Monthly Archives: dezembro 2015

O Maior de Todos os Presentes

O Maior de Todos os Presentes

Robert M. Stahler

Ainda não posso acreditar que dormi demais e perdi a hora na manhã do Dia de Natal. Não acredito que uma criança de oito anos de idade seria capaz de dormir demais na manhã de Natal. Vi meu pai sentado perto da árvore de Natal, com os olhos brilhantes por causa da expectativa. Desci correndo os degraus e vi o presente pela primeira vez. Era o melhor presente de Natal que eu já havia ganhado – um caminhão de bombeiros com uma escada de um metro de comprimento, que ia para baixo e para cima. Até hoje, não creio que alguma criança tenha tido mais prazer por ganhar um caminhão de bombeiros como aquele do que eu.

A história do Natal trata de um presente, mas um presente muito mais importante e duradouro do que qualquer coisa que se possa encontrar debaixo da árvore de Natal. É a história do maior presente que já foi dado à humanidade. Com base em Seu imenso amor, Deus deu ao mundo um Salvador há mais de 2.000 anos. O Natal é a celebração da vinda de Jesus, o Messias, à Terra. Ele veio a um mundo escuro e pecaminoso “como a luz que brilha nas trevas” (Jo 1.5).

Seu nascimento em Belém foi predito pelo profeta Miquéias 700 anos antes (Mq 5.2). Belém, de fato, data de muito tempo antes disso na história judaica. Foi ali que o patriarca Jacó sepultou sua esposa Raquel (Gn 35.19). Ali foi a cidade de Noemi, citada no livro de Rute (Rt 1.19), e ali Davi foi ungido rei sobre todo o Israel (1Sm 16.4-13).

Nos dias de Jesus, Belém era um pequeno vilarejo cerca de 8 quilômetros ao sul de Jerusalém. A palavra hebraica para Belém significa “casa do pão”. O mundo recebeu seu maior presente quando Jesus, “o pão da vida” (Jo 6.35) nasceu na “casa do pão”.

O relato do nascimento de Jesus é encontrado no Evangelho de Lucas:

“Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias” (Lc 2.1-6).

Aqueles foram dias difíceis em Israel. Sob a pesada opressão do governo romano, os cidadãos judeus estavam pagando impostos cada vez mais altos para apoiar os exércitos, as estradas e os projetos de construção do Império Romano. Certamente que, quando José e Maria fizeram a árdua caminhada de cerca de 150 quilômetros, eles viram grupos de soldados romanos ao longo do caminho que lhes fizeram lembrar da ocupação de seu país.

Incapazes de obter alojamento na pequena cidade, que estava lotada de visitantes devido ao recenseamento, eles encontraram refúgio em um humilde estábulo onde Maria deu à luz o herdeiro do trono de Davi. Eles lhe deram o nome de Jesus, como o anjo lhes havia dito enquanto ainda estavam em Nazaré: “E lhe porás o nome de Jesus [em hebraico, Yeshua], porque ele salvará [em hebraico, yoshea] o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21).

Maria colocou seu filho recém-nascido em uma manjedoura (Lc 2.7), a qual provavelmente era um cocho para alimentos dos animais. Aquele que alimentaria as multidões, foi colocado em um lugar usado para alimentar animais.

Nas vastas trevas das colinas que cercavam Belém, os pastores em um campo próximo estavam guardando suas ovelhas. Subitamente, os céus ficaram iluminados. Depois de 400 anos de silêncio, Deus falou ao Seu povo naquela noite, usando um anjo para proclamar o nascimento do Salvador: “É que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11).

A luz aumentou à medida que o anjo se reuniu a uma miríade de anjos que estavam adorando a Deus. Os pastores se apressaram na ida para Belém, onde encontraram a Criança e Seus pais, exatamente como lhes havia sido dito. Eles saíram anunciando as boas-novas de que o Messias havia nascido.

Deus também estava trabalhando fora da terra de Israel. Ele colocou uma estrela especial no céu, que guiava as pessoas ao Seu Filho:

“Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do Rei Herodes, eis que vieram uns magos do oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para adorá-lo” (Mt 2.1-2).

Herodes não nasceu “rei”. Ele havia sido designado rei da Judéia por Roma, e governava sobre o povo judeu. Ele sentiu-se ameaçado pela revelação dos sábios. Conhecido por ser um diplomata sutil e talentoso, bem como por ser completamente tresloucado, Herodes perguntou aos estudiosos das Escrituras hebraicas onde o Messias haveria de nascer. Quando soube que seria em Belém, disfarçadamente disse aos sábios para encontrarem a Criança e: “quando a tiverdes encontrado, avisai-me para eu também ir adorá-lo” (v.8).

A estrela os levou à Criança. Mas, em obediência a uma revelação vinda de Deus através de um sonho, os sábios tomaram uma rota diferente e voltaram para casa, evitando Herodes. Em um acesso de raiva, este ordenou que todos os meninos de dois anos para baixo em Belém fossem mortos. Sem que Herodes soubesse, Deus avisou a José que fugisse para o Egito, onde Jesus estaria a salvo do tirano. Depois que Herodes morreu, José, Maria e Jesus voltaram para Israel. Deus havia protegido Seu Filho, por meio de quem Ele planejava abençoar o mundo.

A história do Natal é um relato sobre o notável amor de Deus pela humanidade. Em amor, Ele trouxe José e Maria exatamente ao lugar certo, exatamente no momento certo. Em amor, Ele proporcionou exatamente o lugar certo para Jesus nascer; e, em amor, Ele preservou a vida de Jesus.

Em amor, Ele também revelou o nascimento aos pastores e aos homens sábios e proclamou Seu amor por meio dos anjos. Em Seu amor pela humanidade, Deus tem preservado a história do nascimento do Messias por mais de 2.000 anos. E, em amor, Ele dá o presente [ou o dom] da vida eterna a todo aquele que se arrepende de seus pecados, deixa de confiar nas boas obras e vem a Jesus para pedir perdão: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37).

Disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24).

Ano após ano, meus pais me davam muitos presentes. O caminhão de bombeiros foi o brinquedo que lembro ter ganho quando ainda era muito pequeno. Finalmente, ele perdeu seu atrativo. A pintura ficou desbotada, e a escada já não subia e descia mais. Um dia, ele foi jogado fora.

Nada jamais diminuirá o glorioso dom que Deus deu à humanidade em Jesus Cristo. Um dia, o Bebê nascido em uma manjedoura retornará à Terra. Mas, nessa ocasião, Ele será o Rei dos reis e o Senhor dos senhores – o Messias de Israel, que reina e governa. Todo joelho se dobrará e toda língua confessará “que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fp 2.11). (Robert M. Stahler — Israel My Glory — Chamada.com.br)

A Verdadeira História de Natal

A Verdadeira História de Natal

Na História Antiga houve acontecimentos incríveis no Oriente Médio que nos colocam hoje, em todo o mundo, diante de uma decisão de alcance imensurável.

Aconteceu por ocasião do Natal. Um comerciante colocou uma Bíblia aberta como decoração na vitrine da loja e assinalou um determinado versículo com lápis vermelho. Todos os que passavam conseguiam ler o que estava escrito, ou seja, era o resumo da História de Natal:

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16).

Duas senhoras passaram diante da vitrine, viram a Bíblia e leram o versículo. Nisso, uma delas falou: “Que coisa horrível! Hoje em dia misturam a Bíblia em tudo, até na festa de Natal!”

De acordo com as pesquisas, uma em cada dez pessoas na Alemanha não sabe o motivo pelo qual se comemora o Natal. Muitos relacionam o Natal com presentes, família, o inverno europeu, Coca Cola e Papai Noel, mas não com a Bíblia. É uma constatação triste, pois justamente a Bíblia mostra que, por trás do Natal, encontramos um dos acontecimentos mais emocionantes e verdadeiros de todos os tempos.

Conforme a Bíblia relata, na antiga Babilônia viveu um profeta judeu, chamado Daniel. O Rei da Babilônia o havia nomeado como o maioral dos seus videntes e astrólogos. Daniel, no entanto, não era vidente, mas era um homem que falava a verdade porque o Espírito de Deus vivia nele. Este Espírito o habilitava a interpretar enigmas e a profetizar de um modo que superava a tudo o que já existiu. Ele anunciou um Rei-Salvador divino em Israel. Daniel deixou rastros permanentes atrás de si, na Babilônia.

Passaram-se 600 anos. Uma luz sobrenatural, que a Bíblia denomina de estrela, apareceu nos céus sobre a cidadezinha de Belém. Os astrólogos da longínqua Babilônia observaram esse fenômeno celeste. É bem provável que eles se lembraram dos escritos de Daniel. Imediatamente se puseram a caminho, percorreram mais de 1.000 km para encontrar o Rei divino.

Os astrólogos babilônicos, que na História são conhecidos como os “magos do Oriente”, se dirigiram à capital israelense – Jerusalém. Começaram a buscar informações: “Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo” (Mateus 2.2).

Naquela época, o mundo era dominado pelo Império Romano. Em Israel, os romanos nomearam um certo Herodes como rei, mesmo que não fosse um israelita. Este ficou assustado ao ouvir sobre os astrólogos estrangeiros e imediatamente convocou os escribas judeus para uma reunião. Eles, por sua vez, confirmaram que seus profetas antigos haviam anunciado um Rei-Salvador. O profeta Miqueias, há cerca de 700 anos, havia indicado até o local do Seu nascimento: “Em Belém da Judéia” (Mateus 2.5).

Algo excepcional nessas circunstâncias era o seguinte fato: a mãe de Jesus era uma virgem e o Pai era Deus – Espírito Santo. Ele, o Rei dos Judeus e Salvador do mundo, nasceu em uma estrebaria. Não é algo fantástico?

Várias centenas de anos antes do nascimento do Rei-Salvador, o profeta judeu Isaías havia anunciado concretamente: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho…” (Mateus 1.23). O sentido profundo contido nesse episódio é muito sério e demonstra a necessidade desse nascimento virginal.

Deus criou o primeiro casal – Adão e Eva – livre do pecado. Ambos, no entanto, quebraram a lei de Deus e se tornaram pecadores. Desde então, todas as pessoas nascem em pecado e, por isso, estão perdidas por natureza. Deus, porém, não deseja que os homens se percam. Ele “…deseja que todos os homens sejam salvos…” (1Timóteo 2.4).

Surgiu, assim, a necessidade que nascesse um Homem sem pecado e que nunca transgrediria a Lei de Deus, para que tomasse sobre Si o castigo pelo pecado e salvasse o mundo. Foi por isso que Jesus veio a este mundo, não através da semente de um homem, mas gerado diretamente pelo Criador, na virgem. O apóstolo Paulo explica: “…pois, se muitos morreram por causa da transgressão de um só, muito mais a graça de Deus, isto é, a dádiva pela graça de um só homem, Jesus Cristo, transbordou para muitos! (Rm 5.15 – NVI).

No entanto, Deus não simplesmente enviou o Seu Filho, num momento qualquer como Salvador ao mundo, porém, o fez numa época previamente determinada por Ele, como disse o apóstolo Paulo: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei…” (Gálatas 4.4).

Apesar das más intenções dos governantes, os reinos mundiais da época contribuíram para que o Natal pudesse acontecer naquele tempo predeterminado.

No antigo reino egípcio, por exemplo, um clã escravo cresceu tornando-se um povo do qual deveria surgir o Rei-Salvador. Posteriormente, quando este povo estava escravizado na Babilônia, Deus despertou novamente esse anseio judeu pelo Rei-Salvador profetizado e que havia sido quase esquecido. Quando, então, a Pérsia conquistou a Babilônia, Deus utilizou os persas para conduzir o povo de Israel de volta à sua pátria, porque ali haveria de nascer o Rei-Salvador.

Na sequência, o domínio mundial da Grécia difundiu um novo idioma através do mundo. A Bíblia dos judeus – o Antigo Testamento – foi traduzida para a língua grega e, posteriormente, foram acrescentados os escritos do Novo Testamento, também no idioma grego. Surgiu, então, um reino ainda mais poderoso no palco mundial: os romanos providenciaram a pacificação, criaram um novo sistema de estradas e eliminaram as fronteiras entre os países.

Agora finalmente havia chegado o tempo para o “primeiro Natal”, para a Vinda do Salvador do mundo – pois haviam sido criadas as condições para a rápida proclamação das Boas Novas de que o Filho de Deus se tornara Homem para salvar as pessoas de seus pecados e do respectivo castigo.

Na História do Mundo, houve somente uma única Pessoa, cujo currículo já havia sido descrito antes do Seu nascimento pelos profetas judeus. Na História do Mundo há também somente uma única Pessoa que foi colocada nesse mundo por Deus, através de uma virgem. E, na História do Mundo, há somente uma única Pessoa cujo nascimento foi preparado pelos impérios mundiais. Seria isso uma mera coincidência?

Os contextos formam um sentido claro demais para que não pudessem ser verdadeiros. Trata-se da nossa salvação eterna: Deus age em nosso favor. Através do Natal, Ele quer nos comunicar que não existe uma pessoa sequer que esteja muito distante dEle, a ponto de não poder se aproximar do Senhor.

Certa vez perguntaram ao Senhor Jesus como se poderia verificar a veracidade das Suas palavras. Ele respondeu com um convite concreto: Quem crê nas Suas palavras verificará que elas não se originam de uma pessoa, mas têm origem em Deus-Pai. Cada pessoa pode fazer a prova, a exemplo dos astrólogos, e vir para adorar o Rei. Através de Jesus e do Seu nascimento, Deus vem ao nosso encontro para nos presentear com o dom da graça, do perdão de todos os pecados e com a vida eterna junto dEle, no Céu. Isto é Natal!

Deus percorreu um longo caminho para nos salvar. Os astrólogos do Oriente venceram uma longa distância para encontrar Jesus. Tenha a coragem de também dar esse passo de fé em direção a Jesus!

Enquanto Ainda Éramos Pecadores

Enquanto Ainda Éramos Pecadores

Don Lough Jr.

Jamais me esquecerei do dia em que visitei o infame Lixão de Dandora nos arredores de Nairobi, Quênia. O mau cheiro me oprimiu à medida que eu via crianças pequenas percorrendo montanhas fumegantes de lixo tóxico buscando algo que pudessem vender ou comer.

Tragicamente, viver na imundície e na poluição era o estilo de vida delas. Tapei meu nariz e comecei a ir embora quando subitamente percebi que essa cena horrível resumia a existência pecaminosa e sem esperança de uma pessoa sem Jesus Cristo.

A verdade é que nosso Deus santo não pode tolerar o pecado. Quando compreendermos totalmente a depravação de nossa condição, ficará difícil entendermos que Deus nos amou mesmo enquanto ainda tínhamos o mau cheiro do pecado (Rm 5.8).

O grande amor de Deus pelos pecadores moveu-O a enviar Seu Filho unigênito, Jesus, como bebê, a um estábulo humilde e mal-cheiroso em Belém. Um estábulo parece ser um lugar de nascimento improvável para o precioso Filho de Deus, todavia, indica a profundidade do amor de Deus e quão longe Ele estava disposto a ir para reconciliar os pecadores Consigo mesmo.

Deus enviou Jesus à Terra em uma missão de busca e resgate. Ele veio para buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19.10). Jesus realizou sua missão completamente até a cruz no Calvário, refletindo de maneira perfeita o amor de Seu Pai. Para o desconforto dos líderes religiosos daqueles dias, Jesus tornou-Se muito conhecido como amigo dos pecadores.

O Que Jesus Via?
Afinal, o que Jesus via nos pecadores? Ele procurava aqueles a quem a sociedade havia rotulado como os que não tem méritos, que não podem ser amados, que fossem coletores de impostos desonestos como Levi (Lc 5.27) e Zaqueu (Lc 19.1-10), uma mulher adúltera à beira do poço (Jo 4), ou uma possessa de demônios como Maria Madalena (Lc 8.2). Jesus via potencial nas pessoas menos prováveis. Faça a si mesmo uma pergunta crítica: Como você vê os pecadores?

Posso me lembrar vividamente da primeira vez que visitei uma missão de resgate, quando ainda era pequeno, junto com meu pai. A atmosfera parecia caótica e lutei para processar tudo o que via. Francamente, fiquei petrificado. A sujeira e a falta de esperança estavam em todos os lugares. Meus joelhos literalmente batiam um contra o outro à medida que eu lutava para apresentar um simples solo de piano. Quando voltei para meu lugar, comecei a lutar com meus pensamentos: O que estou fazendo aqui? Será possível que Jesus ama mesmo estas pessoas?

Se formos brutalmente honestos, nossa tendência natural é vermos os pecadores de cima para baixo, com desdém. Mantemos uma distância segura e silenciosamente pressupomos que a chance deles virem a Cristo é pouca ou nenhuma. Com que facilidade nos esquecemos de onde nós viemos. Nós também já estivemos “mortos em nossos delitos e pecados” (Ef 2.1). O pecado também era nosso modo de vida. Até mesmo nossas boas obras eram como “trapos de imundície” (Is 64.6). Nenhum de nós merece a graça de Deus. Para onde você iria se ficasse separado do maravilhoso, imerecido amor de Deus?

Não existe um pecador que tenha ido longe demais. Nenhum coração é impossível de ser alcançado. Jesus pode transformar qualquer pecador em uma nova criatura. Levi deixou a coletoria e se tornou o apóstolo Mateus, que escreveu o Evangelho Segundo Mateus. A mulher à beira do poço tornou-se uma catalizadora por apresentar muitos samaritanos a Cristo, e Maria Madalena foi a primeira pessoa a ver o Salvador ressurreto (Mc 16.9). Contudo, talvez nenhum desses improváveis convertidos seria captado em nosso visor de radar.

Jesus era o modelo de como amar os pecadores. Imagine o que o Senhor pode fazer na vida do seu vizinho de coração duro, do membro pródigo da sua família, ou mesmo do seu companheiro de trabalho que usa linguagem obscena. Os pecadores que entram em um relacionamento pessoal com Cristo têm um potencial ilimitado porque o grande amor de Deus muda todas as coisas.

Onde Jesus se Sentou?
Jesus nunca perdeu uma oportunidade de interagir com o povo que Ele estava tentando alcançar. Ele regularmente tomava refeições com flagrantes pecadores. Depois que Levi deixou sua franquia de coleta de impostos para seguir a Cristo, ele imediatamente preparou um enorme banquete em sua casa para apresentar Jesus a seus colegas coletores. Os homens devem ter pensado: “Por acaso, quem é esse Jesus? Que poder Ele tem que até mudou a vida de Levi?”.

Jesus sentou-se com pecadores em muitas outras ocasiões, conforme relatado por toda a Escritura. Lucas 4.20 registra que Jesus sentou-Se na sinagoga para falar a uma audiência hostil. Mateus 26.55 diz que Ele Se sentava diariamente com as pessoas enquanto ensinava no Templo, e Lucas 7.36-37 registra que Jesus sentou-Se para comer na casa de um fariseu e que ali foi encontrá-lO uma mulher de reputação pecaminosa. Jesus buscava oportunidades de sentar-Se com pecadores.

Por que esse fato é importante? O que você geralmente faz quando se encontra cara a cara com aqueles que precisam de Cristo? Os contatos, de maneira geral, acontecem quando a gente está em pé, e as conversações tendem a ser desajeitadas, apressadas e superficiais. Afinal, há lugares para irmos nos encontrar com as pessoas. Quando foi a última vez que você aproveitou a oportunidade para sentar-se e gastar tempo com alguém que precisa desesperadamente de Cristo?

Não faz muito tempo que encontrei-me sentado à mesa juntamente com um estranho em um restaurante local. O homem estava desarrumado e ficava bem claro que ele levava uma vida bastante difícil. Fomos conversando sobre coisas comuns durante alguns momentos e, logo decidi voltar-me para aquilo que eu havia esperado que fosse um almoço rápido e tranqüilo. Então, inesperadamente, o homem começou a compartilhar sua história de vida comigo, em detalhes, falando inclusive sobre sua raiva com relação a Deus. Por um rápido momento, eu, de fato, pensei em pegar minhas coisas e sair. Depois, o Espírito Santo me convenceu. Este foi exatamente o tipo de pessoa que Jesus veio buscar e salvar. Jesus ama esse homem e eu preciso refletir o mesmo tipo de amor.

Deveríamos amar os pecadores da maneira que Cristo os ama, e deveríamos também aproveitar todas as oportunidades para nos sentar e conversar com eles, compartilhando as Boas-Novas de que Jesus veio para buscar e salvar aqueles que estão perdidos. É o mínimo que podemos fazer, uma vez que Deus enviou Seu Filho para nos resgatar – até mesmo enquanto ainda éramos pecadores. (Don Lough, Jr. — Israel My Glory — Chamada.com.br)

Se Isso Não For Amor

Se Isso Não For Amor

Thomas C. Simcox

Não demora muito para as pessoas perceberem quanto gosto do meu cachorrinho. Se pudesse, eu o levaria comigo a todos os lugares. Ele ajudou-me a compreender quão difícil é para as famílias perderem seus amados animais de estimação e porque, às vezes, as pessoas fazem grandes sacrifícios financeiros para cuidarem deles.

Ele também ajudou-me a compreender uma história que certa vez ouvi: um homem, sem hesitação, pagou uma soma enorme em dinheiro para comprar de volta seu cachorro de alguém que o havia roubado. A ação desse homem é uma linda ilustração do amor redentor.

É fácil ver por que uma pessoa voluntariamente pagaria um grande preço para redimir alguém ou algo pelo qual tivesse um grande amor. Embora hoje os incrédulos sejam ligeiros para denunciar o cristianismo como inacessível, ou injusto ou de perspectiva estreita, ele é, de fato, a história do maior transbordamento de amor redentor que já se manifestou na Terra, e o resultado do mais alto preço de redenção já pago em toda a história da humanidade. Como afirmou o apóstolo Pedro:

“Sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1.18-19).

Embora o pecado de Adão e Eva tenha jogado o mundo, que Deus havia criado, nas mãos do inimigo, a quem Jesus chamou três vezes de “o príncipe deste mundo” (Jo 12.31; Jo 14.30; Jo 16.11), o sacrifício do próprio Jesus pagou o preço para redimir o ser humano. Falando a crentes, o apóstolo Paulo escreveu: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). Se colocarmos nossa fé em Jesus, Ele nos transfere do reino de Satanás para o Seu próprio reino.

Mas o preço da redenção não foi barato. O Deus eterno tomou sobre Si a carne e as limitações humanas. Ele, voluntariamente, deixou o esplendor que era Seu nos céus e entrou no tempo e no espaço em uma humilde manjedoura em Belém.

Jesus, Deus-Homem, foi o único que escolheu quando iria nascer, quem seriam Seus pais, a raça na qual nasceria, e o país de seu nascimento. Por meio da encarnação, Jesus se tornou um parente seu e meu.

Nas páginas das Escrituras hebraicas, Deus revelou o conceito do parente redentor, ou o go’el em hebraico. Para ser um go’el a pessoa teria que ser um parente próximo de quem estivesse precisando de redenção. Ele teria que estar disposto e habilitado a pagar o preço, que poderia ser bem caro.

No livro de Rute, Boaz, voluntariamente, se tornou um go’el e casou-se com Rute. Ele pagou com um campo para redimir Rute, teve um filho com ela, e o criou. É um relato de amor sem precedentes: Rute, a moabita, abraçou o Deus de Israel e se submeteu à Palavra de Deus.

Jesus é o nosso Parente Redentor. Ele veio para comprar de volta um mundo que estava perdido por causa do pecado no Jardim do Éden (Gn 3.1-7). Como seres humanos, nunca conseguiremos entender plenamente o que custou para Deus tomar a forma de homem e Se humilhar para Se tornar um de nós, a fim de ser nosso Parente Redentor.

Jesus, o Messias, tinha todos os atributos de Deus: onipresença (Mt 18.20; Mt 28.20), onipotência (Mt 28.18), onisciência (Jo 16.30; Jo 18.4; Jo 21.17), e mais:

“Antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.7-8).

O termo “servo” é a palavra grega doulous. A idéia é a de se tornar como um escravo devotado a alguém, não levando em conta seus próprios interesses. O Criador eterno, autoexistente, do Universo, voluntariamente, tornou-Se homem, e não apenas um homem, mas um servo, um escravo. Ele tomou a decisão de nascer como ser humano, de enfrentar rejeição e humilhação, e de ser crucificado – tudo isso para pagar o preço da nossa remissão e da nossa libertação das mãos do inimigo.

É disso que trata a encarnação. E, se isso não for amor, não sei o que é. (Thomas C. Simcox — Israel My Glory — Chamada.com.br)

Salvo Pela Incrível Graça – A História de John Newton

Salvo Pela Incrível Graça – A História de John Newton

Bruce Scott

John Newton era pastor de uma igreja crescente em Olney, na Inglaterra, quando compôs a letra daquele que talvez seja o hino mais conhecido até hoje – Amazing Grace(i.e., “Incrível Graça”). Newton estava satisfeito naquele contexto de vida campestre. Ele tinha uma esposa carinhosa ao seu lado, desenvolvia um bom ministério pastoral e estava cercado de pessoas amáveis. Naquele momento, Newton desfrutava de uma ótima vida. Mas, 25 anos antes, sua vida estava em ruínas.

Newton nasceu em Londres no dia 24 de julho de 1725. Seu pai, um capitão de navio mercante, o amava, porém era um homem severo e reservado. Por outro lado, a mãe de John era uma mulher atenciosa e cuidadosa. Ela lhe ensinou as Escrituras – capítulos inteiros da Bíblia de uma vez – bem como hinos e poemas. Infelizmente, a mãe de John Newton morreu, duas semanas antes que ele completasse sete anos de idade, e, pouco tempo depois, seu pai casou-se novamente.

Quando o novo casal teve seu próprio filho, ambos deram mais atenção e carinho a este do que a John Newton, de modo que John deixou-se levar pela companhia influente de garotos pervertidos, aprendendo a andar nos sórdidos caminhos que eles trilhavam. Com a idade de 11 anos, ele fez a primeira das cinco viagens marítimas na companhia de seu pai, durante a qual rapidamente aprendeu a xingar e amaldiçoar com os melhores marujos.

Entretanto, durante os cinco anos que se seguiram, John se viu forçado a refletir seriamente sobre a condição de sua alma. Certa feita faltou pouco para que John Newton embarcasse num navio de guerra que levava a bordo um amigo dele. Mais tarde, todavia, ele soube que aquele navio naufragara e que seu amigo, junto com vários outros tripulantes, tinha morrido afogado.

John Newton

Também foi nessa época que Newton teve um sonho perturbador no qual ele jogava fora um anel que representava toda a misericórdia que Deus lhe reservara. Essas experiências pesaram de forma tremendamente condenatória na consciência de Newton e, por algum tempo, impeliram-no a tratar as questões espirituais com mais seriedade. Contudo, passados alguns dias, ele logo se esquecia daquilo que o levara à sobriedade e continuava sua queda vertiginosa na espiral da perversidade. Newton afirmou: “Eu geralmente considerava a religião como um meio necessário para se escapar do inferno; mas eu amava o pecado e não estava disposto a abandoná-lo”.[1]

Aos 19 anos de idade, Newton foi obrigado a se alistar como aspirante da Marinha para servir no navio HMS Harwich. Passado algum tempo, ele desertou, foi capturado, encarcerado, açoitado a bordo do navio, fustigado com chicote de nove tiras, e rebaixado. Então Newton entrou em terrível depressão e desespero, que o levaram, por vezes, a querer se lançar ao mar e a planejar maneiras de assassinar o capitão que o humilhara. Entretanto, não demorou muito para que a situação dele mudasse, quando o capitão de seu navio fez uma permuta entre ele e marinheiros de um navio que estava preste a zarpar para a África Ocidental à procura de escravos.

A Época no Tráfico de Escravos

Em meados de 1700, o tráfico de escravos era um negócio lucrativo. Mais de 100 mil escravos foram trazidos para o Novo Mundo em navios ingleses.[2] William E. Phipps escreveu: “No século XVIII, a média de mortalidade dos escravos durante o trajeto [da África para algum porto no Caribe ou nos Estados Unidos, onde eram vendidos] em navios ingleses era de aproximadamente quinze por cento”.[3] Cerca de 15 mil escravos africanos morreram a bordo de navios ingleses nessa época.

Em seu novo ambiente, Newton não fez absolutamente nada para ser benquisto pelos oficiais do navio. Ele compôs uma cantiga de escárnio para ridicularizar o capitão do navio e a ensinou para a tripulação inteira. Após capturar uma lucrativa quantidade de escravos, Newton ganhou a permissão de ficar na África, ao longo da costa da Guiné, onde trabalhava para um traficante de escravos inglês que vivia com uma amante africana. Essa mulher não gostava de Newton. Quando Newton contraiu malária, ela o tratou cruelmente, com insultos e subnutrição para que morresse de fome.

Tempos depois, Newton foi injustamente acusado de roubar o traficante inglês. Ele ficou acorrentado com cadeias no convés do navio daquele homem e foi mantido com pouca comida, água e roupa. Na verdade, ele se tornou escravo daquele homem e, por ironia do destino, recebeu o mesmo tratamento com o qual eram tratadas as pessoas que tinham sido escravizadas com a ajuda dele.

Esse tormento durou um ano, até que Newton convencesse seu dono a cedê-lo para um outro traficante de escravos. Seu novo senhor tratou-o com bondade e o colocou na supervisão das “feitorias” (prisões para escravos localizadas nos portos).

Apesar dos olhos vigilantes de seu antigo senhor traficante de escravos, Newton conseguiu enviar algumas cartas para seu pai, nas quais pedia socorro. Certo dia, um navio mercante denominado Greyhound [i.e., “cão pernalta e veloz”] chegou onde Newton estava. Ele fora enviado àquele lugar por ordem do pai de John Newton. A princípio, Newton hesitou em deixar seu negócio que a essa altura já era lucrativo, mas, por fim, concordou em voltar à Inglaterra. Newton foi mantido cativo na África por 15 meses ao todo.

A bordo do Greyhound em sua viagem de volta, Newton demonstrou ser o homem mais profano e devasso do navio. Certa noite, ele estava tão bêbado, que quando seu chapéu caiu no mar pela força do vento, se outro marujo não o agarrasse pela roupa, ele teria se lançado nas águas em busca do chapéu.

Mais tarde naquela viagem, Newton folheou um dos poucos livros que havia a bordo –Imitation of Christ [i.e., “Imitação de Cristo”]. Newton começou a ler esse livro como um mero passatempo, mas, depois, passou a se perguntar o que lhe aconteceria se aquilo que nele estava escrito fosse verdade. Ele ficou com medo e fechou o livro.

Atingido Pela Tempestade

Naquela noite de 21 de março de 1748, uma violenta tempestade se abateu sobre o navio, que por pouco não afundou. Homens, animais e provisões foram arrastados pela força das águas e caíram no mar. Newton orou a Deus pela primeira vez depois de anos. Ele temia estar à beira da morte e, se a fé cristã fosse verdadeira, estava certo de que não seria perdoado. John refletiu em tudo o que fizera naqueles últimos anos, inclusive a atitude de zombar dos fatos históricos do Evangelho, e ficou abalado.

Em meados de 1700, o tráfico de escravos era um negócio lucrativo. Mais de 100 mil escravos foram trazidos para o Novo Mundo em navios ingleses.

Passados quatro dias, a tempestade diminuiu. Pela providência de Deus, a cera de abelha, que se encontrava no porão de carga, ajudou que o navio continuasse a flutuar. Newton atribuiu a Deus aquele livramento que tiveram. Ele começou a ler o Novo Testamento com mais interesse. Quando chegou à passagem de Lucas 15, John percebeu os impressionantes paralelos entre a sua vida e a vida do filho pródigo.

O navio ficou à deriva por um mês. Os suprimentos se esgotaram. O capitão culpou a blasfêmia de Newton como a causa dos problemas que enfrentavam e cogitou a hipótese de jogá-lo ao mar, à semelhança de Jonas. O navio avariado finalmente conseguiu seguir seu rumo para a Irlanda do Norte, a tempo de não ser apanhado por um vendaval que começava a ocorrer. Newton reconheceu que Deus respondera sua oração.

Ao chegarem em terra firme, Newton tomou a decisão de não mais xingar e blasfemar. Ele chegou a voltar para a igreja. Entretanto, ainda não era um crente em Jesus. Mais tarde ele declarou: “Penso que aquele foi o início de meu retorno para Deus, ou antes, o retorno dEle para mim; contudo, só considero que vim a ser crente em Cristo (no sentido pleno da palavra crente) muito tempo depois daquele momento”.[4]

Regenerado Pela Fé

Em 1749 Newton zarpou como primeiro piloto de um navio negreiro. A essa altura, ele já tinha se esquecido do compromisso que assumira e recaiu nas antigas práticas pecaminosas. Enquanto buscava escravos ao longo da costa ocidental da África, John Newton foi novamente acometido de malária, situação que o levou a refletir mais uma vez sobre a sua vida. Diante das misericórdias de Deus para com sua vida, ele estava absolutamente convicto da culpa pelos erros que recentemente cometera. Meio delirante e enfraquecido, Newton se levantou da cama e caminhou com dificuldade até um lugar afastado da ilha. Naquele local, percebendo a futilidade de tomar decisões autoconfiantes, “ele se entregou ao Senhor”, escreve Richard Cecil, “para que Deus fizesse com ele aquilo que fosse do Seu agrado. Ao que parece, nada de novo acontecia em sua mente, exceto o fato de que ele estava apto para confiar e crer num Salvador crucificado”.[5] A incrível graça de Deus preciosamente se manifestou no exato momento em que John Newton creu pela primeira vez.

Daquele momento em diante, a vida de Newton mudou gradativamente. No começo, como acontece com a maioria dos crentes, ele não percebia todas as áreas de sua vida que precisavam ser transformadas pela graça de Deus.

Por exemplo, por cinco anos, ele enfrentou lutas quanto à certeza de sua salvação. Todavia, através do encorajamento dado por outro capitão de navio, que também era crente em Cristo, as dúvidas foram vencidas, conforme Newton declarou: “Eu comecei a entender […] e a ter esperança de ser preservado e salvo, não por meu próprio poder e santidade, mas pelo imenso poder e promessa de Deus, através da fé num Salvador imutável”.[6]

A mudança mais evidente na vida de Newton se deu na área do tráfico de escravos. Um ano antes de crer em Jesus Cristo, John Newton se tornou capitão de um navio negreiro. Nos quatro anos seguintes à sua salvação, Newton realizou três viagens com o intuito de buscar escravos na África e levá-los para serem vendidos no Caribe. Durante essas viagens, Newton liderou sua tripulação em cultos de adoração e em momentos de oração. Contudo, ele também foi forçado a sufocar rebeliões de escravos, chegando a ponto de utilizar instrumentos de tortura para apertar polegares a fim de arrancar confissões.

Mais tarde, Newton se conscientizou de que o tráfico de escravos e sua participação nele eram algo moralmente ultrajante e repulsivo. Ele afirmou: “a força do hábito, o exemplo e o interesse [comercial] cegaram meus olhos”.[7]

A partir do momento em que o Espírito Santo convenceu John Newton dos males e pecados envolvidos no tráfico de escravos, ele passou a trabalhar incansavelmente para extingui-lo num esforço de décadas. Ele foi orientador e conselheiro de um crente em Cristo mais novo do que ele, chamado William Wilberforce, o qual atuou no Parlamento Britânico. Wilberforce se tornou o mais notável e eficaz abolicionista da história da Inglaterra. Alguns meses antes da morte de Newton, ocorrida em 21 de dezembro de 1807, o Parlamento Britânico aprovou o Decreto da Abolição do Tráfico de Escravos, o que muito alegrou Newton.

A Ternura da Graça

Antes de experimentar a graça salvadora de Deus, John Newton não tinha o menor receio de xingar e proferir palavrões quando relampejava, de blasfemar contra o Deus do céu, de zombar da Bíblia, de ridicularizar a consagração a Deus, de se envolver em atos depravados, nem o mínimo escrúpulo de comprar e vender seres humanos como se fossem objetos ou mercadorias.

Entretanto, John Newton mudou completamente após a sua conversão. Mais tarde, ele se tornou pastor e exerceu o ministério pastoral por 23 anos, sempre salientando em seus sermões o tema da graça de Deus. Ele compôs e publicou centenas de hinos, inclusive o hino intitulado How Sweet the Name of Jesus Sounds [que traduzido quer dizer: “Quão doce soa o nome de Jesus”] (um nítido contraste com a época blasfema de sua vida pregressa), bem como demonstrou incessante hospitalidade em sua casa.

Ele manteve comunhão com alguns dos mais notáveis nomes do avivamento evangélico na Inglaterra, tais como George Whitefield e John Wesley; ensinou e encorajou pessoas influentes como o grande missionário William Carey, o poeta William Cowper, e o abolicionista William Wilberforce; além disso, tornou-se um dos maiores defensores do fim da escravidão na Grã-Bretanha.

Como explicar tamanha transformação na vida de um homem? Semanas antes de sua morte, já velho e debilitado, Newton explicou: “Minha memória praticamente se foi; mas ainda consigo me lembrar de duas coisas: que eu sou um tremendo pecador e que Cristo é um tremendo Salvador”.[8] (Bruce Scott – Israel My Gloryhttp://www.chamada.com.br)