MOVIMENTO DOS IRMÃOS

“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”
II Timóteo 2.2

UM POUCO DE NOSSA HISTÓRIA E QUEM SOMOS
O movimento dos “irmãos” é conhecido e formado por cristãos indenominacionais, que se reúnem num terreno comum a todos os que pertencem à Igreja de Cristo.
Os iniciadores deste movimento, eram jovens, a maioria ligada ao Trinity College, Dublin, Irlanda. Buscavam encontrar uma forma em que pudessem reunir-se para adoração e comunhão, desprezando as barreiras denominacionais, reunidos simplesmente como “irmãos em Cristo”.
Como procuravam reunir-se nesta simplicidade, não pretendendo formar um grupo à parte, não usavam qualquer nome que os diferençasse dos grupos existentes. Não faziam ideia que começavam um movimento, e não tinham esta intenção, pois isto seria a negação do verdadeiro propósito pelo qual se reuniam. Por volta de 1825-1827, em várias cidades da Irlanda e da Inglaterra, foram se formando pequenos grupos de discípulos de Cristo para um estudo mais aprofundado das Escrituras. Eram crentes que pertenciam a denominações diversas.

O Movimento se espalhou pelo Continente Europeu, na Inglaterra receberam o nome de “irmãos de Plymouth” (Plymouth Brethrem), porque no início, formou-se uma igreja local bem numerosa na cidade de Plymouth. Em outros lugares são chamados de “darbistas” (Por causa de John Nelson Darby) para designar o grupo exclusivista. Em Portugal, Argentina e outros países são conhecidos como “assembleia de Deus”. No Brasil, alguns lugares são conhecidos como “igreja cristã”, “irmãos unidos” e até mesmo “casa de oração” por geralmente denominarem assim a casa onde se reúnem.
Sobre este assunto, assim escreveu o irmão Silas G. Filgueiras:

“A existência de muitos nomes indica que nenhum satisfaz plenamente, porque nenhum preenche a finalidade e alguns envolvem alguma inverdade. O desejo, porém, tem sido sempre o de se reunirem como cristãos, remidos por Cristo, como uma expressão local da Igreja de Cristo na terra, sem usar qualquer nome, ou outro distintivo, com o fito de direfençá-los dos outros irmãos em Cristo. Esta é a razão de preferirem tratarem-se uns aos outros como “irmãos” (com “i” minúsculo) por ser um nome aplicável a todos os membros da Igreja de Cristo na terra, não podendo, entretanto, ser apropriado por um grupo somente. A ideia de divisão em grupos e o uso de nomes para se designarem é um mal que começou muito cedo na história da Igreja, e que foi prontamente condenado por Paulo. (1 Co 1.11-13).
O uso de designações, tais como “irmãos”, “igreja cristã” não escapa à acusação de ser impróprio, uma vez que toma para um grupo, nomes que pertencem a todo o povo de Deus, embora, diga-se de passagem, nomes como “presbiteriano”, “batista”, “assembleia de Deus”, etc. são também passíveis da mesma acusação.
O importante não é pertencer a este ou àquele grupo, porém, pela graça de Deus, ter um espírito indenominacional, e ter a visão da comunhão universal, da única verdadeira Igreja que é formada por “todos os que, em todo lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”. (1 Co 1.2) “
No Brasil, o primeiro grupo a reunir-se, foi em 1878, na cidade do Rio de Janeiro à rua da América, 4, formado por membros oriundos da Igreja Fluminense, influenciados por Richard Holden, então residente em Portugal, que fora co-pastor da igreja Fluminense quando esteve no Brasil.
Mais tarde, em 1896, chega o primeiro missionário ao Brasil. Stuart Edmund Mc Nair. Atuando primeiro na cidade do Rio de Janeiro, mais tarde, Petrópolis, Sampaio, Del Castilho, Bemposta e Zona da Mata, região limítrofe entre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, posteriormente fixando residência em Conceição de Carangola-MG.
Não se sabe ao certo quantas igrejas locais existem hoje no Brasil, porém estima-se mais 700 espalhadas por todas as regiões, sendo a região Sudeste com maior número.

CONVICÇÕES E POSIÇÃO DOS “IRMÃOS”

A) A Igreja de Cristo é constituída de todos os que foram comprados com Seu sangue (Atos 20.28) e Jesus orou para que todos fossem um (Jo 17.21), e assim sendo a divisão em seitas, partidos e denominações é contrária à vontade de Deus (1 Cor 1.11-13). O argumento de que as divisões estimulam os crentes a se esforçarem pela sua denominação, produzindo emulação, e assim dão maior contribuição para o progresso do Evangelho, é pensamento humano, esquecendo que a obra de Deus é somente aquela feita pelo poder de Deus, dirigida pelo Espírito Santo.

B) Entendem que no Novo Testamento não encontramos base para a divisão dos crentes em ordenados (clero) e não ordenados (leigos), colocando assim, todos os crentes no mesmo nível eclesiástico. Também não encontramos o ensino de que a execução de certos atos (batismo, Ceia do Senhor, etc.) fica restrita aos ordenados, ou a uma classe.

C) Impedem a promoção pessoal e condenam o culto da personalidade.

D) Consideram a distinção entre Israel e a Igreja de Cristo, que são ambos povo de Deus, porém tem bênçãos e privilégios próprios a cada um.

E) Suas igrejas locais são autônomas, mantendo somente relações de fraternidade cristã umas com as outras. O governo é exercido pela igreja reunida, e por unanimidade (1 Co 1.10; Rm 12.16). Compreendem que é o Espírito Santo quem dirige as reuniões da igreja, e usa os instrumentos que Ele escolhe como no citar hinos, orar, ler um texto das Escrituras, fazer o comentário do mesmo, etc. Quanto ao ministério, na reunião da igreja, os “irmãos” seguem o princípio da liberdade de ministério segundo os dons concedidos pelo Espírito Santo, conforme I Cor 14.26-33, mas entendem que o ministério não proveitoso deve ser evitado, ou não permitido.

F) Entendem estes irmãos que na Bíblia se encontra todo o ensino sobre a Igreja, e só nela. Não há outra fonte de informação. Quando não há um ensino claro a respeito de determinado assunto, não deve ser estabelecida uma interpretação que terá de ser aceita por todos.

Sinésio Barreto, Petrópolis-RJ

Bibliografia:
– Álbum de Reminiscências – Stuart E. McNair
– Mair Reminiscências – Stuart E. McNair
– “Os irmãos” – Silas G. Filgueiras
– Convicção e posição dos “irmãos”
– A History of the Brethrem Movement – F. Roy Coad

2 Responses to MOVIMENTO DOS IRMÃOS

  1. Paulo Tojeiro disse:

    Gostaria de saber sobre as Reuniões em nome do SENHOR, para me inteirar sobre a forma de adoração que vocês praticam.

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