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O Céu Antes da Volta de Cristo

O Céu Antes da Volta de Cristo

René Malgo

Antes de chegarmos ao céu

O Novo Testamento também chama de paraíso o céu onde Deus habita (2Co 12.4; Lc 23.43). Nesse paraíso encontra-se o monte Sião celestial, a “cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial” (Hb 12.22) e a “árvore da vida” (Ap 2.7). A palavra vida nesse contexto merece nossa atenção, pois o paraíso é lugar da vida por excelência, onde existe “vida em abundância” (veja Jo 10.10). No céu habita a origem e a fonte de toda a vida, que é o próprio Deus vivo.

A Jerusalém celestial

Em Apocalipse 21.1-3 ficamos sabendo que um dia a Jerusalém celestial descerá à terra como “nova Jerusalém”. Essa cidade terá muros, portões de pérolas, pelo menos uma rua, no mínimo um rio, o “rio da água da vida” (Ap 22.1), e “de uma e outra margem do rio” (Ap 22.2) teremos “a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos” (Ap 22.2). Essa formulação permite a conclusão de que a “árvore da vida” não seja uma só árvore, mas um tipo de árvore “celestial” a crescer e florescer às margens do rio da água da vida. Mais uma vez encontramos a ênfase em vida na cidade do Deus vivo.

Nenhuma metrópole de nosso mundo é tão viva e tão pulsante como a cidade do Deus vivo no paraíso. E com sua altura, comprimento e largura de 2.400 quilômetros, será gigantesca, suficientemente espaçosa para todos os salvos de todas as eras (Ap 21.16-17).

Duas expressões curiosas

O apóstolo Paulo usa duas expressões bem curiosas para descrever a “Jerusalém lá de cima” (Gl 4.26), como chama essa cidade incomum. A primeira palavra que Paulo usa é livre. A Jerusalém celestial é uma cidade livre, não escravizada pela Lei, pelo pecado ou por qualquer outra coisa. Só a livre graça de Deus leva uma pessoa a essa “Jerusalém lá de cima”. É o lugar mais livre desta e de todas as dimensões. Todo aquele que chegar lá estará livre, completamente livre!

A segunda palavra é mãe. Ela exprime carinho e proximidade, confiança e aconchego, características que não são necessariamente associadas a uma cidade. Mas a Jerusalém celestial é um lugar de segurança. É o lar da família de Deus. É o lugar onde reina o amor, porque o próprio Deus habita ali.

Se morrermos antes do Arrebatamento, esperaremos pela ressurreição. Mas, ansiamos muito não passar pela morte! Gostaríamos mais de ser levados ao céu pelo Senhor enquanto estivermos vivos! Pergunta: como é o céu até chegarmos lá?

Quem vive no céu?

Nessa cidade celestial vive uma multidão literalmente incontável de anjos e a “universal assembléia” (Hb 12.22) que adora a Deus, o Pai (Ap 4.11) e a Deus, o Filho (Ap 5.12), com voz de numerosa multidão, como de muitas águas e como de fortes trovões (veja Ap 19.6). Anjos são “espíritos ministradores” (Hb 1.14), que ajudam os salvos aqui na terra e observam atentamente a extraordinária ação de Deus com a Igreja (Ef 3.10). Por isso, se você crê em Jesus Cristo, encontrará no céu os anjos que o ajudaram aqui na terra, muitas vezes sem que você soubesse ou percebesse seu agir. Para muitos anjos você será um velho conhecido. Chegando ao céu, você realmente estará chegando em casa!

No céu, todos vão compreender e amar uns aos outros. Ninguém será excluído, ninguém discriminará ninguém. Os habitantes do céu formam uma família grande, harmoniosa e perfeita.

Outro grupo que habita no céu são os “espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.23). Essa declaração singela contém algumas informações interessantes para os curiosos entre nós:

– Os habitantes humanos do céu são “espíritos”. Eles ainda não ressuscitaram. Ainda não receberam seus corpos glorificados. Ainda estão separados dos seus corpos.

– Os moradores humanos do céu são “aperfeiçoados”. São sem pecado, sem mácula e sem rugas. Chegaram ao alvo. Sua peregrinação chegou ao fim. Não precisam mais ser aprovados. Não precisam mais ser vencedores. Não serão mais provados nem purificados.

– Os habitantes humanos dos céus são “justos”. Merecem esse título porque creram em Deus quando estavam na terra. Seguiram ao Senhor e agora chegaram ao céu como “espíritos justos e aperfeiçoados” (perfeitos no sentido de estarem sem qualquer pecado).

Na Bíblia, tanto os salvos do Antigo Testamento como os da Nova Aliança são chamados de “justos” (Is 26.7; Hc 2.4; Rm 1.17; Rm 5.19). Os justos de todas as eras vivem no céu. Lá você encontrará Adão, Eva, Abel, Noé, Abraão, Sara, Isaque, Rebeca, Jacó, Davi, Ana, Samuel e muitos outros. E todos eles são espíritos justos aperfeiçoados – até o momento em que “cada um, por sua própria ordem” (1 Co 15.23) ressuscitar para a vida em um novo universo.

Isso significa que no céu só habitam pessoas que foram feitas justas e tornadas sem pecado. No céu não há brigas, não há partidarismos, nem preferências, lisonjas ou vanglórias, nem escárnios, nem mal-entendidos, nada de abusos ou exploração. Todos vão compreender e amar uns aos outros. Ninguém será excluído, ninguém discriminará ninguém. Os habitantes do céu formam uma família grande, harmoniosa e perfeita.

O mistério continua

O que significa que os crentes hoje no céu são “espíritos”? Para nós, sobre a terra, isso é e continuará sendo um grande mistério. Um ser humano é uma unidade entre homem interior e homem exterior. Faltando uma das partes, não será uma pessoa completa (veja Gn 2.7; Rm 7.22; 2Co 4.16). As ideias platônicas e entusiastas de que nosso corpo não tem valor algum, e que só o ser interior é que conta, são refutadas com muita veemência pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 6.13-20. Portanto, chegaremos ao céu sem pecado (“aperfeiçoados”), mas ainda “incompletos” (apenas em “espírito”), até que, finalmente, ressuscitemos e recebamos nossos corpos glorificados (2Co 5.1-4).

Chegando ao céu

O que faremos no céu se morrermos antes da volta de Cristo? Apocalipse 6.11 fala que os mártires devem repousar “ainda por pouco tempo” até que também se complete “o número dos seus conservos e seus irmãos”. Portanto, repousarão até o último salvo chegar ao céu e também receber a vestidura branca. Apocalipse 22.3 diz que seus servos O servirão. Penso que isso será mais tarde, quando todos já estiverem junto de Deus!

O professor em Bíblia René Pache explica que no céu, no presente, a ênfase está claramente em “descanso depois das batalhas aqui na terra”. No momento, o céu é primeiramente um lugar de consolo, de recuperação dos sofrimentos passados aqui na terra. As recompensas ainda não foram distribuídas, Cristo ainda não exerceu Seu julgamento (no Tribunal de Cristo, quando serão julgadas as obras dos salvos, veja Romanos 14.10-12 e 2Co 5.10). Isso somente acontecerá após a ressurreição, quando todos os salvos forem revelados juntamente com o Senhor Jesus e assumirem seus postos de comando onde o Senhor os colocar.

no céu Deus, o Pai, vai enxugar “toda lágrima” do nosso rosto. Deus vai nos consolar e você experimentará a cura de todos os seus traumas.

Certamente uma das atividades centrais no céu consiste no louvor a Deus. Hebreus 12.23 fala da “igreja dos primogênitos arrolados nos céus”. Essa igreja é a reunião dos salvos, que se juntam diante do trono de Deus para adorá-lO, como lemos em Apocalipse 4 a 6. Louvor e adoração desempenham um papel central no céu, pois os vencedores têm toda a razão para agradecer ao seu Senhor por terem chegado seguros à mais bela cidade de todas as dimensões.

Isso também significa que, no céu, nos lembraremos da nossa vida aqui na terra. Se não fosse assim, por que teríamos de ser consolados? Por que precisaríamos de consolo se nem lembrássemos do que Deus nos salvou e livrou? Certamente Deus, por si mesmo, é digno de infinito louvor, mas Ele não tem interesse em que nós esqueçamos o que já fez por nós. E por que seria dito aos mártires de Apocalipse 6.9-11 que “repousem ainda por pouco tempo”, se nem sabem de que canseiras e de quais provações estarão repousando? Essa passagem bíblica nega qualquer ideia de que Deus irá apagar nossa memória. Os mártires conseguirão se lembrar de seus sofrimentos. Recordarão de seu próprio assassinato, certamente uma lembrança traumática. E esses mártires têm sentimentos e desejos, pois clamam por vingança pelas injustiças que sofreram.

À luz da glória e da presença de Deus você também conseguirá entender as piores lembranças; não esqueçamos que no céu estaremos “aperfeiçoados”. Além disso, no céu Deus, o Pai, vai enxugar “toda lágrima” do nosso rosto (Ap 7.17; Ap 21.4). Deus vai nos consolar e você experimentará a cura de todos os seus traumas. Mas o Senhor não vai deletar todas as memórias de sua existência terrena. Se fosse assim, não haveria necessidade de consolo.

A Palavra de Deus confirma: “Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos” (Mt 22.32). Quando você morrer, não começará tudo do zero. Será como disse Richard Sibbes:

Para nós, cristãos, a morte é somente um porteiro carrancudo que nos abre a porta para um majestoso palácio. A morte de um cristão é uma mudança, não o aniquilamento de tudo o que houve antes. A única coisa definitivamente apagada serão os nossos pecados, porque Jesus os carregou sobre a cruz.

Em Lucas 16.9, Jesus Cristo diz em relação às riquezas e aos relacionamentos, que devemos investi-los nas “moradas eternas”. O que fazemos aqui na terra tem reflexos na eternidade, mais do que pensamos. As amizades que fazemos aqui na terra não terminarão no céu. Aquilo que investimos em pessoas aqui no mundo terá reflexos nos relacionamentos que teremos no céu.

Casados no céu?

No céu os casamentos estarão dissolvidos (por razões práticas e teológicas), mas os vínculos surgidos em um casamento não terão findado. Já que no céu não haverá relações sexuais nem pecado (portanto, nem ciúmes, nem inveja), alguém, por exemplo, que casou duas vezes porque o primeiro cônjuge morreu, poderá ter vínculos profundos com seus dois cônjuges.

Isso pode soar um pouco estranho aqui para nós, mas no céu não haverá tratamento desigual nem prejudicial a ninguém. O comportamento do Senhor Jesus aqui na terra, sem pecado algum, pode nos fornecer alguma ideia de como poderiam ser os relacionamentos no céu. Mesmo que o Senhor Jesus tenha amado a todas as pessoas com o mesmo e profundo amor, teve um relacionamento mais próximo com os doze apóstolos; e com os três discípulos mais chegados o vínculo era ainda mais íntimo. Havia inclusive mulheres que tinham um relacionamento mais próximo com Jesus do que outras discípulas, e nosso Senhor certamente não foi adúltero ou imoral! Amizades mais chegadas ou relacionamentos mais íntimos não são manifestação de pecado.

Ezequiel

Nosso lar

Se você é um filho de Deus, o céu é seu lar. Lá você tem sua cidadania. Lá você tem todos os direitos e privilégios. Lá seu nome é conhecido, lá você é amado, lá você é esperado, lá está seu povo (Fp 3.20). Você é um concidadão dos santos (Ef 2.19). No céu você estará em casa com o próprio Deus. E isto certamente será o melhor de tudo: a comunhão com o Deus vivo! Será assim como os filhos de Coré ansiavam no Salmo 42.2: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?”. Não há nada mais belo do que a reluzente, brilhante, pura e três vezes santa glória divina (Ap 4). Nos céus, Deus é o maior bem de todos!

Jesus Cristo disse: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). Em outras palavras, o mais belo, mais glorioso e mais precioso é conhecer a Deus, o Pai, e a Jesus Cristo, Seu Filho – isso é o céu! Um céu sem Jesus não seria céu. O pregador inglês Charles Spurgeon declarou:

Oh!, pensar num céu sem Cristo! Seria o mesmo que pensar no inferno. Céu sem Cristo! É o dia sem sol, a existência sem vida, o banquete sem comida, é ver sem luz. Isso é uma contradição em si mesma. Céu sem Cristo! Absurdo. Seria o mar sem água, a terra sem campos, o céu sem suas estrelas. Não pode haver céu sem Cristo. Ele é a soma de todas as bem-aventuranças, a fonte de onde jorra o céu, o elemento de que é formado o céu. Cristo é o céu e o céu é Cristo.

Se você não tem apreço pela pessoa de Jesus, também não gostará do céu. Se você hoje, aqui e agora, já quiser ter um gostinho do céu, busque mais comunhão com Deus, seu Pai, e com Jesus Cristo, seu Senhor. Ore com o mesmo desejo de Davi: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27.4).

Busque as coisas lá do alto (Cl 3.1-4). Viva conscientemente com o Senhor Jesus e para Ele. Busque ativamente, em oração e no estudo da Sua Palavra, a presença de seu Deus e o trono da Sua graça. Então sua alma encontrará sossego e tranquilidade, profunda alegria e paz duradoura, pois, como já dizia o salmista, “um dia nos teus átrios vale mais do que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade” (Sl 84.10). “Maranata! Amém! Vem, Senhor Jesus!”.

O Tribunal de Cristo

O Tribunal de Cristo

Thomas Lieth

Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5.10).

Os destinatários da Segunda Carta aos Coríntios eram filhos de Deus, pessoas renascidas que um dia estarão com o Senhor. Apesar disso, 2 Coríntios fala de um tribunal e de um julgamento que ainda virá. Está escrito que “todos nós” compareceremos diante do tribunal de Cristo. O apóstolo Paulo inclui a si mesmo ao usar o plural, nós. À primeira vista, essa passagem parece estar em contradição com João 5.24, que diz: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. Mas essas passagens serão contraditórias apenas se não levarmos em consideração que haverá diversos julgamentos futuros. Em sua carta aos coríntios, Paulo está mencionando um julgamento bem diferente daquele a que Jesus se refere no Evangelho de João. Nós cristãos também teremos de prestar contas diante de um tribunal. Mas neste estará em julgamento apenas nosso galardão e não a sentença por nossos pecados. Nossa culpa foi expiada pelo sangue do Senhor Jesus, que Ele derramou na cruz do Calvário, onde pagou por toda a nossa culpa de uma vez por todas! “Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados… Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniqüidades para sempre” (Hb 10.14,17). Em Colossenses 2.13-15, a Bíblia fala que o Senhor rasgou o escrito de dívida que era contra nós e que Ele triunfou sobre o pecado e a morte. Existem passagens que dizem que somos participantes dessa vitória de Cristo, por exemplo 2 Coríntios 2.14: “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo…” Que triunfo seria esse se um cristão acabasse perdendo sua salvação outra vez? Que vitória seria essa se o Deus Todo-Poderoso, que não poupou Seu próprio Filho, permitisse que Satanás lhe arrancasse novamente Seus filhos salvos e eleitos? Isso não seria triunfo! Mas nós somos vencedores por meio dEle, já e desde agora: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15.57).

Nossa culpa foi expiada definitivamente e nosso pecado está esquecido. O escrito de dívida foi rasgado, não apenas colocado de lado para uma cobrança futura. Isso é perdão pleno e completo! Não há mais nada que acuse os filhos de Deus. É por essa razão que não entraremos mais em juízo. “Quem nele crê não é julgado…” (Jo 3.18).

O Tribunal de Cristo julga o quê?

Como podemos imaginar o Tribunal de Cristo? Obviamente qualquer tentativa de comparação é deficiente, mas eu gostaria de traçar alguns paralelos com a premiação do Oscar. Todos os convidados não vêm ao evento para serem insultados ou zombados; são personalidades escolhidas e privilegiadas participando dessa grande festa. Muitos deles são homenageados, recebem um Oscar, um buquê de flores, um beijinho no rosto ou alguma outra distinção. Mas nem todos recebem o prêmio máximo, que é a estatueta do Oscar. Obviamente haverá os frustrados por terem sido preteridos enquanto outros recebem as honrarias. Mas apesar das decepções, todo mundo fica feliz por estar ali, participando. É algo bonito, mesmo que os níveis de alegria e satisfação não sejam iguais para todos.

Segunda Coríntios 5.10 diz: “importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”. Portanto, nossas obras estarão em julgamento, ou seja, o que fizemos ou deixamos de fazer com os dons e talentos que nos foram confiados – depois de salvos. Que fruto produzimos, que semente plantamos? Essas coisas serão reveladas no Tribunal de Cristo e condicionarão o que receberemos como recompensa. Um cristão deve produzir fruto e não contentar-se apenas com sua própria salvação. Deve servir com boas obras para alegrar seu Senhor. Essa é nossa tarefa: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).

Mas, o que são boas obras?

São aqueles atos e palavras que contribuem para a glorificação do nome de Deus: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16). Entendemos bem? Cada palavra e cada ato que contribui para que o nome do Senhor seja glorificado é uma boa obra.

O malfeitor na cruz não tinha nenhuma oportunidade de fazer o bem, apenas sua confissão: “Nós, na verdade, com justiça, …recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez” (Lc 23.41). Essa foi uma boa obra, porque glorificou o nome de Jesus. Por exemplo, se eu prego a Palavra e depois do culto a igreja fica falando que eu sou o máximo como pregador, então minha mensagem certamente não foi uma boa obra, já que evidentemente desviei a atenção dos ouvintes do que é essencial, que é o Senhor, e a dirigi à minha própria pessoa. Mas se os ouvintes chegam à conclusão: “Como é grande o nosso Deus! Que salvador maravilhoso nós temos! Louvado seja o nome do Senhor!”, então essa minha mensagem foi uma boa obra. Ela honrou o Senhor e contribuiu para Sua glória.

Qual seu alvo ao fazer boas obras?

Pergunto: No que você faz ou deixa de fazer, sua motivação é agradar aos outros, agradar a si mesmo ou agradar ao Senhor e exaltar o Seu maravilhoso Nome? Cada um de nós tem a responsabilidade de usar para a glorificação de nosso grande e Todo-Poderoso Deus todos os dons que recebeu. O que realmente importa não é o quanto alguém faz mas a motivação de seu coração e a consagração e fidelidade em tudo o que realiza.

Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1 Co 4.2). Deus não espera de nós atos grandiosos e heróicos. Ele espera nossa fidelidade genuína – nada mais e nada menos. Uma coisa é bem certa: o Senhor conhece nosso coração. Não conseguimos enganá-lO de forma alguma. Como é fácil ficar dizendo: “Tudo para o Senhor! Tudo para a glória de Deus!”, enquanto nosso coração fala uma linguagem bem diferente!

No Tribunal de Cristo

Não será nossa arte dramática e nossa capacidade de representar e fingir que estará sendo avaliada quando estivermos diante do Tribunal de Cristo, mas a verdadeira disposição de nosso coração. Tudo o que um cristão possui na vida é dom de Deus. E quanto mais recebemos, mais teremos de prestar contas quando estivermos diante de Cristo. O parâmetro não é termos tido muitos admiradores para nossos dons ou sua apreciação e seu louvor para o que fizemos em vida, mas se fizemos o uso correto e adequado, de coração sincero, de tudo aquilo que o Senhor nos concedeu.

Entre os cristãos existem muitas capacidades enterradas porque ficamos preguiçosos demais e perdemos a coragem de servir.

Você tem o dom de falar? Então não fique falando superficialidades, mas proclame o Senhor ressuscitado! Você tem o dom de escrever? Então não escreva extensos tratados de filosofia – que tão pouco proveito trazem, mas escreva de seu Senhor! Você tem o dom de contribuir? Então não jogue fora seu dinheiro em caça-níqueis ou jogos de azar mas use-o para Deus! Você tem o dom de servir? Então não sirva organizações seculares – “deixe os mortos sepultar seus mortos” –, sirva ao Senhor. Você tem mãos habilidosas? Então não construa uma casa sobre a areia mas na rocha, que é Jesus! Não há igreja ou obra missionária que não seja grata por ajuda, seja da forma que for. Entre os cristãos existem muitas capacidades enterradas porque ficamos preguiçosos demais e perdemos a coragem de servir. Muitos cristãos vivem sonolentos, desperdiçando seus dons, sem usar tudo aquilo que receberam do Senhor e que poderia contribuir tanto para a honra dEle. Assim, muitas igrejas vivem no marasmo. Vamos imaginar cada filho de Deus usando plenamente todos os seus dons e talentos na obra do Senhor. Que força concentrada isso representaria na terra! Ao invés disso, muitas igrejas ficam atacando as outras. Vemos apenas as coisas que nos separam e gastamos muito tempo em batalhas na trincheira, enquanto o inimigo está lá fora. Sempre deveríamos colocar o Senhor Jesus no centro de nossos esforços conjugados. Aí nossa luta não será em vão.

Obras com fundamento

Em 1 Coríntios 3.11-15 está escrito: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo”.

devemos ter em mente que poderá ser vergonhoso quando for revelado como desonramos o Senhor enquanto vivemos.

O fundamento dos crentes é Jesus Cristo. Esse fundamento está assentado sobre a graça de Deus. É um presente. Vamos fazer a comparação com uma casa. O fundamento está posto e é o mesmo para todos os cristãos. Mas agora cada um dos cristãos começa a edificar individualmente a sua casinha sobre esse fundamento. O que edificamos são as nossas boas obras. Aí nos perguntamos, curiosos: será que a casa vai agüentar as provações? Tormentas, enxurradas e até o fogo? Aqueles cuja obra permanecer são os que edificaram sobre o fundamento de Cristo e receberão recompensa no Tribunal de Cristo: “Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão” (2 Co 3.14; veja 2 Tm 4.8). Porém, aquele cuja obra queimar, sofrerá dano (v.15). Mas o fundamento permanecerá intacto. Ou seja, a salvação, que se firma sobre o fundamento e é sua base, não será perdida pelo cristão: “…mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” (v.15). Lembremos da comparação com a premiação do Oscar. O convite foi feito, irrevogavelmente. Estamos lá na festa, talvez nominados para algum prêmio, mas não recebemos nenhum. Porém, isso não fará com que nos expulsem do recinto. Naturalmente, precisamos ter cuidado com esse tipo de analogia, para não pensarmos de forma demasiadamente humana. Em relação a todas essas coisas que se referem ao futuro, precisamos ter em mente que tocamos uma área que supera em muito nossa capacidade de imaginação e desafia por completo toda a nossa lógica. Alguém poderia argumentar: “Tudo bem, estar lá já será ótimo. Por que almejar um Oscar? Participar ainda é melhor do que não ter sido convidado. O que importa é estar salvo!” Outro poderá ficar pensando: “Como deve ser terrível o Tribunal de Cristo, quando eu perceber que grande recompensa eu poderia estar recebendo e que me coube tão pouco!” Não sei como será realmente quando estivermos diante do Tribunal de Cristo, mas deveríamos ficar bem conscientes de que ali não será um lugar de juízo e castigo, mas de recompensa e premiação. Por outro lado, devemos ter em mente que poderá ser vergonhoso quando for revelado como desonramos o Senhor enquanto vivemos: “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados” (1 Jo 2.28). Alguém disse: “Quem exagera o aspecto triste do Tribunal de Cristo faz do céu o inferno. Quem negligencia o aspecto triste do Tribunal menospreza o valor da fidelidade”.

Como podemos receber galardão no Tribunal de Cristo?

Os apóstolos já se ocupavam com a questão: quem seria o maior e quem se assentaria à direita ou à esquerda do Senhor? (Mt 20.20ss.; Mc 9.33ss.). O homem é e continuará sendo egoísta e egocêntrico. Isso não é perceptível apenas nos discípulos daquela época, mas em todos, inclusive em nós. Seria tão bom se de fato levássemos a sério o que dizemos e cantamos com tanta facilidade. “Tudo, ó Cristo, a Ti entrego!” é mais uma frase piedosa do que um desejo sincero que vem do nosso coração. Em geral nossa preocupação primordial não é a glória de Deus, mas nosso próprio reconhecimento, nossa glória, honra e louvor. Tantas vezes nosso temor aos homens é tão maior que nosso temor a Deus!

Por que você quer mesmo ir para o céu? Há aqueles que desejam ir ao céu para não acabarem no inferno. Outros querem ir para o céu para reencontrar seu marido ou sua esposa que já faleceram. E existem aqueles que pretendem chegar ao céu para apanhar seu “Oscar”. Cada uma dessas três motivações é altamente egoísta. Será que alguém teria a gloriosa idéia de dizer: “Eu quero chegar ao céu para servir ao meu grande Deus e Salvador. Quero chegar ao céu para dizer ‘Muito obrigado!’ a Jesus”. A maior recompensa para nós é sermos salvos, termos a vida eterna e podermos ver Deus face a face. Tudo isso já está prometido a nós quando cremos no Filho de Deus ressurreto – é nosso e ninguém poderá tomá-lo de nós. Estaremos na premiação do “Oscar” e nosso “cartão de entrada” é o sangue derramado de Jesus! Mas as recompensas, que serão entregues diante do Tribunal de Cristo, são simbolizadas na Bíblia por meio de coroas (Tg 1.12; 1 Pe 5.4; Ap 3.11).

Boa Semente

A coroa incorruptível

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co 9.24-27).

Como em uma luta na arena, nós também deveríamos empreender todos os esforços pela causa do Senhor. Não para receber alguma recompensa humana ou para nossa própria vanglória. Essa seria uma recompensa corruptível. Nossa luta espiritual é por uma coroa de vitória que não estraga nem se deteriora. Para isso vale a pena se preparar bem, exercitar-se de verdade e, bem motivados, empenhar-nos por uma coroa incorruptível, lançando mão de todos os nossos dons para servir o Senhor e cumprir nossa missão. Enquanto estivermos aqui na terra devemos estar dispostos a servir. E essa prontidão não ficará sem recompensa. Como já disse o Senhor Jesus a seus discípulos: “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mc 10.43).

O exemplo do lutador

Um lutador, para voltar ao exemplo usado por Paulo, não irá se embriagar ou exagerar na comida pouco antes da luta. Ele se absterá do que lhe faz mal e priorizará uma alimentação saudável. Por que não fazemos igual? Abstinência. De quê? Das coisas sem valor, que só pesam e atrapalham – é ficar longe do pecado, que impede uma vida de santificação. No lugar delas, vamos nos alimentar de comida boa, espiritualmente saudável. O que é alimento espiritual para nós, cristãos? Não são barrinhas de cereal ou energéticos açucarados, mas a Palavra de Deus e os ensinamentos de Jesus Cristo. Paulo estava convicto de que era imprescindível abrir mão de todas as coisas mundanas para conseguir uma coroa de vitória não-perecível, para receber pleno galardão e para, um dia, estar diante do Senhor servindo-O em posição privilegiada, “para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co 9.27).

A certeza da salvação não está em questão

Paulo não tinha qualquer dúvida acerca de sua salvação. Ele tinha a mais plena certeza – uma certeza que qualquer cristão pode ter. Ele não tinha receio acerca da garantia de sua salvação, mas estava cônscio do fato de que se pode perder o galardão. Assim, todas as exortações dentro desse assunto não são no sentido de cuidarmos para não perdermos a salvação, mas de estarmos atentos e empenhados em não perder a recompensa: “Ninguém se faça árbitro contra vós…” (Cl 2.18). A Bíblia de Estudo MacArthur diz: “Paulo adverte aos colossenses a não permitir que os falsos mestres os enganassem a respeito das bênçãos passageiras ou do galardão eterno…”. E o prêmio pela luta não tem relação com a salvação, e sim com as coroas, com a recompensa que receberemos no Tribunal de Cristo. “Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão” (2 Jo 8). Portanto, é possível perder parte dele, e nessa perda, mais uma vez, não é a salvação que está em discussão. É a recompensa na eternidade. “Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11).

Paulo também teve lutas como cada um de nós, mas podia dizer: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co 9.27). Como Paulo conseguia isso? Pelo poder do Espírito Santo. Ele se mantinha sempre ligado ao Senhor em oração, servindo-O com alegria. Dessa forma ele conseguia dominar seu corpo, impedindo que a carne assumisse o controle. Quanto mais você ora, quanto mais serve, quanto mais estuda as Escrituras – deixando o Senhor falar com você – menos tempo terá para ocupações inúteis ou pensamentos imorais. O Espírito Santo deseja transformar você. Quer transformá-lo na imagem do Senhor Jesus. A questão é: você dá lugar e reserva tempo para o Espírito Santo fazer Sua obra? A salvação é de presente. Não podemos dar nada ao Senhor em troca, pois jamais poderíamos pagar por ela (Hb 10.18). A única coisa que devemos ao Salvador, a única coisa que podemos trazer a Ele é uma vida de consagração e de absoluta fidelidade, oferecendo nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12.1-2). Essa consagração, essa entrega de si mesmo, certamente não ficará sem retribuição.

Qual será a recompensa no Tribunal de Cristo?

Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas” (Cl 3.23-25). Tudo para o Senhor! Quanto antes você começar a perseguir esse alvo, maior será sua herança!

Ainda que não saibamos exatamente como será a vida na presença de Deus, creio poder dizer que pelo menos uma das atividades será louvar e servir ao Senhor. “Quero ir para o céu para louvar e servir ao meu grande Deus e Salvador…” Sim, eu creio que esse é o rumo. Nossa recompensa poderia consistir em serviço a Deus. Mas será que iremos mesmo servir a Deus na eternidade? “Servir no céu? Então prefiro tocar harpa!”, dirão alguns. Calma, irmão! Vejamos Apocalipse 22.3: “Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão”.

Quem são esses “servos de Deus e do Cordeiro” que O servirão?

São os salvos, que um dia estarão com o Senhor! Sendo assim, a maior alegria será de fato servir o Salvador. Esse serviço na eternidade não será serviço de escravo ou trabalho de servo no sentido comum. Nós serviremos a Ele. De fato, somos chamados de servos, assim como somos chamados de sacerdotes e reis, irmãos e amigos de Jesus, bem como de filhos de Deus e herdeiros Seus. Por exemplo, em Apocalipse 21.7 está escrito: “O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”. A Bíblia diz ainda que iremos reinar com Ele, pois conforme Apocalipse 22.5 os servos de Deus “reinarão pelos séculos dos séculos”. Esse reinado em conjunto com Cristo também é um serviço. Não reinaremos para nós mesmos mas para o Senhor e com o Senhor.

Atentemos: Apocalipse 22.4 fala que veremos Sua face e que Seu nome estará em nossa fronte. Seu nome, Seu santo nome estará em nossa fronte. Isso demonstra que somos propriedade dEle e que nada mais poderá nos separar do amor e da presença de Deus e do Cordeiro. Para todo o sempre somos Seus! Que privilégio poder servir na imediata presença do Deus santo e todo-poderoso Criador! Será no lugar que Apocalipse 21 descreve assim: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles… Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram”. Usufruir do agrado do Deus santo e todo-poderoso, fazer parte do Seu círculo mais íntimo, ficar sempre perto do Salvador – isso tudo não é uma recompensa altamente desejável? Podemos dizer com convicção que este será um trabalho privilegiado, que Paulo almejava e que será motivo de alegria transbordante para cada um de nós. Será um servir cheio de satisfação, sem preocupações e sem privações – um serviço celestial no sentido literal da palavra. Mesmo não conseguindo compreender plenamente essa realidade com nosso raciocínio limitado, não haverá nada mais belo, e jamais teremos experimentado algo mais sublime do que estar na imediata presença de Deus, servindo e adorando a Ele. Com palavras nunca conseguiremos exprimir nem descrever vagamente tudo aquilo que um dia experimentaremos e viveremos na presença de Deus. Não podemos nem imaginar o que realmente significará reinar com Ele, ser filhos e herdeiros Seus e estar servindo a Ele para todo o sempre.

Um poderoso estímulo

O fato de que cada cristão estará diante de Deus no Tribunal de Cristo, prestando contas a Ele, deveria nos estimular a sermos fiéis e a direcionar as prioridades da nossa vida de acordo com a avaliação que nossos atos terão diante da eternidade. Não terão importância as belas palavras e os elogios proferidos junto à nossa sepultura. Importante será o que o Senhor nos dirá na hora do julgamento diante do Tribunal de Cristo, quando nosso Salvador pesará e avaliará nossas obras. Uma coisa é bem certa: nesse julgamento a alegria será preponderante, já que teremos parte na vida eterna e estaremos vendo o Senhor face a face, adentrando a indescritível glória eterna.

diante da eternidade, Não terão importância as belas palavras e os elogios proferidos junto à nossa sepultura.

Tudo isso será motivo de alegria, júbilo e adoração: “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança…” (1 Jo 2.28). Diante de toda essa alegria indizível que espera por nós, enquanto andarmos aqui na terra animemos e incentivemos uns aos outros a servir ao Senhor de todo o coração e a sermos administradores fiéis, para que “dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda”. Louvado seja o Senhor por Seu amor e pela fidelidade que tem demonstrado para conosco. Queremos ser fiéis por amor Àquele que nos amou primeiro e que entregou tudo, mas tudo mesmo – por nós, por mim e por você! (1 Jo 4.9-11,14-16,19). (Thomas Lieth — Chamada.com.br)

A intenção Dele é tão boa…!

A intenção Dele é tão boa…!
… o abençoarei…!

“Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção” (Gênesis 12.2).

“Abraão! Arrume suas malas! Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Farei de você um grande povo, e o abençoarei…”

Sem qualquer dúvida, esse fiel homem de Deus obedeceu a ordem de partir recebida de seu Senhor. Foi o início de uma aventura! A terra que Deus havia prometido era habitada pelos cananeus. Ali Abraão colocou um sinal da presença do seu Deus: ele construiu um altar e invocou o Nome do Senhor!

No entanto, Abraão seguiu cada vez mais em direção ao sul! É o que lemos em Gênesis 12.9. Dessa vez, porém, não houve ordem de partida dada por Deus! Infelizmente! Com o surgimento de uma crise de fome no país, parecia algo lógico agir de acordo com as circunstâncias. Por isso, foi rumo ao sul, em direção ao Egito! Era hora de evitar as dores do estômago!

Ali, no entanto, Abraão se envolveu em dificuldades inesperadas por temer por sua vida. Ele temia que a sua bela Sara pudesse atrair a atenção do Faraó, e então a próxima decisão dele seria fazer com que Abraão simplesmente “desaparecesse”! Então Abraão abriu sua caixinha de estratégias e aconselhou a sua Sara: “Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa” (Gênesis 12.13).

Chegou o momento em que o Faraó descobriu a farsa. Quão embaraço foi isso para Abraão! Totalmente envergonhado e muito ruborizado, ele abandonou o Egito. O que se passava na alma de Abraão nesse momento? Ele havia sido designado para ser portador de bênçãos – mas tornou-se um fracassado!

Surgiu nele, então, o anseio por um novo encontro com o seu Deus: voltou a Betel, onde havia construído um altar em tempos passados. Voltou ao lugar santo da presença de seu Deus, pois lá ele havia recebido a promessa Dele: “Eu o abençoarei!”

Quão grande era agora o seu anseio para uma comunhão pura com seu Senhor! A triste “experiência do Egito” mudou suas convicções. Quando, não muito depois disso, houve a briga entre os pastores de Abraão e os pastores de Ló, Abraão generosamente desistiu de seus direitos: com um coração bondoso, ele cede as pastagens suculentas de Sodoma ao sobrinho Ló. Ele preferiu aceitar as áridas regiões externas para suas grandes tropas de gado. Ele optou pelas desvantagens porque a comunhão com seu Senhor significava mais do que qualquer coisa do mundo. “Eu o abençoarei”, ressoava em seu coração. Então Deus lhe abriu os olhos. Mostrou-lhe a maravilhosa terra das futuras promessas. Abraão peregrinou pelos montes e vales, prados e matas, mares e rios e sabia, a cada passo dado: esta é a terra que o Senhor deu para mim e para meus descendentes para todo o sempre.

O Senhor Jesus também deseja conceder novas bênçãos para você. Em Cristo, todas as promessas valem também para você, quando a sua fé peregrina pelas terras das bênçãos. Aproprie-se delas. O Senhor concedeu também a você a Sua força divina e tudo o que for necessário para sua vida e para a piedade (ver 2Pedro 1.3).

Mesmo que o caminho da humilhação seja dolorido, como foi com Abraão, saiba que sempre há a promessa de bênçãos para o humilde! Não importa o que houve no passado. Não importa o que lhe conduziu em direção ao “Egito”. Deus não está com o chicote na mão, esperando para castigá-lo em razão do seu fracasso. O Seu amor atrai todo aquele ao Seu coração que lhe clama por Sua graça e perdão. O caminho de volta aos braços amorosos do Senhor Jesus é sempre uma feliz volta para o lar.

Eu sei que o Diabo quer evitar, a qualquer custo, que o seu anseio interior se volte para a sua Betel. Ele luta com milhares de armas contra a possibilidade de que você tenha um novo encontro com o seu Senhor Jesus. Ele combate qualquer iniciativa de fé com argumentos refinados. No entanto, se o seu coração perguntar: “Senhor, que queres que eu faça?”, então o Céu se abre e você poderá contar com a maravilhosa intervenção de Deus. Então o seu coração cansado será confortado e a sua alma abatida será revigorada.

O Seu amor atrai todo aquele ao Seu coração que lhe clama por Sua graça e perdão.
A viagem de retorno de Abraão para Betel demorou muitos dias. Você, porém, pode chegar à presença de Deus neste momento e ouvi-Lo dizer: “Eu o abençoarei! Eu quero lhe proporcionar o bem! Quero abrir-lhe as janelas do Céu e derramar bênçãos em abundância!”

É uma dádiva maravilhosa da graça de Deus que existe uma “Betel” para cada filho de Deus e que podemos, a cada dia, encontrar paz para nossa alma agitada nos braços de Deus. Ele enxuga todas as nossas lágrimas, cura todas as feridas, sabe de todas as nossas dores e concede consolo, força e esperança para cada tarefa. Receba com alegria, para você pessoalmente, as Suas bênçãos. Assim, a sua fé será ricamente fortalecida e você será uma bênção para os outros. — Manfred Paul

Um cristão pode perder a salvação?

Um cristão pode perder a salvação?
Norbert Lieth

Pergunta: “Alguém que se arrependeu de seus pecados, converteu-se a Jesus e experimentou o novo nascimento pode perder sua salvação?
Resposta: Não, é impossível perder a salvação! No contexto geral, e em muitas passagens individuais, a Bíblia fala tão claramente sobre a eterna bem-aventurança de um filho de Deus, que não é possível que em outras passagens anule a garantia de salvação eterna. Se alguns versículos deixam dúvidas, devem significar algo diferente. Lendo atentamente essas passagens críticas, e observando o contexto geral das Escrituras, teremos o entendimento correto de seu sentido.

Somos salvos única e exclusivamente pela pessoa de Jesus Cristo. Lemos em João 17.19, na conhecida oração sacerdotal de Jesus: “E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade”. Isso significa que todo aquele que crê em Jesus é santificado em Sua santificação – pela sua posição “em Cristo”. Portanto, uma pessoa que se tornou crente assumiu sua posição em Cristo. Ela passa a ser vista por Deus, o Pai, na posição de Seu Filho. Jesus deu Sua vida perfeita pelos pecadores, para que a vida deles pertencesse ao Pai. Ele é a base e o fundamento. Se alguém se torna crente, nascendo de novo, sua vida é transferida para a vida de Cristo, e esta jamais pode ser perdida. Por isso, Jesus ora na oração sacerdotal de forma muito concreta: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste…” (Jo 17.24). Todos os que nasceram de novo são dados ao Filho pelo Pai. Estarão com o Filho e ficarão para sempre com Ele e verão a Sua glória. Esse grupo de pessoas é a Sua Igreja, um só corpo, inseparável e indivisível.

A declaração de João 6.37-39 aponta nessa mesma direção: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. E a vontade daquele que me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia”. Se um nascido de novo pudesse perder sua salvação, entendo que isso seria uma afronta ao sacrifício de Jesus na cruz. A doutrina que ensina que o crente pode perder a salvação tira a honra de Jesus e faz com que a graça deixe de ser graça. Em relação à obra completa de Jesus, é da vontade do Pai que não se perca ninguém que veio a Cristo e pertence a Ele. Jesus consumou uma vitória plena, e Seu triunfo consiste em termos sido resgatados do inimigo de uma vez por todas e agora pertencermos ao Seu reino.

O apóstolo Paulo escreve em Romanos 8.38-39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Esse é o amor experimentado pelos salvos. Não é o amor de Deus por todos os homens em geral, mas o Seu amor por aqueles que encontraram a Cristo. Não existe argumento mais evidente e mais abrangente! A expressão “nem a morte, nem a vida”, inclui tudo o que possa ter alguma influência na nossa vida. Uma pessoa realmente renascida não pode se separar de Deus; isso só é possível para alguém que não nasceu de novo, mesmo que aparente ser cristão. Na vida ou na morte nada poderá nos acontecer que esteja fora da esfera da vontade de Deus. Mesmo no mundo dos espíritos não há poder ou potestade que exerça alguma influência que nos separe de Jesus. Não há acontecimento, presente ou futuro, que possa nos separar do Senhor. Nem mesmo o poder do pecado, nada que seja elevado ou profundo, nem qualquer criatura tem esse poder de nos separar do amor de Deus. Por que não? Porque a obra do Gólgota transcende a tudo. Lemos em Romanos 8.34: “Quem os condenará? É Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

A salvação eterna não está baseada em nossas obras, mas somente na graça. Tomemos como exemplo o direito civil: você nasceu num país e é cidadão desse país. Você não fez nem poderia ter feito qualquer coisa para receber sua nacionalidade. Se não obedecer às leis do país, poderá ser punido, mas sua cidadania não poderá ser questionada. Você pode perder muitas coisas: sua liberdade, dinheiro, trabalho, casa e bens, mas não sua cidadania. Portanto, a graça deixaria de ser graça se um filho de Deus pudesse perder sua salvação. Se colocamos em dúvida a segurança da salvação eterna, estamos outra vez dentro do círculo vicioso da justificação pelas obras, e aí ninguém poderia ter certeza de sua salvação.

Em Efésios 2.8-9 está escrito: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. A graça de Deus é o único fundamento para sermos e estarmos salvos. Sempre que se tratar do pacote do presente da salvação eterna, é a graça que o torna possível. Se pudéssemos nos perder depois de termos sido salvos, teríamos de ganhar nossa certeza de salvação pelas nossas obras.

William MacDonald escreve: “O único caminho em que Deus podia dar uma firme salvação ao homem era pela graça, por meio da fé. Salvação pela graça significa que tudo reside em Deus e nada depende do homem. Mas se tudo repousa unicamente em Deus, não há falha”. No que diz respeito à graça e à salvação, Jesus Cristo é o Autor e Consumador da nossa fé. Lemos em Hebreus 12.2: “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus”, e em Filipenses 1.6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”. (Norbert Lieth)

MOVIMENTO DOS IRMÃOS

“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”
II Timóteo 2.2

UM POUCO DE NOSSA HISTÓRIA E QUEM SOMOS
O movimento dos “irmãos” é conhecido e formado por cristãos indenominacionais, que se reúnem num terreno comum a todos os que pertencem à Igreja de Cristo.
Os iniciadores deste movimento, eram jovens, a maioria ligada ao Trinity College, Dublin, Irlanda. Buscavam encontrar uma forma em que pudessem reunir-se para adoração e comunhão, desprezando as barreiras denominacionais, reunidos simplesmente como “irmãos em Cristo”.
Como procuravam reunir-se nesta simplicidade, não pretendendo formar um grupo à parte, não usavam qualquer nome que os diferençasse dos grupos existentes. Não faziam ideia que começavam um movimento, e não tinham esta intenção, pois isto seria a negação do verdadeiro propósito pelo qual se reuniam. Por volta de 1825-1827, em várias cidades da Irlanda e da Inglaterra, foram se formando pequenos grupos de discípulos de Cristo para um estudo mais aprofundado das Escrituras. Eram crentes que pertenciam a denominações diversas.

O Movimento se espalhou pelo Continente Europeu, na Inglaterra receberam o nome de “irmãos de Plymouth” (Plymouth Brethrem), porque no início, formou-se uma igreja local bem numerosa na cidade de Plymouth. Em outros lugares são chamados de “darbistas” (Por causa de John Nelson Darby) para designar o grupo exclusivista. Em Portugal, Argentina e outros países são conhecidos como “assembleia de Deus”. No Brasil, alguns lugares são conhecidos como “igreja cristã”, “irmãos unidos” e até mesmo “casa de oração” por geralmente denominarem assim a casa onde se reúnem.
Sobre este assunto, assim escreveu o irmão Silas G. Filgueiras:

“A existência de muitos nomes indica que nenhum satisfaz plenamente, porque nenhum preenche a finalidade e alguns envolvem alguma inverdade. O desejo, porém, tem sido sempre o de se reunirem como cristãos, remidos por Cristo, como uma expressão local da Igreja de Cristo na terra, sem usar qualquer nome, ou outro distintivo, com o fito de direfençá-los dos outros irmãos em Cristo. Esta é a razão de preferirem tratarem-se uns aos outros como “irmãos” (com “i” minúsculo) por ser um nome aplicável a todos os membros da Igreja de Cristo na terra, não podendo, entretanto, ser apropriado por um grupo somente. A ideia de divisão em grupos e o uso de nomes para se designarem é um mal que começou muito cedo na história da Igreja, e que foi prontamente condenado por Paulo. (1 Co 1.11-13).
O uso de designações, tais como “irmãos”, “igreja cristã” não escapa à acusação de ser impróprio, uma vez que toma para um grupo, nomes que pertencem a todo o povo de Deus, embora, diga-se de passagem, nomes como “presbiteriano”, “batista”, “assembleia de Deus”, etc. são também passíveis da mesma acusação.
O importante não é pertencer a este ou àquele grupo, porém, pela graça de Deus, ter um espírito indenominacional, e ter a visão da comunhão universal, da única verdadeira Igreja que é formada por “todos os que, em todo lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”. (1 Co 1.2) “
No Brasil, o primeiro grupo a reunir-se, foi em 1878, na cidade do Rio de Janeiro à rua da América, 4, formado por membros oriundos da Igreja Fluminense, influenciados por Richard Holden, então residente em Portugal, que fora co-pastor da igreja Fluminense quando esteve no Brasil.
Mais tarde, em 1896, chega o primeiro missionário ao Brasil. Stuart Edmund Mc Nair. Atuando primeiro na cidade do Rio de Janeiro, mais tarde, Petrópolis, Sampaio, Del Castilho, Bemposta e Zona da Mata, região limítrofe entre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, posteriormente fixando residência em Conceição de Carangola-MG.
Não se sabe ao certo quantas igrejas locais existem hoje no Brasil, porém estima-se mais 700 espalhadas por todas as regiões, sendo a região Sudeste com maior número.

CONVICÇÕES E POSIÇÃO DOS “IRMÃOS”

A) A Igreja de Cristo é constituída de todos os que foram comprados com Seu sangue (Atos 20.28) e Jesus orou para que todos fossem um (Jo 17.21), e assim sendo a divisão em seitas, partidos e denominações é contrária à vontade de Deus (1 Cor 1.11-13). O argumento de que as divisões estimulam os crentes a se esforçarem pela sua denominação, produzindo emulação, e assim dão maior contribuição para o progresso do Evangelho, é pensamento humano, esquecendo que a obra de Deus é somente aquela feita pelo poder de Deus, dirigida pelo Espírito Santo.

B) Entendem que no Novo Testamento não encontramos base para a divisão dos crentes em ordenados (clero) e não ordenados (leigos), colocando assim, todos os crentes no mesmo nível eclesiástico. Também não encontramos o ensino de que a execução de certos atos (batismo, Ceia do Senhor, etc.) fica restrita aos ordenados, ou a uma classe.

C) Impedem a promoção pessoal e condenam o culto da personalidade.

D) Consideram a distinção entre Israel e a Igreja de Cristo, que são ambos povo de Deus, porém tem bênçãos e privilégios próprios a cada um.

E) Suas igrejas locais são autônomas, mantendo somente relações de fraternidade cristã umas com as outras. O governo é exercido pela igreja reunida, e por unanimidade (1 Co 1.10; Rm 12.16). Compreendem que é o Espírito Santo quem dirige as reuniões da igreja, e usa os instrumentos que Ele escolhe como no citar hinos, orar, ler um texto das Escrituras, fazer o comentário do mesmo, etc. Quanto ao ministério, na reunião da igreja, os “irmãos” seguem o princípio da liberdade de ministério segundo os dons concedidos pelo Espírito Santo, conforme I Cor 14.26-33, mas entendem que o ministério não proveitoso deve ser evitado, ou não permitido.

F) Entendem estes irmãos que na Bíblia se encontra todo o ensino sobre a Igreja, e só nela. Não há outra fonte de informação. Quando não há um ensino claro a respeito de determinado assunto, não deve ser estabelecida uma interpretação que terá de ser aceita por todos.

Sinésio Barreto, Petrópolis-RJ

Bibliografia:
– Álbum de Reminiscências – Stuart E. McNair
– Mair Reminiscências – Stuart E. McNair
– “Os irmãos” – Silas G. Filgueiras
– Convicção e posição dos “irmãos”
– A History of the Brethrem Movement – F. Roy Coad

A Beleza dos Besouros


A Beleza dos Besouros

Thomas Lachenmaier

Quem observa a Criação com a mente aguçada descobre uma infinidade de espécies nos mares e nas florestas, descobre a imensa diversidade da flora e da fauna, descobre os espaços profundos do Cosmos…

Um livro sobre insetos esclarece justamente isso. Käfer und andere Kerbtiere (Besouros e outros Insetos), contendo desenhos de Bernard Durin (1940-1988) é um deleite para os olhos. Com sua habilidade praticamente insuperável, Durin desenhou uma seleção de insetos hexápodes (que têm seis pernas). A coloração, os mínimos detalhes – perfeição técnica, capacidade artística e exatidão científica se mostram neles de maneira belíssima.

Observando esses desenhos – desde o besouro longicórnio à cigarra – o leitor é imediatamente impactado pela diversidade e beleza desses seres vivos. Ele abre seus olhos para seres vivos do cotidiano e que normalmente não observamos, por serem muito pequenos ou talvez por rejeição (insetos nocivos). A beleza desses insetos leva o observador ao fascínio. As figuras proporcionam alegria diante da multiplicidade e beleza das formas bizarras, das cores e combinações. Não raramente elas provocam um sorriso ao observador diante da aparência desses animais. Fica evidente que o Criador, além do Seu poder de criação, também possui senso de humor. Através do olhar a cada um desses fascinantes besouros, Deus proporciona ao homem uma clara noção da Sua existência.

Não somente a maravilhosa constituição desses animais, mas também a conceituação e a fala das pessoas apontam para o fato de terem sido criadas. Não é à toa que se fala em criaturas e seres criados – e não de “obras do acaso” ou “sem-projeto”. Se as pessoas não têm palavras corretas para reconhecer algo casual ou involuntário, isso indica que os seres vivos foram criados e que não surgiram casualmente. Quando a pessoa fala em ser vivo, então ela obviamente o formula de uma maneira partindo do princípio de que esse ser vivo foi criado (criatura, creatio = criação). De onde essa obviedade influencia a definição dessa denominação? Ela ocorre porque, de certa maneira, de fato é autoexplicativa, de que o ser vivo surgiu de modo criativo (isso significa: com poder de criação, inteligência e fantasia): criaturas são seres formados, originárias de uma Criação.

É algo admirável observar como a natureza domina a difícil tarefa de conciliar o luxo (os fantasiosos modelos, cores e formas) e a estratégia de sobrevivência. “A natureza”, dizem os biólogos evolucionistas, “apresenta uma inteligência direcionada e planificada”, o que, no entanto, ela nem poderia ser de acordo com o modelo da Evolução. Com isso eles entendem que a natureza de fato “dominou” uma tarefa difícil – isto é, que ela sabia antecipadamente dos requisitos que seriam necessários para o ser vivo formado e assim o concebeu de acordo (!). Acrescente-se a isso ainda essa inteligência literalmente imprevisível, incontida e infinitamente criativa: a diversidade desses seres hexápodes é tão imensa que mesmo “as extensas enciclopédias não seriam suficientes para documentá-las mesmo apenas aproximadamente ao modo completo”. Entre os especialistas em insetos, os entomologistas, há muita discórdia sobre a quantidade de espécies de insetos que existem. Até hoje, foram descritas entre 1,2 a 1,5 milhão de espécies.

Ao final, o espanto se transforma em admiração e louvor para Aquele que criou tudo isso com sabedoria imensurável. Se Deus já dedica essa transbordante estima criativa ao escaravelho e ao percevejo-escudo, quanto mais nós deveríamos entoar hinos de gratidão? Entoar hinos de gratidão que ecoam através de toda a Bíblia, desde o Gênesis ao Apocalipse? Não deveríamos também, ao vê-Lo em Seu poder de Criador, reconhecê-Lo como o Senhor e Salvador do mundo e que, com nosso retorno para Ele, deseja somente o nosso bem? “Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações” (Apocalipse 15.3).

O mundo criado é um convite para crer e se alegrar reconhecendo essas maravilhas. “Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção” (Sl 139.14). (Thomas Lachenmaier  — factum-magazin.ch)