveriam ser confrontados por ela em todas as futuras discussões.

Quantas vezes a verdade será sacrificada por causa de fábulas, enquanto os extremistas muçulmanos bombardeiam, atiram e decapitam em seu caminho para o poder?

Infelizmente, até muitos muçulmanos moderados ainda falham em ver a realidade por detrás de alguns aspectos elementares de sua própria religião. Logo após os atentados em Londres, em 7 de julho de 2005, o jornal The Guardianperguntou a várias pessoas sobre suas visões a respeito dos ataques. Um jovem e simpático líder muçulmano disse que ficou horrorizado com os assassinatos cometidos por quatro de seus correligionários. Ele afirmou que, se pelo menos os jovens lessem o Corão, eles se voltariam contra todas as formas de extremismo violento.

Todos os combatentes jihadistas do mundo constantemente lêem e citam o Corão, onde eles encontram mais do que suficientes justificativas para os ataques violentos contra os não-muçulmanos, apóstatas e “hipócritas” (munafiqun – uma palavra tomada diretamente do Corão, significando algo semelhante a apóstatas, ou pessoas que abandonaram a fé).

Não considerando o Corão, os seis livros do Hadith e a biografia do profeta (o Sira) representam um mundo nascido em violência. Maomé, depois de mudar sua residência para Medina, levou seus seguidores a batalhas e a ataques a áreas tribais. Ele lutou em conflitos importantes como as batalhas de Badr, Uhud e al-Khandaq. Ibn Ishaq, seu biógrafo, diz que ele lutou em vinte e sete batalhas. Além disso, ele enviou tenentes a caravanas de invasão – as invasões são conhecidas como ghazwat. Cerca de 100 dessas invasões aconteceram principalmente para chamar os árabes ao islamismo. Se eles se desviassem da fé verdadeira, os “apóstatas”, como os pagãos, deveriam ser combatidos até aceitarem o islamismo ou serem mortos – como estamos vendo atualmente no Estado Islâmico (EI).

Maomé ordenou e apoiou cerca de quarenta e três assassinatos de oponentes, inclusive de vários poetas, que o haviam desafiado em versos. Mais conhecidas são suas represálias contra três tribos judaicas, duas das quais foram expulsas de Medina, enquanto que os homens da terceira, a Banu Qurayza, foram condenados à morte por Sa’d ibn Mu’adh, cujo julgamento foi endossado por Maomé. Mais de 900 homens da tribo – inclusive meninos de treze anos para cima – foram decapitados; as mulheres e crianças foram vendidas como escravas, ou algumas das mulheres foram feitas concubinas dos homens muçulmanos.[11] O período de Medina não foi nada mais do que rodadas de violência sobre violência, todas ordenadas e realizadas pelo “Profeta da Paz”.

Maomé morreu no ano 632 d.C., e deveria ser sucedido por seu sogro Abu Bakr (morto em 634), tido pelos sunitas como o primeiro califa, ou por seu genro Ali, tido pelos xiitas como o primeiro dos doze imãs – desta forma provocando o primeiro cisma do islamismo, entre os sunitas e os xiitas, nos dias da morte de Maomé.

A primeira tarefa à qual Abu Bakr se dedicou como califa foi lançar uma série de ataques através da Península Arábica. As tribos dos beduínos, que tinham seguido seu costume de suprimir sua lealdade quando o líder de uma tribo associada morresse, aparentemente creram que sua fidelidade ao islamismo havia terminado quando Maomé partiu deste mundo. Abu Bakr tratou isto como uma apostasia e enviou aliados para forçarem os homens das tribos a voltarem para o aprisco do islamismo. Essas Guerras dos Ridda resultaram em quinze batalhas. Quando as coisas tinham sossegado, Abu Bakr enviou exércitos muçulmanos para conquistarem o Iraque (uma província do Império Persa Sassânida) e o Levante (parte do Império Bizantino Cristão).

Quando Abu Bakr, já um homem velho, morreu de febre, em agosto de 634 d.C., foi sucedido por Umar ibn al-Khattab (morto em 644). Sob seu governo, o Império Sassânida inteiro e dois terços do Império Bizantino foram conquistados pelo islamismo. Batalha após batalha, derramamento de sangue após derramamento de sangue. Em 644 d.C., um grupo de persas, irados por causa da conquista, conspirou para matar Umar e foi bem sucedido quando um ex-escravo, mais conhecido como Abu Lu’lu’, o assassinou durante as orações.

Embora o terceiro dos quatro “Califas Corretamente Guiados”, Uthman ibn Affan (morto em 656), já estivesse com 65 anos em sua ascensão, durante seu reinado aconteceram batalhas para conquistar ou alinhar a metade do mundo conhecido. Suas conquistas se estenderam até o Paquistão moderno, o Irã, o Afeganistão, o Azerbaijão, o Daguestão, o Turcomenistão e a Armênia. A Sicília e Chipre foram capturadas. Os exércitos [islâmicos] entraram no Norte da África e mais tarde na Península Ibérica e no Sul da Itália.

Já no final de sua vida, entretanto, Uthman tornou-se impopular para muitos. Medina, onde ele tinha sua capital, tornou-se um ninho de intrigas e distúrbios. Em 656, uma revolta armada teve início e 1.000 rebeldes, com ordem para assassinar o califa, partiram do Egito para Medina. Alguns entraram em sua casa e o assassinaram; depois, os defensores do califa se voltaram contra os rebeldes e a luta armada estourou. A religião da paz continuava em marcha.

Uthman foi seguido pelo genro de Maomé, Ali (morto em 661), o último dos quatro Califas Rashidun (Guiados Corretamente). Quase que imediatamente, Ali foi envolvido em uma rixa que terminou em guerra civil. Ele enfrentou a esposa do profeta, A’isha, na Batalha do Camelo em 656, quando 10.000 foram mortos. Ele também enfrentou as forças de Mu’awiya (mais tarde o primeiro dos Califas Omíadas) em Siffin (657), onde Ali perdeu 25.000 homens e Mu’awiya perdeu 45.000. Ali foi assassinado em sua capital, Kufa, por um muçulmano extremista, durante as orações, em 661.

Os omíadas tomaram o poder e estabeleceram sua capital de longa duração, Damasco. Mas a violência prosseguiu rapidamente. Em 680, quando Yasid (morto 683), filho de Mu’awiya, assumiu o califado, um neto de Maomé, Husayn, filho de Ali, rebelou-se e levantou forças para atacar Yazid. Os dois lados se encontraram em Karbala, em 680. Na luta, Husayn, sua família e seus seguidores, todos pereceram. Isto marca o momento mais crucial na cisão entre a minoria xiita (para quem Husayn é o terceiro dos imãs) e a maioria sunita.

O restante da história islâmica é marcada pelas jihads anuais, guerras entre diferentes governos e impérios muçulmanos. Somente na Índia, entre sessenta e oitenta milhões de hindus podem ter sido assassinados durante os séculos de invasões dos exércitos muçulmanos, desde o ano 1000 até o ano 1525.[12] Será que isso é algo que deva ser esquecido?

Enquanto o Corão estiver nas prateleiras de todas as mesquitas e livrarias muçulmanas, homens e mulheres jovens, em suas thawbs e hijabs, podem encontrar nele a perfeita justificativa para continuarem suas empreitadas no caminho da jihad e da matança de inocentes. (Denis MacEoin – www.gatestoneinstitute.orgBeth-Shalom.com.br)

Denis MacEoin se formou com um B.A. e um mestrado em Língua Inglesa e Literatura no Trinity College, Dublin (Irlanda), seguido por um segundo M.A. de 4 anos em persa, árabe e Estudos Islâmicos em Edimburgo e um doutorado em Estudos Persas/Islâmicos em Cambridge (Grã-Bretanha). Ele lecionou Estudos Árabes e Islâmicos na Universidade de Newcastle, escreveu vários livros e numerosos artigos acadêmicos, bem como muitos textos jornalísticos. Recentemente, produziu relatórios sobre literatura de ódio, a sharia (lei islâmica), e as escolas islâmicas.

Notas:

  1. http://georgewbush-whitehouse.archives.gov/news/releases/2001/09/20010917-11.html
  2. http://www.danielpipes.org/blog/2007/10/bush-returns-to-the-religion-of-peace
  3. https://www.youtube.com/watch?v=9–ZoroJdVnA
  4. http://www.westcoasttruth.com/western-dhimmi-politicians–-the-black-heart-series-by-ralph-ellis.html
  5. http://www.hindustantimes.com/india-news/mumbai/islam-great-but-distorted-by-few-extremists-obama/article1-623013.aspx
  6. http://exlaodicea.wordpress.com/2014/01/10/pope-francis-and-the-religion-of-peace/
  7. http://www.cbn.com/cbnnews/world/2010/March/UK-Muslim-Leader-Islam-Not-a-Religion-of-Peace/
  8. Ver?http://www.religioustolerance.org/faisal01.htm;?http://www.al-islami.com/islam/religion–of–peace.php;http://d1.islamhouse.com/data/en/ih–books/single/en–Islam–Is–The–Religion–Of–Peace.pdf;http://www.studymode.com/essays/Islam-a-Religion-Of-Peace-212736.html
  9. http://www.answering-islam.org/Quran/Themes/jihad–passages.html
  10. O ponto, ou?nuqta, é de enorme importância no xiismo, pois o imã Ali afirmou que ele é o ponto debaixo da letra b no início da primeira palavra do Corão, bismillah, o que faz dele o primeiro de todos os seres criados. Seitas tais como os Nuqtavis e os Babis no Irã têm atribuído significados profundos a isso. Pode ser um ponto, mas ele pode significar um mundo de coisas.
  11. Ver William Montgomery Watt,?Muhammad at Medina [Maomé em Medina], pp. 208-216, Oxford, 1956, o estudo definitivo sobre esse período. O autor foi aluno de Watt nos anos 1970.
  12. K.S. Lal,?Growth of Muslim Population of Medieval India (1000-1800) [O Crescimento da População Muçulmana da Índia Medieval (1000-1800)].