Monthly Archives: abril 2015

Descobrindo Nossas Raízes Bíblicas no Israel Moderno

Descobrindo Nossas Raízes Bíblicas no Israel Moderno

Charles Dyer

Israel é um país totalmente moderno com importantes cidades, auto-estradas avançadas e trânsito intenso. Mas será que os pitorescos sítios e costumes antigos dos tempos da Bíblia desapareceram em meio a toda essa expansão urbana? Felizmente, a resposta é não.

Embora algumas vistas tenham desaparecido, muitas permanecem. E aqueles que visitam Israel agora realmente têm a oportunidade de se conectar a suas raízes bíblicas de maneiras que não eram possíveis algumas décadas atrás.

Venho observando Israel se desenvolver e mudar nesses 30 anos que tenho viajado para lá, e em alguns lugares o progresso resultou na perda daqueles “Momentos Kodak”, que ajudaram a ilustrar a Bíblia. Ainda suspiro quando dirijo meu carro por uma cidade moderna que agora cobre a encosta da colina em que uma caverna natural serviu como aprisco que ajudou a trazer João 10 à vida. Todavia, para cada local que desapareceu, novos sítios foram descobertos.

Na verdade, agora é o melhor momento para aqueles que estão buscando suas raízes bíblicas viajarem para Israel. E eu digo isso por causa de três razões práticas.

1. Aumento na Disponibilidade dos Sítios

Minhas primeiras visitas a Israel foram com grupos de estudantes. Visitamos os sítios não acessíveis à maioria dos turistas. Naqueles dias, visitar o monte Arbel significava dirigir o carro ao longo de uma estrada não-pavimentada através de uma comunidade judaica de fazendas e depois pegar carona por alguns quilômetros, subindo por um caminho de terra. Hoje, o sítio é um parque nacional. A estrada é pavimentada e a caminhada é de menos que um quilômetro. Como resultado, mais pessoas podem desfrutar daquela inesquecível vista do Mar da Galiléia.

Umas poucas décadas atrás, visitar Beth-Shean significava dirigir seu carro até as ruínas do teatro romano e olhar atentamente sobre um campo gramado até a colina onde naquela época ficava a cidade do Antigo Testamento. Hoje, os turistas caminham do teatro em direção à colina por uma antiga rua romana, visitam o complexo de banhos e ficam ao lado das colunas que tombaram em um forte terremoto que destruiu aquela que havia sido uma grande cidade. Beth-Shean é a Pompéia de Israel, e as ruínas (ainda sendo descobertas) são fascinantes.

Atualmente, os que visitam as Colinas de Golan podem dirigir seu carro até o monte Bental, uma cratera vulcânica extinta que abriga uma base desativada do exército israelense. O sítio, aberto ao público apenas alguns anos atrás, proporciona uma vista sem paralelos do monte Hermon e da Síria – e ajuda os visitantes a realmente entender o significado geográfico das Colinas de Golan.

A própria Jerusalém possui mais sítios disponíveis ao público. Depois que Israel reunificou a cidade, em 1967, os arqueólogos finalmente tiveram a oportunidade de fazerem amplas escavações ali. O que eles descobriram é simplesmente espetacular. Agora pode-se visitar a escadaria que antigamente levava ao monte do Templo, pode-se caminhar pela rua que se estendia desde o Templo até o tanque de Siloé, ou passar pelo sinuoso túnel cananeu que desviava a água da fonte de Gihon para o vale do Cedrom – muito possivelmente a “passagem de água” que Joabe atravessou para capturar a cidade para Davi (2Sm 5.8).

A listagem dos novos sítios por todo o Israel é impressionante, e continua a crescer: o túnel de água em Berseba; o complexo do portão e o lugar alto em Tel Dan; o tanque de Siloé, do século I, em Jerusalém. Estes são todos adições relativamente recentes à crescente lista de lugares abertos a turistas. E vale a pena visitar todos!

2. O Aumento da Acessibilidade dos Sítios

Os sítios bíblicos não são apenas mais numerosos; eles são também mais acessíveis. Minha primeira visita às Cavernas de Bell em Beit Guvrin foi um passeio de ônibus subindo por uma estrada empoeirada, seguida por uma ardorosa subida a um aterro elevado. E o que dizer de banheiros? “Homens à direita e mulheres à esquerda”. Atualmente, o sítio é um parque nacional, e uma estrada pavimentada leva a caminhos bem marcados e a modernos banheiros.

Beth-Shean.

A Reserva Natural de Tel Dan é uma porção incrível de Israel, que surpreende a maioria dos visitantes com suas correntezas de água e sua abundante vegetação. Uma visita em tempos passados exigia a agilidade de um cabrito montês, mas atualmente um caminho de madeira, com corrimãos, torna pelo menos parte do sítio acessível aos que têm menor facilidade de locomoção.

A terra de Israel é montanhosa e rochosa, e muitos sítios ainda se apresentam como desafios. Mas Israel está fazendo muito para tornar aqueles locais mais adequados ao usuário. Lugares como Massada estão se tornando mais acessíveis a pessoas em cadeiras de roda, e mesmo o jardim do Sepulcro agora possui rampas para cadeiras de roda. Visitantes com dificuldades de locomoção agora têm maior acesso aos sítios do que em qualquer tempo no passado.

3. Aumento de Visualização

Disponibilidade e acessibilidade são importantes. Mas ser capaz de chegar a um sítio não quer dizer necessariamente que os visitantes entenderão seu significado bíblico. Lembro-me de incontáveis vezes em que as pessoas traziam-me suas fotos de Israel e perguntavam: “O que eu estou vendo aqui?”.

Durante décadas, o melhor instrumento para se entender Jerusalém nos tempos de Jesus era a maquete de Jerusalém no Hotel Holy Land. A maquete agora foi transferida para o Museu de Israel. E a melhor notícia é que isto está sendo acrescentado a uma série de outros esforços para se visualizarem sítios e descobertas em todo aquele território. Na verdade, uma das maiores mudanças que ocorreram em Israel nos últimos anos foi a adição de sinalização, maquetes, filmes e outras experiências de imersão para ajudar os visitantes a visualizar os sítios e perceber sua significação bíblica e histórica.

Essa nova sinalização e maquetes estão ajudando a trazer muitos sítios à vida. Em alguns locais, como Megido, o melhoramento é tão simples quanto uma escultura de um cavalo próximo a uma manjedoura de pedra. Em outros sítios, pode ser a adição de um versículo bíblico, como aquele no lugar alto em Tel Dan recontando a construção de um templo que Jeroboão ergueu ali.

As mudanças de alta tecnologia atraem a geração mais jovem. O vídeo perto da entrada da escadaria do Templo em Jerusalém ajuda a visualizar a grandiosidade do Templo de Herodes. O filme 3-D na Cidade de Davi conta a história de Jerusalém de uma maneira biblicamente acurada e visualmente atraente. E o novo filme em Cesaréia capacita os visitantes a traçar a história do sítio desde Herodes o Grande até os dias de hoje.

Talvez o impacto mais importante sobre os visitantes atualmente esteja acontecendo nas experiências de imersão que agora fazem parte de tantas viagens a Israel. O velho passeio de barco pelo Mar da Galiléia em barcos brancos foi substituído por réplicas maiores de barcos do tempo de Jesus – que se completa com demonstrações de como atirar uma rede de pesca ao mar.

Passar algumas horas no Vilarejo de Nazaré é uma viagem de volta aos dias de Cristo. Pode-se ver um agricultor arar a terra, plantar e colher; pode-se ver um pastor cuidando de seu rebanho; pode-se visitar a oficina de um carpinteiro do primeiro século; olhar dentro de uma cisterna; ou observar a fraca luz produzida por uma lamparina do primeiro século.

Estas são experiências viscerais que fazem com que as imagens e ilustrações da Bíblia se tornem verdadeiras. Da mesma maneira, o imaginário agrícola do Antigo Testamento assume novo significado depois que se caminha pela Biblical Landscape Reserve [Reserva da Paisagem Bíblica] em Neot Kedumim. Então você entende o que a Bíblia quer dizer quando fala que o sábio Rei Salomão: “Descreveu as plantas, desde o cedro do Líbano até o hissopo que brota nos muros” (1Rs 4.33).

Será que os que visitam Israel atualmente ainda conseguem descobrir suas raízes bíblicas? A resposta é um sonoro sim. Hoje, mais do que nunca, os locais descritos na Bíblia aguardam sua chegada. Mas certifique-se de se preparar bem antes de ir. Leia sobre os locais que você irá visitar. Leve consigo uma boa câmera digital e cartões de memória adicionais. E esteja preparado para que seu conhecimento bíblico aumente exponencialmente à medida que você encontra a terra na qual tudo aconteceu. (Charles Dyer – Israel My GloryBeth-Shalom.com.br)

A Fidelidade de Deus a Israel

A Fidelidade de Deus a Israel

Mark Hitchcock

“Você jamais entenderá a fidelidade de Deus se sempre examinar os efeitos em curto prazo” (Paul S. Rees).

Depois da destruição do Segundo Templo judeu, no ano 70 d.C., um grupo de rabinos acompanhou o rabi Akiva até Jerusalém. Quando chegaram ao monte Scopus e puderam ver o local do Templo, eles rasgaram suas vestes. Ao chegaram ao monte do Templo, viram uma raposa fugir em disparada do lugar onde tinha sido o Santo dos Santos dentro do Templo Sagrado. Os outros rabinos começaram a chorar, mas rabi Akiva riu.

“Akiva”, disseram a ele, “você sempre nos surpreende. Nós estamos chorando e você ri?”.

Mas rabi Akiva perguntou “E por que vocês estão chorando?”.

Os rabinos responderam: “O quê? E não deveríamos chorar? O lugar sobre o qual as Escrituras afirmam: “o estranho que se aproximar morrerá” (Nm 1.51), tornou-se um covil de raposas. De fato, este é o cumprimento do versículo: “Pelo monte Sião, que está assolado, andam as raposas” (Lm 5.18)”.

“É exatamente por isso que estou rindo”, respondeu Akiva. “Pois, assim como vimos as profecias sobre a destruição de Jerusalém se cumprirem, também sabemos que as profecias sobre a futura consolação serão cumpridas. Eu ri porque me lembrei dos versículos: ‘Ainda nas praças de Jerusalém sentar-se-ão velhos e velhas, levando cada um na mão o seu arrimo, por causa de sua muita idade’ (Zc 8.4) e ‘As praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão’ (Zc 8.5). O Santo, bendito seja Ele, declarou que, assim como as primeiras profecias se cumpriram, também acontecerá com as últimas. Estou alegre porque as primeiras já aconteceram, pois as últimas se cumprirão no futuro”.

As praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão (Zc 8.5).

O rabi Akiva estava absolutamente certo. Deus é fiel. Ele é fiel a Suas promessas e a Seu povo. Mas, devemos nos lembrar de que a fidelidade de Deus é como uma faca de dois gumes. Freqüentemente pensamos nela apenas em termos de confiança e bênçãos. Mas Ele também é fiel em realizar Suas ameaças e maldições. Israel tem sido o recipiente da fidelidade de Deus em ambas as áreas.

Como as pessoas, durante toda a história, têm testemunhado a aflição do povo judeu, sua deportação, e até mesmo sua quase destruição, são tentadas a dizer que Deus se esqueceu de Seu antigo povo e o deixou de lado. Mas nada poderia estar mais errado.

Deus tem sido inabalavelmente fiel à Sua aliança. Por meio de Moisés, Ele falou aos israelitas o que aconteceria se eles Lhe obedecessem e o que aconteceria se eles Lhe desobedecessem. Deuteronômio 28 explica claramente as bênçãos e as maldições da aliança. O fato de que Deus é fiel no cumprimento das maldições na verdade prova que Ele será igualmente fiel em proporcionar-lhes Suas bênçãos.

Assim como as maldições eram literais, as bênçãos são literais. O fato de Israel ter sido espalhado foi literal e assim também é o reajuntamento de Israel. No livro mais escuro da Bíblia, Lamentações, a cidade de Jerusalém e o Templo de Salomão estão em ruínas. Em meio à devastação, o profeta Jeremias, como o rabi Akiva, viu um raio de esperança:“pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias” (Lm 3.32).

Mesmo em tempos de severa disciplina, Deus tem preservado fielmente o Seu povo. Você já notou que todas as vezes que alguém tentou exterminar o povo judeu, este acabou tendo uma festa comemorativa? Faraó tentou, e eles receberam a Páscoa. O tiro de Hamã saiu pela culatra e eles ganharam o Purim. A ira de Antíoco IV no Período Intertestamentário resultou na Festa das Luzes, geralmente chamada de Hanukkah. E o ódio de Hitler levou ao 14 de maio de 1948, a fundação do moderno Estado de Israel.

A cada guinada e reviravolta, Deus tem sido fiel a Israel. A despeito das inúmeras deportações, sendo que a última durou 1.900 anos, para 70 nações, o povo judeu permaneceu distinto. No final do século XIX, até mesmo a língua hebraica foi reavivada e restaurada. A formação do moderno Israel, contra todas as probabilidades, freqüentemente denominada de “O Milagre do Mediterrâneo”, pode ser o maior milagre do século XX.

Randall Price, arqueólogo e presidente dos World of the Bible Ministries [Ministérios do Mundo Bíblico], escreveu:

O fato da continuidade do povo judeu é ainda mais notável à luz do testemunho da história sobre exílio e o retorno do exílio. Em toda a história humana houve menos de dez deportações de um grupo de pessoas de sua terra natal. Esses grupos de pessoas desapareceram na história porque foram assimilados pelas nações para as quais foram exilados. Contudo, o povo judeu não experimentou simplesmente um único exílio, mas múltiplos exílios. (…) O contraste com outros exílios históricos não deve ser negligenciado. Enquanto outros grupos de pessoas foram exilados para um país, os judeus foram dispersos entre muitos países diferentes, e, de fato, foram espalhados por todas as partes da terra. (…) Sobretudo, o povo judeu é o único povo que retornou em massa à sua antiga terra natal e que restaurou sua independência nacional, estabelecendo seu Estado anterior. (…) Qualquer um desses fatos sobre a sobrevivência de Israel seria notável, mas, tomados juntos, são um verdadeiro milagre.[1]

O mesmo Deus que fez Suas promessas a Israel e as cumpriu fielmente, manterá Sua Palavra a todos nós que confiamos nEle para nos salvar e nos levar até o fim (Fp 1.6).

O estabelecimento do Israel moderno é impressionante em si mesmo, mas o fato de que o país está sobrevivendo e florescendo há 65 anos em meio a um mar de inimigos é testemunho adicional da fidelidade de Deus à Sua promessa: “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.4).Nesses eventos, Deus está estabelecendo o palco para os acontecimentos dos tempos do fim e para a restauração final do Seu povo à Terra Prometida.

Todo visitante a Israel que chega de avião entra no país do mesmo jeito: através do controle de passaportes no Aeroporto Internacional Ben Gurion em Tel Aviv. Assim que passa por esse controle e está para sair do aeroporto, você é saudado por uma enorme e colorida tapeçaria, que o recebe no país, dando-lhe boas-vindas. Milhões de pessoas têm ido e vindo por esse aeroporto, mas provavelmente a maioria nunca notou aquele grande sinal de “boas-vindas”. Nessa tapeçaria estão representadas milhares de pessoas movendo-se continuamente através das portas da cidade de Jerusalém. Nela está escrito, em hebraico, um texto profético do livro de Jeremias, que fala sobre a reunião dos exilados: “Há esperança para o teu futuro, diz o Senhor, porque teus filhos voltarão para os seus territórios” (Jr 31.17).

Se os imigrantes judeus recentemente chegados conseguem ou não ler as palavras, ainda assim a lição é entendida, pois aqueles que estão voltando para casa são parte do propósito presente de Deus em reunir o Seu povo em fidelidade ao cumprimento de Sua antiga promessa.[2]

Alguém pode perguntar por que é tão significativo para os cristãos hoje que Deus seja fiel a Israel. A razão é simples e sublime. Se Deus foi e é fiel a Israel, então podemos ter a firme confiança de que Ele será fiel a todos os que confiam em Seu Filho. O mesmo Deus que fez Suas promessas a Israel e as cumpriu fielmente, manterá Sua Palavra a todos nós que confiamos nEle para nos salvar e nos levar até o fim (Fp 1.6).

O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1Ts 5.23-24). (Mark Hitchcock — Israel My Glory— Beth-Shalom.com.br)

Mark Hitchcock é um destacado especialista em profecias bíblicas, autor prolífico e pastor-titular da Faith Bible Church (Igreja Bíblica da Fé) em Edmond, Oklahoma (EUA).

Quando Deus Parece Calado


Quando Deus Parece Calado

Paul Golden

“Atenda, atenda!”, você grita ao telefone enquanto a pessoa que você ama está caída inconsciente no chão. Você já ligou freneticamente para a emergência. O telefone chama e chama, mas ninguém responde. “Quanto tempo, Deus, quanto tempo vai demorar até que eles respondam à minha chamada?” Nada.

Imagine seu desespero. Segundos transformam-se em minutos, mas ainda não há nenhuma resposta do atendente da emergência. Você está clamando por socorro, mas recebe apenas silêncio em troca.

Você já clamou a Deus e não recebeu nenhuma resposta? Você já se sentiu como se Deus estivesse surdo para você? O rei Davi de Israel sentiu-se assim. No Salmo 13, Davi registrou sua intensa frustração com o silêncio de Deus durante um tempo de profunda necessidade. Ali ele nos deu o exemplo de oração para seguirmos quando nos sentirmos como ele se sentiu.

É interessante que Davi não nos fornece os motivos específicos de seu chamado de emergência a Deus. Portanto, não sabemos se foi causado por enfermidade ou outra forma de dificuldade. O que sabemos é que a falta de reposta de Deus foi agonizante. Um escritor comentou: “O próprio tempo se torna uma força destrutiva, esgotando a capacidade do homem de se suster e intensificando o sofrimento em um nível desumano”.[1]

O Lamento

O Salmo 13 é um lamento individual, “um gênero de salmo no qual o falante do poema define uma crise e invoca a Deus para pedir por socorro”.[2] Ele “termina com uma nota de esperança e confiança”.[3] Davi colocava sua confiança em Deus com respeito ao seu pedido, e o salmo enfatiza, cândida e sinceramente, a reação tripla de Davi à falta de resposta de Deus. Primeiro, Davi revelou seu problema – que passara a ser a falta de resposta do próprio Deus.

Até quando, Senhor? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo?” (Sl 13.1-2).

Davi se sentia ignorado e esquecido por Deus – alienado, sozinho com seus pensamentos.

Davi implorou a Deus quatro vezes, perguntando: “Até quando?” Você pode perceber a intensidade da emoção nas perguntas retóricas de Davi. Ele se sentia ignorado e esquecido por Deus – alienado, sozinho com seus pensamentos. Como aquele que chama a emergência. Davi estava profundamente angustiado.

Ele, então, verbalizou seu tumulto interior à medida que lutava com seu problema que parecia não terminar e que o cercava por todos os lados. As emoções francas de Davi podem ser desconfortáveis para alguns leitores. Entretanto, como observaram Kenneth Baker e Waylon Bailey:

Deus é amigo do que duvida honestamente, que ousa conversar com Ele em vez de falar sobre Ele. A oração que inclui um elemento de questionamento a Deus pode ser um meio de aumentar a fé daquela pessoa nEle. Expressar dúvidas e clamar sobre situações injustas no universo mostram a confiança que a pessoa tem em Deus de que Ele deveria ter uma resposta para os problemas insolúveis da sociedade.[4]

Quando você se defrontar com suas próprias frustrações com Deus, confie nEle – como Davi – expressando sua luta e angústia.

A Petição

Davi, então, faz uma transição: de questionar a Deus para orar a Deus. Ele faz sua petição a Deus, pedindo por uma resposta:

Atenta para mim, responde-me, Senhor, Deus meu! Ilumina-me os olhos, para que eu não durma o sono da morte; para que não diga o meu inimigo: Prevaleci contra ele; e não se regozijem os meus adversários, vindo eu a vacilar” (Sl 13.3-4).

O salmista usou uma oração com três partes (atente, responda, ilumine) para implorar a Deus. Ele buscou uma resposta, preferivelmente a resposta positiva das bênçãos e do favor de Deus. Depois, Davi apelou a Deus e a Sua reputação (v.4). Um comentarista escreveu o seguinte: “Antes que venham mais problemas, e antes que os ímpios tenham motivo para se regozijar por causa da derrota dos justos, Deus deve agir para proteger Sua honra”.[5] Davi implorou a Deus, dizendo essencialmente: “Por favor, dá-me motivos para me alegrar. Ou, pelo menos, não dês aos meus inimigos (e aos Teus inimigos) motivos para se alegrarem”. Como Davi, devemos orar a Deus em meio às circunstâncias difíceis e pedir que Ele nos responda.

O Louvor

Depois que Davi expressou seu problema e orou, ele louvou a Deus por Sua bondade e pelas bênçãos passadas:

No tocante a mim, confio na tua graça; regozije-se o meu coração na tua salvação. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem” (Sl 13.4-5).

Que grande contraste entre o apelo emocionado de Davi a Deus no início (vv.1-2) comparado com estes versículos tranqüilos de confiança. Davi verbalizou sua escolha intencional de confiar em Deus a despeito de suas circunstâncias difíceis. Ele expressou sua confiança no amor do Senhor, um amor que não falha – resolvendo se regozijar e cantar ao Senhor porque Ele “me tem feito muito bem”.

“A esperança desespera, todavia, o desespero dá esperança”. Martim Lutero

Foi dito a respeito de Davi: “Embora ele tenha passado por profundo desespero, o salmista não desiste. (…) Ele se apegou à promessa da aliança de amor de Deus”.[6] Davi não estava arrasado pelos seus problemas; em sua situação desafiadora, ele disse: “Confio”. Martim Lutero certa vez declarou: “A esperança desespera, todavia, o desespero dá esperança”.

É interessante que todos os salmos de lamentação (com exceção do Salmo 88) terminam com louvor a Deus pela libertação e fidelidade mostradas no passado.[8] Claus Westermann descreveu o final da situação de Davi: “Aquele que lamenta seus sofrimentos a Deus não permanece em seu lamento”.[9] Davi decididamente colocou sua confiança no cuidado soberano de Deus, a despeito da falta de resposta de Deus. Ele determinou que poria sua confiança naquilo que ele sabia que era verdade sobre o caráter e a fidelidade de Deus em vez de ceder aos seus sentimentos de desânimo e desilusão.

O Dr. Mark McGinniss disse: “O silêncio de Deus não significa a ausência de Deus”. Davi resolveu confiar que o Deus soberano a quem ele servia estava agindo por detrás das cenas, a despeito de Sua aparente ausência.

Até quando, Senhor, eu terei que viver com esta doença crônica? Até quando, Senhor, não trarás de volta meu neto desobediente? Até quando, Senhor, terei que continuar desempregado? Até quando, Senhor, não nos darás um filho? Quando nós, como Davi, estamos enfrentando o que parece ser um silêncio sem respostas de Deus – a chamada sem resposta à emergência, quando clamamos pelo Seu nome – devemos seguir o exemplo de Davi: derramar diante de Deus os detalhes do problema; orar, pedindo a Ele por uma resposta; e louvá-lO por quem Ele é, a despeito de como nos sentimos em meio às nossas circunstâncias.

Deus tem um propósito para todas as coisas, até para aquilo que parece ser o silêncio dEle. Todavia, Ele promete que nunca nos deixará, nem nunca nos abandonará (Hb 13.5). Clamar pelo nome do Senhor está apenas a uma chamada de emergência de distância. (Paul Golden — Israel My Glory — Chamada.com.br)

Oração de Adoração

Oração de Adoração | Chamada.com.br

Oração de Adoração

Renald E. Showers

A adoração deveria ser um elemento essencial da oração. A palavra moderna “adorarvem do latim “adorare”: render culto (à divindade), venerar, amar extremosamente”.[1] Estes significados indicam que a oração de adoração deveria consistir de expressões de dignidade, respeito e reverência oferecidas a Deus.

A palavra santo relaciona-se significativamente a expressões de dignidade, respeito e reverência oferecidas a Deus. A raiz principal da palavra que foi traduzida por “santo” significa “separar”.[2] Uma pessoa santa é separada de outras pessoas e coisas no sentido de ser diferente, distinta ou mesmo única, singular, em comparação com os outros. Desta forma, quando a Bíblia declara que Deus é santo, ela está dizendo que Ele é diferente, distinto, único, ou singular, em comparação com tudo e com todos.

Depois que Deus guiou o povo de Israel em segurança através do Mar Vermelho, eles disseram: “Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade?” (Êx 15.11). Eles associaram a santidade de Deus com o fato de que Ele é único entre todos os outros deuses.

Ana, a mãe de Samuel, declarou: “Não há santo como o Senhor; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus” (1Sm 2.2). Ela igualou a santidade de Deus com Sua singularidade.

Perguntou Deus: “A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? – diz o Santo” (Is 40.25). Ele indicou Sua santidade e Sua singularidade. Ao declarar: “Eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti” (Os 11.9), Ele quis dizer que a Sua santidade envolve Seu ser diferente ou distinto da humanidade.

Senaqueribe, rei da Assíria, afirmou que, assim como os deuses de outras nações não podiam resgatar tais nações de suas mãos fortes, assim também o Deus de Israel seria incapaz de resgatar Jerusalém (2Rs 18.28-35; 2Rs 19.8-13). Esta insinuação, de que o Deus de Israel em nada era diferente dos deuses das outras nações, foi um ataque verbal à singularidade, ou à santidade, de Deus.

Deus respondeu a Senaqueribe como segue: “A quem afrontaste e de quem blasfemaste? E contra quem alçaste a voz e arrogantemente ergueste os olhos? Contra o Santo de Israel” (2Rs 19.22). Ele advertiu a Senaqueribe de que o Deus de Israel é diferente de todos os outros. Deus demonstrou Sua singularidade matando 185 mil soldados assírios em uma única noite (v. 35).

A singularidade de Deus parece significar mais para Ele do que qualquer outro atributo.

Os anjos acima do trono de Deus clamam: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos” (Is 6.3); e aqueles ao redor do trono de Deus não descansam dia e noite, dizendo: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso” (Ap 4.8). Estes fatos parecem indicar que a singularidade de Deus significa mais para Ele do que qualquer outro atributo. Sua santidade é absolutamente essencial para que Ele seja quem Ele é.

Ao povo de Deus foi dada a seguinte ordem: “Adorai o Senhor na beleza da santidade” (Sl 29.2). A palavra traduzida por “beleza” significa “adorno”. Na adoração em público ou em particular, os crentes devem adornar a Deus com Sua santidade, declarando quão diferente, distinto ou único Ele é em contraste com tudo e todos mais.[3] (Renald E. Showers — Israel My Glory — Chamada.com.br)

8 Minutos Para a Eternidade

8 Minutos Para a Eternidade

Normando Fontoura
O mundo ainda não se recompôs da tragédia que nesta última semana encheu os nossos corações de dor e consternação. Um indivíduo, alegadamente sofrendo de problemas psicológicos graves, decidiu acabar com a sua vida e a de mais 149 pessoas, arremetendo o avião que pilotava contra uma montanha dos Alpes franceses.

As imagens do sofrimento, dor e revolta nas faces e expressões dos familiares, amigos e da população em geral têm corrido o mundo e são marcantes e angustiantes. A incontrolável saudade, os gritos de dor e as recordações tornam-se a tortura diária das centenas de pessoas que perderam algum familiar, amigo ou conhecido naquela indescritível tragédia.

8 minutos para a eternidade

Segundo os dados técnicos disponíveis, a tragédia iniciou-se 8 minutos antes da colisão, quando o infeliz co-piloto decidiu iniciar a queda abrupta e constante do avião até o choque final com a montanha rochosa.

Entretanto, de acordo com as informações que vêm chegando, as suas 149 vítimas só perceberam a realidade trágica que delas se aproximava a escassos momentos da colisão do avião contra a montanha. Segundo registros gravados, só se ouviram os gritos das vítimas, momentos antes do desastre.

Não imagino o que seja ver a morte à frente sem poder fazer nada para escapar. Uma coisa é certa: todos aqueles passageiros, que naquela fatídica manhã entraram naquela aeronave em Barcelona, acreditavam que a mesma os levaria em plena segurança até a cidade de Düsseldorf, na Alemanha. Ninguém ali escolheu a tragédia, muito menos contava com ela.

Quantos risos, alegrias, esperanças e expectativas foram partilhadas durante os minutos de vôo anteriores à tragédia? Certamente muitos.

Mas, a certa altura, alguém colocou o relógio daquelas vidas numa contagem regressiva de 8 minutos. 8 minutos até à colisão fatal. 8 minutos finais de uma existência desejada, mas bruscamente interrompida.

Qual é a maior tragédia?

A questão crucial nesta história não deve ser a das causas que levaram aquele co-piloto a provocar uma tragédia destas – ainda que mereça muita atenção e reflexão – mas saber em que condição espiritual estavam todas aquelas vidas.

É melhor estar sempre preparado

Toda a nossa vida é uma verdadeira viagem para um destino previamente escolhido. Se eu escolho viver com Deus e relacionar-me com Ele através da Pessoa do Seu Filho Jesus Cristo, tenho a vida eterna, estando por isso preparado para, em qualquer momento da viagem, partir para a presença de Deus, em paz e segurança, sabendo que Ele me receberá nos Seus braços de amor e perdão. Mas se escolho viver independentemente de Deus, não dando valor ou sentido aos Seus convites e apelos para que me reconcilie com Ele através do reconhecimento e confissão dos meus pecados, estarei despreparado, arriscando-me a enfrentar a condenação e separação eterna a qualquer momento em que a viagem da vida seja interrompida.

É por isso que Deus nos alerta: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias…”. “Prepara-te para te encontrares com Deus”.

Ninguém é o senhor do seu destino. Ninguém consegue adivinhar o dia ou a maneira em que vai partir para a eternidade através da morte física. É melhor estar preparado para quando essa interrupção se der. É melhor entregar a sua vida nas mãos de Deus e depender dEle, confiando na Sua capacidade de nos guardar de todo mal, ou preparar-nos para enfrentá-lo com plena confiança e certeza do destino maravilhoso que Deus tem preparado para todos aqueles que O amam.

“Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e o mais Ele fará” – Salmo 37.5

Normando Fontoura

Texto do folheto 8 Minutos Para a Eternindade

150 pessoas perderam suas vidas quando um piloto decidiu acabar com sua vida arremetendo o avião que pilotava contra uma montanha. Ninguém sabe quando

O cirurgião que encontrou Jesus no coração de uma criança

O cirurgião que encontrou Jesus no coração de uma criança PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
jesus_no_coracao.jpg     – Amanhã de manhã eu vou abrir o teu coração – explicava o cirurgião a uma criança.

E a criança interrompeu-o:

– Vai encontrar Jesus dentro dele?

O cirurgião olhou para ela e continuou:

– Eu vou cortar uma parede do teu coração para ver a “ferida” que ele tem.

– Mas quando abrir o meu coração, vai encontrar Jesus lá? – a criança voltou a interrompê-lo.

O cirurgião voltou-se para os pais, que estavam sentados em silêncio, e olhou-os com espanto.

Dirigiu-se novamente à criança:

– Quando eu tiver visto tudo o que não está bem, planearemos o que fazer em seguida, ainda com teu coração aberto.

– Mas vai encontrar Jesus no meu coração? A Bíblia diz que Ele mora lá. Ela diz que Ele vive no coração de todos os que crêem n’Ele. Por isso, vai encontrá-lo no meu coração!

O cirurgião pensou que era suficiente e explicou-lhe:

– Depois da operação, digo-te o que encontrei no teu coração. Combinado? Eu tenho a certeza que encontrarei um músculo cardíaco danificado, baixa resposta de glóbulos vermelhos e fraqueza nas paredes e vasos. E, só depois disso, saberei o que posso fazer para curar-te.

– Mas também vai encontrar Jesus lá dentro, não vai? É a Sua casa, Ele vive lá, está sempre comigo.

O cirurgião fartou-se dos comentários insistentes da criança, saiu e foi para o  seu consultório.

Começou a gravar os estudos preliminares para a intervenção:

– Aorta danificada, veia pulmonar deteriorada, degeneração muscular cardíaca massiva. Sem possibilidades de transplante, dificilmente curável. Terapia: analgésicos e repouso absoluto. Prognóstico: …

Fez uma pausa e em tom triste disse:

– Morte nos primeiros anos de vida.

Depois, parou o gravador.

– Porquê? – perguntou em voz alta. – Porquê acontecer isto com esta criança? Deus colocou-a aqui, nesta dor, condenado-a a uma morte precoce. Porquê?!

De repente, Deus, nosso Criador, responde:

– O menino, minha ovelha, já não pertencerá ao teu rebanho, porque ele é parte de Mim e Comigo estará por toda a Eternidade. Aqui, no Céu, no Meu rebanho sagrado, já não sofrerá: será consolado de uma forma inimaginável, para ti ou para qualquer outra pessoa. Os seus pais, um dia, unir-se-ão a ele, conhecerão a Paz e a Harmonia, juntos, no Meu Reino, e no Meu rebanho sagrado continuará a crescer.

O cirurgião começou a chorar intensamente, mas sentiu ainda mais raiva, pois não entendia as razões.

E replicou:

– Tu criaste este menino e também o seu coração. Para quê? Para que morresse em poucos meses?

O Senhor respondeu-lhe:

– Porque é tempo de regressar ao seu rebanho. A sua missão na Terra já se cumpriu. Há uns anos atrás, enviei uma ovelha com dons de médico para que ajudasse os seus irmãos, mas com tantos conhecimentos na ciência esqueceu-se do seu Criador.

Então, enviei outra das minhas ovelhas, o menino enfermo, não para perdê-lo, mas sim para que a ovelha perdida há tanto tempo, com dotes de médico, voltasse para Mim.

Então, o cirurgião chorou e chorou inconsolavelmente.

Dias depois, após a cirurgia, o médico sentou-se ao lado da cama do menino enquanto os  pais estavam do outro lado, à sua frente.

A criança acordou e, murmurando, perguntou imediatamente:

– Abriu o meu coração?

– Sim – respondeu-lhe o cirurgião.

– O que encontrou? – perguntou o menino.

– Tinhas razão: lá, reencontrei Jesus…~

Deus tem muitas maneiras para nos lembrar que devemos voltar para junto d’Ele.