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CATÓLICOS CARISMÁTICOS E PENTECOSTAIS CATÓLICOS

CATÓLICOS CARISMÁTICOS E PENTECOSTAIS CATÓLICOS

É de todo dia! E a velha alegação! Nasci nessa religião e nela hei de morrer- E a pessoa nem quer ouvir o Evangelho. Ou se o ouve é com o maior desinteresse. Já tem seu ponto-de-vista firmado.
É o preconceituoso.
Há também nos meios evangélicos muita gente preconceituosa em matéria de fé. Por qualquer mo­tivo, menos pelo de real convicção, abraçou determinada denominação. Jamais questionou suas doutrinas e práticas à luz das Escrituras Sagradas. Ne­la firmou raízes, granjeou amigos e obteve cargos e responsabilidades. Se alguém lhe diz algo con­trário a sua denominação, ao invés de examinar a assertiva, zanga-se com o interlocutor. E se admite discutir o assunto, exalta-se, altera-se na sua paixão desassisada. Isto e o autentico fanatismo. E também orgulho que o impede reconhecer a possi­bilidade de laborar em engano.
Certa vez perguntei num momento de intensa tranqüilidade a um celebre, “líder” evangélico se ele tinha alguma base sólida na Bíblia que justi­ficasse sua crença no batismo infantil. Ele, com os olhos marejados de lagrimas, pensou por alguns instantes, olhos fixamente em mim e disse-me: “o irmão não pode esquecer que sou dessa denominação e ela exige que assim se areia.” Fiquei estarreci­do com a explicação do meu interlocutor que me parecia pessoa seria e honesta em sua crença.
Sou salvo, não por fanatismo, mas por con­vicção. Contudo não me considero fanático. Já fui “padre” e abandonei tudo aquilo. Minha convicção cristã parte de haver eu adotado a Bíblia como Única Regra de Fé e Prática. Excluo, por conse­guinte, toda e qualquer outra Fonte de Revelação Divina.
Considero que a leitura deste artigo poderá causar estranheza em muita gente. Seria por isso muito importante que cada um o lesse despido de todo e qualquer preconceito. Lesse-o com inteli­gência e desejo de se esclarecer.
As Sagradas Escrituras nos ensinam acerca da existência de muitos dons. Não somente dons natu­rais, como o da saúde, o da música, o da poesia etc. Mas, sobretudo elas nos falam de dons espiri­tuais concedidos pelo Espírito Santo aos crentes. Ele os concede segundo Sua Vontade, “repartindo particularmente a cada um como quer” (I Cor. 12: 11) e “para o que for útil” (idem v.7). Se a Igreja é um corpo e cada um de nós um de seus membros, cada um de nós, a semelhança dos membros do corpo, tem responsabilidades e atribuições específicas. Os dons são dados a cada um na medida de sua uti­lidade. Portanto, ninguém pode se envaidecer de determinado dom que o Espírito Santo lhe outorgou. Em receber um dom específico não vai mérito algum da parte de quem o recebe.
Estou seguramente convencido que o Espírito de Deus me atribuiu o dom de discernir os espíri­tos (I Cor.12:10)
Espíritos são indivíduos que vivem nesta terra. João em sua Primeira Epístola a eles se refe­ria. Há espíritos, ou seja, indivíduos que negam a Verdade sobre Jesus Cristo. Outros recusam ou­tros ensinos da Palavra de Deus. O Espírito Santo dá a alguns servos do Senhor esta capacidade de discernir, avaliar bem, distinguir, discriminar essas pessoas heréticas e suas heresias.
No passado, ninguém como Paulo Apóstolo o teve e o exercitou. E graças ao cumprimento desse dom herdamos de sua pena inspirada o seu luminoso Epistolário e de forma singular a Epístola aos Romanos e a aos Gálatas distinguidas pelo aguerrido combate a heresia.
O exercício desse dom, que jamais dispensa o estudo sério, diuturno e correto das Escrituras Sagradas, é árduo e acarreta antipatias. Outros dons podem mesmo granjear aplausos.
Cumpro-o sabendo de minha responsabilidade e no propósito de satisfazer o plano de Deus na mi­nha vida. E isto plenamente me satisfaz.
Estas páginas fazem parte do cumprimento desse meu dever. Alegro-me, pois, de vê-las publica­das e mais ainda me alegrarei por saber de pes­soas esclarecidas por sua leitura.
Minha “oração é no sentido de ver nosso Se­nhor Jesus Cristo glorificado por crentes dispos­tos a obedecer com absoluta lealdade a Sã Doutri­na das Escrituras e a divulgar a Verdade do Evan­gelho expungida de qualquer mescla de erro para que almas se salvem pela fé no Senhor Jesus Cristo, o Justo que padeceu pelos injustos para levar-nos a Deus; e pela fé cresçam na vida espiritual.

S. Paulo, 23 de “Abril de 1982
Dr. Aníbal Pereira dos Reis (Ex-Padre)
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Desde sempre…

Por que esse espanto? Essa admiração toda? Católicos carismáticos sempre houve. Ou seja, ca­tólicos dotados de carismas ou “dons” extraordinários de curar, profetizar, falar línguas “estra­nhas”.
A verificação é fácil. A religião católica se incrementou na Velha Europa e depois nas Américas por meio da atuação portentosa dos chamados SANTOS distinguidos por graves nevropatias, ou acentuado histerismo ou por admirável capacidade de mistificação.
Francisco de Assis é um deles. Outra é Brigida cujas alucinações estimularam o desenvolvi­mento da anômala doutrina do purgatório. Nostradamus tornou-se celebre ate hoje por suas profe­cias.
Na Alta Idade Media sobressaíram os flagelantes. Originários de Perusa, na Itália, alastraram-se por toda a Europa Ocidental. Aos bandos promíscuos de moços, crianças e velhos de ambos os se­xos, muitas vezes todos nus, percorriam as cidades clamando, cantando, urrando em linguagem adoidada e desconexa, penitenciando-se com açoites e dai o seu nome de flagelantes.
O processo de canonização do “padre” José de Anchieta, o primeiro “santo” brasileiro, se replena de fantásticos prodígios. Em meu’ livro: AN­CHIETA: SANTO OU CARRASCO? consigno alguns desses fantasmagóricos portentos.
A meta visada e sempre a mesma. Sustentar nos redutos populares o prestígio da religião.
Em nosso País, além dos santuários e basíli­cas tradicionais como a de Aparecida, centro con­vergente de volumosas massas de romeiros, tem surgido sacerdotes revestidos de excepcionais poderes extraterrenos (?). Nos princípios da década de 40 celebrizou-se o frei Eustáquio, então vigá­rio em Poá, Estado de S. Paulo, e que terminou seus dias em Belo Horizonte, Minas Gerais, tendo sua memória perpetuada no nome de um bairro da Capi­tal Mineira por lá haver, com sua morte, concluí­do suas atividades milagreiras. Conheci-o pessoalmente em 1941. Passando por Campinas, Estado de S. Paulo, visitou nosso Seminário. Aguardava-o um médico materialista e desenganado paralítico de mais de vinte anos de enfermidade. Para contentar sua mulher, aquela dedicada companheira que gastara sua melhor mocidade a cabeceira do marido, anuíra ser apresentado ao frade curandeiro. Deitado ali numa cama, um sorriso sardônico exteriorizava sua incredulidade materialista. Ouvi-o a dizer: se a ciência nestes vinte anos nada pode, que poderá fazer esse padreco imbecil?
Eu assisti! O “padreco imbecil” aproximou-se do leito. Fixou seus olhos azuis nos olhos zombeteiros do médico paralítico. Apenas alguns segundos. Determinou-lhe: levante-se! Nada rezou. Ne­nhum tremelique. Não o tocou. Não invocou “santo” algum. Só essa palavra: ‘levante-se! e o médico ergueu-se sobre suas próprias pernas. A princípio cambaleante. Firme e seguro na medida em que de­senvolvia seus passos percorreu dependências do Seminário. Reintegrou-se na sociedade. Reassumiu suas antigas atividades profissionais. Curado em definitivo, nunca mais sentiu qualquer problema nas pernas que reconquistaram o primitivo vigor. E o seu coração recobrara o fervor católico dos distantes tempos de criança.
Em fins da década de 40 tornou-se famoso o “padre” Antônio Pinto, vigário de Rio Casca, da arquidiocese de Mariana, também em Minas Gerais. Seguiu-o nos anos 60 o “padre” José Donizeti, de Tambaú, no Interior do Estado de S. Paulo.
Nestes parágrafos lembrei apenas alguns pou­cos nomes e um ou dois episódios dos muitos, mui­tíssimos nomes e fatos espetaculosos do catolicismo, cuja história é a historia do embuste mais deslavado. Alias, seus sacramentos outra coisa não são senão mistificações. Sua doutrina da eucaris­tia, da missa e da hóstia consagrada, resume to­das as aberrações de sua desvairada teologia.

Origem dos atuais católicos carismáticos

Adjetivei-os na condição de atuais porque, repito, desde sempre a religião romanista criou e prestigiou seus fieis, suas freiras e seus cléri­gos carismáticos. Se o indivíduo não foi carismá­tico, isto é, se não possuiu algum “dom” prodigioso, impossível ser canonizado “santo”. Uma das mais rigorosas exigências, a principal, do processo canonizatório e a da prova ou comprovação das virtudes heróicas do candidato feita através de milagres. Cada estagio da canonização: o da introdução do processo quando os postulantes do concorrente são obrigados a fundamentarem sua petição em três prodígios, o da declaração de sua bem-aventurança e o da canonização propriamente dita, requer a demonstração de pelo menos três porten­tos de “veracidade comprovada”.
O Concilio Vaticano II marcou uma fase de transição do catolicismo romano. Por sentir a ur­gente necessidade de se adaptar as novas condi­ções econômico-político-sociais e religiosas do mundo, a hierarquia clerical alvitrou conformar-se a elas.
De resto, é a velha tática do clero. Toda vez que é chamado à encruzilhada histórica de adap­tar-se ou morrer, prefere, para não morrer, aco­modar-se as novas conjunturas. Já que nunca pode transformar as estruturas sociais, a elas se en­caixa.
Este foi o principal objetivo do Concílio Ecumênico Vaticano II, que, na artimanha de adap­tação, se abriu em leque em atuações diversifica­das. No terreno sócio-político desfraldou bandei­ras socialistas e na área religiosa arreganhou aberturas ecumenistas.
O ecumenismo, examinei-o no livro de minha lavra O ECUMENISMO: SEUS OBJETIVOS E SEUS MÉTO­DOS, intenta também o retorno à comunhão vaticana das seitas dela dissidentes como os luteranos e os anglicanos em todas as suas ramificações.
Essas seitas católicas afastadas da barca pontifícia, vulgarmente conhecidas como protestantes, aceitaram o assédio ecumenista do clero romano e na mesa comum do “dialogo” seus representan­tes tem se sentado no afã de aparar as arestas responsáveis pelo seu distanciamento da comunida­de vaticana.
João Paulo II, repito pela milésima vez, e o sumo pontífice que o romanismo atual precisava. Veio na hora exata. Sua exuberante atuação e fir­mada no programa consciente de capitalizar o má­ximo em todos os espaços (políticos, sociais, fi­nanceiros e religiosos). Usufrutuário de prestí­gio multissecular do cargo de soberano pontífice da mais rica e poderosa religião do mundo, em be­nefício dela própria, João Paulo II se empenha ao extremo.
Sua próxima viagem a Inglaterra, prevista para Agosto deste ano de 1982, visa a respaldar as últimas decisões dos encontros ecumênicos do cle­ro das duas seitas: a vaticana e a anglicana. Com certeza o seu pontificado se assinalara na histo­ria do romanismo pela consumação do regresso dos anglicanos e parte dos luteranos ao seio da “san­ta madre”.
Dado o seu desenvolvimento no meio das mas­sas populares o pentecostalismo chamou a atenção da hierarquia vaticanista.
Se a manobra do “dialogo” ecumenistizante vem dando certo com os anglicanos, luteranos e ortodoxos, pelo menos de inicio era inviável e im­produtiva com os pentecostalistas. Distinguem-se estes pelo exercício dos “dons espirituais” ou “carismáticos” incentivados na exaltação das emoções.
Destarte a hierarquia resolveu penetrar nas áreas pentecostalistas valendo-se de suas pró­prias praticas.
Praticas estas, outrossim, próprias da atuação do clero romanista no decurso de sua existência.
A perspicácia clerical verificou com acerco ser a nação norte americana o lugar mais conve­niente para o início de sua atual investida carismática.
A hierarquia vaticana e genial em seus pla­nos e na execução deles. Começa por aí: para cada empreendimento específico tem o indivíduo especi­fico adrede preparado.
Nesta empresa ‘o indivíduo talhado foi o sa­cerdote jesuíta Edward O’Connor, da Universidade Católica de Notre Dame. Mentor espiritual de Ste­ve Clark e Ralph Martin Keiter, considerando-os adequados instrumentos na sua investida, resolveu usá-los na explosão carismática vaticana tendente a ecumenistizar os pentecostalistas. Colocou-lhes nas mãos, em princípios de 1966, os dois livros: A CRUZ E O PUNHAL, de David Wilkerson, e ELES FA­LARAM EM OUTRAS LÍNGUAS, de John Sherril. Lendo-os, segundo as previsões de O’Connor, assimilaram sua orientação e passaram a freqüentar “reuniões de poder” dos pentecostalistas.
Clark e Keifer, dois leigos católicos engajados nos Cursilhos de Cristandade, o movimento de­sencadeado pelo clero após o Concilio Vaticano II com o propósito de dinamizar as praticas religio­sas entre os fieis católicos em função do ecume­nismo.
Comprovaram ambos a sua acertada escolha pe­lo jesuíta O’Connor pois sentiam as mesmas expe­riências pentecostalistas influenciados que eram por aquelas “reuniões de poder”.
O seu preparo excedeu as mais otimistas ex­pectativas de seu mentor espiritual. Devidamente preparados, portanto, compareceram Keifere Clark, no Outono de 1966, à Convenção Nacional dos Cursilhos de Cristandade, celebrada em dependências da Universidade Católica Duquesne do Espírito Santo, na cidade de Pittsburg, Pennsylvania. Se os rela­tórios das atividades ecumenistas revelavam pro­gresso em certos meios protestantes, em geral, tam bem demonstravam o fracasso delas nos círculos pentecostalistas.
Steve Clark e Ralph Keifer tiveram então a oportunidade de dar seu testemunho de atuação po­sitiva nesses ambientes ate então refratários ao “diálogo” ecumenista. Falaram sobre aqueles dois livros pentecostalistas e espalharam exemplares deles a muitos companheiros cursilhistas.
À terminada Convenção dos Cursilhos sucedeu um espontâneo (?) encontro de pessoas despertadas pela palavra de Clark e Keifer e interessadas nas novas experiências.
O ambiente daquela colina batida por constante brisa forte do Outono facilitou o cenário do pentecostal “vento impetuoso”. As reuniões, por seu turno, criaram o clima psicológico favorável à ocorrência do chamado batismo no Espírito Santo dos moldes pentecostalistas.
Com efeito, as manifestações carismáticas não se fizeram retardar. E no ambiente de extrema excitação nervosa predominaram as línguas “estra­nhas”.
Deu-se o inicio do novo surto pentecostalista nos horizontes romanistas.

Carismáticos sem fronteiras

As pessoas do grande grupo de participantes daquele primitivo encontro de Pittsburg espalha­ram-se e levaram sua mensagem pentecostalista a outros recantos e regiões da América do Norte.
No intento de permear também a elite norte americana o clero Vaticano instalou naquele pais muitas universidades católicas dentre as quais se sobreleva a de Notre Dame, famosa inclusive por suas apresentações esportivas.
Ainda manipulados pelo sacerdote jesuíta Edward O’Connor, Ralph Keifer e Steven Clark se introduziram nessa Universidade. No verão de 1967, apenas um ano depois do ocorrido na Universidade de Duquesne do Espírito Santo, considerável parte das três mil pessoas participantes do curso de extensão em matérias adiantadas, foi atingida pe­la nova experiência. Procedentes de muitas zonas do país, cada uma levou para sua terra o recado carismático. Tudo, de resto, se cumpriu consoante o planejamento do jesuíta O’Connor.
Ainda em Pittsburg passou a sobressair na maré montante do pentecostalismo católico o casal Kevin e Doroty Ranaghan, que, por sinal, se tor­nou conhecido também no Brasil com o seu livro CATÓLICOS PENTECOSTAIS vertido para o nosso idio­ma com sua larga difusão a partir de 1972 sob a responsabilidade da editora pentecostalista O. S. BOYER, de Pindamonhangaba, Interior Paulista.
Esse livro incentivou considerável simpatia do pentecostalismo brasileiro para com o movimen­to carismático romano.
Até então os pentecostalistas acerbamente corri batiam as crassas práticas idólatras romanístas. Daí por diante tornou-se difícil ouvir-se um de­les levantar a voz nesse sentido. E se ocorre, carregam-no de duras reprimendas os irmãos de “segunda benção”.
O surto pentecostalizante tem avassalado tradicionais denominações protestantes e evangélicas.
O casal Ranaghan, em seu livro, sem quaisquer subterfúgios, admite: “um dos mais ricos frutos desse movimento carismático contemporâneo é a união dos cristãos de muitas denominações, no Espírito de Jesus. Episcopais, luteranos, presbiterianos, metodistas, batistas, discípulos, nazarenos, ir­mãos, assim como pentecostais denominacionais tem se tornado nossos queridos irmãos e irmãs em Cristo, unidos pelo batismo com o Espírito Santo” (p. 282).
Releva frisar serem católicos os Ranaghan. Segundo a opinião deles o apelidado batismo no Espírito Santo a todos nivela dissolvendo todas as barreiras doutrinárias.
Os resultados positivos prognosticados pela hierarquia clerical com a incursão carismática nos domínios pentecostalistas e pentecostalizados do protestantismo e das denominações evangélicas surgiram muito antes do tempo previsto.
Os autores do livro CATÓLICOS PENTECOSTAIS se tornam irreprimíveis em sua vitoriosa e objetiva conclusão: “… um saudável aspecto ecumênico se desenvolveu no movimento e tem sido tremenda­mente frutífero…” (p.195).
O monge beneditino brasileiro Estevão Bettencourt, com otimismo lastreado na realidade, chega a igual conclusão: “O ecumenismo (tendência a aproximação crescente das diversas denominações cris­tas entre si) constitui uma nota forte do pentecostalísmo católico. A este titulo, o movimento merece aplausos e apoio” (in PERGUNTE E RESPONDE­REMOS, 149/1972, p.238).
Harold J. Rahn e outro jesuíta. Veio dos Estados Unidos para o Brasil investido da incumbência de fomentar aqui o desenvolvimento carismático. Sobre a matéria já escreveu o livro SEREIS BATIZA­DOS NO ESPÍRITO SANTO. Sem quaisquer rebuços de­clara: “…tenho visto o movimento pentecostal favorecer melhor o entendimento ecumênico, em pouco tempo, que discussões teológicas, por um longo período” (p.22). “Freqüentemente, são (os pentecostais católicos) abertos a ponto de apreciar, e mesmo aceitar, muitas das proposições que nos são caras” (ps.21,22).
Os pentecostalistas, de fato, a todos e a tudo nivelam por sua experiência característica. Despidos de convicções bíblicas concordam com todos e com todos se unem desde que passem pelo seu chamado batismo no Espírito Santo que, diga-se a bem da verdade conquanto de passagem, nada tem a ver com o Evento do dia do Pentecostes segundo o re­gistro de Atos 2.
Rahn tem toda a razão! Os católicos carismá­ticos não se preocupem! Não precisam por causa dos pentecostalistas abrir mão dos seus aberrantes dogmas. Os pentecostalistas e pentecostalizados aceitam as mais queridas proposições vaticanas.

O reavivamento romanista

Página a página as Escrituras Sagradas recu­sam desvios da Palavra de Deus. Se o Ministério de Paulo Apóstolo se destaca pelo impulso missio­nário, sobressai-se muito mais pelo seu zelo em defender a pureza da Verdade do Evangelho. Seu Epistolário e o vigoroso terçar da Espada do Espírito contra as adulterações da Sacrossanta Verda­de.
Seu desvelo leva-o a exigir dos crentes o afastamento daqueles trânsfugas da rota segura da Sã Doutrina: “E rogo-vos, Irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a Dou trina que aprendestes; desviai-vos deles'” (Rom. 16:17). “… DESVIAI-VOS DELES”.
João échamado de o Apóstolo do Amor. E no apanágio de Apóstolo do Amor estabelece: “Todo aquele que prevarica, e não persevera na Doutrina de Cristo, não tem a Deus; quem persevera na Dou­trina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta Doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis” (II Jo. 9-11).
Pergunto eu: que parceria, que entendimento, que aproximação no terreno doutrinário e na vivência espirituais pode haver entre os católicos ca­rismáticos e os autênticos evangélicos? Entre eles e os pentecostalistas decerto e possível o enten­dimento.
As experiências carismáticas católicas ao invés de tornarem seus sujeitos mais receptivos ao Puro Evangelho, impelem-nos a se reafervorarem nas práticas de sua falsa religião. Ao invés de moverem-nos a questionar à luz das Escrituras os seus dogmas, estimulam-nos a mais firme adesão a apelidada “igreja”.
Kevin e Doroty Ranaghan são honestos em anunciar o fato: “O MOVIMENTO PENTECOSTAL NÃO SEPAROU OU EXCLUIU OS CATÓLICOS DE SUA IGREJA. AO CONTRA­RIO RENOVOU O SEU AMOR PELA IGREJA E EDIFICOU UMA FE VIVA NA COMUNIDADE CATÓLICA” (p.73).
Desde o princípio do surto carismático em Pittsburg vem se ressaltando o acontecimento: “TODOS EXPERIMENTARAM UM INTERESSE MUITO MAIOR EM PARTICIPAR DA VIDA SACRAMENTAL DA IGREJA DO QUE ANTES” (p.32).
Rahn confirma: “UM CRISTÃO, CUJA VIDA É CON­DUZIDA PELO ESPÍRITO, NÃO PORÁ NUNCA EM QUESTÃO A OBEDIÊNCIA DE VIDA ÃS DIRETIVAS DA IGREJA OU DO SUCESSOR DE PEDRO, O CRISTO VISÍVEL NA TERRA” (SEREIS BATIZADOS NO ESPÍRITO SANTO, p.38).
O casal Ranaghan e o jesuíta Rahn com todos os orientadores católicos carismáticos nisto são honestos e coerentes nos seus erros. Não arredam uma fração de milímetro em sua postura romanista e em seu objetivo ecumênico.
O jesuíta reconhece as “vantagens da renovação carismática” na “NOVA APRECIAÇÃO DA IGREJA, DA LITURGIA, DA EUCARISTIA, DE MARIA” (p.38).
Com efeito, os testemunhos dos “católicos renovados” comprovam a observação de Rahn. E no intuito de enaltecer a validade das experiências carismáticas no reavivamento romanista, o livro CATÓLICOS PENTECOSTAIS de Ranaghan enfileira uma série de depoimentos dos quais transcreverei alguns.
Mary McCarthy reconhece: “A assistência diá­ria a missa tornou-se minha maneira de viver” (p. 45).
Patrícia Gallagher relata haver sido batiza­da com o Espírito Santo “enquanto estava de joe­lhos, em oração diante do santíssimo sacramento” (p.48). E atesta: “Sinto-me mais devota do que nunca dos sacramentos, especialmente da eucaris­tia” (p.51).
Thomas Noe, depois da experiência pentecostalista descobriu “um novo grau de significação em todos os sacramentos, especialmente na confissão e na eucaristia. Cheguei a entender”, diz ele,”de maneira mais perfeita a eucaristia como sacrifí­cio…” (p.92).
Rahn é conseqüente com sua posição e atuação clerical ao considerar “natural que após a puri­ficação sacramentai… e a recepção de Cristo na eucaristia, muitos sejam batizados com o Espírito Santo” (p.199). Definido outrossim insiste: “Uma das notas características dos que se entregam ao Espírito Santo e um grande amor a Cristo, um afervoramento da devoção a eucaristia. A necessidade de vivência eucarística é uma das conseqüências do batismo no Espírito Santo” (p.217).
Entre os evangélicos a ignorância das Escri­turas e das falsas doutrinas religiosas muito vem contribuindo em prol da heresia em todos os seus matizes. Nessa ignorância o ecumenismo encontra o seu eficacíssimo caldo de cultura.
Se os pentecostalistas e penteeostalizados soubessem realmente o significado do dogma eucarístico no contexto da dogmática vaticana repeleriam qualquer convite unionista da hierarquia clerical e rejeitariam qualquer oportunidade de emparceiramento com os católicos carismáticos.
Enquanto escrevia este livro encontrei o Azambuja, nosso velho amigo. Quem não conhece o Azambuja? Aquele rapaz muito inteligente ao ponto de quando lê um livro ou um artigo de jornal e topa uma palavra cujo sentido desconhece, vai logo ao dicionário para se instruir. Destarte seu vocabu­lário e muito rico. E o Azambuja sempre diz: não há palavras difíceis; há, sim, gente ignorante!!!
Encontrando-o li-lhe a frase acima, quente ainda, da ponta do lápis e quente ainda a folha de papel que a recebeu. Fixou o indicador direito na testa, franziu os sobrolhos, enrugou os intercilios, recuou dois passos e adiantou um… E co­mentou com ar de censura: você e um inveterado otimista (Ele sabe que considero os otimistas uns fora da realidade cujos miolos se fixaram na es­tratosfera). Otimista fanático. Sim, senhor! Ê que você é! Supõe ainda que se os pentecostalistas conhecessem as barbaridades romanistas, se soubessem o significado da missa católica, eles repudiariam qualquer aproximação religiosa com os clérigos? Isso é otimismo ingênuo. Se soubessem mes­mo e que ainda mais se aproximariam deles. Com muito mais pressa correriam para o romanismo.
O nosso Azambuja tem toda a razão. Pedi-lhe perdão do meu insensato otimismo. Onde estava eu que não segurei meus miolos presos à realidade deste mundo? Deixei-os a vagar pelas estratosferas da ficção. A espaços tenho esses arroubos de fantasia. O Azambuja tem razão. Toda a razão! Ainda as vésperas da visita de João Paulo II a S. Paulo, um “missionário” pentecostalista mandou seus fieis irem ao Campo de Marte assistir a missa do “papa” e comungar a hóstia consagrada porque, di­zia ele, assim os irmãos participam da santa ceia do Senhor (???).
Aliviou-se do espanto o Azambuja quando lhe li o parágrafo seguinte assim por mim redigido:
Os pentecostalistas e pentecostalizados, con­tudo de propósito se aproximam deles (dos cléri­gos) e os aplaudem porquanto nem lhes interessa o esclarecimento acerca dos erros doutrinários romanistas. O indivíduo sofreu aqueles tremeliques da sua experiência característica, o resto e resto…
Recomendo a leitura do meu livro A MISSA. Lendo-o os crentes evangélicos tornam-se esclareci­dos sobre a matéria e a considerarão, porque devidamente informados na sua verdadeira dimensão, culto de demônios. E mais. Recusarão a aproximação com os pentecostalistas e pentecostalizados tre­mendamente implicados e comprometidos com a mais infernal das heresias, que e a da desconsideração da TODO-SUFICIÊNCIA e TODO-EFICÁCIA do Sacrifício de Cristo.
Os católicos carismáticos por se tornarem mais fervorosos e mais reavivados católicos, como não poderia deixar de acontecer, exacerbam-se em sua mariolatria.
A mariolatria católica carismática atinge as raias incomensuráveis do absurdo, fato esse com­provado na seguinte declaração do jesuíta Rahn: a única devoção de Jesus na terra foi a sua de­voção a Maria e essa “continua sendo a devoção de Jesus no céu!” (p. 41).
Onde chegamos. Em plena era pós-conciliar quando os protestantes supunham profunda reforma no catolicismo romano, o jesuíta Rahn, inspira­dor, incrementador e incentivador do movimento carismático entre romanistas aqui no Brasil, sai-se com essa lindeza de monstruosa mariolatria. Jesus também agora lá no Céu é devoto de Maria!!! Só um psicopata se passa por tal mariolatra.
A página 197 Rahn quer relacionar Maria com o Pentecostes e reproduz um pronunciamento de Ni­no Salvaneschi Dali Oglio (UN FIORE A MARIA): “Quando, após a Morte de Jesus, os primeiros Apóstolos reunidos em torno de Nossa Senhora,ouviram-na relembrar os episódios de Nazaré, Belém e Jerusalém, a sua voz foi para os discípulos a voz do Espírito Santo. Cristo tinha confiado a humanida­de redimida ao Espírito Santo e a Maria. Assim o Calvário e o Cenáculo uniam a Virgem e o Paracleto”.
“Não faremos terminar esta reflexão”, acen­tua o jesuíta Harold Rahn, “sobre o Pentecostes sem falar daquela que foi e é a Mãe da Igreja. No Cenáculo, “todos eles perseveravam concordes na oração, com as mulheres e Maria, Mãe de Jesus” (At. 1,14). Em Belém, Maria dera a luz Jesus, a Cabeça do Corpo Místico. Na Cruz, pela palavra fe­cunda do seu Filho, o seu coração se alargara pa­ra a maternidade espiritual de todos os membros desse corpo, ate que se complete na parusia. Era normal que a Mãe presidisse, fosse a madrinha desse batismo do Espírito Santo à Igreja, que no dia do Pentecostes iniciava a sua vida oficial sobre a terra. Inseparável dos mistérios de Cristo, é ela a esposa do Espírito que melhor que ninguém nos pode obter as suas graças e a renovação incessante do Pentecoste para todos os membros do seu Filho. Por isso, a justo titulo, e chamada Mãe da Igreja” (p.70).
“Aleluia a Maria… ” (p.196), é, da parte dos católicos carismáticos, a expressão de exaltação a Maria.
ALELUIA A MARIA…
Você que e na verdade crente evangélico con­corda com semelhante enaltecimento a Maria?
A interjeição laudatória ALELUIA quer dizer “louvai a Deus”, por seu próprio sentido, somente pode ser atribuída a Deus. “Louvai a Deus a Ma­ria”… Destoa por completo.
O rosário é o exercício devocional a Maria mais em voga nos espaços romanistas e o mais cumulado de privilégios pelos romanos pontífices através das chamadas indulgências a ele anexadas. Em conseqüência os católicos pentecostalizados na sua prática se afervoram. Jim Cavnar, por exemplo, “adquiriu o habito de rezar o rosário desde que recebeu o batismo com o Espírito Santo” (CATÓLICOS PENTECOSTAIS, p.253). Berth e Mary Lou confessam que a partir do seu batismo com o Espírito Santo, “as devoções naturais, como a de Maria… torna­ram-se mais significativas” (p.115). Thomas Noe, por seu turno, “descobriu uma profunda devoção a Maria” (p.93).
São declarações e testemunhos comprovantes do reavivamento católico conseqüente do surto pentecostalista naqueles horizontes.
E, em resultado, se grassa entre os supostos evangélicos pentecostalistas e pentecostalizados verdadeiro analuvião de simpatia em favor do ca­tolicismo romano, o ecumenismo obtém considerável sucesso com a adesão de muitos deles a certos dogmas romanistas, como o da eucaristia (missa e presença real de Cristo na hóstia) e os atinentes a Maria.

A craveira pentecostalista

É ela! A experiência!!!
Todos os pentecostalistas, pentecostalizados e católicos carismáticos tem a sua experiência. Gozaram-na num determinado momento. Decisiva, ela assinalou a sua vida religiosa em duas etapas distintas. A da fase anterior caracterizada pelo comodismo, pela frieza, pelo desinteresse das coisas espirituais. E a segunda destacada pelo entusias­mo, e vibração.
À referida experiência consiste numa crise emocional muitas vezes molhada de copiosas lágri­mas e outras em gargalhadas irreprimíveis no fre­nesi de medonhos trejeitos sob ondas de calor co­mo se elétricas ou de calafrios a semelhança da febre causada pela gripe. Uns ouvem a Voz de Deus (?), outros em esgares convulsionam no solo. Via de regra tudo resulta de um ambiente extremamente emotivo criado a propósito.
Essa ocorrência confundida com o batismo no Espírito Santo também é a dos católicos carismá­ticos. Ranaghan registra o sucedido com Farley Hall Tom Noe que informa: “… senti imediatamen­te como se meu peito inteiro estivesse querendo subir para a cabeça. Meus lábios começaram a tre­mer e o meu cérebro começou a dar estalos. Em se­guida comecei a rir sem parar” (p.87).
Os livros de cunho avivalista transbordam essas experiências. Constituem-se elas a craveira através da qual se avalia a espiritualidade das pessoas. E exatamente por fundamentarem nesse instante nevrosado que confundem com o batismo no Espírito Santo a distinção das duas fases espiri­tuais do indivíduo, a decantada diferença de con­duta, na verdade, não existe. Os velhos hábitos permanecem e o entusiasmo oscila na esteira das emoções de si mesmas sempre instáveis.
E, com efeito, que comportamento ou espiri­tualidade pode ser essa a aferida no padrão das nevropatias? Em meu livro A SEGUNDA BÊNÇÃO alon­go-me em analise do assunto.
Craveira ou padrão essa crise nervosa que em muitos e a manifestação de alguma psicopatia, dispensa para os pentecostalistas e pentecostaliza-dos o cuidado da doutrina. De resto, dedicam-lhe eles verdadeira aversão. O que buscam nas Escri­turas e uma sofistica justificativa de suas pra­ticas. Por isso passam a focalizar passagens da Bíblia a luz de suas experiências. Falam-lhes mais do que as Escrituras essas experiências. Ou melhor, estas passam a se constituir sua norma prá­tica de crença.
Destroem todos os postulados doutrinários porque aceitam como ponto de partida de sua espiritualidade o apelidado batismo no Espírito San­to. Que: o indivíduo continue idólatra não importa se passou pelos tremeliques. Tremelicou, tremulou, tiritou, ótimo! Se permanecer em seus erros religiosos, isso não tem importância alguma.
Essa destruição doutrinária é sofisticamente coonestada com a invocação de Jl.2:28-29: “E há de ser que, depois, derramarei o Meu Espírito so­bre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o Meu Espírito”.
Consoante Pedro (At.. 2: 1 6-18) esta profecia se concretizou no dia do Pentecostes.
Deduzem literalmente os pentecostalistas e seus satélites a universalização indiscriminada do batismo no Espírito Santo que, repito, confun­dem, também sem qualquer fundamentação nas Escri­turas, com uma crise emocional. Segundo eles, aquele SOBRE TODA A CARNE derruba todas as barreiras denominacionais. Deus não as leva em conta ao se tratar de cumprir Sua Promessa do registro de Jl. 2:28-29. Em decorrência desta absurda conclusão, eles nivelam a todas as pessoas sob a craveira do seu batismo no Espírito Santo. O indivíduo acei­tou esta ficção pentecostalista e o mais não in­teressa. Convulsionou-se em tremeliques esta tudo bem. As doutrinas diferentes por mais disparata­das deixam de ser consideradas. Destarte entre eles vivem em absoluta harmonia presbiterianos, metodistas, congregacionais, luteranos, episco­pais, batistas… E agora os católicos romanos.
Em seus encontros, todos balizados na mesma bitola pentecostalista, ridicularizam-se as deno­minações consideradas fruto de carnalidade.
É um jardim de aclimação. O jardim de acli­mação da convivência pacífica de todos os bichos. Uma utopia própria das divagações da literatura infantil do estilo de Monteiro Lobato.
No jardim de aclimação pentecostal-ecumenista exatamente por terem nivelado a todos debaixo do padrão da experiência pentecostalista, sem quaisquer embaraços, misturam-se os que crêem na necessidade de obras além da fé em Cristo para a salvação do pecador com os que crêem só na fé em Cristo capaz de dispensar as muletas das obras;os que aceitam a perseverança eterna dos salvos com os que, arminianamente, a negam; os que consagram as Escrituras na qualidade de Única Fonte de Revelação Divina ou Exclusiva Regra de Fé e Vida com os que lhe acrescentam outras fontes como a tradição vaticana, as revelações posteriores a seme­lhança das de Ellen White e José Smith; os que enaltecem como lídimo batismo aquele celebrado por imersão e só de crentes com os aspersionistas e advogados do batismo infantil; os que confiam em Cristo no apanágio de Único porque Todo-Suficien­te Salvador com os que pretendem renovar-Lhe o Sacrifício através da repetição de ritos religiosos a exemplo da cognominada missa; os que em Jesus Cristo proclamam o Único Mediador entre Deus e os homens com os devotos de Maria também medianeira de todas as graças; os que confiam em Jesus Cris­to seu Único porque Indefectível Advogado e Refu­gio com os que se abrigam sob o palio de Maria advogada e refugio dos pecadores porque co-redentora; os que participam da Ceia do Senhor por ve­la figura do Sacrifício de Cristo e cujos elemen­tos, pão e vinho, separados entre si, simbolizam a Morte Viçaria do Redentor, com os que se curvam diante daquelas espécies tidas como sacramentais por crerem numa presença física, ou espiritual de Jesus Cristo e por isso meios mecânicos da comunicação da Graça.
Esse clima de ecumênico jardim de aclimação onde todos se misturam na indiscriminada mistura de todas as doutrinas, facilita enormemente as pretensões ecumenistas do sumo pontífice vaticano. Aliás, os propugnadores do ecumenismo evangélico, de tão idiotas, nem avaliam a riqueza da contribuição com o seu ecumenismo evangélico por eles oferecida ao ecumenismo concentraciánario do Vaticano. Dissolvendo-se a postura firme dentro dos muros deonominacionais, arrebentam-se as comportas através de cujos rombos penetram os ardilosos representantes do “papa”.
E ha mais! Enquanto os protestantes e “evan­gélicos” pentecostalistas e pentecostalizados, fanáticos de uma interpretação sofistica de Joel 2: 28-29, enxovalham as muralhas denominacionais e, em conseqüência, desprezam as doutrinas caracte­rísticas de cada denominação, os católicos caris­máticos pregam sem subterfúgios também entre aqueles protestantes e “evangélicos” os seus dogmas e devoções distintivos. O livro CATÓLICOS PENTECOS-TAIS dos Ranaghan, traduzido para o nosso vernáculo por pentecostalistas “evangélicos” e por estes editados, e incansável em apregoá-los e enfileirar fatos comprobatórios do reavivamento ou reafervoramento da fé católica e de suas devoções sobretudo a missa, a Maria e ao “papa”.
Os católicos carismáticos, na condição de valorosos pontas-de-lança nos redutos pentecostalistas protestantes e “evangélicos” se desvelam em lhes propagar suas próprias doutrinas. Embasbaca­dos na simpatia pelos católicos carismáticos, insensivelmente, aceitam-nas. Em resultado, mentores e pastores pentecostalistas tem-se tornado católicos. Em contrapartida não me consta haver um sacerdote ou dirigente católico carismático se tornado protestante ou “evangélico” por influên­cia da craveira pentecostalista. Conheço, sim, alguns antigos católicos carismáticos que se converteram verdadeiramente ao Evangelho de Jesus e abc> minam a idolatria e a feitiçaria romanista, bem como toda e qualquer sombra de pentecostalismo.
Que entre os habitantes do ecumênico jardim de aclimação pentecostalista a tudo se despreze conquanto se ponha a salvo a absurda interpreta­ção de Jl.2:28-29, entende-se por se tratar de em busteiros e nevropatas. Inconcebível, porém, a passividade generalizada dos outros.
Por inconformar-me com semelhante situação dos omissos, desejo, apesar de fazê-lo por moti­vos óbvios de passagem, lembrar um enfoque indis­pensável de Jl. 2:28-29.
Quando Deus nosso Senhor prometeu derramar o Seu Espírito SOBRE TODA A CARNE quis Ele garan­tir-nos a universalização do Dom do Espírito San­to. Anunciava Ele o rompimento dos muros separa­tistas entre, judeus e gentios. Este Anúncio do Senhor calha perfeitamente, por lhe ser afim, com a determinação de Jesus: “… ide, ensinai TODAS as nações…” (Mt. 28:18-20), de resto, sincronizada com Seu Pronunciamento em At.1:8; “… e Ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos CONFINS da terra”. Para o Evangelho não existem limites nacionais e raciais.
De feito, seria inconcebível absurdo supor-se. Deus a derramar o Dom do Seu Espírito sobre o idolatra, sobre o feiticeiro, sobre o seguidor do “outro evangelho” (At.15:1,5; Gl.1:6-9) e sobre o discípulo do “outro Jesus” (II Cor.11:4).
Se os pentecostalistas e pentecostalizados se credenciassem de razão por lhes assistir a Verdade, a Bíblia deveria, por imprestável, ser rasgada. Transformar-se-ia ela no maior motivo de confusão, porquanto, também no Novo Testamento, propugna ela pela separação entre os fieis a Sã Doutrina e aqueles que dela se afastam. Alias, os seus fieis seguidores devem testificar de sua fi­delidade a Sã Doutrina das Escrituras Sagradas separando-se dos hereges.
Paulo Apóstolo, em Rm. 16:17, avesso a subterfúgios e eufemismos, advoga a separação: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a Doutrina que aprendestes; desviai-vos deles”. Em I Cor. 5:11 impõe: “… com o tal nem comais”. Com justo motivo sofrerão os que recebem os apóstatas, previne o Apóstolo em II Cor.11:4.
E se João exorta a que se nem os saúde (II Jo. 9-10), que concórdia, que sociedade ou sociabilidade, que parceria, que comunhão pode haver com eles (II Cor. 6:14-17), embora a pretexto de. “ba­tismo no Espírito Santo”?
E a irrefragável e imbatível conclusão. Aquele batismo no Espírito Santo pentecostalista, craveira a abrigar indistintamente e com a imolação da Sã Doutrina, todos os tremeliquentos, não pro­vêm de Deus. É uma experiência diabólica engendra da por satanás empenhado em incrementar a apostasia dos Últimos Tempos.

Os pentecostais católicos

Verificamos a origem, as convicções e os propósitos dos católicos carismáticos. Notamos a aprovação e os aplausos que lhes votam os pentecostalistas e pentecostalizados.
Neste capítulo quero demonstrar porque o pentecostalismo e seita católica e isto explica a sua afinidade com os católicos carismáticos.
Ele caiu!!! Sem se apoiar no espaldar da ca­deira ou no canto da mesa, de susto caiu…
Jamais lhe passara pelos miolos semelhante idéia… E agora, assim de supetão, ouvir isso… O PENTECOSTALISMO E SEITA CATÓLICA!!!
La veio o copinho d’água com açúcar… Os abaninhos em cima do nariz… Os tapinhas nas fa­ces… Dulçor. Dulçor, acorda! Nos gemidos leves distinguiu-se a pergunta: Que foi-? Que houve? Dulçor, você se machucou? Dói-lhe em algum lugar? As clássicas indagações das circunstancias de quando alguém leva um tombo.
Refeito e recomposto o nosso amigo e inter­locutor ocasional Dulçor, que na sua doçura honra seu nome, e agora já de espírito prevenido, ouve a afirmação repetida: O PENTECOSTALISMO É seita católica!!!
Mas como? Até o presente sempre o admitira entre as Denominações Evangélicas!
Reflitamos juntos, companheiro! Meu compa­nheiro agora já não é mais o Dulçor e sim o inte­ligente leitor. Os impulsos das emoções são irrefletidos. Por isso, companheiro leitor, vamos re­fletir com o cérebro, órgão da inteligência.
Nosso corpo se triparte em cabeça, tronco e membros e funciona com diversos órgãos. Cada qual com a sua específica atribuição. Os pulmões são os órgãos da respiração. Os intestinos, da diges­tão. Da circulação sangüínea e o coração. E por aí vai… O cérebro e o órgão da inteligência.
Dizem lá os entendidos… Suponho terem eles toda a razão… Razão por mim constatada! O órgão quando sem uso ou sem exercício atrofia-se. Já vi as pernas definhadas do paralítico.
Atrofia-se o cérebro se o deixarmos de usar. Verifico mesmo ser o cérebro o órgão mais extenua do e definhado. A falta de seu conveniente e constante uso porque raras, raríssimas, são as pessoas que pensam. A inteligência e a faculdade mais no­bre do ser humano e é a menos usada. Muitos dão mais valor as unhas ou ao estômago. Aquelas cui­dam na manicure e as pintam com as cores mais lindas. A este empanturram com as mais requintadas iguarias. Ao cérebro não dedicam nem a leitura de uma linha sequer no mês para nutri-lo com um pen­samento mais elevado.
Apesar de a nossa massa encefálica estar um tanto ou. muito embotada pelo longo não-uso, faça­mos um esforço, companheiro leitor, no sentido de desemperrá-la. Os que a tiverem atrofiada ou de­sistirão desta leitura se já não a mandaram as favas, ou não entenderão o argumento ou raciocí­nio. E continuarão a admitir a falsa inclusão dos pentecostalistas entre os evangélicos.
É fato de fácil averiguação. O CATOLICISMO se reparte em inúmeras seitas. Das muitíssimas menciono algumas: a católica romana ou vaticana, a católica brasileira, a católica argentina, a católica japonesa, a dos velhos católicos, a grega ortodoxa, a anglicana, a católica unida, a cató­lica restaurada, a ortodoxa russa. E tantas ou­tras. Também o PENTECOSTALISMO.
Apresento os indiscutíveis e irrecusáveis argumentos de ser o PENTECOSTALISMO SEITA CATÓLICA. Exibo-os em numero de OITO!

PRIMEIRO – O pentecostalismo nega a perseverança eterna dos salvos. Em outras palavras: supõe a possibilidade de o crente, se praticar determinados pecados, perder a salvação.
Ora, esse ensino é católico. Se o postulado, da perseverança eterna dos salvos e da própria essência do Evangelho, o do risco da perda da salvação e ensino básico da teologia católica.
Ao contrário do catolicismo, em todas as suas ramificações também a pentecostalista, as Sagradas Escrituras ensinam, e com insistência, que a sal­vação do crente evangélico é eterna. Eterna, e evidente, sem quaisquer possibilidades de se per­dê-la. ETERNA mesmo! É, de resto, a mais Gloriosa Promessa de nosso Senhor Jesus Cristo por muitas vezes repetida, consubstanciada em Jo. 10:28-29: “E dou-lhes a Vida Eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da Minha Mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da Mão de Meu Pai”.
Dentre os livros de minha autoria há um de­les, O CRENTE PODE PERDER A SALVAÇÃO?, de mais de 300 páginas consagradas a exaltar a Misericórdia do Salvador que dá a Salvação Eterna ao crente nEle e nela indefectivelmente Ele o sustenta ape­sar das muitas e constantes fraquezas e infidelidades do salvo.
Já tenho observado. Todo o crente evangélico que se torna “renovado” passa a viver o tormento do medo de se perder. Busca a chamada “segunda bênção” e se torna inseguro quanto à primeira.
O desprezo deles contra essa Promessa de Je­sus e tanto que, em resultado de negá-la, dizem e um assunto secundário.
O pentecostalismo a semelhança do catolicis­mo, de que e uma seita, engendra sofismas sobre sofismas com o emprego, desonesto de certas passa­gens bíblicas na tentativa de negar a perseveran­ça dos salvos. Dessa forma recusam os pronuncia­mentos claros e categóricos das Escrituras acerca da essência do Evangelho que e a Vida Eterna ou­torgada por Cristo ao crente nEle.

SEGUNDO – A admitir-se o risco de o salvo perder-se, como querem os pentecostalistas, há de se aceitar o concurso das obras para a salvação do pecador.
Com efeito, se posso perder a minha salvação significa que essa salvação está na dependência de minhas obras. Essa e a tese fundamental, bási­ca, do catolicismo.

TERCEIRO – O pentecostalismo ensina que se o crente comete certos pecados perde a salvação, mas se praticar outros não a perde.
Cito alguns exemplos desses pecados graves: adulterar, prostituir-se, assassinar, dançar em bailes do mundo, brincar o carnaval. São os peca­dos que perpetrados cominam a perda da salvação.
Menciono, outrossim, alguns pecados que não causam tamanha desgraça. Ou seja, pratica-os o indivíduo sem o perigo de deixar de ser salvo: a mentira, a gula, a preguiça, a maledicência dentre outros.
Ora, isso é catolicismo. A religião católica, efetivamente, distingue sem qualquer base nas Es­crituras os pecados em mortais e veniais. Os mor­tais são os que levam ao inferno. São os graves. Os veniais não despojam a Vida Eterna. São os pecadinhos que todo mundo faz a toda hora.

QUARTO – Há grupos pentecostalistas mais rigorosos que incluem entre os pecados mortais, isto e, os pecados que causam a perda da salvação a embriagues, o fumar, a ida ao cinema, e da parte da mulher, o cortar o cabelo, o uso do batom nos lábios e do esmalte nas unhas, dos cosméticos e jóias, da calça esporte ou da minisaia.
Outros grupos do pentecostalismo praticam sem qualquer restrição o tabagismo e a ingestão de bebidas alcoólicas. Outros ainda são abstêmios des­tas usanças, mas aceitam o corte de cabelo, o ba­tom, o esmalte, a calça comprida e a mini-saia nas mulheres.
Também há os pentecostalistas que no passado vetavam as senhoras e moças como vaidades munda­nas o cortar os cabelos, o pintar as unhas e os lábios e o uso de calças esportes e jóias. Hoje, contudo, mudando de convicção moral, aceitam es­sas coisas sem qualquer restrição. Anos passados certa Assembléia de Deus do Rio de Janeiro condi­cionava a perseverança da salvação dos homens ao uso do chapéu. Depois de tantas brigas modificou seu estatuto e agora o próprio pastor sai a rua de cabeça descoberta.
Eis outro ponto de ligação entre o pentecostalismo e o catolicismo a fazer daquele uma das incontáveis seitas deste. Se tem cabido a hierar­quia pentecostalista estabelecer a lista dos peca dos graves, mortais, e retirar a gravidade de certos pecados passando-os para a relação dos ve­niais, também isso tem sido a empreitada da hie­rarquia católica. Lembro-me.’ Ao tempo de menino vi o “seu vigário” a recusar a comunhão da hóstia a senhoras de lábios pintados ou de cabelos cur­tos por estarem segundo ele em publico pecado mortal.
Como o catolicismo o pentecostalismo estabe­lece a sua hierarquia na qualidade de árbitro da gravidade ou levidade dos pecados, tornando-a re­gra de moralidade. E de acordo com os moldes do catolicismo a adoção de outra regra de vida ou comportamento além das Escrituras.

QUINTO – O pentecostalismo reconhece haver se perdido o crente que, embora não haja cometido nenhum pecado mortal, e eliminado da “igreja” por abandono ou prolongada ausência. Condiciona, por conseguinte, a sustentação da salvação â “igreja”.
O catolicismo está cansado de repetir seu dogma de que fora da “igreja” não há salvação. Ainda neste último concílio, o Vaticano II, repe­tiu-se à sociedade, ao fastio, esse enunciado por ser a “igreja” crida na condição de “sacramento da salvação”.

SEXTO – O pentecostalismo adota o seu cognominado batismo no Espírito Santo como “segunda benção”, isto é, uma benção suplementar ou complementaria a da salvação.
Também isso ó catolicismo de vez que o cato­licismo ensina o mesmo, com o seu chamado “sacra­mento” do crisma ou confirmação que consiste pre­cisamente num revestimento especial do Espírito Santo posterior ao “sacramento” da regeneração.
Certa ocasião fiz uma série de estudos sobre teologia romanista num Instituto Teológico Batis­ta. Ao discorrer acerca dos “sacramentos” enume­rei os sete conhecidos naquela doutrina. Um “pas­tor” pentecostalista presente, um ouvinte, soli­citou-me explicasse o teor do crisma. E após mi­nha exposição explicou ele que identifica sua seita com o romanismo porque o romanismo advoga a “segunda benção”, conquanto diferente seja a ter­minologia. Não tive por onde se não dar-lhe inteira razão.

SÉTIMO – O catolicismo, embora propale crer na Bíblia como Fonte de Revelação Divina, acrescenta-lhe a tradição e os oráculos do romano pontífice, o infalível, com o prestigio de verdadeiras fontes dessa mesma Reve­lação Divina com a vantagem de serem mais atuais. Posição diferente não tomam os pentecostalistas. Proclamam sua aceitação das Escrituras Sa­gradas no apanágio de Única Regra de Fé e Prática. Contudo, na realidade negam serem elas essa Única Regra, ao tributarem maior credibilidade as suas individuais experiências à luz das quais examinam, quando examinam, certos registros das Escrituras. Furtam, outrossim, a Palavra de Deus sua Lídima Uni cidade de Fonte de Revelação Divina por pautarem suas crenças nas revelações dos seus profetas e profetisas.
No meu livro A SEGUNDA BÊNÇÃO relato o depoimento daquele, pentecostalista de Petrópolis que me garantiu: já passei- desse estágio de precisar ler a Bíblia. O Espírito Santo fala diretamente comigo.
Dizem eles por qualquer coisa: Deus falou ao meu coração, Deus me revelou, por revelação do Espírito Santo numa frontal negação de ser a Bí­blia a Revelação Completa de Deus para nos. Hoje Deus não fala diretamente a mais ninguém. Tudo quanto nos tinha Ele a dizer se contém nas Escri­turas Sagradas que são a Sua Palavra.
No seu desapreço as Escrituras Sagradas os pentecostalistas invocam, torcendo seu verdadeiro sentido, aquela declaração de Paulo: “… a letra mata, e o espírito vivifica” (II Cor. 3:6b). Que­rem entender no seu prático desprezo as Letras Santas que estas não devem ser entendidas naquilo que ensinam como se escrevem, mas como são explicadas pelos seus profetas, como Deus agora lhes fala e revela diretamente. É o dogma católico pelos pen­tecostalistas aceito e exercitado. O dogma católico que outorga o dom da interpretação legítima e infalível das Letras Sagradas aos iluminados da hierarquia.
O Espírito Santo de Deus ilumina Seu servo sincero nos estudos de Sua Palavra sem, contudo, dispensá-lo das sábias regras de exegese decorrentes da norma áurea de se interpretar a Bíblia com a própria Bíblia, ou seja, a Bíblia interpreta, ou esclarece ou elucida a Bíblia, dispensando para isso o concurso de quaisquer tradições, revelações de modernos profetas e psicopatas videntes (para não dizer vis embusteiros).

OITAVO – O último ponto de contacto en­tre as duas seitas: a FETIÇA­RIA.
Êpa!!! O pentecostalismo exercita a feitiçaria?
Felizmente o Dulçor não esta aqui. Se não veríamos outro tombo.
O que é feitiçaria? Com exemplos explico me­lhor.
A ferradura atrás da porta, aquela planta espada_de-são-jorge em frente de casa, os amuletos usados no intento de reprimirem-se as investidas do mal, bem como as medalhas e bentinhos presos a roupa ou alçados ao pescoço, tudo são feitiçarias. De feitiçaria são a água benta à qual recorrem os católicos e a água que os pentecostalistas colo­cam sobre o rádio durante as orações espalhafato­sas e teatrais de seus “missionários” da cura divina. (Conheço três tipos de água feiticeira: a água benta romanista, a água fluida espiritista e a água orada pentecostalista).
Aquele “missionário”, já calçado em fabulosa pecúnia concentrada proveniente de sua exploração dos ignorantes, espalha a alto preço um disco com suas gritarias e induz seus pascácios devotos a aplicarem o referido disco no lugar da dor como recurso certo de alívio imediato. Se dói a cabeça coloque-se-o na cabeça, se no ventre ponha-se o disco no ventre do paciente. Tudo isso são práti­cas feiticeiras das mais ridículas e primitivas.
Feitiçaria é o levarem-se peças de roupa de um enfermo para o médium espiritista, ou o cléri­go vaticano ou o ministro pentecostalista rezar, ou dar passe ou orar sobre elas. Em certa “reu­nião de poder”, estarrecido, vi um ex-pastor ba­tista, no passado de alto coturno nos meios batistas brasileiros, autor de alguns livros, passar-se por feiticeiro. Dirigente daquela reunião ora­va em cima das roupas que lhe levavam.
Impossível encerrar estas reflexões omitindo algumas linhas de analise sobre as roupas aludi­das.
Igualmente na sua explicação inexplicada os pentecostalistas se nivelam aos feiticeiros romanistas. Ambas as teologias acorrem a At.19:12 na busca de coonestarem sua feitiçaria. O Registro Sacro discorre acerca do Ministério de Paulo e Apolo em Éfeso e diz: “De sorte que ate os lenços e aventais se levavam do seu corpo (de Paulo) aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os es­píritos malignos saiam”.
Os clérigos vaticanistas e os “missionários” pentecostalistas não querem ler bem a Escritura trasladada acima e se bem a lêem seu crime é maior pela mistificação consciente e premeditada que cometem. O Texto não afirma que Paulo orava sobre as peças de roupa que lhe levavam. Informa sim que as pessoas efésias arrancavam do corpo de Paulo os seus aventais e os seus lenços e os levavam.
Se da sombra de Pedro (At. 5:15) não se logrou conservar fiapos, por que os primitivos cristãos deixaram de conservar pedaços das roupas de Paulo Apóstolo? Teríamos até hoje as preciosas relí­quias. Todavia àqueles panos, fora daquela espe­cial circunstância, nenhum outro prodígio obtive­ram.
Esse fato de Éfeso e alguns mais a ele seme­lhantes ocorreram por especialíssima permissão de Deus com o fim de autenticar o Ministério especialíssimo de servos Seus em dada conjuntura histó­rica na correnteza do período da Revelação Bíbli­ca.
A caída prodigiosa do maná no deserto alimentou milagrosamente o povo eleito e para memória Deus mandou Moisés encher dele um vaso e pô-lo no interior da arca da Aliança (Ex.16:33-34). Determinou-lhe ainda colocasse diante da mesma arca a florescida vara de Arão como o sinal de sua eleição para o múnus de sumo sacerdote (Nm. 17:10; Hb. 9:4). Os israelitas, todavia jamais tributaram qualquer culto ou crença a essas coisas, como nunca o fizeram aos ossos de Eliseu, por suporem ne­les inerente qualquer eficácia sobrenatural.
Atos 19:12 de maneira alguma se presta a au­torizar a referida atitude dos clérigos e dos pentecostalistas no tocante a se orar sobre roupas de doentes. O seu emprego indevido e sofista pe­los pentecostalistas, no entanto, revela também neste particular, se identificarem eles comos clérigos feiticeiros do romanismo noutra demonstra­ção de ser o pentecostalismo seita católica.
Da mesma prosápia todos eles, católicos ca­rismáticos, pentecostalistas e pentecostalizados, se entendem e se afinam porque seus básicos princípios doutrinários se identificam. Cabe aos lí­dimos crentes evangélicos fugir de qualquer acomadramento com eles, a menos que queiram incorrer na censura divina de terem transgredido a adver­tência das Escrituras de Rm. 16:17 e tantas outras afins. Se deles se aproximarem que seja para lhes anunciar o Genuíno Evangelho. Eles precisam de ouvi-lo e aceitá-lo se quiserem ser salvos da per­dição.

Um primor de página pentecostalista

Disseram-me vezes inumeráveis que os da As­sembléia de Deus são pentecostalistas mais sensa­tos. Que não são fanáticos como os dos demais grupos. A página trasladada demonstra a saciedade que todos, sem a exclusão dos das Assem­bléias de Deus, todos se enquadram na mesma bito­la da heresia. Todos, também os das Assembléias de Deus, ensinam os mais graves absurdos e em igual ímpeto embusteiro iludem e exploram o povo ignaro sempre disposto a ser enganado.
Trata-se de UMA ASSOMBROSA CARTA DA RÚSSIA divulgada pela revista A SEARA, no 172 de Julho de 1979, ano XXIII, páginas 10 e 11, órgão editado pela CASA PUBLICADORA DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS NO BRASIL, cujo diretor e o sr. Abraão de Almeida, um dos mentores destacados desse grupo pentecostalista.
A carta teve sua divulgação sob inteira res­ponsabilidade da própria revista em cuja apresen­tação se destaca a seguinte frase:”UMA MULHER, QUE ERA MEMBRO ATIVO DO PARTIDO COMUNISTA DA UNIÃO SOVIÉTICA, DESPREZAVA OS CRENTES E VIVIA NO PECADO, MORREU, FOI AO HADES E RESSUSCITOU CONVERTIDA CONTANDO SUA EXPERIÊNCIA E PREGANDO O EVANGELHO”.
Transcrevo sem qualquer comentário porque o seu teor já se constitui expressivo comentário:

“Fui atéia. Desprezava a Deus e perseguia os que seguiam a Cristo. Vivia no pecado e fui mem­bro ativo do Partido Comunista.
Em 1965 tive câncer no estômago. Sofri durante três anos, mas tinha a esperança de ficar curada. Entretanto a doença progrediu sem que a Medicina pudesse dominá-la. Fiquei muito fraca, pio­rando cada vez mais. Os médicos decidiram operar-me e, no momento em que cortaram meu ventre, a morte chegou, imediatamente vi-me entre eles, ao lado do meu corpo, olhando a enfermidade. O estô­mago e os intestinos tinham tumores cancerosos. E eu pensava: “Por que somos duas? Estou em pé e ao mesmo tempo deitada”. Neste momento o médico re­tirou os intestinos que continham um estranho lí­quido e disse: “Ela não tinha condições de viver. Era um verdadeiro milagre que estivesse viva ate hoje”. Recolocaram os intestinos no lugar, costu­raram o ventre de qualquer maneira e decidiram entregar o corpo para a pratica dos estudantes de Medicina.
Levaram meu corpo para o necrotério e o co­briram com um lençol. Mais tarde vi meu irmão com meu filho André, que, chorando, dizia: “Mamãe, por que morreste? Sou tão pequeno, com que vou viver?” Eu o abraçava e beijava, porém ele não se dava conta. Depois vi que me encontrava em casa e meus familiares repartiam minhas coisas com irritação e maldizendo uns aos outros.
Observei como os demônios corriam em torno deles anotando tudo o que diziam. Em seguida con­templei espantada todas as minhas ações desde a infância. Comecei a sentir-me voando e subindo. Fiquei perplexa porque sabia que não me encontra­va num avião e que estava só. Uma força invisível me sustentava e eu subia cada vez mais alto. Quando voava entre as nuvens uma luz resplandecente me atingiu e então caí sobre um grande lençol. Ao longe vi árvores de folhas rosadas e belas casi­nhas, porem nenhuma pessoa havia ali.
Não muito longe avistei uma mulher alta, de andar suave. Ao seu lado caminhava um jovem com o rosto escondido nas mãos e chorando amargamente. Suplicava algo a ela. Pensei que era seu filho e intimamente condenei esta mulher por sua falta de misericórdia, pois ela não dava ouvidos ao jovem. Quando ela se aproximou quis perguntar-lhe onde eu estava, mas o rapaz caiu aos seus pés adorando-a, chorando e rogando por algo. Não consegui en­tender o que ela dizia a ele.
De repente eles olharam para cima e pergun­taram: “Senhor, onde a poremos?” Tremi de medo e foi aí que compreendi que estava morta e que meu corpo estava na Terra. Lembrei-me de que tinha muitos pecados e que devia prestar contas. Quando vivia na Terra não acreditava que existisse alma. Comecei a chorar com amargura e uma voz vinda do alto disse a mulher: “Deixa-a voltar à Terra, pa­ra junto de seu pai, que e caridoso. Ha muito chegou sua oração rogando que mostrasse a ela o lugar que merecia. Tirei-a da face da Terra por sua vida pecaminosa e por se colocar contra Deus. Eu a tirei sem que ela se arrependesse”.

NO INFERNO – Imediatamente apareci no hades. Rodearam-me serpentes e vermes com aguilhoes espetando-me o corpo. A dor era insuportável. Eu gritava em alta voz mas ninguém me acudia. Meu ali­mento eram vermes mortos e decompostos-gusanos. Com gritos perguntava: “Como posso comer estes vermes?” Mas a minha mente chegou esta frase: “gusanos serão tua cama e gusanos te cobrirão”, Ts. 14:11. E uma voz me falou: “Tu nunca jejuaste”. Neste momento pensei em Cristo e clamei por sua misericórdia. Ele me disse: “Tu vivias na Terra e não me reconhecias, não querias me reconhecer e eu não te reconheço aqui. Lembra-te de que matavas teus filhos antes de nascerem e aos outros dizias que eles tinham filhos como sapos e que tu os evitavas. Em lugar de fartura enviei-te doença para que te arrependesse, mas ate o fim me desprezaste. Não me reconheceste Ia, mas aqui começarás a colher o que plantaste”.
Depois uma serpente começou a rodear-me e ou vi um ruído. Então vi como numa visão a igreja de nossa cidade e o pastor que sempre menosprezara. Uma voz me perguntou: “Quem é?” “Nosso pastor”, respondi. “E como tu ali o chamavas de zangão?” Quando disse isto comecei a rogar-lhe: “Perdoa-me, Senhor, deixa-me voltar a Terra, pois lá deixei um filho pequeno”. Então ele me disse: “Tu tens compaixão dele e Eu tenho misericórdia de todas as pessoas e desejo que se arrependam. Brevemente virei julgar a todos os que habitam na Terra”. Neste instante apareceu o mesmo lenço sob meus pés e perguntei: “E aqui o Paraíso?” e uma voz respon­deu: “Para os pecadores a Terra é o Paraíso”.
Apareci novamente no lugar de tormentos e foi mais terrível do que da primeira vez. Eu es­tava no meio do fogo; a volta estava muito escuro, o que me deixou assustadíssima. Os demônios vieram e diziam: “Tu chegaste até aqui, amiga. Tu nos escutaste e serviste muito bem”. Estremeci, lembrando-me dos meus pecados. Dos demônios voa­vam chispas de fogo que. penetravam em meus cabe­los e senti muitas dores. Ouvia-se o gemido dos pecadores; todos pálidos e magros e de olhos esbugalhados, clamando com voz terrível: “… beber… beber… água”. Eles me disseram: “Tu vi veste na Terra e não amavas a Deus, mas o desprezavas como nós e com fornicários andavas e nunca te arrepen­dês-te. Todo o tipo de pecados cometes-te e por is­so terás sofrimentos aqui. Porém os pecadores que li se arrependeram, recebem os estrangeiros e ajudaram os pobres, estão no Paraíso”.
Eu estava cada vez mais impaciente quando uma luz surgiu e todos caíram com o rosto no’ chão e. começaram a suplicar, não suportando o sofrimento porque não havia uma gota sequer de água. Mas uma voz contestou a todos: “Na Terra todos sabem des­te sofrimento, porém não crêem e nem sequer que­rem ouvir, e Eu não posso contrariar os mandamen­tos de meu Pai”. Neste momento uma voz chegou aos meus ouvidos, dizendo: “Deixe-a voltar a Terra”.

A RESSURREIÇÃO – Tudo desapareceu e voei sem rumo fixo. Não sei de que maneira apareci na cidade de Barnauli, no hospital, e depois no necroté­rio. A porta estava fechada, mas eu passei tran­qüilamente. Olhei meu corpo que estava deitado com a cabeça e os braços pendentes. Num momento entrei no corpo e senti frio. Neste mesmo instan­te trouxeram um homem morto. Ao acender a luz me viram deitada e tremendo de frio. Então todos gritaram de medo. Voltaram depois e levaram-me ao hospital. Muitos médicos e enfermeiras ficaram a me olhar, e disseram: “É preciso aquecer seu cor­po com lâmpadas”. Quando fizeram isto abri os olhos e falei. Todos ficaram assombrados com mi­nha ressurreição e no outro dia já pude comer. Aos médicos eu disse: “Sentem-se e lhes contarei sobre o outro mundo, onde estive”. Eles me ouvi­ram atentamente e no fim eu lhes disse que se não se arrependessem aqui na Terra seu alimento seria todo o tipo de vermes e escorpiões mortos. Fica­ram pálidos ao ouvir isto e muitos se interessa­ram pelo meu caso.
Não sentia nenhuma dor em meu corpo. Muita gente me procurou ate que a polícia teve que in­tervir. Os médicos não compreendiam como a doença tinha desaparecido. Levaram-me a mesa de operação para uma revisão e disseram: “Por que operaram uma pessoa completamente sã?”. O médico que havia feito a operação ficou muito envergonhado, comen­tando: “Como pude enganar-me? Tudo estava decom­posto pela infecção e agora tudo esta limpo e a região afetada renovada como a de uma criança”.
Perguntei a um deles: “Que diz deste caso?” Ele respondeu: “Nada tenho que pensar. Você renasceu do Todo Poderoso”. Então respondi: “Se vocês crêem nisto, então devem renascer, deixando sua vida de pecados”.
Agora tenho 47 anos. Prego a Jesus Cristo e sua próxima vinda porque Ele me disse isto. Ainda me procuram pessoas de vários lugares e a todos testifico de Cristo, aconselhando-os a se arrependerem e receberem ao Senhor como seu único e suficiente Salvador.”

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Impossível omitir dois ou três comentários.
Além de fantasiosa a carta é falsa. Não digo falsa apenas em sua origem. Falsa no seu conteúdo.
Começa por aí! Nem aparece o nome da autora. Menciona apenas um isolado André desacompanhado do nome de família. Falta, outrossim, referência a nomes dos médicos. Enfim, um relato destituído de qualquer base ou comprovação de sua veracidade.
O fato em si é pura ficção. E descamba para as regiões espiritistas. Aquela estória de o espírito ficar por aí a rodear e a rondar o corpo inerte…
A patacoada se restringiria ao gênero do conto e da anedota se não afetasse diretamente ensi­nos evidentes da Palavra de Deus.
As Escrituras Sagradas jamais sugerem a per­manência do espírito após a morte ao redor do corpo a espreitar as reações dos circunstantes.
E onde já se viu uma revista dita evangélica supor a possibilidade da conversão no inferno? A saída de alguém de lá?
O inferno é definitivo. Ninguém de lá pode sair. A condenação do réprobo é eterna. Impossí­vel ao condenado ”no inferno escapar dela por meio da regeneração. Impossível até, com a ponta do dedo umedecida, refrescar-lhe a língua.
A história do rico e Lázaro, relatada pleo Senhor Jesus, apresenta conclusões definitivas e inquestionáveis. Se “aos homens esta ordenado morrerem uma vez” (Hb. 9:27a), de semelhante forma um grande e intransponível abismo impede a passagem do estado de perdição eterna para a salvação. As palavras são de Jesus Cristo: “… esta posto um grande abismo entre nos e vós” (os condenados no infer­no) , “de sorte que os que quisessem passar daqui para vos não poderiam, nem tão pouco os de lá passar para cá” (Lc. 16:26).
Seguindo-se o juízo a morte (Hb. 9:27b), ne­nhuma esperança mais resta em favor do réprobo.
Os pentecostalistas por fundamentarem sua religião em extravagante experiências de fundo nevropata ou de cunho francamente mentiroso, desprezam por completo as Sagradas Escrituras ou colo­cam-nas em plana inferior. E como resultado caem nesses absurdos inadmissíveis entre pessoas evangélicas.
E vá alguém atrás dessa gente a procurar a “segunda benção” ou o “batismo no Espírito Santo”. E vá alguém seguir-lhe os passos na pretensão de um aprofundamento na vida espiritual…

Livros deste autor se adquiri pela editora: www.ediçõescristãs.com.br

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OS DOIS ESTÁGIOS DA SEGUNDA VINDA DO SENHOR JESUS CRISTO

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OS DOIS ESTÁGIOS DA SEGUNDA VINDA DO SENHOR JESUS CRISTO

A. Lindsay Carswell

A SEGUNDA VINDA DO SENHOR JESUS CRISTO

Chama-se da Sua segunda vinda porque Ele já veio para este mundo a fim de efetuar a salvação de pecadores. Essas duas vindas são o tema de muitas profecias do AT. Observemos duas profecias apenas para cada vinda:
1 a Vinda “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome EMANUEL” (Isaías 7:14)
“E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5 :2)
2° Vinda ”Eu estava olhando nas Minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem: e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem”. (Daniel 7:13-14)
”E o Senhor sairá, e pelejará contra estas nações, como no dia em que pelejou no dia da batalha. E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul.” (Zacarias 14:3-4)
Por que é que não se lê do Arrebatamento no AT?
Vale a pena notar que não há referência alguma para o arrebatamento no AT! Por quê? Porque o arrebatamento não é o assunto das profecias do AT. É um dos “mistérios” do NT. (”Mistério”: refere-se a uma verdade que era desconhecida no AT, porém agora no NT fica revelada). Nenhum profeta do AT sabia da Igreja. Aprouve Deus esconder esse fato por motivos conhecidos somente por Ele.
Deve-se entender que no evento da morte do Senhor Jesus Cristo o relógio profético parou de andar. Com esse acontecimento a época da Igreja se introduziu como parêntese no grande programa de Deus. Essa época será consumada no evento do arrebatamento. Depois disso o relógio profético há de recomeçar a andar. Assim o começo e construção da Igreja bem como a sua consumação são verdades neotestamentárias, e não se lê nada deles no AT.
Embora não seja tema do AT, há ainda ilustrações do ‘arrebatamento no AT, por exemplo, Enoque. Ele foi trasladado antes da vinda do dilúvio. Ló seria outra ilustração. Ele foi retirado das cidades da campina antes da destruição delas por meio do fogo e enxofre.
Já que agora sabemos do arrebatamento será que se deve dizer que o Senhor Jesus Cristo vem 3 vezes, isto é, (1) a Sua vinda quando nasceu em Belém, (2) o arrebatamento e (3) a Sua vinda para reinar? Não de maneira nenhuma. Há apenas duas vindas como o AT estabeleceu. Contudo deve se dizer que a segunda vinda há de se dar em dois estágios.
Assim, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo se dará em 2 estágios: (1) Estágio Preliminar e (2) Estágio Principal, ou seja, o Arrebatamento e a Manifestação.
Uma Ilustração
O Senhor queria vir a Betânia na ocasião da morte de Lázaro. Chegando perto da cidade as duas irmãs (Maria e Marta) enfim saíram-Lhe ao encontro. Essa parte ilustra o arrebatamento. Mais tarde o Senhor entrou na cidade e deu vida para Lázaro. Isso representa a Manifestação quando o Senhor há de revivificar os ossos secos no vale da morte (Ezequiel 37).

A CRONOLOGIA DOS DOIS ESTÁGIOS DA SEGUNDA VINDA (fator tempo) O Período entre os dois estágios

Há de haver um período de 7 anos pelo menos entre esses grandes acontecimentos. Donde vem esse período? Sabe-se desse período através de Daniel: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas, e sessenta e duas semanas: as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será tirado o Messias, e não será mais: e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra: estão determinados assolações. E ele firmará um concerto com muitos por uma semana: e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador” (Daniel 9:24-27). Resumidamente, Daniel fala de um período de 70 semanas, cada semana sendo uma etapa de anos, ou seja, 7 anos. Os 70 anos equivalem 490 anos. Quando foi que esse período se iniciou? Iniciou-se com o decreto de Artaxerxes para restaurar e para edificar a Jerusalém no ano de 445 a.C. Observe que o período de 490 anos se divide em três, isto é:
* 7 semanas (49 anos) Leva-nos ao ano de 396 a.C. Nesse ano consumou-se a reconstrução da cidade de Jerusalém mesmo em “tempos angustiosos”.
* 62 semanas (434 anos) Leva-nos ao ano de 36 d.C., justamente o ano em que o Messias “foi tirado”. Estudiosos diferem a respeito dessa data.
(Lembra-se de que o relógio profético parou de andar no evento da morte de Cristo, assim há um intervalo indefinido entre as sexagésima – nona e septuagésima semanas. Chama-se esse período de “A dispensação da Graça” ou “A dispensação da Igreja”)
* 1 semana (7 anos). Essa septuagésima semana ainda está no futuro. Esse período de 7 anos há de se iniciar com a assinatura de um pacto entre Israel e o príncipe romano, e termina com a descida do Rei dos reis.
Assim, quando Daniel deu a sua profecia a respeito da 70 semanas (490 anos) ele não sabia que Deus há de intercalar um período que até agora se estendeu por 2000 anos.
Assim, estabelecemos um período de 7 anos pelos menos entre os dois estágios da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo. Haverá mais do que 7 anos já que não se sabe quanto tempo há de se passar entre o arrebatamento e a assinatura do pacto entre Israel e o príncipe romano – o homem do pecado.

OS CONSTRASTES ENTRE OS DOIS ESTÁGIOS DA SEGUNDA VINDA

No mundo religioso há muito confusão a respeito da segunda vinda do Senhor. Muitos nem vêem uma distinção entre as duas etapas (1. Preliminar e 2. Principal). Assim, convém estudar mais cuidadosamente a fim de identificar as diferenças que existem entre elas.

ESTÁGIO PRELIMINAR
(ARREBATAMENTO)
ESTÁGIO PRINCIPAL
(MANIFESTAÇÃO)
1
Quem virá
O Senhor Jesus Cristo (Filip.3 :20)
O mesmo Senhor (1 Tess.4: 16)
O Senhor (Tiago 5:8)
O Filho do Homem (DanieI7:13)
Rei dos Senhores (Apoc.19)
monte das Oliveiras” (Zac.14:4).
2
Destino
Para os ares (1 Tess.4: 17)
Entre as nuvens (1 Tess.4: 17)
”E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras” (Zac.14:4).

3
Relação
aos
santos
Virá para Seus santos (João 14:3; 1
Tess.4:17) “aparecerá segunda vez,
sem pecado, aos que o esperam para sem pecado, aos que o esperam para

Virá com Seus santos (Judas 14); “E seguiam-no os exér-
citos no céu em cavalos brancos (Apoc.19: 14).
4
Beneficia
dos
A Igreja
A nação de Israel, e conseqüentemente o
Mundo
5
Motivo
“vos levarei para mim
mesmo”
(João 14:3);

“seremos transformados
(1 Cor.15:51 e 52);

“seremos arrebatados juntamente com eles (1 Tess.4: 17);

“transformará o nosso corpo abatido” (Filip.3:21).

Para fazer juízo
(Judas 15);
Para condenar (Judas 15);
Para tomar vingança
(2 Tess.l :8).
Para ser glorificado
(2 Tess.l: 10)
Para se fazer admirável
(2 Tess.l: 10)
Para destruir os inimi-
gos (Apoe.19:11-21)
6
Quando
virá
Iminente (João 14:2-3; 1 Cor.15:51-52; Filip.3 :20; Co1.3 :4; 1 Tess.1: 10; 5:61 Tim.6: 14; Tito 2: 13 Tiago 5:8; Heb.10:37; Apoc.3:3 etc.
Depois de uma série de sinais Mat.24:6;
Marcos 13:7; Lucas 21:9; 2 Tess.2:3 ete.
7
Caráter da vinda
Secreto
Público “Todo o olho O verá”
8
Previsto no AT.
Foi um “mistério”
Foi profetizado no AT
9
Cristo virá como
Noivo (Efés.5), Salvador (Filip.3:20)
Sumo Pastor (l Pedro 5:4), Senhor,
“Grande Deus e nosso Senhor Jesus
Cristo (Tito 2: 13)
Guerreiro
Juíz
Senhor dos senhores
Reis dos reis
10
Símbolo
A Estrela da Manhã (Apoc.22:16)
O Sol da Justiça (Mal.4:2)

Item 1 A mesma Pessoa virá nos dois estágios, mas deve-se observar os títulos ou nomes que o Espírito emprega nas Escrituras ao Se referir a Ele.
Item 2 Observe com cuidado o destino do Senhor nos dois estágios. As Escrituras claramente mostram que na etapa preliminar o Senhor virá para os ares ao passo que na segunda virá à Terra.
Item 3 No evento do Arrebatamento o Senhor virá para os Seus santos a fim de arrebatá-los instantaneamente para os Céus. Mais tarde virá com eles na Manifestação a fim de estabelecer Seu reino aqui na Terra. A diferença de preposição destaca a distinção entre os dois eventos. É a mesma vinda, porém os estágios são diferentes. Quando os santos virão com Cristo no segundo estágio vão seguir o Comandante Celeste “em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro” (Apoc.19: 14). Donde vieram os vestidos? Em Apoc.19:8 lê-se que “o linho fino são as justiças dos santos” Assim, é evidente que antes do segundo estágio certos eventos, tais quais o Tribunal de Cristo, vão se realizar. Isso mostra inegavelmente que os dois estágios da segunda vinda são diferentes, e que há de haver tempo suficiente entre eles para certos eventos ocorrer.

Quais?

* Tribunal de Cristo (Rom. 14: 10; 1 Cor.3: 12-15; 2 Cor.5:10)
* Apresentação da Igreja ao Noivo (Efés.5:27)
* Bodas do Cordeiro (Apoc.19:7 e 19:9)

Esses eventos se darão no Céu durante a septuagésima semana. Hão de anteceder a segunda etapa da segunda vinda de Cristo.
Item 4 Certamente a Igreja há de ser beneficiada no primeiro estágio. Ela será removida deste mundo para o Céu num instante. O Rei, no evento do segundo estágio, há de livrar Israel da sua opressão na cidade e providenciar um meio de escape. Os fiéis de Israel estarão encerrados em Jerusalém finalizando a batalha de Amargedom. Os reis do oriente, o rei do norte, o rei do sul e os reis da confederação ocidental hão de cercar a cidade com a pretensão de aniquilar a nação de Israel. O Rei há de descer para libertar os fiéis, destruir os inimigos e inaugurar o Seu reino. O reino do Senhor há de trazer bênção para o mundo inteiro.
Item 5 Os motivos dos dois estágios são diferentes. No primeiro Ele há de livrar os salvos da ira futuro e levá-los para o Céu, enquanto o segundo estágio há de trazer bênção para Israel oprimido e castigo para os que não conhecem a Deus. Depois da descida o julgamento das nações vivas há de se realizar.
Item 6 O fato tempo tem que ser considerado. O arrebatamento é iminente, isto é, pode acontecer a qualquer momento. Não há profecia, sinal ou palavra a ser cumprida antes do seu acontecimento. Uma séria de sinais há de se ‘desenrolar antes da segunda etapa da segunda vinda de Cristo Veja Mat.24 onde se lê de guerras, rumores de guerras e terremotos etc. Essas coisas têm que acontecer antes da Manifestação.
Item 7 Note que a primeira etapa será secreta. Apenas a Igreja há de ser atingida antes do mundo saber. Nenhum não salvo há de ouvir o alarido, voa. de arcanjo nem a trombeta. O segundo estágio, porém, será público. Todo o olho O verá. O Rei será visível no dia da Sua Manifestação.

Item 8 A primeira etapa é um “mistério”-não é o assunto de profecias no AT. A segunda etapa é o assunto de muitas profecias do AT.
Item 9 Cristo virá como noivo, Senhor, Sumo Pastor e Salvador no primeiro estágio. No segundo será Guerreiro, Rei e Filho do Homem. Devemos aprender a distinguir os dois etapas.
Item 10 Virá com “Estela da Manhã” no arrebatamento, porém será o “Sol da Justiça” na Manifestação. Como sempre a Estrala da Manhã tem que aparecer antes do Sol da Justiça.

O NOSSO COMPORTAMENTO À LUZ DA VINDA DE CRISTO

Devemos aproveitar o tempo que resta para servir a Deus. O nosso serviço será avaliado no dia do Tribunal de Cristo.
Aquele que tem essa esperança purifica-se a si mesmo. Santidade, pureza. e castidade devem nos caracterizar já que a vinda de Cristo está tão próxima(1 João 3:3).
Devemos “esperar” (1 Tess. 1:10) o arrebatamento, isto é, devemos ficar olhando para cima na expectativa de nos encontrar com Cristo a qualquer hora.
Devemos vigiar a vinda de Cristo (Mat.25:13).
Devemos negociar até que Cristo venha (Lucas 19:13)

Fim

Leia mais: http://www.palavrasdoevangelho.com/a-vinda-do-senhor/

História do Movimento dos “IRMÃOS”

História do Movimento dos “IRMÃOS”
Texto: Jaime C. Jardine
In Vigiai e Orai n.º 76 a 82
Ilustrações: irmaos.net

1.5. A IGREJA PEREGRINA
História de crentes fieis ao padrão bíblico neo-testamentário
INTRODUÇÃO
O objectivo destes estudos é apresentar algumas informações sobre as igrejas e sobre alguns irmãos de destaque que, através dos séculos, procuraram seguir fielmente o padrão do Novo Testamento. O título “A Igreja Peregrina” vem do livro, escrito em inglês por Edmund Hamer Broadbent (1861-1945), publicado em 1931, depois de muitos anos de pesquisa. É uma história de igrejas e irmãos que, através dos séculos, têm procurado seguir o padrão neo-testamentário para a igreja. (…).

I — COMO ERAM AS IGREJAS APOSTÓLICAS ?
Damos, a seguir, um resumo de algumas das principais crenças e práticas que caracterizavam as referidas igrejas:
1. Reuniam-se unicamente em Nome de Cristo.
2. Exerciam autonomia administrativa, com laços calorosos de amor fratemal entre as igrejas.
3. Eram governadas por anciãos (presbíteros), também chamados bispos (superintendentes), sempre na pluralidade.
4. Eram ensinadas por Mestres que de Deus tinham recebido este dom e eram levantados pelo Espírito Santo dentro destas mesmas igrejas. Recebiam ajuda de irmãos visitantes que possuiam este mesmo dom.
5. Celebravam a ceia do Senhor todos os primeiros dias da semana. Era uma simples refeição de pão e vinho, que simbolizavam o corpo do Senhor Jesus Cristo e o Seu sangue derramado. O Domingo era também o dia quando as igrejas levantavam as ofertas (recolhidas apenas dos crentes!) para a obra do Senhor.
6. Baptizavam os crentes verdadeiros, não crianças, nem gente em massa, sem compreensão do Evangelho verdadeiro.
7. Pregavam o Evangelho puro da justificação pela fé, baseada unicamente na morte expiatória do Senhor Jesus.

II—O DECLÍNIO E ABANDONO DO PADRÃO NEO-TESTAMENTÁRIO.
Aconteceu tão cedo! Não devemos, porém, surpreender-nos com estes factos, pois no próprio Novo Testamento já vemos o indício de que isto iria acontecer.
1. Distinção entre “clérigo” e “leigo”
É interessante notar que nas cartas de Clemente aos Coríntios (c. 96 d.C.) e no livrinho chamado Didaquê (começo do século II) ainda são mencionados somente bispos e diáconos (no plural), como em Filipenses 1.1. Já havia, porém, a tendência antibíblica de fazer nítida distinção entre os bispos (anciãos) e os demais crentes. Os bispos eram chamados “clerigos” (os que receberam ordens sacras), enquanto os demais crentes eram chamados “leigos” (do povo). Uma triste distinção que continua na maioria das “igrejas” até hoje.
2. Distinção feita entre “o bispo” e os “presbíteros”, sendo dada ao bispo a preeminência na Igreja
Traçamos este declínio através das cartas de Inácio de Antioquia, um conhecido do apóstolo João. Ele foi condenado à morte pelo imperador Trajano, no ano 110 d. C.. A sentença foi cumprida em Roma e durante a viagem para lá Inácio escreveu várias cartas para as igrejas que visitara no caminho. Em todas ele exalta o bispo da igreja e exorta à obediência total ao mesmo. Um exemplo disto temos na carta por ele enviada à igreja de Filadélfia: “Tende cuidado, portanto, em observar a eucaristia … há um altar, como há um só bispo, juntamente com os presbíteros e diáconos”. Deve ser dito que Inácio era um irmão fiel que enfrentou a morte pelas feras em Roma com coragem exemplar. É uma ilustração de como irmãos bons e fiéis, apesar de sua sinceridade, estão sujeitos a ensinar coisas erradas!
3. Organização das Igrejas fora do nível local
Do século III em diante os bispos das igrejas das cidades maiores reivindicaram autoridade sobre os bispos das igrejas menores. Pela “lógica” o bispo de Roma (a capital do Império) tomou a precedência, assim formando a base para o sistema papal que vigora até hoje. A interferência nos assuntos internos de outra igreja local, por mais bem intencionada que seja, por parte dos anciãos duma igreja local vizinha ou por parte de obreiros, nunca traz resultados espiritualmente positivos, pois viola os direitos dAquele que ainda “anda no meio dos … candeeiros de ouro” (Ap 2.1).
4. Outros desvios da verdade
a) A reverência aos mártires, da qual resultou a criação dos “santos” (século II em diante).
b) O “baptismo” de bebés, introduzido nos séculos II e III, tomou-se geral nos séculos IV e V.
c) Deturpação do Evangelho. Os filhos dos crentes, por causa dos pais, receberam o privilégio especial de serem também considerados membros da “igreja”. A pregação da salvação pelas obras, tão combatida por Paulo nas cartas aos Romanos e aos Gálatas, tomou-se comum.
5. O desastre maior – a fusão da Igreja com o Estado
Esta fusão aconteceu como resultado da suposta conversão do Imperador Constantino, o Grande (273-334 d.C.).
Na noite anterior a uma batalha decisiva na Ponte Múlvia (27 de outubro de 312 d.C.), quando Constantino derrotou Maxêncio e tomou-se imperador com poderes absolutos, ele disse ter visto uma cruz no céu com os dizeres: “Com este sinal vencerás”.
Ele ganhou a batalha e tornou-se cristão nominal. Esta “conversão” parece ter sido um ato de astúcia política devido à existência de grande número de cristãos e à influência por eles exercida.
Gene Edwards diz que “Constantino deve ser considerado o primeiro cristão medieval— 90% cristão de nome e 90% pagão em pensamento”. Visto que era Imperador e mandava em tudo, logicamente quis mandar na igreja.
Como resultado o erro entrou na igreja como uma enxurrada. Dr. Arthur Rendle Short escreveu: “Quando o poder do paganismo foi, por fim, derrubado e a perseguição cedeu lugar à prosperidade, os males vieram como numa torrente.
A igreja exterior e visível fez toda sorte de concessão a fim de cativar o povo. Passou a adoptar festas pagãs e deuses pagãos, dando-lhes nomes cristãos. A estátua de Pedro em Roma, originalmente era de Júpiter! Uma Vénus ou uma Minerva facilmente transformaram-se na Virgem Maria. O que faltava em realidade espiritual no culto tentava-se suprir com música, cerimonialismo e ostentação.
Não precisamos prosseguir fazendo menção da história miserável de como uma sucessão de papas, às vezes assassinos, adúlteros e amantes de dinheiro, reivindicou infalibilidade papal, tirou a Bíblia das mãos do povo e fez da conformidade a uma “igreja” que adorava imagens a suprema prova da salvação de uma pessoa”.
6. O Ensino de Agostinho
Agostinho (334-430 d. C.), bispo de Hipo, na África do Norte, foi um cristão genuinamente convertido e, sem dúvida, foi um gigante espiritual em muitos sentidos, mas infelizmente deixou também muito ensino errado. Entre outras coisas, insistia obstinadamente em ensinar que náo há salvação fora da Igreja Católica Romana.
Outro ensino dele que veio a causar o derramamento de rios de sangue de membros da igreja verdadeira foi o suposto direito do poder civil, d e exigir a ace itação obrigatória do en s in o da igrej a , punindo até à morte, se necessário fosse, aos que não aceitassem. Baseou este ensino perverso na parábola da grande ceia, em Lc 14.15-24, onde o mestre da casa, depois de ter recebido tantas recusas ao convite para a sua festa, e ainda havendo lugar, mesmo depois de recebermuitos pobres e enfermos a quem mandara convidar, ordenou ao seu servo: “Sai pelos caminhos e valados e força-os a entrar”. Isto demonstra claramente o grande perigo de basear qualquer ensino em versículos fora de contexto.
Por fazer isso, Agostinho, que pela sua estatura moral era credor da confiança de muitos, levou-os, apoiados por aquele ensino, a praticarem o mal contra o povo do Senhor.

III — TRÊS CORRENTES NA HISTÓRIA DA IGREJA
1. Catolicismo Romano em seus vários ramos: Romano, Ortodoxo, etc. de 312 d.C. até hoje. Entre estes sobressaem-se alguns nomes bem conhecidos, como Agostinho, Tomás de Aquino, Inácio Loyola, Savonarola e muitos papas. Damos graças a Deus porque alguns, mesmo no meio de tamanho erro, amaram realmente o Senhor Jesus e confiaram somente nEle e, não, nos méritos dos santos, de Maria, ou nos seus próprios méritos para a salvação.
2. Protestantismo em seus muitos ramos, começando na época da Reforma, do século XVI até hoje. Entre estes ramos encontramos também nomes destacados como Martinho Lutero, João Calvino, Ulrico Zwinglio, João Knox, Jónatas Edwards, John e Charles Wesley, George Whitefield, Guilherme Carey, Carlos Finney, Carlos Haddon Spurgeon, Martinho Lloyd-Jones, Billy Graham e muitos outros. Quantos irmãos bons e fiéis, mas, infelizmente, ligados a sistemas sem apoio nenhum da Palavra de Deus !
3. Cristãos não denominacionais. Referimo-nos a Igrejas, irmãos e irmãs que desde os dias dos apóstolos até hoje têm procurado permanecer fora dos sistemas dos homens e servir apenas ao Senhor Jesus, reunindo-se em Nome dEle e procurando obedecer às instruções do Novo Testamento concementes à Igreja local. Estes têm sido tachados de muitos nomes pelos seus contemporaneos: Paulícios, Bogomilos, Valdenses, Albigenses, Lollardos, Hussitas, Anabatistas, Irmãos de Plymouth, Darbistas e muitos outros. Estas igrejas existiram desde o início, pois sempre houve igrejas que não chegaram a unir-se ao sistema católico e através dos séculos, num lugar ou outro, existiram e existem igrejas semelhantes orientadas somente pela Palavra de Deus.
O livro de Apocalipse indica que existiria na história das igrejas períodos de declínio espiritual e épocas quando o Senhor até retiraria o candeeiro de um logar ou outro, mas de uma coisa podemos ter certeza: até que Cristo volte para buscar os Seus sempre haverá irmãos e irmãs fiéis à Palavra dEle!
IV – UM RESUMO DOS FACTORES EM COMUM ENTRE AS IGREJAS QUE PERMANECERAM FIÉIS AO PADRÃO NEO-TESTAMENTÁRIO.
1. Davam grande ênfase às Escrituras.
2. Eram profundamente espirituais.
3. Eram piedosas no viver.
4. Permaneciam escondidas do mundo.
5. Enfrentavam ferrenha oposição. Muitas vezes reuniam-se em casas particulares por causa da perseguição movida contra elas.
6. Eram caracterizadas por grande simplicidade. Geralmente cada igreja era autônoma, embora houvesse plena comunhão mútua, pois reuniam-se freqüentemente para estudo bíblico e outras atividades.
7. Não aceitavam nenhum nome a não ser os nomes bíblicos: “irmão”, “cristão”, etc.
8. A maioria delas não estava sujeita ao clero.
9. Provaram as bênção de Deus só por uma geração ou duas, embora alguns, (p. ex. Paulícios, Valdenses) tivessem-na gozado por centenas de anos.
10. Eram ignorados pelos historiadores da Igreja.
11. Muitas vezes foram perseguidas e seus membros foram martirizados (com excepção dos apelidados “Os Irmãos”).
12. Influenciavam umas às outras.
Especialmente no período anterior a 1500 é difícil encontrar documentos confiáveis devido tanto à perseguição quanto à mentira das autoridades eclesiásticas.

V — OS PRISCILIANOS (350-386 d.C.)
No século IV apareceu um reformador entre as igrejas romanas cuja influência em diversos lugares na Espanha, Lusitânia (Portugal) e sul da França fez com que muitos voltassem à palavra de Deus. Prisciliano era um espanhol de posses e posição na sociedade. Procurou a verdadeira alegria nas religiões pagãs, na filosofia e mesmo entre grupos heréticos e só a encontrou quando, por fim, converteu-se a Cristo. Foi batizado e passou a viver uma nova vida de devoção a Deus e separação do mundo. Tornou-se estudante entusiástico da Palavra de Deus e, embora não sendo clérigo, começou a pregar e ensinar. Cedo começaram a aparecer os resultados dos esforços daquele dedicado servo de Deus: em muitos lugares começaram a ser promovidas reuniões para pregar a Palavra de Deus e torná-la uma realidade para o povo.
De início a igreja oficial dava o seu apoio e até elegeu Prisciliano bispo de Ávila, mas o seu testemunho fiel suscitou a ira do clero mundano liderado por Hidácio, bispo metropolitano de Lusitânia (Portugal). Conseguiu este a convocação de um Sínodo em Cesaragosto (Saragossa), em 380 d.C., no qual Prisciliano foi falsamente acusado de adesão às heresias do gnosticismo e maniqueísmo. Esta última ensinava o dualismo – a existência de dois deuses igualmente poderosos, um criador do mal e outro criador do bem. Nesta reunião, porém, o propósito de Hidácio não teve êxito e Prisciliano continuou pregando.
O imperador Máximo, porém, necessitava o apoio político do clero espanhol e por causa disso permitiu a convocação de outro sínodo, desta vez em Treves (Trier), em 385 d.C., quando Prisciliano e seis outros foram levados perante os bispos. Devido a influência de um bispo perverso chamado Ítaco, foram forjadas e aceitas acusações de feitiçaria e imoralidade contra Prisciliano e seus companheiros, os quais foram julgados e condenados pelo poder civil. Prisciliano e mais alguns irmãos foram executados. Além destes, morreu também uma senhora distinta, chamada Eucrácia, que era viúva de um poeta e orador famoso. Estes foram os primeiros cristãos que foram perseguidos por outros “cristãos”, ocasionando a abertura de um péssimo precedente que seria repetido muitas vezes nos anos futuros.
Dois bispos mais nobres, Martinho de Tours e Ambrósio de Milão, protestaram vigorosamente e por fim, conseguiram que Ítaco perdesse o seu bispado. Mesmo assim, aquela decisão do Sínodo de Treves recebeu a aprovação de outro Sínodo, em Braga, 176 anos mais tarde. Ficou registrado como história “oficial” que Prisciliano e seus companheiros eram hereges que criam no gnosticismo e maniqueísmo e, além disso, eram pessoas imorais. Por causa disso os “priscilianos” foram caçados e perseguidos e essa versão “oficial” teria prevalecido, não fora a ocorrência de um fato novo e inesperado. Prisciliano escrevera muito e pensavam que todos os seus escritos estavam perdidos até 1886, quando um pesquisador chamado George Schepss descobriu na Universidade de Würzburg um manuscrito de 11 panfletos de Prisciliano, nos quais entre outras coisas ele:
1. Cita frequentemente as Escrituras para provar o que afirma.
2. Defende o costume da realização de reuniões de estudo bíblico nas quais todos possam participar.
3. Afirma que a redenção não é um ato mágico feito pela Igreja, mas uma obra de Deus.
4. Diz que a Igreja prega o Evangelho, mas cada um individualmente tem de crer.
5. Explica que o clero não é dotado de nenhum poder espiritual especial, mas que todos os irmãos têm o Espírito na mesma medida.
6. Posiciona-se contra o gnosticismo e maniqueísmo, demonstrando ser mentirosa a história oficial.
Sem dúvida, se tivessem tido tempo suficiente, estes irmãos teriam saído do sistema em que se encontravam e que tão cruelmente fê-los pagar, pela perda de sua reputação e o sacrifício de suas próprias vidas, o preço de serem fiéis a Cristo.

VI — OS PAULÍCIOS (50-1473 d.C.)

Voltando para as igrejas que nunca aderiram ao sistema romano, passamos a considerar as igrejas da região chamada “Ásia Menor”, (hoje Turquia e parte da antiga União Soviética), as quais permaneceram nas primeiras verdades. Estas foram também acusadas de adotar o maniqueísmo, mas segundo os seus próprios escritos não há a menor evidência disso.
Estes irmãos não aceitavam nenhum nome sectário e chamavam-se uns aos outros simplesmente de irmãos ou cristãos. Contentavam-se em fazer parte da “santa, universal e apostólica igreja de nosso Senhor Jesus Cristo”. Cada igreja era autônoma, diretamente responsável ao Senhor Jesus. Recusaram-se a manter comunhão com as igrejas romana, grega e armênia por causa da infidelidade delas. Afirmaram que elas não tinham mais o direito de serem reconhecidas como igrejas verdadeiras e apresentaram várias razões nas quais fundamentaram o seu posicionamento.
1. A união das igrejas com o estado.
2. O “baptismo” de crianças
3. A permissão da participação de descrentes na Ceia do Senhor.
4. Outros males que haviam sido introduzidos.
Estes irmãos e igrejas fiéis foram alcunhados com os nomes de “Paulícios” (não se sabe por quê), ou de “Thonraks”, por serem eles mais numerosos na cidade que tinha aquele nome, e mais tarde, quando chegaram à região hoje chamada Bosnia, foram chamados de “Bogomilos”, palavra eslavônia que significa “amigos de Deus”. Este movimento espiritual continuou por centenas de anos. Quase toda a sua literatura foi destruída, mas permaneceu um livro chamado “A Chave da Verdade”, publicado entre os séculos 7 e 9, o qual apresenta as crenças dos Paulícios de Thonrak daquela época. Apresentamos, abaixo alguns pontos de interesse:
1. O baptismo deve ser ministrado apenas a crentes verdadeiros.
2. Deve ser realizado em rios ou outra água, ao ar livre.
3. O baptizando deve ajoelhar-se na água e confessar a sua fé perante o povo.
4. O baptizador deve ser um homem moralmente irrepreensível.
5. A reunião do baptismo deve ser acompanhada pela leitura da Palavra e pela oração.
Alguns nomes de líderes daquelas igrejas ainda são conhecidos. Entre eles consta o de Constantino (que mais tarde adotou o nome de Silvano). Este foi convertido no ano de 653 d.C., quando passou pela casa dele um armênio que fora prisioneiro dos turcos, fora libertado e estava no caminho de volta para casa. Ele ficou muito grato a Constantino pela hospitalidade e deu-lhe um manuscrito contendo os 4 evangelhos e as epístolas de Paulo. Constantino leu, converteu-se e tornou-se um obreiro incansável. Fixou residência em Quibossa, na Armênia, mas passou a viajar muito para vários lugares ao redor. O resultado deste esforço foi a conversão de muitos católicos e pagãos.
Após trinta anos de trabalho incansável foi Constantino Silvano denunciado a Constantino Pognotus, imperador da parte oriental do Império Romano, o qual emitiu um decreto em 684 d.C. determinando a morte daquele fiel servo do Senhor. Um oficial chamado Simeão foi enviado para cumprir o decreto. Este colocou pedras nas mãos dos próprios amigos de Constantino Silvano e determinou que eles executassem o apedrejamento do mestre tão amado, julgando com isto dar um significado especial àquele ato. Todos, porém, com uma única exceção, arriscando as suas próprias vidas, negaram-se a atirar as pedras. A exceção foi um jovem chamado Justo (que de justo só tinha o nome), que fora criado por Constantino e da parte dele fora agraciado com especial bondade, arremessou uma pedra que atingiu e matou o seu benfeitor, recebendo com isto grande louvor das autoridades. Assim, o falso “Justo” transformou-se em verdadeiro Judas.
Mas este não é o fim da história! Simeão, o oficial responsável por aquele assassinato, ficou tão impressionado pelo que viu em Quibossa, que não teve mais paz de espírito quando voltou à corte do Imperador. Após três anos de intenso conflito íntimo converteu-se a Cristo e abandonou tudo, voltando para Quibossa. Ali mudou o seu nome para Tito e continuou o trabalho iniciado por Constantino. Dentro de pouco tempo, porém, Justo, o mesmo traidor que apedrejara Constantino Silvano entregou-o ao Imperador, juntamente com muitos outros cristãos, o qual mandou que todos fossem queimados vivos, esperando com isto infundir terror a todos quantos pertencessem àquela “seita”.
Entretanto, aquela medida produziu efeito contrário! Tal foi a demonstração de fé e coragem daqueles irmãos na hora da sua morte, que milhares de outros foram encorajados a continuar ousadamente o trabalho! Isto confirma que, como alguém tem dito, “a perseguição é somente a segunda alternativa do diabo para destruir a obra de Deus. O melhor mesmo é a divisão e dissenção internas”.
Finalmente, depois de muitos anos, nos séculos 14 e 15, aquelas igrejas declinaram e desapareceram. Algumas aliaram-se à Igreja Católica devido à perseguição da Igreja Armênia. Outras, numa outra região, aliaram-se aos muçulmanos e o resultado foi a extinção. O princípio de aliar-se com alguém só porque tem o mesmo inimigo nunca foi uma boa idéia. É preciso ter muito mais em comum.
VII — OS VALDENSES E ALBIGENSES (50–1500 d.C.)
Nos vales alpinos da região de Piemonte, na Itália, também houve igrejas que continuaram o seu testemunho desde a época dos apóstolos. Estas, como os Paulícios, nunca se associaram ao esquema oficial baseado em Roma. Elas foram deixadas em paz, comparativamente sem perseguição, principalmente devido ao isolamento causado pela inacessibilidade das montanhas onde habitavam, pois, como bem sabemos, naquela época não existiam as facilidades de transporte de que hoje dispomos.
No ano de 1689 um escritor declarou: “Os Valdenses são, de fato, descendentes daqueles que fugiram da Itália depois que São Paulo pregou o Evangelho entre eles. Eles abandonaram a seus pais e foram morar nas montanhas, onde, daquela época até hoje, têm pregado o Evangelho de pai para filho na mesma pureza e simplicidade como foi pregado por São Paulo”.
O nome “Valdense”, com que foram alcunhados por outros, vem de Pedro Valdo (? – 1217), de Leão, na França, um ensinador eminente entre eles no século 12. Pedro Valdo era um comerciante e banqueiro bem sucedido e nunca havia pensado em Deus até o dia quando um de seus convidados morreu repentinamente numa festa por ele promovida. Ele viu, então, a sua grande necessidade de salvação e converteu-se a Cristo. Tornou-se um estudioso das Escrituras até que, em 1173 vendeu quase todos os seus bens, apenas fazendo provisão para a sua esposa e saiu pregando o Evangelho. Logo outros juntaram-se a ele. De início tentaram acomodar-se ao sistema vigente na Igreja Católica, mas já em 1184 foram excomungados. O grupo passou a ser visto como uma “seita” que ficou conhecida como “Os pobres de Lião”. Como resultado do seu testemunho houve conversões até na Alemanha. Pedro Valdo foi um dos poucos pregadores que faleceu de morte natural, em 1217, na Boêmia (hoje República Checa).
A influência de Pedro Valdo sobre aquelas igrejas foi grande, especialmente com respeito à responsabilidade de evangelizar. Até então elas estavam contentes em ficar apenas na região deles, mas receberam grande impulso para a evangelização quando Pedro Valdo e seus companheiros compartilharam com elas uma nova visão de outros lugares necessitados da palavra da cruz. Em termos de doutrina prática, seguiam a simplicidade que criam ser o padrão do Novo Testamento.
1. Cada igreja local era governada por anciãos.
2. O baptismo de crianças de colo era rejeitado e somente os crentes verdadeiros podiam ser baptizados.
3. Em questões de disciplina, reconhecimento de anciãos, etc., toda a igreja participava juntamente com os anciãos. É lógico que este ponto de vista seria certo somente se os assuntos de disciplina fossem tratados primeiramente pelos anciãos, para que fosse dada orientação bíblica e fosse eliminada a possibilidade de serem as decisões tomadas com base em falsas acusações.
4. Na celebração da Ceia do Senhor o pão era compartilhado por todos, tanto quanto o vinho, ao contrário da prática adoptada pela Igreja Católica.
5. Além dos anciãos nas igrejas locais, existia um grupo de irmãos, que eles chamavam de “apóstolos” (equivalente a “obreiros” nos dias de hoje). Estes irmãos viajavam de igreja em igreja trabalhando no ensino da Palavra. Viviam uma vida de pobreza voluntária por causa do Evangelho.
6. Era dada ênfase à leitura diária da Bíblia e ao culto familiar. Conferências eram promovidas com frequência para ensino da Palavra e estímulo da comunhão entre os irmãos.
Porém, a paz no vale dos Valdenses foi interrompida em 1380 pelo Papa Clemente VII. Este enviou um monge inquisidor para tratar com os “hereges”. Nos treze anos seguintes mais de 230 pessoas morreram queimadas vivas. De 1400 em diante a perseguição aumentou, obrigando muitos a fugir para as montanhas onde morreram de frio e fome, especialmente mulheres e crianças. Esta perseguição estendeu-se por mais de cem anos. Mais tarde houve alguma ligação entre estes irmãos e os Anabatistas, dos quais trataremos mais adiante, e ainda hoje existe a denominação dos Valdenses, porém é um grupo totalmente formal e morto. Este facto é, certamente, um aviso para todos nós!
VIII — OS LOLLARDOS, HUSSITAS E IRMÃOS UNIDOS (1300–1500 d.C.)
Este estudo não nos permite mencionar em maiores detalhes os movimentos nos séculos 14 e 15, quando houve uma volta ao ensino das Escrituras. Havia na Inglaterra pessoas que eram chamadas de “Lollardos”, cujo significado é “palradores”, ou, “aqueles que falam bobagem” (v. At 17.18). Eram pessoas sinceras que reuniam-se à procura dum caminho melhor. É verdade que havia no meio deles uma certa preocupação política, mas a sua preocupação maior era espiritual, era o desejo de voltar ao ensino puro da Bíblia.
Havia naquela época um homem cuja valiosa liderança muito beneficiou o grupo. Referimo-nos a John Wycliffe (1320–1384), professor catedrático na Universidade de Oxford. Este traduziu a Bíblia para a língua inglesa. A igreja tentou persegui-lo, mas nada conseguiu por ter ele a protecção de amigos importantes. Muitos Lollardos, porém, pagaram com as próprias vidas o preço de sua fé, especialmente de 1400 em diante, quando, como já temos visto no caso dos Valdenses, a perseguição tornou-se terrivelmente mais feroz. Uma nova lei foi promulgada na Inglaterra exigindo que os hereges (assim chamados) fossem queimados vivos.
Um dos primeiros executados foi John Badby, que foi queimado na presença do então Príncipe de Gales, mais tarde o rei Henrique V. Quando Badby foi atirado à fogueira foi ouvido um grito pedindo misericórdia e o Príncipe Henrique ordenou que ele fosse retirado das chamas.
Levado à presença real, perguntou-lhe o príncipe se ele estava disposto a abandonar a “heresia” e voltar para a Igreja, oferecendo-lhe, ao mesmo tempo um ano de sustento se ele assim fizesse.
Qual não foi a sua surpresa ao descobrir que Badby não clamara pedindo socorro aos seus algozes, mas suplicara a misericórdia divina para suportar as chamas! Percebendo que o “herege” nada mudara quanto à sua doutrina, mandou que o atirassem novamente à fogueira. Ao mesmo tempo as igrejas continuavam na Boêmia, onde Pedro Valdo morreu em 1217. Um homem muito influente entre eles era John Huss (1369-1415), o qual, por sua vez, foi influenciado por João Wycliffe.
John Huss, embora sendo um encorajador daqueles crentes que estavam fora do sistema eclesiástico, desejava continuar sendo um bom católico. Ele foi convocado para um concílio em Constância, com a garantia do imperador de que não seria molestado. Se fosse chamado a Roma ele não iria porque não confiava no Papa. Foi a Constância confiando na palavra do imperador, mas foi traído pelos bispos e levado a um julgamento que, na realidade, foi uma farsa (tal como o do seu Senhor), após o qual foi queimado vivo.
Os verdadeiros seguidores do Evangelho passaram, então, a ser tratados por uma nova alcunha — “Hussitas”. Era mais um rótulo entre os muitos que foram colocados sobre os fiéis seguidores do Senhor Jesus através da História do Cristianismo. Os Hussitas, conhecidos também como “Irmãos Unidos”, foram grandemente afligidos, passaram por toda sorte de privações e muitos foram mortos, embora tenha havido breves períodos quando as autoridades civis pareciam cansar-se do ódio implacável que nutriam contra a igreja e deixavam os crentes provisoriamente em paz.
O exemplo de altruísmo, dedicação, fidelidade e amor a Cristo demonstrado por aqueles irmãos deve inspirar-nos a uma vida de consagração, testemunho e serviço para o Senhor nestes dias de liberdade de culto em que vivemos em nossa Pátria.
IX — A INFLUÊNCIA DA REFORMA PROTESTANTE
O início do século XVI viu a invenção da impressora mecânica. Como resultado da nova invenção tornou-se fácil como nunca anteriormente, a produção de Bíblias, panfletos e livros para serem distribuidos. Uma nova versão do Novo Testamento grego, com uma nova tradução para o latim foi produzida em 1516 por Desidério Erasmo (1419–1536), um erudito holandês. Aquela foi a base de todas as traduções bíblicas daquela época, razão pela qual foi cognominada “o ovo de Erasmo”!
Do ano de 1520 em diante houve a assim chamada “Reforma Protestante”, que ocorreu em vários lugares, tais como Alemanha, Suiça, Holanda, Escócia e com muito mais mistura, Inglaterra. Entre os líderes principais daquele movimento, destacam-se Martinho Lutero (1483–1546), na Alemanha, Ulrico Zwinglio (1484–1531), em Zurique, na Suíça e, mais tarde, João Calvino (1509–1564), em Genebra, na Suiça e João Knox (1514–1572, na Escócia. Estes foram grandes homens, santos e ousados que o Senhor usou e abençoou na Sua obra. Mantiveram, porém, coisas que bem poderiam ter sido eliminadas para sempre.
O problema básico da reforma foi terem os reformadores procurado acomodar-se ao poder civil mediante a tentativa de uma conciliação entre ideias bíblicas e não bíblicas. Com o passar do tempo tentaram eles justificar algumas de suas idéias mediante um apelo ao Velho Testamento. Ensinavam, por exemplo, que não há distinção entre Israel, o povo terrestre, e a Igreja, o povo celestial de Deus. Com isto tentavam apresentar a nação de Israel como base para a existência de uma “igreja nacional”. Baseavam-se, também, no rito judaico da circuncisão para tentarem justificar a prática errada do baptismo de crianças de colo. O sistema clerical protestante tem, até hoje, a sua razão de ser no sistema sacerdotal judaico. O famoso poeta inglês João Milton, autor da não menos famosa obra “Paraíso Perdido”, embora tivesse pontos de vista errados acerca de outros assuntos, revelou percepção a respeito deste quando escreveu que “o novo presbítero é simplesmente uma nova versão do velho padre”.
Em alguns ramos do protestantismo a idéia de prédios especiais e mesmo vestimentas especiais para os pastores, foi, também, tirada do Velho Testamento. É importantíssimo ter discernimento das dispensações divinas e compreender a diferença que há entre “judeus, gentios e a igreja de Deus”(1 Co 10.32 – Obs.: a versão Revista e Corrigida traduz aqui “gregos” em vez de “gentios”, como fazem outras versões. “Grego”é uma tradução tecnicamente correta, mas visto que a cultura grega era tão difundida naquela época, que o vocábulo “grego”tornou-se sinônimo de “gentio”, julgamos ser este o sentido correto neste caso).
Damos graças a Deus pelos reformadores que redescobriram as verdades preciosas a respeito do Evangelho e muitas verdades a respeito da vida cristã. Os calvinistas do século XVII, conhecidos como “puritanos”, deram ênfase maior à aplicação destas verdades no viver diário do crente. Mas quanto às verdades concernentes à Igreja, nem os reformadores, nem a maioria dos puritanos voltaram às verdades do padrão do Novo Testamento. Por essa razão o povo de Deus sofre até hoje com tantas idéias não bíblicas a respeito deste assunto. Há um clamor, pela volta aos padrões puritanos, outros desejam voltar aos princípios dos reformadores. Há outros, ainda, que desejam voltar aos valores de John Nelson Darby e dos primeiros “Irmãos”. Outros, ainda, preferem os valores dos primeiros obreiros que levaram o Evangelho à região deles, enquanto outros mais empenham-se em olhar apenas para os atuais ensinadores ou para o padrão praticado por outras igrejas.
Devemos concordar com tudo isto? Não, não e não! Devemos, sim, dar graças a Deus por estes irmãos e por tudo o que eles ensinaram com grande luta e sofrimento, devemos honrar a memória deles e aproveitar o ensino que nos deixaram, em tudo quanto tal ensino seja fiel à Palavra de Deus. Porém, quer como cristãos, individualmente, quer como igrejas locais, coletivamente, nossa aspiração deve ser uma só — a volta às verdades preciosas e inspiradas da Palavra de Deus. Ela é o único padrão confiável, o único guia seguro pelo qual podemos comparar o presente e o passado (veja 1 Co 3.18-23 e Hb 13.7-8).

X — OS ANABAPTISTAS
Um novo nome foi dado, na época da Reforma, às igrejas antigas que desejavam seguir os princípios da Palavra: “anabaptista”, ou seja, rebatizador, porque aqueles irmãos não aceitavam como legítimo o “baptismo” de crianças. Naqueles dias receberam eles grande impulso pela adesão de alguns irmãos bem capacitados que estavam com os reformadores, mas chegaram à conclusão de que estes não estavam, de facto, obedecendo plenamente às Escrituras. Isto aconteceu de modo muito especial em Zurique, entre 1523 e 1524, quando ocorreram discordâncias entre Ulrico Zwinglio e um grupo de irmãos jovens que até então o acompanhavam. Zwinglio compreendera que, segundo as Escrituras, o baptismo é aplicável aos crentes e que era errada a prática do baptismo infantil então vigente, mas, apertado pelas pressões políticas, voltou atrás.
Em 21 de janeiro de 1525, doze homens reuniram-se em casa de Conrado Grebel (? –1526), onde foi ministrado um baptismo. Um ex-padre, chamado Jorge Blaurock (1491–1529) baptizou Grebel sob sua confissão de fé como crente no Senhor Jesus Cristo. Este, por sua vez, baptizou os demais. O acréscimo destes dois irmãos, juntamente com outros igualmente valorosos, como o Dr. Baltazar Hubmaier (c. 1480–1528) e Felix Manz (1498–1527), resultou em muitas conversões e fez com que muitos crentes passassem a seguir mais de perto as verdades da Palavra. Estima-se, por exemplo, que em apenas um ano de ministério, em 1526, na cidade de Nikolsburg, Dr. Hubmaier viu nada menos do que seis mil pessoas obedecerem ao Senhor na questão do baptismo! Igrejas foram formadas na Suíça, Holanda, Áustria, Alemanha e mesmo na Inglaterra. Contatos foram feitos com os irmãos Valdenses e houve muitos lugares na Europa onde pequenas igrejas passaram a esforçar-se por seguir o padrão do Novo Testamento. O resultado foi muita morte e perseguição, como era de se esperar, mas houve muita fidelidade ao Senhor. Muitas histórias de martírio poderiam ser contadas. Um exemplo destes foi o de dois jovens de 16 e 17 anos, que, na Boêmia, foram condenados à morte.O juiz teve “misericórdia” e determinou que eles fossem instruídos pela igreja católica até completarem dezoito anos. Depois, se não tive os nos alongar, por isso queremos apenas mencionar que nos séculos XVI a XVIII existiram na França, na Rússia, Inglaterra, Escócia, etc., muitas igrejas que procuraram voltar ao padrão do Novo Testamento, umas com maior sucesso que outras.
XI — OS IRMÃOS – assim chamados. A — OS PRIMEIROS ANOS
Entre os anos de 1800 e 1830 houve muito interesse entre os crentes da Inglaterra pelos princípios bíblicos. Duas tendências manifestaram-se na Igreja Anglicana: existia um forte movimento pela volta ao catolicismo, o qual, por sua vez, despertou nos crentes verdadeiros daquela denominação um profundo anelo por uma volta à Bíblia e uma fiel obediência ao ensino da Palavra. Este anelo tinha em vista especialmente os ensinos sobre a profecia e sobre a Igreja de Deus. Na cidade de Dublin, Irlanda (naquela época governada pelos ingleses), entre os anos 1825 e 1827, dois grupos de irmãos reuniram-se a fim de estudar a Palavra de Deus e partir o pão na simplicidade das Escrituras. A maioria deles era relativamente jovem e logo foram unidos pelos seus ideais bíblicos. Entre estes encontravam-se António Norris Groves (1795-1853), que era dentista na cidade de Exeter, João Gifford Bellet (1795-1864), advogado do tribunal, Eduardo Cronin, ex-católico, João Versey Parnell, que posteriormente veio a ser o Lorde Congleton, e outros.
Norris Groves logo voltou para a Inglaterra, mas pouco depois um novo companheiro foi adicionado ao grupo: um jovem pastor e ex-advogado, chamado João Nelson Darby (1800-1882), sem dúvida alguma um dos homens mais brilhantes entre os evangélicos de sua geração. Este veio a ser o autor de muitos panfletos e livros, dos quais destacamos, entre outros, “Escritos Selecionados”, em 34 volumes, “Resumo dos Livros da Bíblia”, em 5 volumes, além da tradução da Bíblia para três idiomas: alemão, inglês e francês.
J.N.Darby veio a ser um dos homens mais influentes neste movimento (para o bem e para o mal). Devemos notar, porém, que, mesmo na Irlanda, não foi ele o responsável pela volta às Escrituras, que era o alvo do movimento. Ele uniu-se aos irmãos que já estavam se reunindo com este propósito. Naquela mesma época muitas outras igrejas foram formadas na Inglaterra, Irlanda, Escócia, País de Gales, Alemanha, Suíça e na Guiana Inglesa. Muitas destas igrejas foram formadas até sem ter conhecimento de que existiam outras igrejas que se reuniam da mesma forma, coisa que só mais tarde vieram a saber. U
ma coisa no ministério de J. N. Darby pela qual devemos, sem reservas, dar graças a Deus, é a recuperação de certas verdades das Escrituras que estavam esquecidas, tais como as várias dispensações divinas no governo do mundo, bem como a vinda do Senhor antes do Milénio para buscar a Sua Igreja.
Durante alguns anos, foram realizadas conferências sobre profecia. A partir de 1831, uma jovem viúva da classe nobre, de nome Teodosia Howard (1800-1836), posteriormente conhecida como Lady Powerscourt, grandemente impressionada pelos estudos proféticos, ofereceu o seu castelo, o Palácio Powerscourt, onde periodicamente realizavam conferências para estudar aquele assunto, sendo Darby um dos participantes. Estas conferências eram franqueadas a todo o povo de Deus e eram assistidas por muitos dos “irmãos”. Lady Powerscourt, que reunia-se com a igreja em Dublin, foi, por algum tempo noiva de J. N. Darby, mas o noivado foi desfeito. Não sabemos de qual dos dois partiu o rompimento. Dizem uns que foi ela quem rompeu por achar que o casamento iria perturbar o ministério de J. N. Darby, outros afirmam que o rompimento foi por iniciativa de Darby, enquanto outros, ainda, dizem que houve uma decisão mútua e até afirmam que as cartas de rompimento que ambos escreveram cruzaram-se no caminho. Nada, porém, pode ser afirmado por certo, mas a verdade é que ambos sentiram muito a separação. Darby escreveu mais tarde: “Recusei um casamento e parti um coração ao fazê-lo”. Convém que se diga, também, que os irmãos de Dublin, especialmente um certo Hargreaves, tiveram a sua parcela de culpa no acontecimento pela sua interferência indevida em assuntos alheios, pois envidaram todos os esforços no sentido de persuadir Darby a não se casar. É triste constatar que tais irmãos “palpiteiros” existem ainda no dia de hoje. Depois, não se julgam responsáveis pelas consequências! Um dia, porém terão de responder perante o Tribunal de Cristo. É minha opinião que, se tal não acontecesse, Lady Powerscourt teria vivido mais tempo e teria ajudado muito a Darby no seu ministério. Neste caso é bem possível que a história dos irmãos teria sido bem diferente.
Devem ser salientados o amor e a simplicidade daqueles primeiros anos em Dublin. Eduardo Cronin escreveu: “Oh, que tempos benditos para a minha alma foram aqueles que João Parnell, William Stokes, eu e outros conhecemos, quando, nas tardes de sábado, arrumávamos os móveis e colocávamos a simples mesa com o pão e o vinho! Foram dias de alegria para nunca jamais serem esquecidos, pois certamente contávamos com o sorriso do Mestre e a Sua aprovação ao início dum movimento como aquele! Já em 1830 existiam na Irlanda 5 ou 6 igrejas semelhantes, como resultado daquele impulso, mas, como já mencionamos, também em outros lugares o Espírito estava se manifestando espontaneamente.
Em Bristol, Inglaterra, George Müller (1806-1898) e Henrique Craik (1805-1866), que eram pastores baptistas, chegaram a entender as verdades bíblicas sobre a igreja local e começaram a reunir-se assim a partir de 1832.
Em 1836 George Müller abriu o seu primeiro orfanato confiando somente no Senhor para a sua provisão diária, sem dirigir apelos aos homens. Deus honrou a sua fé e quando ele faleceu, aos 93 anos de idade, muitas centenas de crianças tinham sido amparadas.
Devemos salientar que quando Müller morreu, além da igreja grande que se reunia na Capela Betsaida (a original), havia mais sete igrejas semelhantes em Bristol.
Havia também um trabalho próspero em Barnstable, liderado porRoberto Cleaver Chapman (1803-1902), ex-advogado e pastor baptista, um irmão grandemente amado, que chegou às mesmas conclusões bíblicas.
Em Plymouth havia uma igreja grande e próspera (com mais de 700 membros em comunhão) que tinha ensinadores capacitados, tais como Benjamim Wills Newton, Samuel Prideaux Tregelles, este um erudito nas línguas originais da Bíblia, Henrique W. Soltau, que foi autor de dois livros úteis a respeito do tabernáculo no deserto, William Dyer e J. L. Barris. Por ser tão grande esta igreja ganhou do mundo mais um apelido: “Irmãos de Plymouth”, um título absurdo que alguns ainda insistem em usar.
A igreja em Plymouth era descrita como “um pantanal de amor” – muito melhor do que o pantanal de desânimo em que muitas igrejas se tornam! Temos de mencionar o ardor missionário daqueles irmãos. Foi nos seus dias que as missões para o exterior tiveram o seu início. Em 1829 António Norris Groves e um grupo de irmãos foram para Bagdad (hoje o país do Iraque), confiando somente no Senhor para o seu sustento. Mais tarde Groves foi para a Índia. Na Guiana Inglesa (hoje República da Guiana), um outro jovem pastor anglicano, Leonardo Strong, sem saber dos outros, deixou a Igreja Anglicana em 1827 e renunciou um salário fixo a fim de pregar a Palavra na simplicidade das Escrituras e na dependência exclusiva do Senhor. Deus abençoou o Seu servo e muitas almas foram salvas, especialmente entre os escravos, com quem Strong trabalhava. Mesmo depois da abolição da escravidão, muitos ex-escravos foram salvos pela instrumentalidade de Strong. Em 1842 Jorge Müller ouviu falar a respeito dele e começou a enviar-lhe ajuda financeira. Não sabemos como foi ele sustentado durante os 15 anos anteriores. Sabemos, porém, que Deus é fiel! O trabalho do Senhor que deste modo foi formado na Guiana continua até hoje.
J. N. Darby fez viagens para a Suiça e para outros lugares, onde viu a bênção na pregação da Palavra e a formação de igrejas. Como os próprios líderes religiosos de então admitiram, este movimento do Espírito de Deus teve o poder de sacudir o mundo cristão de sua letargia. Por isso Satanás não ficou satisfeito. Dentro de 20 anos aconteceu uma divisão que nunca chegou a ser resolvida e que, de certa forma, nos afecta até hoje. Quanto lamentamos este facto tão triste!
XI – B — CONTENDA E DIVISÃO
O assunto que motivou a grande contenda que tão tristemente dividiu os irmãos é bem complicado, mas devemos examiná-lo pelo menos em resumo. Em parte, tem muito a ver com o carácter complexo de John Nelson Darby. Silas Gonçalves Filgueiras bem escreve: “Darby tinha uma personalidade imensa e complicada, era um génio, e como sói acontecer com estes, era psicologicamente anormal. Devido à sua intensa devoção a Cristo zelava para que a igreja fosse uma igreja pura, porém pelo seu temperamento, seu modo de entender as coisas, fez com que suas atitudes causassem a desonra ao nome de Cristo que ele tanto amava. Tinha uma alta capacidade para perceber as verdades bíblicas, seus comentários são muito profundos. Agia como tendo uma chamada directa de Deus, como alguém que está convencido de estar no caminho certo, e considerava inimigos de Deus todos os que discordavam dele” (“Os Irmãos” pp. 48-49).
Outro escritor recente, um admirador de Darby, escreve: “Darby tinha um carácter e personalidade muito fortes. Os seguidores de Darby falaram quase que exclusivamente das suas qualidades positivas e seus inimigos, quase que exclusivamente das suas qualidades negativas. Quem tinha razão? Depois de ter, durante anos, estudado Darby e a sua vida, eu devo responder: ambos tinham razão” (Max N. Weremchuk – “John Nelson Darby” pg. 142).
Por outro lado, com referência a Jorge Müller, um dos outros protagonistas naquela tragédia, temos de admitir, por mais que admiremos a sua fé e a sua devoção a Cristo, que ele também evidenciava claramente em sua personalidade algo de autoritário e intolerante, que mais tarde jogaria por água abaixo a última possibilidade de reconciliação.
Darby, no início da década de 1840, embora residindo já em Plymouth, viajava constantemente atendendo seu ministério na obra do Senhor. Por isso, como era de se esperar, perdeu a sua influência dentro da igreja. Benjamim Wills Newton, que era um homem de forte tendência autocrática, assumiu o controle da igreja juntamente com J. L. Harris. Estes dois irmãos estavam fazendo com que a igreja deixasse certos princípios bíblicos. Em 1845 Darby voltou e tentou modificar as coisas dentro da igreja. Não foi bem sucedido e retirou-se em 28 de dezembro daquele ano e formou outra igreja, contando inicialmente com 60 membros em comunhão e que logo começou a evidenciar um contínuo crescimento.
Logo depois foi convocada uma reunião numa outra cidade com a finalidade de ouvir as explicações de Darby sobre a lamentável separação. Naquela reunião o piedoso Roberto Chapman disse a Darby: “O irmão devia ter esperado mais tempo antes de agir como agiu”. Darby respondeu: “Esperei seis meses antes de me separar”. Ao que Chapman replicou: “Em Barnstable teríamos esperado seis anos”.
A estes eventos sucederam-se mais complicações. B. W. Newton permitiu que J. L. Harris publicasse anotações a respeito da humanidade do Senhor Jesus Cristo que, sem dúvida, eram heréticas. Não precisamos ocupar-nos com maiores explicações sobre isto porque todos os irmãos condenaram aquela doutrina e o próprio B. W. Newton logo percebeu o seu erro e fez, por escrito, uma plena retratação, que foi publicada naquele mesmo ano (1847). Num sentido, porém, aquela ação foi como que uma vara entregue a Darby, a qual podia ele usar contra a igreja original a fim de demonstrar que ela estava errada. Muitos que não tinham apoiado Darby acabaram indo para a igreja dele. Se tudo ficasse nisso, seria apenas mais um capítulo na triste história das divisões em igrejas locais. Mas o “pai da mentira” estava apenas começando o serviço dele!
Dois irmãos da igreja original em Plymouth mudaram-se para Bristol em l848. Depois de constatado que eles não aceitavam a doutrina de Newton foram aceitos pela igreja. Darby achava que existindo erro numa igreja todos os seus membros estavam contaminados. Consequentemente, concluindo que a igreja em Bristol, pelo facto de aceitar aqueles irmãos estava dando apoio à heresia, rompeu com ela.
Um grupo de partidários de Darby, liderado por um irmão chamado Jorge Alexander, separou-se e formou outro ajuntamento. Por causa disso a igreja em Bristol pronunciou-se formalmente contra a doutrina de Newton, declarando-a herética. Àquela altura o próprio Newton já não estava mais em Plymouth. Mudara-se em 1847 e até a sua morte, em 1899, nunca mais reuniu-se com os chamados “Irmãos”.
O problema básico era que a igreja em Bristol e outras semelhantes aceitavam um princípio bíblico que Darby, ao que parece, já não aceitava — a autonomia administrativa de cada igreja local. A ideia desenvolvida por Darby era a de que existe uma igreja visível (correspondendo ao corpo de Cristo aqui na terra) à qual pertencem todas as igrejas. Todas as igrejas têm de andar juntas senão a igreja está fora do corpo, isto é, não é mais igreja. É preciso que se note que este não é um princípio bíblico. A Palavra de Deus fala-nos apenas de uma igreja invisível, o Corpo de Cristo, composta de todos quantos pertencem ao Senhor Jesus e de igrejas locais controladas diretamente pelo Senhor Jesus, o Qual está no meio de todas as igrejas que se reúnem em Nome dEle sem ligação denominacional. É uma arrogância por parte de um homem, ou grupo de homens, reivindicar autoridade divina e pôr uma igreja fora de comunhão. Esta é uma ação à qual só tem direito Aquele que é o Dono das igrejas. É lógico que cada servo do Senhor tem todo o direito de decidir perante Deus e no temor de Deus qual é o lugar onde ele entende que pode servi-Lo com maior proveito espiritual. Sem dúvida muitos podem ter dificuldades neste sentido em alguns ajuntamentos, mas isto não lhes dá o direito de criticar a outros que não pensem exatamente como eles. Todos nós teremos de responder perante o Tribunal de Cristo. O princípio que Darby ensinou, na prática, é desastroso. Seguindo-se aquele princípio, sempre que uma igreja tenha de tratar de um problema, todas as demais acabam tendo de pronunciar-se a respeito do mesmo, o que, na prática, deixa tudo nas mãos de alguns irmãos para ser tratado numa reunião central de “cuidado”. Com isto, embora nem sempre aconteça, torna-se muito possível a formação de uma ditadura espiritual. Darby forçou a todos a assumirem uma posição com referência à igreja em Bristol, disso resultando uma divisão que abrange o mundo inteiro e que nunca foi resolvida. Os seguidores dos princípios de Darby são conhecidos como “Irmãos Exclusivistas”, enquanto os seguidores do princípio da autonomia administrativa de cada igreja são conhecidos como “Irmãos Abertos”. São apelidos pouco convenientes. Os “exclusivistas” mais moderados não acusam mais os irmãos “abertos” da heresia de Newton (uma acusação inteiramente infundada). Acusam-nos de “independência”, ou até de neutralidade para com Cristo. E a base dessa acusação é porque os “irmãos abertos” recusam-se a concordar que o grupo deles (“exclusivistas”) seja exclusivamente o Corpo de Cristo. Isto só demonstra como a mente de bons irmãos pode, às vezes, ser deturpada.
No início, devido à influência da personalidade forte de Darby, a maioria das igrejas ficou com ele. Naquelas igrejas encontravam-se muitos dos melhores ensinadores bíblicos, tais como J. G. Bellet, já mencionado, C.H. Mackintosh (1820-1896) e William Kelly (1820-1906). Mas o princípio errado de comunhão só poderia resultar em confusão, como, de facto, resultou.
Entre os “Irmãos Exclusivistas” têm ocorrido repetidas divisões, nas quais cada grupo qualifica-se como o único que está na esfera do Corpo. Embora tenha havido alguma reconciliação entre os grupos mais moderados, as divergências persistem até hoje.
Alguns dos missionários mais antigos, tais como Stuart Edmund McNair (1867-1959), George Howes (1873-1945), William Anglin (1882-1965) e Alberto Henrique Storrie (1888-1977) vieram de um grupo mais moderado de “exclusivistas”. Embora tenham deixado algumas das idéias de Darby, não ensinaram os princípios errados concernentes à comunhão. Alguns missionários baptistas, especialmente W. C. Taylor, uma das línguas mais ferinas entre os escritores modernos, com propósito crítico, apelidavam de “darbistas” os crentes que se reuniam nas igrejas não filiadas a denominações, mas tal apelido não procede, pois em tais grupos não predominavam nem a prática, nem o espírito do darbismo.
Antes de voltar para assuntos mais agradáveis, há mais uma coisa que seria proveitoso mencionar com respeito à divisão de 1848: em julho de 1849 J. N. Darby visitou George Müller, em Bristol. O relato daquela reunião é contestado, mas ao que parece, o que Darby declarou foi isto: “Uma vez que os irmãos já julgaram os folhetos de Newton, não há mais razão para ficarmos separados”. A resposta de Müller foi: Tenho um compromisso à uma hora e só tenho dez minutos livres, portanto, não dá tempo para entrarmos neste assunto agora, pois o senhor tem agido tão perversamente em todo este caso, que há muitas coisas que têm de ser consideradas antes que possamos ser unidos novamente”. Darby, ao que parece, foi-se embora extremamente ofendido e os dois nunca mais se encontraram neste mundo. Darby manteve a divisão até o fim. Nenhum dos dois merece louvor naquele triste incidente: No caso de J. N. Darby, se era verdade que não existia mais razão para a separação, porque levou-a até o fim ? No caso de George Müller, por causa de uma resposta intempestiva e destemperada, ele jogou fora a oportunidade única que se lhes deparava para resolver para sempre aquele problema. Que compromisso poderia ser mais importante do que este? Considerando a personalidade de J. N. Darby, reconhecemos a grande dificuldade que teria sido enfrentado para humilhar-se, ainda que um pouco, mas o que parece é que Müller quis aproveitar-se da situação para espezinhar um pouco mais o seu irmão, disso resultando a triste e irremediável situação que até hoje persiste.
Que aprendamos a lição! Não podemos conceder perdão àqueles que imaginam que pouco ou nada fizeram de errado e cujo pensamento é que o problema pode ter solução colocando-se uma pedra em cima (coisa que só faz mal à própria pessoa!), mas quando existe uma disposição para voltar atrás, vamos ter a humildade e a graça de ceder, reconhecendo até que ponto nós também tenhamos errado na questão. Não nos esqueçamos de que a nossa excessiva dureza bem pode resultar em danos irrecuperáveis para a obra de Cristo.
Embora não sejamos seguidores nem de J. N. Darby, nem de George Müller, temos de reconhecer que ambos eram grandes servos do Senhor. Se eles, apesar de toda a sua estatura espiritual puderam chegar até onde chegaram, quanto mais nós! “Tornai-vos, porém, bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.32 V.B.)

XI – C — O DESENVOLVIMENTO DAS IGREJAS “ABERTAS”
No início as igrejas chamadas “abertas” eram bem fracas, mas sempre demonstraram um profundo desejo de evangelizar os perdidos. E Deus abençoou os seus esforços. Disse H. A. Ironside: “Mesmo J. N. Darby admitiu que ‘Deus, na Sua soberania, tem- lhes concedido muito fruto no Evangelho’. As suas igrejas multiplicaram-se, e através dos trabalhos de evangelistas zelosos, grandes números foram salvos. Depósitos de literatura produziram folhetos evangélicos aos milhões e pregadores itinerantes do Evangelho foram por toda parte proclamando as boas novas duma salvação presente por meio da fé somente em Cristo. Centenas mais, deixando tudo por amor daquele que os salvou, foram para as regiões além do mar a fim de promover missões entre os pagãos. Na China, Índia, Malásia, África, entre o povo indígena (aborígenes) de Nova Zelândia e nas ilhas dos mares levantaram o estandarte da cruz sem serem sustentados por salários ou missões organizadas nos seus países de origem. Sua confiança estava no Deus vivo, que, através do Seu próprio povo, ministrou às suas necessidades, visto que foi ‘por causa do Nome que saíram, nada aceitando dos gentios’” (A Historical Sketch of the Brethren Movement,pág. 70). Em 1859 Deus concedeu um poderoso reavivamento a quase todo o Seu povo na Irlanda, Escócia, no País de Gales e partes da Inglaterra, nos Estados Unidos e outros países de língua inglesa. Todos os grupos evangélicos foram beneficiados, mas, como resultado, muitos crentes novos, zelosos por seguir o que a Palavra diz acerca de tudo, não ficaram satisfeitos nas suas denominações tradicionais. Saíram e formaram igrejas de acordo com o que estava lendo no Novo Testamento, muitas vezes sem saber nada sobre o que ocorrera em Dublin, Plymouth e Bristol. Tinham todo prazer em ter comunhão com as igrejas dos mesmos princípios, mas com toda razão não queriam entrar em círculos eclesiásticos. Com o passar do tempo associaram-se mais com aqueles que eram chamados “Irmãos Abertos”. Em outras cidades, às vezes, uma missão interdenominacional independente tornava-se o centro principal de reunião de novos convertidos. Como resultado ficavam insatisfeitas em serem apenas um ponto de pregação e começavam a praticar o baptismo e celebrar a Ceia do Senhor, tomando, com o passar do tempo, a mesma posição assumida por outras igrejas semelhantes. Como bem disse H. A. Ironside, o movimento missionário floresceu, alcançando não somente os países acima mencionados, mas muitos outros também, com resultados notáveis em quase todas as repúblicas da América do Sul, além de Espanha, Portugal, Itália e mesmo nas remotas Ilhas Faroes (ao norte da Escócia, uma colônia da Dinamarca), onde um pioneiro escocês trabalhou por 13 anos até aparecerem os resultados. Hoje, naquela localidade, para uma população de cerca de 45.000 pessoas há mais de 25 igrejas, duas delas (Thorsha e Klaksvic) contando cada uma com mais de 500 membros em comunhão. Atualmente na Grã Bretanha muitas destas igrejas estão em acentuado declínio, por um lado, devido aos extremos de mundanismo e conformidade ao padrão evangélico geral e, por outro, devido a um legalismo frio e sem alma. Damos graças a Deus por alguns lugares que não são assim.
Existem problemas. Entre elas há ensinos errados, como os há em todo lugar, mas temos de reconhecer o esforço que algumas delas empregam para obedecer à Palavra de Deus, de acordo com a luz que dela têm. (…)

CONCLUSÃO
Então, é este o fim da história? De forma alguma! Relatos históricos tais como este têm sido elaborados, às vezes, com o propósito de demonstrar que todos os factos têm-se desenvolvido para provar que a “nossa” obra é o verdadeiro cúmulo de tudo quanto Deus quer fazer aqui na terra.
Tenho lido tais conceitos emitidos por Baptistas, pelo Movimento Pentecostal, pela seita chamada “Igreja Local” e também, tristemente, pelos vários grupos dos chamados “Irmãos”. Que o Senhor nos guarde de tamanha arrogância!
Enquanto Cristo não voltar para buscar a Sua igreja, Ele é soberano e pode usar quem Ele quiser na obra dEle. A nossa responsabilidade em nossa geração é, simplesmente, reunir em Nome de Cristo e na simplicidade das Escrituras e procurar implantar os princípios bíblicos em nossos ajuntamentos. As Escrituras são o tribunal final de autoridade, não a história de bons irmãos, por mais útil que seja. O Senhor Jesus é o único que merece a nossa lealdade incondicional. Que sejamos fiéis a Ele e à Sua Palavra!

A Raiz da Corrupção

A Raiz da Corrupção

Markus Steiger
Nos dias atuais a palavra corrupção é constantemente usada tanto nos noticiários como nas conversas. Quando pensamos e falamos de corrupção, a relacionamos rapidamente aos governantes, políticos, grandes empresários, clubes de futebol ou partidos políticos. Mas será que a corrupção somente se resume a estas pessoas? Será que nós em nossas atividades, maneiras de pensar ou atitudes também não somos de alguma forma corruptos? Nunca ficamos com troco a mais quando o vendedor se confundiu? Nunca furamos o sinal vermelho quando estávamos apressados? Nunca olhamos e baixamos filmes e músicas de forma ilegal? …

Estamos frequentemente procurando formas de tirar vantagem das situações ao nosso redor para o nosso próprio conforto, ou seja, estamos praticando a corrupção.

Pode-se definir o significado da palavra corrupção em 3 pontos:

1. Ato ou efeito de corromper ou corromper-se;

2. Decomposição física de alguma coisa; putrefação;

3. Modificação das características originais de algo.

Foi justamente este terceiro aspecto que aconteceu com o ser humano. Após a criação do homem por Deus, segundo a Sua imagem e semelhança, aconteceu a queda do homem ao desobedecer a Deus no Jardim do Éden. Desde então, todo ser humano nasce em pecado, ou seja, as características originais do homem foram modificadas. Em outras palavras: o homem corrompeu-se.

A pergunta que nos vem é: “Qual é a raiz dessa corrupção?”

A Bíblia nos dá a resposta. Em Mateus 15.19-20a, ela afirma: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem”.

E em Jeremias 17.9 está escrito: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?”

Então, se todos nós estamos contaminados pelo pecado, somos todos corruptos perante Deus. Mas existe alguma saída para este problema? Há esperança para o ser humano? A raiz da corrupção pode ser cortada?

Sim, Deus mesmo providenciou a saída dando Seu próprio e único Filho, Jesus Cristo, para morrer pela nossa culpa na cruz. Lá nessa cruz Jesus levou sobre Si todos os nossos pecados e assim podemos obter perdão e uma nova vida. Se reconhecemos que do nosso coração não procedem coisas boas e aceitamos a salvação oferecida por Deus – através de Jesus – nosso coração será transformado. Ele perdoará nossos atos de corrupção e nos dará uma nova vida!

Aceite hoje mesmo esta oferta de salvação que Deus faz a você!

Markus Steiger

O Papel-Chave da Democracia nos Tempos Finais

O Papel-Chave da Democracia nos Tempos Finais

Peter Bertschinger

A Democracia iniciou uma marcha vitoriosa no decorrer do século 20. Principalmente depois do final da Segunda Guerra Mundial ela alcançou o status de paradigma (padrão ou modelo para todos os casos semelhantes)… Como avaliar esse desenvolvimento do movimento democrático? Podemos aprová-lo sem ressalvas, como tantos têm feito em tantos lugares? A Palavra de Deus e suas declarações proféticas acerca dos tempos finais nos exortam à sobriedade e à vigilância – também em relação ao processo democrático.

Democracia é uma palavra grega formada por duas partes: demos é povo e kratossignifica domínio. Portanto, Democracia seria “o governo do povo”.

O conceito de Democracia define a forma de governo que surgiu e se estabeleceu na antiga Grécia nos anos 509-458 a.C. Ela diferenciava a Grécia dos países ao seu redor, governados por um rei. Uma das características principais da Democracia é o poder estar nas mãos de representantes do povo (o Parlamento), complementado por outras duas instâncias: o Governo (o Executivo) e o Poder Judiciário. Esses três poderes funcionam como partes de um todo: o Parlamento é a instância legislativa, o Governo é o poder executivo e os Tribunais supervisionam a correta aplicação das leis. A grande vantagem dessa forma de governo é o controle mútuo dos três organismos governamentais (o sistema de “checks and balances” – controles e equilíbrios), que dificulta o surgimento de uma ditadura. Mas o sistema tem duas fraquezas:

• Primeiro, a Democracia em si não possui valores que tornem o Estado apto e capaz. O único valor que o sistema democrático exige categoricamente é que o poder seja exercido pelo povo – independentemente da condição moral desse povo.

• Segundo, o sistema democrático pressupõe que todos os membros da sociedade tenham disciplina e virtude acima da média. Um movimento democrático com governantes e governados sem disciplina e sem virtude transforma-se rapidamente em ditadura. Uma profusão de exemplos antigos e atuais comprovam essa tese.

Apenas essas duas fraquezas da Democracia já bastariam para nos deixar atentos e de olhos bem abertos, especialmente em sua relação com as profecias bíblicas. Mas há outras razões que fazem da “Democracia” um conceito-chave nos tempos finais e um tópico que merece a atenção dos cristãos.

O cerne da problemática acerca da questão da Democracia é representado pela pergunta: “Quem tem autoridade?”. Tanto a Bíblia como o sistema democrático respondem essa pergunta, só que as respostas são tão diferentes entre si como a noite difere do dia.

O conceito bíblico de autoridade

Muitas e muitas vezes a Palavra de Deus salienta que toda autoridade pertence ao Deus vivo e emana dEle pessoalmente. O próprio Deus é a autoridade em si. Esse é o tema central do livro de Daniel e uma das doutrinas centrais da Bíblia. A frase “Eu sou o Senhor”, no sentido de uma declaração autoritativa, é encontrada sete vezes só nos doze capítulos entre Isaías 40 e 51, e temos muitas outras passagens bíblicas do Antigo Testamento com o mesmo teor, repetindo que toda a autoridade vem do Senhor Deus. Assim, a autoridade conforme Deus a quer é sempre uma autoridade exercida a partir do Alto.

Outra particularidade da autoridade como Deus a quer e a vê consiste no fato de que Ele, no decorrer da História da humanidade, delegou Sua autoridade a homens. Deus ordenou a Adão e Eva: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja na terra” (Gn 1.28). Enquanto Adão e Eva se sujeitaram à autoridade divina, tinham autoridade sobre a Criação. Mas, com a queda em pecado perderam essa autoridade. Mesmo depois dessa catástrofe, porém, o Senhor achou pessoas que se submeteram confiadamente à Sua autoridade suprema, tornando-se, assim, portadoras da autoridade divina. Moisés, escolhido por Deus para ser autoridade sobre o povo de Israel, tornou-se o legislador dessa nação e o mediador da Antiga Aliança entre Deus e os judeus. Mas as declarações proféticas de Daniel foram além de Israel, expondo a moldura geral do quadro das nações como viria a se apresentar por toda a História mundial (Dn 2; Dn 9.24-27). Esses homens, juntamente com todos os detentores de autoridade e poder no Antigo Testamento, tinham certeza de uma coisa: toda autoridade vem de Deus e minha responsabilidade primeira diante dessa autoridade consiste em me curvar incondicionalmente a ela e obedecer-lhe com toda a confiança.

Na Nova Aliança o Senhor confirmou Sua reivindicação de autoridade de forma resumida, porém abrangente em seu alcance, ao afirmar categoricamente que “não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas” (Rm 13.1b). No âmbito dessa Nova Aliança, Deus declarou explicitamente algumas pessoas como investidas de autoridade em uma sociedade constituída hierarquicamente:

  1. As autoridades do Estado em relação aos cidadãos (Rm 13.3-7).
  2. Os anciãos são autoridade sobre os membros da igreja (1 Ts 5.12-13; 1 Pe 5.5).
  3. Os patrões têm autoridade sobre os empregados (Ef 6.5-8; Cl 3.22; 1 Tm 6.1; Tt 2.9-10; 1 Pe 2.18-21).
  4. O marido tem autoridade sobre a esposa (1 Co 11.3; Ef 5.22-24; 1 Pe 3.1).
  5. Os pais têm autoridade sobre os filhos (Ef 6.1-3; Cl 3.20).

Em todas essas relações entre quem manda e quem obedece, as autoridades estão sempre debaixo da obrigação, claramente formulada no texto bíblico, de amar e cuidar de seus subordinados. Apesar disso, continua válido o princípio de que a legitimação divina para exercer autoridade foi concedida ao superior, não ao subalterno. Esses detentores de autoridade são as instituições que sustentam a ordem social bíblica, os reais pilares da sociedade.

O conceito democrático de autoridade

Na ordem democrática, ao contrário da Bíblia, é a população, e não Deus, quem delega sua autoridade aos organismos estatais. No sistema democrático, Deus não desempenha papel algum. O Parlamento é a reunião daqueles que o povo escolheu para representar seus interesses através das leis que formula. O Governo (Executivo) deve fazer valer essas leis, e o Judiciário deve zelar para que os interesses do povo sejam atendidos dentro das normas da lei.

Formulando de outra maneira, podemos afirmar que nesse sistema a autoridade vem basicamente “de baixo”. Não é raro ouvirmos declarações dizendo que certas reivindicações são “das bases”. Em caso extremo, significaria que não é válido o que as autoridades dizem, mas o que o povo diz (= os subalternos). Quando a democracia tornou-se um assunto cada vez mais relevante na Europa e nos Estados Unidos no final do século 18 e a partir da metade do século 19, vindo a ser um tema debatido e pensado publicamente, havia o temor de que essa característica do poder legitimado a partir de baixo poderia conduzir a uma “posição de poder do populacho”, a quem os órgãos estatais não poderiam mais controlar ou frear. As discussões lembravam daqueles casos em que uma sociedade democrática decadente transformou-se em ditadura (por exemplo, o repetido surgimento de figuras autoritárias dentro da Democracia grega no quinto século a.C. até Alexandre, o Grande, no final do século IV a.C.; Roma antiga no decorrer do primeiro século a.C.; o desenvolvimento na França a partir dos primórdios da Revolução Francesa até a ditadura militar de Napoleão Bonaparte).

No modelo bíblico, a autoridade vem de cima e existe o vínculo com Deus. No conceito democrático, a autoridade vem de baixo e Deus não tem qualquer relevância. Na realidade, as diferenças parecem tão significativas a ponto de impossibilitar que esses dois conceitos se fundam.

Assim como o modelo bíblico, o modelo democrático também tem algumas instituições de grande peso:

• Já citamos que a população é a instância que molda a autoridade do Estado.

• A noção de um pacto social: O Contrato Social ou Princípios do Direito Político foi uma das principais obras do filósofo francês Jean-Jacques Rousseau. Editado pela primeira vez em 1762, exerceu influência decisiva sobre o desenvolvimento da política interna francesa no final do século 18 (a Revolução Francesa foi em 1789). Uma das teses mais importantes do livro de Rousseau é a que preconiza que os membros da sociedade, por meio de um contrato, concordem com ordens válidas para todos. A “vontade comum” como base da sociedade seria absoluta e infalível (!). – Uma versão atualizada dessa concepção é o “Tratado de Lisboa”, o acordo de direito internacional público entre os 27 membros da União Européia, que, ao estilo de uma constituição, regula o ordenamento jurídico entre os países-membros desde 1 de dezembro de 2009.

• Os direitos fundamentais: No transcorrer da história do Direito, certos direitos e liberdades individuais foram sendo estabelecidas, liberdades que cabem ao cidadão individual em sua relação com o Estado, por exemplo, liberdade de fé e consciência, liberdade de expressão e liberdade de reunião. Direitos fundamentais são áreas do direito individual em que o Estado não pode interferir arbitrariamente. Se ainda assim interferir, poderá ser processado pelo cidadão.

A instituição dos direitos fundamentais desenvolveu-se no decorrer da Idade Moderna, especialmente desde o final do século 16. Nos séculos 16, 17 e 18 diversos monarcas europeus impuseram governos absolutistas aos seus países. Isso significava que seus cidadãos estavam expostos aos seus soberanos sem qualquer proteção jurídica e legal e tinham de aceitar toda e qualquer interferência ou arbitrariedade do governo, sem poder se defender. Um expoente clássico dessa concepção de Estado foi o rei francês Luís XIV, que dizia cheio de auto-glorificação: “L’Etat, c’est moi” (“O Estado sou eu”). Para coibir os abusos que ocorriam na aplicação prática dessa idéia de governar e exercer poder, e como forma de proteger os cidadãos, foram criados os Direitos Fundamentais.

Desde então, a noção de direitos fundamentais mudou muito. Os direitos individuais tornaram-se quase que uma zona-tabu do indivíduo, uma área intocável pelo Estado. O indivíduo pode entrar em cena não como subalterno mas reivindicando igualdade de voz.

Isso tem por conseqüência uma concepção completamente nova acerca daqueles que devem exercer a autoridade, diametralmente oposta ao que a Bíblia preconiza. Os que exercem autoridade conforme a Bíblia, recebem seu poder com a certeza de que “um dia prestarei contas a Deus pelo que me foi confiado”; “terei de provar se fui obediente às normas estabelecidas por amor ao Senhor e por amor ao próximo”. Segundo a Bíblia, os que estão sujeitos à autoridade têm a obrigação de obedecer. A autoridade moderna não tem, por sua vez, a obrigação de prestar contas, já que pensa basicamente em reivindicações, direitos e demandas. Essa diferença de postura produz personalidades com características completamente distintas entre si.

Constatamos que os conceitos de autoridade bíblica e/ou democrática diferem radicalmente. No modelo bíblico, a autoridade vem de cima e existe o vínculo com Deus. No conceito democrático, a autoridade vem de baixo e Deus não tem qualquer relevância. Na realidade, as diferenças parecem tão significativas a ponto de impossibilitar que esses dois conceitos se fundam. O desenvolvimento histórico dos últimos 250 anos, porém, comprova sinistramente que aconteceu justamente o contrário.

A marcha da Democracia

Durante muitos séculos, a idéia predominante de autoridade na Europa era de queautoridade vem de cima. O próprio Deus como fonte da autoridade não era um pensamento incomum para as pessoas marcadamente religiosas da Idade Média. Muitos governantes medievais, como os carolíngeos, reivindicavam a graça divina como sendo a base de sua autoridade. Essa concepção se manteve ativa até os tempos modernos. Inclusive, no prefácio da edição de 1611 da Bíblia King James (em inglês) lemos as seguintes palavras na dedicatória dos tradutores a Tiago I, rei inglês da época: “Grandes e multiformes foram as bênçãos, ó soberano e temido senhor, que o Todo-Poderoso Deus, o Pai de todas as misericórdias, concedeu a nós, o povo da Inglaterra, quando primeiramente enviou a real pessoa de Sua Majestade para nos determinar e governar…”. Essa citação é apenas um exemplo do quanto as pessoas da era moderna tinham a consciência de que seus regentes e governantes eram instituídos por Deus.

Já registramos que as idéias democráticas adquiriram mais e mais influência na Europa e nos Estados Unidos a partir do século 18, e mais fortemente a partir da metade do século 19. Em 1776 os Estados Unidos foram fundados com uma constituição democrática, e em 1848 seguiu-se a fundação da Suíça moderna como federação sob o regime de Estado de Direito. A França tornou-se república em 1870, e outros países seguiram esses exemplos ou limitaram os poderes dos reis através de corretivos democráticos. A vitoriosa jornada da democracia continuou no século 20 e se espalhou até pelo Terceiro Mundo.

O elemento especial na fundação de Estados no século 19 foi a circunstância de que, a partir de 1820, um gigantesco avivamento espiritual varreu muitos países da Europa e perdurou por diversas décadas. Uma das conseqüências desse despertamento espiritual foi que os fundadores desses novos países concederam grande importância aos valores bíblicos no momento de elaborar suas leis. O temor a Deus e à Sua Palavra ainda era tão grande que se reconhecia a bênção que repousava sobre a obediência ao que Deus diz. E as leis eram formuladas com esse temor e esse respeito à Palavra de Deus. As autoridades segundo a Bíblia exerciam a devida influência no ordenamento jurídico dessas nações. Em outras palavras, mesmo que as instituições democráticas recebessem sua autoridade de baixo, a influência espiritual (do alto) era tão forte que os sistemas jurídico e legal eram vistos como sendo instituídos e regulamentados a partir do alto. Dentro dessa noção de autoridade, então, era evidente que se salientasse a obediência às autoridades como obrigação indispensável dos cidadãos. Por exemplo, Bismarck, pioneiro da fundação do Estado alemão e primeiro chanceler do Império Alemão, fundado em 1871, era tão rigoroso nesse quesito que se chegava a falar em “Estado autoritário”. Os reflexos dessa concepção de autoridade se mantiveram até o final da Segunda Guerra Mundial.

O abandono dessa noção de autoridade começou com o domínio nacional-socialista na Alemanha, o “Terceiro Reich”. Hitler e seus acólitos exploravam inescrupulosa e criminosamente a obediência às autoridades. O resultado foi que, depois do final da Segunda Guerra e da concomitante decadência do cristianismo nos países europeus, milhões de pessoas desenvolveram uma negação instintiva e uma desconfiança renitente a toda e qualquer autoridade. A Escola de Frankfurt – um grupo de filósofos como Max Horkheimer, Theodor Adorno, Jürgen Habermas ou Herbert Marcuse, inspirados principalmente por Marx, Hegel e Freud, – deu formato intelectual a essa desconfiança e a sistematizou na Teoria Crítica. O ideário e a apreciação desse grupo de filósofos marcaram profundamente o pensamento europeu dos últimos 60 anos. O movimento feminista, a educação anti-autoritária na Pedagogia, a resistência à autoridade do Estado como legítima manifestação política, o movimento estudantil de 1968: todos esses movimentos sociais tinham suas raízes na Teoria Crítica, como a Escola de Frankfurt também poderia ser chamada. Essa corrente de pensamento humanista e ateísta recebeu mais apoio a partir de meados de 1980 através do movimento da Nova Era, que vinha entremeada de um componente ocultista (“Desde que nasce, todo homem tem Deus dentro de si na forma de chama divina”).

Por conseqüência dessa influência ideológica, em poucas décadas as autoridades que o Novo Testamento considerava como legítimas foram sendo desmontadas e esvaziadas em todos os níveis da sociedade. O que até então era considerado pilar da sociedade transformou-se em alvo a ser atacado. Na mídia, nas escolas, na família, nas empresas e fábricas foi contínua a pregação contra uma estrutura social caracterizada por valores cristãos. Um maciço retrocesso do saudável temor a Deus e da convicção da responsabilidade individual, bem como uma enorme perda de força moral foram as conseqüências lógicas. Hoje os cinco entes detentores de autoridade segundo os ensinos bíblicos restaram apenas como meras sombras daquilo que representavam há sessenta anos, ou mais ainda há cem anos.

Mas os resultados dessa manipulação ideológica do pensamento europeu se espalharam como as ondas circulares formadas quando se lança uma pedra na água: as instituições democráticas do Pacto Social e os Direitos Fundamentais adquiriram uma dimensão totalmente nova.

• O Pacto Social: Manifestações em massa tornaram-se um fator muito influente na formatação da vontade popular. Na consciência da sociedade e de suas autoridades, aos poucos um dogma foi se estabelecendo: “O que centenas de milhares de pessoas pedem nas ruas não pode estar errado!”.

• Direitos Fundamentais: Pensados originalmente como proteção legítima diante do poder do Estado, a idéia de direitos fundamentais da era moderna foi se desenvolvendo cada vez mais no sentido de: “Eu tenho os meus direitos e ninguém manda em mim”.

Se acoplarmos esses dois “direitos” da era pós-cristã com as possibilidades de manipulação que a mídia disponibiliza através de filmes, televisão, internet, música, jornais e revistas, apenas podemos imaginar o tamanho e o poder das forças anti-divinas em ação nos corações dos homens contemporâneos.

Na consciência da sociedade e de suas autoridades, aos poucos um dogma foi se estabelecendo: “O que centenas de milhares de pessoas pedem nas ruas não pode estar errado!”.

Quem pensa que, como cristão com uma base bíblica sólida e uma doutrina saudável, está imune a esses modismos perniciosos, engana a si mesmo. Nossa geração de cristãos encontra-se na era de “Laodicéia” (veja Ap 3.14-22). Nas questões da vida prática, permitimos ser muito mais influenciados por esses processos do que gostaríamos de admitir. A geração de nossos pais e avós na fé talvez tivesse menos conhecimento do que nós, mas quando nos questionam, com a Bíblia na mão, acerca de nossa prática de vida, da nossa compreensão e de nossas convicções a respeito da obediência singela à Palavra de Deus, nos deixam constrangidos e envergonhados em muitas questões do discipulado cristão. Muitos cristãos pensam, por exemplo, que teriam certos “direitos” em relação à liderança da igreja e reagem muito irritados quando são chamados à atenção ou quando alguém ousa repreendê-los.

As já mencionadas forças ideológicas também se fizeram sentir concretamente no dia-a-dia da política. Observemos alguns movimentos sociais que se levantaram em nome da democracia e mudaram a face do nosso mundo:

• O movimento de 1968: os jovens rebeldes de 1968 não apenas causaram um grande choque na sociedade burguesa; muitos de seus expoentes lograram mesmo fazer a “longa marcha através das instituições”, galgando posições de influência, especialmente na educação e na política.

• A queda da Cortina de Ferro em 1989/1990: o final da divisão da Europa foi desencadeado pelas gigantescas levas de refugiados e pelas manifestações públicas de proporções incontroláveis.

• A Revolução Laranja da Ucrânia entre novembro de 2004 e janeiro de 2005: depois de eleições manipuladas no outono de 2004, milhares de ucranianos insatisfeitos foram às ruas e protestaram por tanto tempo que a eleição foi anulada e repetida, com a vitória do candidato da oposição, Viktor Yushchenko, à presidência do país.

Dois fatos nessa cronologia são preocupantes:

• Primeiro, chama a atenção o fato dos intervalos entre esses grandes eventos estar se reduzindo paulatinamente. O moderno espírito da democracia levou a distúrbios sociais cada vez maiores e mais freqüentes.

• Em segundo lugar, esses movimentos tentaram alcançar seus alvos fora dos canais legais do Estado. Basta uma grande multidão insatisfeita (muitas vezes com razão) para lançar as instituições do Estado em uma situação de grande desequilíbrio. Não raro, as massas de manifestantes estavam e estão sendo influenciadas por fatores irracionais e acabam gerando a violência. Em 23 de março de 2011, o jornal Neue Zürcher Zeitung (de Zurique, Suíça) publicou um artigo sobre as reviravoltas no mundo árabe com o título: “No ritmo da revolução: rap, rock e pop fornecem uma espécie de música de fundo para as transformações políticas nos países árabes”. O prognóstico dos céticos da democracia no século 19, que pensavam que a democracia escancararia as portas para a influência manipulativa das massas, provou-se mais do que acertado.

Os acontecimentos recentes na Grécia fornecem uma verdadeira aula do que é possível sob essas condições ideológicas. Em nome do “Pacto Social” (a União Européia) um Estado democrático foi destituído de sua soberania. A dependência financeira da Grécia com a União Européia era tão grande que o Parlamento grego só conseguiu baixar a cabeça concordando com as propostas de austeridade fiscal. Um “não” teria significado a falência da Grécia. O povo grego – segundo as regras democráticas, o comitente do governo nacional – só pode ficar assistindo, impotente, à interdição de seu país. Manifestações e protestos foram a conseqüência óbvia. Tudo isso aconteceu na Grécia, o berço da Democracia.

O desmonte efetivo do Estado nacional grego foi apenas o começo desse processo em nível internacional. Aproxima-se o momento em que dez delegações políticas com competência global transferirão o poder que lhes foi delegado a um homem brilhante, com extraordinário carisma e capacitação impressionante para que, finalmente, resolva os problemas da humanidade (veja Ap 17.12-13). Esse será o momento de largada para a etapa final de um caminho que a própria humanidade caída elegeu em nome da “liberdade” e da “democracia”.

Ao encerrarmos aqui essa retrospectiva histórica, constatamos que os fatos reais básicos da sociedade foram completamente invertidos num prazo de apenas 250 anos. Especialmente depois do final da Segunda Guerra Mundial o princípio marcadamente cristão da “autoridade de cima” foi substituído pelo conceito democrático de autoridade, que é “de baixo”. Os atuais detentores de autoridade encontram-se embaixo, os valores apresentados às massas geralmente também vêm “de baixo”. Devido à erosão dos valores cristãos, a autoridade “de cima” tem pouco poder para se impor. Quando as autoridades defendem valores claramente cristãos, são massivamente atacadas na mídia e na política (por exemplo: o político católico Rocco Buttiglione, que em 2004 condenou a homossexualidade por considerá-la contra a Criação. Por causa dessa declaração, não conseguiu tomar posse em seu cargo na Comissão da União Européia). Uma mudança nessa tendência não está à vista. Seria muita ingenuidade acreditar que a forma de organização democrática de muitos países representaria uma proteção eficaz contra os enganos dos tempos finais. Quem avalia realisticamente o desenvolvimento espiritual do mundo ocidental, especialmente da Europa, não pode esperar por uma reviravolta. Por isso, impõe-se a pergunta: O que nos espera?

Abandonando as ilusões: pessoas que se posicionam do lado de Jesus Cristo como Deus, que se firmam na Bíblia como Palavra de Deus e são a favor do verdadeiro significado da uma obediência singela a essa Palavra, enfrentarão tempos cada vez mais difíceis. Wim Malgo, fundador da Chamada da Meia-Noite, já dizia na década de 1960 que a Europa se transformaria em uma região onde a vida seria difícil para os verdadeiros seguidores de Jesus. As décadas transcorridas desde então só validaram seu prognóstico em todas as áreas. Como estamos nos equipando para os desafios que esperam por nós?

Enfrentando os desafios da nossa época

O próprio Senhor Jesus dá três conselhos à geração-“Laodicéia”, que é a nossa. Se obedecermos a esses conselhos não falharemos como cristão nem seremos envergonhados diante do Senhor:

• “Aconselho-te que de mim compres… colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas” (Ap 3.18). Essa é uma exortação a uma auto-avaliação sóbria e consciente. Precisamos ficar de olhos bem abertos. Se medirmos honestamente nossa vida prática segundo os parâmetros da sagrada Palavra de Deus, constataremos que somos muito mais débeis espiritualmente do que nossa percepção nos sugere. Essa clareza na auto-avaliação é dolorida, mas nos livra da ilusão acerca de nós mesmos, marca tão característica de Laodicéia (Ap 3.17).

• “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres” (Ap 3.18). O fogo é um símbolo da provação que purifica, cristaliza e aglutina aquilo que é precioso. Ser fiel ao Senhor e à Sua Palavra nos proporcionará sofrimento em uma época cada vez mais anticristã. Para um crente sincero e comprometido, esse fogo terá apenas o efeito de purificá-lo mais e mais e de aumentar o tesouro de sua fé.

• “Aconselho-te que compres de mim… vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez” (Ap 3.18). Depois que já recebemos as vestes de justiça pela fé no Senhor Jesus Cristo como dom da graça de Deus, comprar vestiduras brancas significa uma exortação à obediência prática e ao afastamento do mundanismo, tão típico da era de Laodicéia.

Assim, além desses corretivos evidentes na Palavra de Deus para nossa época, devemos nos preocupar com as pessoas ao nosso redor que ainda não conhecem a Jesus como Salvador, levando-lhes, com muito amor, o Evangelho claro e autêntico. Quanto mais nos rejeitarem por causa de Jesus, mais mansamente devemos reagir. Nossa geração tem a possibilidade de aprender de uma maneira toda nova o que significa “seguir o Cordeiro por onde quer que vá”, como fazia o grupo mencionado em Apocalipse 14.4. Somos seguidores do Cordeiro. Ele nos guia, Ele é nossa autoridade. Isso nos coloca em descompasso com nossa época. Mas, coloca-nos também em um contexto de bênção, permitindo-nos usufruir privilégios que o mundo desconhece. (Peter Bertschinger – Chamada.com.br)

O Que o Apóstolo aos Gentios tem a nos Dizer Sobre Israel

O Que o Apóstolo aos Gentios tem a nos Dizer Sobre Israel

Norbert Lieth

Justamente Paulo, o apóstolo aos gentios (Gl 2.7-8), que também se designa “mestre dos gentios” (1 Tm 2.7; 2 Tm 1.11), é quem, na Carta aos Romanos, explana a posição básica de Israel nos planos de Deus.

Martim Lutero chamava a Carta aos Romanos de “a peça mais importante do Novo Testamento”.

Nessa carta o apóstolo Paulo proclama o maravilhoso plano da salvação onde o Deus justo justifica pecadores. A carta revela como o homem torna-se justo não por meio das obras da Lei, mas através do sacrifício de Jesus e mostra como a obra de Jesus Cristo traz mais glória a Deus e concede aos homens uma bênção maior do que aquilo que perderam pelo pecado de Adão. Também mostra como a graça possibilita uma vida santificada, jamais possível debaixo da Lei.

A Carta aos Romanos é o fundamento neotestamentário da nossa fé, e é justamente nesse texto que Paulo fala exaustivamente sobre Israel. Nos capítulos 9-11, em um trecho especial, ele explica a ação divina, os desígnios de Deus para Israel e com as nações. E no meio de suas palavras acerca da não-rejeição de Israel, o apóstolo sublinha em Romanos 11.13: “Dirijo-me a vós outros, que sois gentios! Visto, pois, que eu sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério”.

Em um quinto da Carta aos Romanos, o apóstolo testifica às nações (gentios) que Israel foi eleito de forma permanente.

Nenhum apóstolo aos judeus (como Pedro) proclamou dessa forma a posição de Israel nos planos de Deus como fez Paulo, o apóstolo aos gentios. É como se ele quisesse gravar essa realidade muito profundamente nas mentes dos gentios, de quem é apóstolo e mestre. Em lugar algum Paulo afirma que as promessas do Antigo Testamento feitas a Israel foram transferidas à Igreja.

Por isso deveríamos nos envergonhar de termos perdido de vista, no decorrer dos séculos, a doutrina paulina acerca de Israel. Nós, cristãos evangélicos, enaltecemos as profundas verdades da Carta de Paulo aos Romanos, mas parece que estamos esquecendo o que ele diz sobre Israel nos capítulos 9-11.

Paulo apresenta diversos argumentos, especialmente em Romanos 11, provando que Deus não desistiu de Seu povo. O que chama a atenção em sua argumentação é o empenho do apóstolo insistindo e sublinhando que Israel não foi rejeitado para sempre.

Primeiro argumento
“Terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? De modo nenhum! Porque eu também sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu…” (Rm 11.1-2).

A pequena expressão “de modo nenhum!” exprime, em grego, que é espantoso sequer admitir essa possibilidade.

Paulo repete essa exclamação por dez vezes na Carta aos Romanos, inclusive em relação a temas bem diferentes. Se quisermos questionar o “de modo nenhum!” em relação a Israel, teríamos de questionar igualmente seu uso em relação a outros assuntos, como em Romanos 6.15: “E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!”.

E Paulo usa a si mesmo como argumento. Ele é judeu, da tribo de Benjamim. Se todo o Israel tivesse sido rejeitado para sempre, ele próprio não poderia ter chegado à fé no Messias.

Paulo ressalva, sim, que alguns israelitas foram endurecidos (Rm 11.7) e que alguns galhos foram arrancados da oliveira boa chamada Israel (Jr 11.16) por causa de sua incredulidade (Rm 11.20), mas que isso tem uma finalidade específica dentro do Plano de Salvação de Deus para com as nações. E mesmo neste tempo da Igreja, “também agora, no tempo de hoje”, Deus preservou um remanescente (Rm 11.5). Em outra ocasião, Paulo chama esse remanescente crente de “Israel de Deus” (Gl 6.16).

Segundo argumento
Já em Romanos 11.1 Paulo diz que Israel não tropeçou para que caísse nem para ficar caído e ser excluído completamente, sem restauração. “De modo nenhum!” também neste caso. O sentido mais profundo do tropeço de Israel é que, assim, os gentios foram salvos.

“Pergunto, pois: porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes” (Rm 11.11).

Terceiro argumento
O apóstolo segue com a explicação de que Deus não rejeitou Israel.

Paulo menciona já em Romanos 3.3 o relevante fato de que a incredulidade de Israel não anula a fidelidade de Deus. Deus não retribui o mal com o mal.

“E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma!…” (Rm 3.3-4). E em Romanos 11 ele enfatiza: “Ora, se a transgressão deles redundou em riqueza para o mundo, e o seu abatimento, em riqueza para os gentios, quanto mais a sua plenitude!” (Rm 11.12).

No versículo 15 o apóstolo repete mais uma vez: “Porque, se o fato de terem sido eles rejeitados trouxe reconciliação ao mundo, que será o seu restabelecimento, senão vida dentre os mortos?” (Rm 11.15).

– Tão certamente como veio a queda temporária de Israel, tão garantida está sua restauração e sua plenitude futura.

– Tão concretamente como houve uma rejeição temporária, tão assegurada está sua renovada aceitação.

Paulo, como nenhum outro, viu entre as nações o fruto advindo da queda de Israel na pessoa dos gentios salvos. Profeticamente ele já antevia toda a bênção que viria sobre as nações, no futuro Milênio de Deus sobre a terra, através da restauração espiritual de Israel.

Quarto argumento
Paulo não cessa de argumentar e continua explicando: “E, se forem santas as primícias da massa, igualmente o será a sua totalidade; se for santa a raiz, também os ramos o serão” (Rm 11.16).

“As primícias” devem ser entendidas como o Israel dos primeiros dias, o tempo dos patriarcas, bem como o Israel que surgiu no Egito, que Deus elegeu para Si e separou dizendo: “…vós me sereis… nação santa” (Êx 19.6).

Isso significa que se Israel foi santo no passado também será santo no futuro (separado para Deus).

A mesma coisa é expressa com a analogia dos ramos e da raiz, mostrando que houve um começo abençoado com Israel e que haverá um final abençoado, em santidade.

Zacarias fala da santidade futura de Israel, no reino messiânico divino sobre a terra: “Naquele dia, será gravado nas campainhas dos cavalos: Santo ao Senhor…” (Zc 14.20).

Quinto argumento
Paulo traz o exemplo da oliveira. Ramos judeus foram, sim, arrancados da oliveira boa chamada Israel por causa de sua incredulidade, mas os gentios que se tornaram crentes seriam enxertados como ramos bravos na oliveira boa. Isso não significa que as nações se tornaram Israel, mas que agora compartilham da mesma raiz com Israel (veja Ef 2.19; Ef 3.6). Paulo anuncia ainda que, mais tarde, Deus voltará a enxertar, como ramos naturais, os israelitas que se tornarem crentes (Rm 11.17-24).

A oliveira tem relação com os pais de Israel (os patriarcas), de quem se formou a futura nação de Israel.

Quando nós, como nações, somos enxertados na oliveira, ou seja, na fé de Abraão, somos aparentados com Israel (v.19). Em Romanos 4.16 Paulo diz que Abraão é “pai de todos nós”.

A igreja em Roma era formada por crentes judeus e gentios, mas os cristãos gentios se elevavam acima dos judeus. Por isso, Paulo os admoestou:

– “…sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz, a ti” (Rm 11.18). A salvação vem dos judeus (Jo 4.22). Abraão, Isaque e Jacó são a fonte da bênção para os gentios.

– “Não te ensoberbeças, mas teme” (Rm 11.20).

– Se não, poderia acontecer que Deus não poupará também a ti (Rm 11.21-22).

Mas no decorrer dos séculos esses alertas foram levados pelo vento, e ao invés de atentar às exortações de Paulo, a Teologia da Substituição foi ganhando terreno e Israel foi sendo rejeitado pelos cristãos.

Por essa razão, no fim dos tempos o cristianismo nominal será rejeitado pelo Senhor e o cristianismo institucionalizado sucumbirá diante do império anticristão. A Igreja verdadeira será arrebatada e todo o Israel será salvo e, assim, enxertado outra vez. Desse modo, a declaração de Paulo também é um alerta profético (Rm 11.21).

Sexto argumento
Posteriormente Paulo menciona que Israel continua sendo “amado” por causa dos patriarcas e que “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.28-29). Com essas palavras Paulo está se referindo à aliança abraâmica, uma aliança unilateral e indissolúvel.

Sétimo argumento
Finalmente, Paulo descortina um mistério (Rm 11.25-27), ou seja, que veio endurecimento em parte a Israel até que haja entrado a plenitude dos gentios no Corpo espiritual de Cristo. Depois disso todo o Israel será salvo; não apenas parte dele, como hoje (v.5). Portanto, a rejeição de Israel vai durar um período de tempo limitado e jamais foi definitiva.

Depois que o Corpo da Igreja, formada por judeus e gentios, unir-se ao Cabeça (Cristo) por ocasião do Arrebatamento, o Senhor voltará em glória para Sião, para salvar todo o Israel (Ap 14.1; Is 59.20; Ez 36.33; Sl 14.7).

No final, Deus voltará Sua misericórdia para os judeus da mesma forma que a demonstrou pelos cristãos gentios.

– Nós não críamos e experimentamos misericórdia.

– Eles não crêem agora mas experimentarão a misericórdia futura. Deus usará de misericórdia para com todos (Rm 11.30-32).

Paulo só consegue louvar e adorar diante dessa revelação e diante da sabedoria divina em lidar com Israel e com as nações.

Deus usa até a falha de Israel para transformá-la em bênção, o que conduz o apóstolo à adoração que encerra esse trecho de suas explanações: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro: Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.33-36). (Norbert Lieth – Beth-Shalom.com.br)