As Obras de Deus:

\\\\\\\"Os céus declaram a glória de Deus\\\\\\\" (Sl 19:1, NVI) Rádio a Voz do Evangelho

Ele nos ouve e nos responde:

Inclina, SENHOR, os teus ouvidos, e ouve-me, porque estou necessitado e aflito. Salmos 86:1

Somente o Senhor Jesus pode nos garantir Vida Eterna!

”E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.”

As moradas de Deus:

Como é agradável o lugar da tua habitação, Senhor dos Exércitos! Salmos 84:1

 

Base Bíblica de Ação Social e Política

Base Bíblica de Ação Social e Política

Thomas Ice

Alicerce Bíblico Para Um Envolvimento Social e Político Dentro da Estrutura Dispensacionalista Tradicional

O dispensacionalismo tradicional[1] ganhou a reputação de não demonstrar interesse pelo engajamento social e político. Essa imagem do dispensacionalismo pode ou não ser justa. Creio que em grande parte seja verdadeira com notáveis exceções.[2] Entretanto, a despeito de ser ou não desenvolvida e aplicada, a concepção dispensacionalista é capaz de produzir uma teologia do envolvimento social e político que seja coerente com os princípios que norteiam o dispensacionalismo. O objetivo deste estudo é o de esboçar os elementos principais que realmente distinguem essa teologia.

Todo ser humano é individualmente responsável diante de Deus pela obra da criação, a qual foi planejada com o objetivo de glorificar a Deus.

As alianças apresentadas na Bíblia propiciam uma estrutura que serve de referência para sabermos a maneira pela qual Deus deseja que procedamos em cada área da vida. Se as primeiras alianças registradas em Gênesis dizem respeito a Adão e seus descendentes (i.e., todo o gênero humano), é razoável que os limites e prerrogativas de tais alianças se apliquem a toda a humanidade. De que maneira?

A Aliança Edênica

A Aliança Edênica (Gn 1.18-30; Gn 2.15-17) apresenta o princípio fundamental que Deus utilizou, antes da entrada do pecado no mundo, para estabelecer Seu governo e relacionamento com o ser humano; aliança essa que tem caráter condicional. A proibição de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal foi um teste que Deus estipulou para Adão no passado (Gn 2.15-17) e, portanto, não é uma regra que possamos transgredir nos dias atuais (veja, também, Rm 5.13-14). Contudo, o Mandato Cultural (Gn 1.26-28) não ficou restrito apenas a Adão. Tal Mandato estabelece a base da responsabilidade individual do ser humano e dos deveres sociais, políticos e econômicos, bem como a responsabilidade final de toda a humanidade, perante Deus, ao longo da história que se seguiu. Foi através dessa aliança que Deus definiu a função cultural e pública a ser desempenhada pela humanidade na história. É uma descrição resumida das tarefas do ser humano.

As Instituições Divinas

As instituições divinas são convenções que atuam dentro dos dispositivos das alianças bíblicas e que dizem respeito à vida do ser humano na sociedade. A primeira vez que ouvi falar desse ensino bíblico, denominado por alguns de “Instituições Divinas”, foi há aproximadamente 35 anos, por intermédio do pastor Charles Clough.[3] Ele declara: “As instituições divinas são estruturas reais e absolutas que integram a existência social do ser humano”.[4] Segundo Clough, “a expressão ‘instituição divina’ tem sido usada há séculos pelos cristãos, principalmente no âmbito teológico reformado, para designar o sistema social básico e permanente”.[5] As instituições divinas foram criadas por Deus, daí o termo “divinas”, e se aplicam a toda a humanidade desde o tempo de Adão e Eva. As estruturas sociais básicas da humanidade não passaram por nenhum processo evolutivo ao longo do tempo, mas já faziam parte da criação de Deus.

primeira instituição divina é o domínio responsável (Gn 1.26-30; Gn 2.15-17; Sl 8.3-8), que enquadra o ser humano como um indivíduo responsável diante de Deus. O homem foi criado com a responsabilidade de ser o vice-regente de Deus para administrar o planeta Terra sob a autoridade de Deus. A queda do homem no pecado [i.e., a Queda] resultou na perversão da responsabilidade humana, porém tal responsabilidade nunca foi abolida.[6] Isso implica que todo ser humano é individualmente responsável diante de Deus pela obra da criação, a qual foi planejada com o objetivo de glorificar a Deus. Deus a planejou para que, através das escolhas de cada indivíduo, um registro de obediência ou rebelião contra o Criador ficasse evidente na história. Após a Queda, comenta Clough, “em vez de dominar sobre a Terra de modo pacífico e piedoso, sob a orientação de Deus e de Sua Palavra, o ser humano luta e usa suas garras para conquistar um falso domínio estabelecido com suas próprias obras (cf., Tg 4.1-4)”.[7] A escolha individual diz respeito à área na qual alguém tem a opção de confiar em Cristo como seu Salvador ou rejeitá-lO. Ninguém pode fazer essa decisão em favor de outra pessoa. Trata-se de uma escolha individual.

“A família existe com a finalidade de instruir a próxima geração (cf., Êx 20.12; Dt 6.4-9; Ef 6.1-4)”.

segunda instituição divina é o casamento (Gn 2.18-24). Tal instituição é uma inferência do casamento original de Adão e Eva, registrado em Gênesis 2. É exclusivamente dentro desse contexto que as relações sexuais podem ser desfrutadas e, juntos, marido e mulher devem cumprir o mandato cultural de governar a criação. Constata-se no texto bíblico que a mulher é chamada de “auxiliadora”, trazida por Deus a Adão, já que este tinha necessidade de uma cooperadora que lhe fosse compatível e que o ajudasse a cumprir sua vocação de governar a natureza. “Diferente dos animais, a assim chamada diferenciação sexual no gênero humano não serve apenas para a procriação; também serve para o exercício do domínio”.[8] “Posteriormente, a suprema importância da estrutura do casamento aparece no Novo Testamento, quando Paulo revelou o fato de que tal estrutura tipifica a união de Cristo com a Igreja (Ef 5.22-23)”.[9] Clough faz este comentário esclarecedor:

O gênero humano só pode expressar a imagem de Deus na condição de “homem e mulher” juntos (Gn 1.27). Isso se deve ao fato de que Deus possui certas características que são, por natureza, “femininas” (p. ex., Mt 23.37). Além disso, a função da mulher, descrita em Gênesis 2.18 como “auxiliadora”, não foi designada como algo inferior e degradante. Em outras passagens das Escrituras o mesmo termo original hebraico é usado em referência ao próprio Deus na qualidade de “auxiliador” (Êx 18.4; Dt 33.7) […] Contudo, a Bíblia, indiscutivelmente, dá ênfase ao varão como aquele que recebe o chamado de Deus, um chamado que se configura na escolha de uma esposa […] Juntos, numa divisão de trabalho, marido e mulher deixam suas respectivas famílias e, ao contrário da idéia de agregação e ampliação familiar, o rapaz, diretamente subordinado a Deus, tem que assumir a plena responsabilidade de liderança do lar.[10]

terceira instituição divina, edificada sobre o alicerce das duas primeiras instituições, é a família. “Segundo a Bíblia, a família é a unidade básica da sociedade, não o indivíduo (sob a Lei Mosaica, por exemplo, o direito de posse de uma propriedade pertencia às famílias)”.[11] “A família existe com a finalidade de instruir a próxima geração (cf., Êx 20.12; Dt 6.4-9; Ef 6.1-4)”.[12] A família é a instituição responsável pela continuidade de cada legado familiar, cabendo-lhe a tarefa da educação e da provisão para o bem-estar. Mesmo que uma família decida delegar o ensino a professores, ainda assim ela continua com a responsabilidade de cuidar para que a criança seja devidamente educada. Clough afirma:

A família e o casamento não podem ser dissociados do domínio. Onde houver perversão do domínio e deterioração do ambiente, haverá, por conseguinte, fome e pobreza. A sociedade na qual o casamento é desonrado e famílias são separadas, inevitavelmente entra em colapso. Não pode haver preservação através de um punhado de leis, nem por meio de programas ideológicos ou “redefinições” dos conceitos de casamento e família. Deus planejou as instituições divinas com o intuito de proporcionar domínio e prosperidade.[13]

A Queda não alterou nenhuma das instituições divinas; em vez disso, corrompeu o ser humano que passou a fazer mau uso delas. Clough explica:

Quando se depara com a corrupção em cada uma dessas estruturas sociais, o ser humano decaído reage de várias maneiras. Uma das maneiras é a de reinterpretar a luta contra o pecado pelo ponto de vista da economia (“a luta de classes” de Marx) ou da raça (tanto os racistas de cor branca quanto os de cor negra) ou, ainda, pelo ponto de vista da psicologia (Freud e outros tantos). Outra evasiva é a de abandonar as próprias instituições, considerando-as como “convenções” sociais obsoletas e arbitrárias que precisam de uma “reengenharia”. Contudo, todas essas reações são falhas que custam caro para as sociedades que as cometem. No fim, tais reações refletem a mentalidade pagã que não reconhece a responsabilidade do homem pela queda no pecado nem a anormalidade do mal.[14]

A quinta instituição divina é a diversidade tribal, a qual também foi estabelecida após o Dilúvio com a finalidade de promover a estabilidade social num mundo corrompido pelo pecado.

Instituições Divinas Posteriores à Queda

Pelo menos duas outras instituições divinas foram estabelecidas depois da Queda do homem no pecado. Ambas foram instituídas após o Dilúvio e foram designadas com o propósito de restringir o mal num mundo corrompido. As três primeiras instituições divinas são instituições sociais positivas ou produtivas, enquanto que estas duas últimas são instituições divinas de caráter negativo, destinadas a conter o avanço do mal num mundo degradado.

O governo civil é a quarta instituição divina, na qual Deus transferiu ao homem a responsabilidade de exercer a autoridade governamental, através da Aliança Noética, a fim de auxiliar na restrição do mal depois do Dilúvio (Gn 9.5-6). Antes do Dilúvio, o ser humano não podia executar o juízo referente ao mal praticado, conforme se pode notar no modo pelo qual Deus ordenou que o homem lidasse com o assassinato de Abel cometido por Caim (Gn 4.9-15). Tal instituição divina se baseia na pena capital (Gn 9.5-6), desde que o propósito seja o de reprimir o mal (Rm 13.3-4). Na ordem dada por Deus às instituições civis de requererem a vida pela vida, estava subentendida a autoridade judicial hierarquicamente inferior. Apesar de a pena capital ter se tornado repugnante na cultura ocidental apóstata, ela ainda é a base para o divino estabelecimento do governo civil.[15]

quinta instituição divina é a diversidade tribal, a qual também foi estabelecida após o Dilúvio com a finalidade de promover a estabilidade social num mundo corrompido pelo pecado (veja, Gn 9.25-27; compare com Gn 10-11 e com Dt 32.8). Observe que não se trata de diversidade racial, mas sim de diversidade tribal. Essa instituição divina não inclui raça, mas, sim, tribos ou famílias. “Ao longo de todo o período pós-diluviano”, esclarece Clough, “Deus preservou a estabilidade e o bem-estar social da humanidade ao incitar uma tribo ou grupo social contra outro, a fim de otimizar o progresso e retardar a influência do mal (cf., At 17.26-27)”.[16]

A diversidade tribal foi implementada através da confusão de idiomas que se deu quando da construção da torre de Babel (Gn 11.1-9). Por que Deus quis separar a humanidade? Muitos crêem que a humanidade deve se juntar numa unidade. O texto de Gênesis 11.6 explica a razão pela qual Deus confundiu as línguas humanas nos seguintes termos: “E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer”. Portanto, a única finalidade para a qual a humanidade deseja se unir é a de se rebelar contra Deus e ser bem-sucedida na sua rebeldia, conforme se pode constatar no incidente da torre de Babel. Essa é a razão pela qual a história atual ruma para a globalização, à medida que nos afastamos cada vez mais de Deus, e também é o motivo pelo qual o objetivo do Anticristo durante a Tribulação será o de forjar a unificação para o estabelecimento de um governo mundial centralizado que se oponha aos planos e propósitos de Deus. O período da Tribulação chegará ao seu fim com a direta intervenção e o juízo de Deus, assim como aconteceu no Dilúvio de Gênesis. Enquanto isso, Deus retarda a rebelião coletiva da humanidade por intermédio do governo civil e da diversidade tribal.

O propósito da diversidade tribal pode ser ilustrado pelas diferenças que existem nos cascos dos navios. Até 100 anos atrás, todos os navios que cruzavam os oceanos tinham um casco inteiriço. Se uma avaria provocava um rombo razoável no casco da embarcação, quase sempre o navio ia a pique quando a água inundava todo o casco. Então os construtores navais começaram a desenvolver cascos de navio com múltiplos compartimentos, de forma que se um buraco rompesse um dos compartimentos, os outros compartimentos íntegros poderiam manter o navio flutuando. O mesmo ocorre com a humanidade! Se uma tribo se torna perversa, Deus não precisa exercer juízo contra o mundo inteiro. Ele pode usar outros povos para exercer juízo contra aquela tribo perversa, sem a necessidade de um castigo de proporções mundiais. Esse é um dos métodos que Deus utiliza para dirigir as nações neste período entre o Dilúvio e a Segunda Vinda de Cristo.

A Lei Mosaica e a Igreja

O apóstolo Paulo afirma que a Lei de Moisés caducou no momento em que se consumou a perfeita obra de Cristo. Os judeus julgaram que Paulo persuadia “…os homens a adorar a Deus por modo contrário à Lei” (At 18.13) e que ele ensinava “…todos os judeus entre os gentios a apostatarem de Moisés” (At 21.20-29). Embora os acusadores de Paulo fizessem um juízo errado a seu respeito, a acusação certamente se baseava nas declarações e atitudes do apóstolo, as quais deram origem a tal pensamento. Por semelhante modo, a acusação dos judeus contra Jesus de que Ele reivindicara ser Deus baseava-se nas Suas palavras e obras, as quais deram motivo para que eles O julgassem dessa maneira. Em muitos textos das Escrituras Paulo mostra que a Lei Mosaica foi abolida (Rm 6.14-15; Rm 7.1-6; Rm 10.4; 1 Co 3.7-11; 1 Co 9.19-23; Gl 2.19-3.5; Gl 4.1-7; Gl 5.18; Ef 2.14-22). Além do mais, a Lei de Moisés e o próprio Antigo Testamento afirmam que a Lei foi exclusivamente concedida à nação de Israel.[17]

O crente em Cristo deve amar a lei de Deus. A graça não libera o crente da obediência à vontade de Deus. Entretanto, os crentes em Cristo não estão sujeitos à forma da lei que foi dada a Israel.

O Novo Testamento não recomenda a pena de morte para aquelas transgressões que no Antigo Testamento deviam ser punidas com a penalidade máxima. A Lei de Moisés declara: “O homem que se deitar com a mulher de seu pai terá descoberto a nudez de seu pai; ambos serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles” (Lv 20.11). A passagem de 1 Coríntios 5 menciona que esse mesmo tipo de pecado foi cometido, mas o castigo disciplinar determinado por Paulo foi o de entregar tal homem a Satanás (1 Co 5.5), expulsando-o da igreja (1 Co 5.7,13). O apóstolo chega até mesmo a dizer que o julgamento daqueles que estão fora da igreja não é assunto da igreja (1 Co 5.12). Se o pecador mencionado em 2 Coríntios 2.5-11 for a mesma pessoa citada por Paulo em 1 Coríntios 5, é muito provável que a igreja estivesse prestes a finalmente restaurá-lo à comunhão. Isso teria sido impossível se a penalidade da Lei Mosaica fosse executada.

O texto de Deuteronômio 18.20 declara que se um profeta “…presumir de falar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não mandei falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta será morto”. No entanto, o Novo Testamento registra que Himeneu e Fileto “…se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se realizou” e estavam“…pervertendo a fé a alguns” (2 Tm 2.17-18), mas Paulo não ordenou que eles fossem sentenciados à morte, pelo contrário, o apóstolo expressou seu desejo de que eles retornassem “à sensatez” e se livrassem “dos laços do diabo” (2 Tm 2.24-26). No Novo Testamento há outros textos que demonstram o fato de que a Lei Mosaica chegou ao seu fim com a vinda de Cristo ao mundo (cf., Hb 8.6-7,13; 10.9). Ademais, o crente em Cristo deve amar a lei de Deus. A graça não libera o crente da obediência à vontade de Deus. Entretanto, os crentes em Cristo não estão sujeitos à forma da lei que foi dada a Israel. Em vez disso, temos condição de usar os preceitos da legislação mosaica como exemplos do modo pelo qual podemos reagir individual e coletivamente; é possível obter sabedoria proveniente dos preceitos mosaicos. Porém, os crentes em Cristo devem obedecer à vontade de Deus expressa no Novo Testamento – a “lei de Cristo” – e devem obedecer à lei revelada nas alianças Adâmica e Noética, lei essa que se expressa por meio das instituições divinas.

A sabedoria apela para que o aprendiz a siga, tendo em vista o fato de que ela é justa e traz certos benefícios práticos. A sabedoria também se aplica a todas as áreas da vida.

No que diz respeito ao desenvolvimento da sabedoria nas diversas áreas da vida, temos que buscar na lei o discernimento para nelas agir. Em nenhum âmbito da vida o crente pode adotar idéias e pontos de vista que resultem do sistema deste mundo. Ele deve procurar desenvolver uma perspectiva bíblica de governo, de economia, de família, de educação, e assim por diante, mantendo-se firme nessa convicção. Somos “filhos da luz” e devemos resplandecer nas trevas dos dias atuais. Todavia, como não está no plano de Deus ou ainda não é de Sua vontade que o Reino de Deus assuma o controle deste mundo na presente era, estamos, como o profeta Daniel, vivendo pelos princípios e padrões bíblicos, enquanto aguardamos a concreta intervenção de Deus na história. Isso é o que pode ser chamado de “método da sabedoria”, em oposição ao “método da lei”. O modelo bíblico para tanto é o livro de Provérbios. Quando se estuda o livro de Provérbios não é preciso muito tempo para que alguém perceba que a sabedoria de Provérbios é fruto da reflexão de Salomão na Lei de Moisés. Ele usa o formato da sabedoria para transmitir o conteúdo da Lei ao seu filho e à próxima geração.

A sabedoria difere da lei em virtude do fato de que a lei se constituiu de cláusulas legais inseridas na aliança ou pacto, as quais regulam e podem ser impostas por força de penalidades civis. A lei pode governar qualquer área da vida, tais como os direitos civis, a família, a vida pessoal e as instituições religiosas. Por outro lado, a sabedoria se constitui de conselhos sem nenhuma vinculação com penalidades legais. A sabedoria conta ao inexperiente “a suma” das coisas, de modo que as ciladas da vida possam ser evitadas. A sabedoria apela para que o aprendiz a siga, tendo em vista o fato de que ela é justa e traz certos benefícios práticos. A sabedoria também se aplica a todas as áreas da vida.

O tratamento dado ao adultério tem suas respectivas semelhanças e diferenças na lei e na literatura de sabedoria. Na lei está escrito: “Não…” (Dt 5.18) e, em determinadas situações o adultério implica a pena de morte (Dt 22.22). A literatura de sabedoria desenvolve a compreensão das razões pelas quais não se deve cometer adultério e chega ao ponto de apelar para que aquele que a estuda siga o caminho da sabedoria (Pv 7.6-23), contudo não decreta penalidades civis. A sabedoria diz que se um sábio andar no caminho que ela propõe, colherá certos benefícios. Não é sem motivo que Paulo escreveu a Timóteo: “Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo” (1 Tm 1.8). Nesta Dispensação ou Era da Igreja, a prática de abordar a Lei Mosaica pelo método da sabedoria constitui-se num uso bom e legítimo da lei.

O texto de Deuteronômio 4.6-8 chama a atenção para o fato de que Israel recebera com exclusividade uma sabedoria e um entendimento que seriam percebidos pelas outras nações:

“Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho?”.

Apesar de ter sido concedida a Israel, a sabedoria deste povo se tornaria evidente aos observadores externos. Aqueles que ficassem impressionados com tal sabedoria provavelmente tentariam imitá-la. Por certo essa tem sido a atitude de muitas nações gentílicas, durante a atual Dispensação da Igreja, naquelas ocasiões em que os crentes em Cristo têm conseguido exercer sua influência.

Para que um cristão atue numa área dessas, é preciso que ele esteja disposto a adaptar e utilizar algumas leis específicas do Antigo Testamento destinadas a Israel, a fim de desenvolver uma metodologia sábia que se aplique a essas áreas em questão. Mas trata-se de sabedoria e não de lei. De fato as nações não são obrigadas a cumprir a lei de Israel, mas são responsáveis pelo cumprimento da Aliança Noética. Entretanto, aquele que pela fé é nova criatura em Cristo terá o desejo de amadurecer e de aplicar a sabedoria que aprendeu na sua “menoridade” (sob a tutela da lei). Há uma tremenda diferença entre dizer que algo é lei para os dias atuais e dizer que se trata de um princípio de sabedoria. O efeito sistêmico freqüentemente será o mesmo, já que a pessoa regenerada em Cristo terá o desejo de por em prática a sabedoria da lei de Deus. Contudo, é fato insofismável que as leis e o pacto que constituem a Aliança Mosaica não foram firmados com nenhuma outra nação ou entidade, exceto com o povo de Israel.

O propósito de Deus nesta Era da Igreja é o de constituir dentre as nações “…um povo para o Seu nome”, a fim de que esse povo seja a noiva de Seu Filho. O propósito da presente era é diferente do propósito de Deus na dispensação anterior. Portanto, assim como existe continuidade entre as dispensações, também existe descontinuidade. O plano de Deus não é a cristianização do mundo, mas sim a evangelização de toda a humanidade. A Igreja é o instrumento pelo qual Deus chama os povos do mundo ao arrependimento e à fé no Evangelho. Aqueles que crêem devem ser edificados pela preciosa Palavra de Deus que foi concedida à Sua Igreja. Estamos envolvidos numa tarefa sem descanso, enquanto nosso Senhor saiu para uma longa jornada; aguardamos com expectativa a volta de Seu Filho que virá dos céus para nos livrar “…da ira vindoura” (1 Ts 1.10).

A Função do Governo na Dispensação da Igreja

Segundo a Bíblia, Deus soberanamente nomeia e destitui os governantes. Não há a menor dúvida de que todos os governantes, tanto os que vieram antes de Moisés quanto os que vieram depois dele, atuam com a permissão de Deus e por Sua vontade, inclusive, Faraó, Herodes, Pilatos, Nabucodonosor e Ciro.

Não há a menor dúvida de que todos os governantes, tanto os que vieram antes de Moisés quanto os que vieram depois dele, atuam com a permissão de Deus e por Sua vontade, inclusive, Faraó, Herodes, Pilatos, Nabucodonosor e Ciro.

A perspectiva do Novo Testamento mostra que os governantes, na qualidade de autoridades instituídas por Deus, não devem ser resistidos. A autoridade pertence a Deus e a Aliança Noética revela que a autoridade judicial foi delegada aos homens (cf., Rm 13.2-5). Sempre que alguém se rebela contra aqueles que estão autorizados por Deus a exercer Sua autoridade, há uma rebelião contra Deus.

Uma vez que os governantes são ministros de Deus, foram constituídos por Ele como vice-regentes e vingadores de Sua ira. Os governantes de Israel tinham nitidamente essa função sob a Aliança Sinaítica, ao passo que as nações não tinham tal função segundo essa mesma aliança. Em Romanos 13.1-2, Paulo afirma que os governantes têm essa função, mas em nenhum lugar o apóstolo a vincula com a Lei de Moisés. O Novo Testamento nos informa que os magistrados devem coibir a prática do mal e honrar a prática do bem (Rm 13.3). Mais uma vez é preciso dizer que esse dever foi instituído e consta na Aliança Noética.

As nações têm seu mandato a partir das Alianças Abraâmica e Noética. A realidade disso se comprova no fato de que Deus julga as nações pelo critério da lealdade ao compromisso que elas têm na aliança que Ele firmou com Noé. A autoridade judicial que os magistrados civis têm para exigir o cumprimento da Lei de Deus é legítima, mas não é a formulação específica da lei de Deus nos seus pormenores, conforme foi dada a Israel. Por certo, muitos dos preceitos legais que Deus outorgou a Israel, inclusive as penas específicas, podem ser usados como modelo na elaboração de leis civis para a sociedade, porém isso não é obrigatório e, se não for feito conforme esse modelo, também não acarreta a ira de Deus. No caso em questão, o único critério de responsabilização é o da vontade de Deus na consciência, de acordo com o que Ele determinou através de Sua aliança com Noé.

Conclusão

Nesta abordagem teológica acerca do governo e da sociedade, verificamos, primeiramente, que se trata de uma perspectiva compatível com os princípios teológicos do dispensacionalismo. Constatamos que a responsabilidade tanto social quanto política é individual, exceto no que diz respeito à assistência das viúvas por parte da igreja (cf., 1 Tm 5). Essa concepção apresenta uma perspectiva conservadora de governo e contempla a responsabilidade individual e a família como as instituições produtivas numa sociedade. Durante a atual Dispensação da Igreja, um crente, como indivíduo, deve atuar socialmente dentro dos parâmetros estruturais das instituições divinas, enquanto leva em consideração todas as ordenanças que lhe são dadas como um membro da Igreja, o Corpo de Cristo. (Thomas Ice – Pre-Trib Research Center – http://www.chamada.com.br)

O Vergonhoso Evangelho Social

O Vergonhoso Evangelho Social

T. A. McMahon

Por várias razões, cristãos de diferentes tendências têm feito modificações no “Evangelho de Cristo”, como se este precisasse de ajustes. A maioria deles vai dizer que não se trata de alterações significativas, mas apenas de ínfimas pinceladas aqui e ali. Essas mudanças normalmente começam com alguém declarando que não existe modificação alguma envolvida e que está ocorrendo simplesmente um ajuste na ênfase. Contudo, não importa qual seja a argumentação, o que acontece realmente é que eles “se envergonham do Evangelho de Cristo”.

Envergonhar-se do Evangelho expressa-se por meio de uma série de atitudes diferentes, desde ficar embaraçado com ele até supor que alguém possa melhorá-lo um pouco para torná-lo mais aceitável. Um exemplo desse embaraço foi a recente declaração de um autor ligado à Igreja Emergente, que afirmou: o ensino de que Cristo pagou a pena total pelos pecados da humanidade através de Sua morte na cruz do Calvário em nosso lugar é irrelevante e “uma forma cósmica de abuso infantil”.

Exemplos mais sutis incluem tentativas de fazer o Evangelho parecer menos exclusivista, “abrandando” as conseqüências do pecado, como a ira de Deus e o lago de fogo, das quais o Evangelho de Jesus nos livra.

Prevalece entre muitos líderes religiosos, que professam ser cristãos evangélicos (ou seja, cristãos crentes na Bíblia), a promoção de um evangelho mais aceitável, que possa até mesmo ser admirado pelas pessoas do mundo inteiro. Hoje em dia, a forma mais popular desse tipo de evangelho é conhecida como “evangelho social”.

Embora esse evangelho social seja comum entre os muitos novos movimentos evangélicos, ele não é novidade para a cristandade. Seu princípio moderno deu-se nos idos de 1800, quando pretendeu-se tratar das várias condições da sociedade que seriam causadoras do sofrimento da população. A crença era de que o Cristianismo atrairia seguidores quando demonstrasse o seu amor pela humanidade. Isso poderia ser mais bem realizado aliviando os sofrimentos causados pela pobreza, pelas enfermidades, pelas condições opressoras de trabalho, pelas injustiças sociais, pelos abusos dos direitos civis, etc.

George W. Bush instituiu um departamento do governo que destina fundos às igrejas, sinagogas, mesquitas e outros ministérios religiosos que estiverem oferecendo serviços sociais junto às suas comunidades.

Os que apoiavam esse movimento também acreditavam que o alívio das condições miseráveis em que as pessoas viviam poderia melhorar a natureza moral dos que sofriam essas carências.

Outra força motivadora por trás doevangelho social foi a visão sobre os tempos finais (Escatologia) dos envolvidos nessa corrente de pensamento. Quase todos eles eram amilenistas e pós-milenistas. Os primeiros acreditavam estar vivendo em um Milênio simbólico, período em que Cristo estaria governando a partir do céu, Satanás estaria preso e eles seriam os obreiros escolhidos por Deus para estabelecer o reino milenar na terra. Os pós-milenistas também acreditavam já estar no Milênio, e seu objetivo era restaurar a Terra a um estado semelhante ao Éden, para que Cristo pudesse voltar do céu a fim de implantar aqui o Seu reino terreno.

O evangelho social, em todas as suas variadas aplicações, ajudou a produzir algumas realizações (leis contra o trabalho infantil e a favor do sufrágio feminino), que contribuíram para o bem-estar social. Ele tornou-se a mensagem central dos teólogos católicos adeptos da Teologia da Libertação e das principais denominações protestantes durante o século 20. Embora sua popularidade tenha crescido e diminuído alternadamente, muitas vezes foi energizada pela combinação entre religião e políticas libertárias, por exemplo, de Martin Luther King Jr. e do movimento dos direitos civis. A médio prazo, através do século passado, o evangelho social influenciou movimentos como a Teologia da Libertação católica e o socialismo da ala esquerdista dos cristãos evangélicos. Contudo, foi no século atual que o evangelho social conseguiu sua promoção mais acentuada. Dois homens, ambos professando ser evangélicos, têm liderado esse caminho.

George W. Bush começou sua presidência instituindo o White House Office of Faith-Based & Company Initiatives (departamento da Casa Branca encarregado de lidar com iniciativas sociais religiosas e empresariais). Seu objetivo foi prover fundos governamentais às igrejas, sinagogas, mesquitas e outros ministérios religiosos que estivessem oferecendo serviços sociais junto às suas comunidades. Bush acreditava que os programas desenvolvidos pelo “povo de fé” poderiam ser pelo menos tão efetivos no auxílio aos necessitados como os das organizações seculares, e talvez até mais do que elas, por seu compromisso moral de “amar e ajudar o próximo”. Quando se preparava para deixar o cargo, ele declarou que considera o seu programa “Faith-Based” como uma das mais relevantes realizações do seu tempo como presidente. Barack Obama, o novo presidente eleito, declarou que pretende dar prosseguimento ao programa “Faith-Based” com suas iniciativas comunitárias.

Rick Warren, autor dos livros recordistas em vendas “Uma Igreja Com Propósito” e “Uma Vida Com Propósito” alçou o evangelho social a um patamar jamais alcançado: ele não apenas está tendo alcance mundial, mas fazendo parte do pensamento e do planejamento dos líderes mundiais. Warren credita a Peter Drucker, o gênio em gerenciamento de negócios, o conceito básico do que ele está executando. Drucker acreditava que os problemas sociais como a pobreza, a doença, a fome e a ignorância estariam além da capacidade de resolução dos governos e das corporações multinacionais. Para Drucker, a solução mais viável seria encontrada no setor sem fins lucrativos da sociedade, especialmente nas igrejas, com as suas hostes de voluntários dedicados ao alívio dos males sociais dos carentes de suas comunidades.

Warren, ao reconhecer por vinte anos o falecido Drucker como seu mentor, certamente aprendeu suas lições. Seus dois livros “Com Propósito”, traduzidos em 57 idiomas e com mais de 30 milhões de cópias vendidas, revelam as regras do jogo que Drucker havia visualizado. Warren fez com que as igrejas locais colocassem em prática a visão dos seus livros através dos programas comunitários enormemente popularizados como “40 Dias com Propósito”. Até o presente, 500 mil igrejas em 162 nações tornaram-se parte dessa rede mundial. Elas formam a base do seu plano global chamado P.E.A.C.E. (“Paz”, em inglês).

Mas o que é o Plano P.E.A.C.E? Warren apresenta seu plano à igreja no site www.thepeaceplan.com. No vídeo ele identifica os “gigantes” que assolam a humanidade, como sendo vazio espiritual, liderança autocentrada, pobreza, doença e analfabetismo, que ele pretende erradicar pelo P.E.A.C.E: “P”: plantação de igrejas; “E”: equipamento de líderes; “A”: assistência aos pobres; “C”: cuidado dos enfermos; “E”: educando a próxima geração.

Warren usa a ilustração de um tripé para descrever a melhor maneira de liquidar esses gigantes. Duas das pernas seriam governo e negócios, até hoje ineficazes, do mesmo modo como um tripé de dois pés não pode se manter de pé. A terceira perna, muito necessária, é a igreja:

Existem milhares de vilas no mundo sem escolas, sem clínicas, sem comércio e sem governo – mas sempre têm uma igreja. O que aconteceria se mobilizássemos as igrejas para atacar esses cinco gigantes globais?

Já que existem 2,3 bilhões de cristãos no mundo inteiro, Warren chega à conclusão de que eles poderiam formar o que Bush chamou de enorme “exército da compaixão” do“povo de fé”, como até hoje nunca se viu no mundo.

Warren expandiu sua “visão cristã” para uma visão inclusivista do Plano P.E.A.C.E., que tem atraído o apoio e o louvor dos líderes políticos e religiosos e das celebridades do mundo todo. No Fórum Econômico Mundial de 2008 [em Davos, na Suíça], Warren declarou: “O futuro do mundo não é o secularismo, mas o pluralismo religioso…”Referindo-se aos males que atacam o mundo, ele afirmou:

Não podemos resolver esses problemas sem envolver as pessoas de fé e suas instituições religiosas. De outra forma não será possível. Neste planeta existem aproximadamente 20 milhões de judeus, 600 milhões de budistas, 800 milhões de hindus, mais de um bilhão de muçulmanos e 2,3 bilhões de cristãos. Se excluirmos o povo de fé da equação, estaremos excluindo 5/6 da população mundial. E se deixarmos apenas nas mãos dos seculares a solução desses problemas, ela não será realizada”.

Warren expandiu sua “visão cristã” para uma visão inclusivista do Plano P.E.A.C.E., que tem atraído o apoio e o louvor dos líderes políticos e religiosos e das celebridades do mundo todo.

A fim de acomodar a cooperação com pessoas de todas as crenças, Warren substituiu o “P” do seu P.E.A.C.E. (plantar igrejas evangélicas) para o “P” de “promover reconciliação”. O “E” de “equipamento de líderes” (de igrejas) para “equipamento de líderes éticos”. Warren reconhece sua virada para o pluralismo:

Quem é o homem de paz em qualquer vila… ou, quem sabe, a mulher de paz… que goza do maior prestígio entre os seus?… Não precisam ser cristãos. Na prática, poderiam até ser muçulmanos, mas que estejam abertos e tenham influência, para se trabalhar com eles para atacar os cinco gigantes (aos quais ele adicionou o aquecimento global).

Ele cita um líder secular que aprova o que ele está fazendo.: “Eu entendo, Rick. Locais de culto são os centros de distribuição de tudo o que temos a fazer”.

Warren agora é membro do Conselho da Faith Foundation [Fundação de Fé], criada pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, recentemente convertido ao catolicismo romano. O alvo dessa instituição é fomentar a cooperação e o entendimento entre as seis maiores religiões: cristã, muçulmana, hindu, budista, sikh e judaica. Mas onde fica a cruz nesse ajuntamento ecumênico? Ora, ela não fica! Decisiva para a realização desse alvo ecumênico é a eliminação do problema das religiões exclusivistas, uma preocupação articulada com muita clareza por um dos painelistas no Fórum Econômico Mundial:

Existem alguns líderes religiosos de diferentes crenças que, para reforçar sua própria fé e legitimá-la… negam legitimidade e autenticidade às outras pessoas e suas crenças. Não creio que possamos continuar agindo assim sem… trazer à tona o tipo de ódio para o qual todos nós estamos tentando encontrar uma solução. Acho que a nós cabe pressionar os líderes espirituais, seja qual for sua fé. Insistimos em fortalecer aquilo que é belo em nossas tradições, enquanto nos negamos a denegrir outras tradições de fé sugerindo que elas sejam erradas ou predestinadas a ter um fim infeliz”.

A Bíblia explica que todas as religiões do mundo são “ilegítimas” e não simplesmente “predestinadas” a ter um “fim infeliz” – elas terão um fim “justo”.

A Bíblia explica que todas as religiões do mundo são “ilegítimas” [“falsas”] e não simplesmente “predestinadas” a ter um “fim infeliz” – elas terão um fim “justo”. Somente a fé no Evangelho bíblico salva a humanidade. Lemos em Atos 4.12 e João 3.16: “E não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

A história do evangelho social é, em quase cada caso, uma tentativa sincera de cristãos buscando fazer o que eles supõem que honrará a Deus e beneficiará a humanidade. Em cada caso, porém, a prática de “benefícios à humanidade” tem comprometido a fé bíblica e desonrado a Deus. Por que isso é assim? Porque Deus não deu à Igreja a tarefa de resolver os problemas do mundo. Os que tentam fazê-lo começam pela premissa falsa, como já diz Provérbios 14.12: “Há caminho que ao homem parece direito”, mas não é o caminho de Deus. Para onde leva esse caminho? “…mas ao cabo dá em caminhos de morte”, ou seja, à destruição. Além do mais, os problemas do mundo são apenas sintomas. A causa real é o pecado.

Qual a porcentagem do “povo de fé” (que engloba todas as religiões, que seriam 5/6 da população mundial) que entende e aceita o Evangelho – a única solução para o mal chamado pecado? Ou quantos dos 2,3 bilhões de “cristãos”, no mundo inteiro, crêem realmente no Evangelho bíblico? Os números caem exponencialmente. “Sim, mas… eles formam uma força maciça de voluntários e centros de distribuição muito além dos nossos recursos, aptos a liquidar os gigantes do mundo sofredor!” Mas, que aproveita se esses bilhões de “pessoas de fé” puderem aliviar alguns dos sofrimentos do mundo mas perderem justamente suas almas?

O evangelho social é uma doença mortal para o “povo de fé”. Ele reforça a idéia de que a salvação pode ser obtida pela prática de boas obras, colocando de lado as diferenças em favor de um bem comum, tratando os outros como gostaríamos de ser tratados, agindo de forma moral, ética e sacrificial – e que, agindo assim, as pessoas vão se tornar agradáveis a Deus. Não! Esses são esforços auto-enganosos, que desprezam a salvação de Deus, negando o Seu padrão perfeito e rejeitando Sua perfeita justiça. A salvação não acontece por meio de obras, para que ninguém se glorie. Na realidade, ela se processa assim: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). Jesus anunciava que Ele era a única esperança, para a humanidade condenada, reconciliando-a com Deus. Ele declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Não existe outro caminho, porque a perfeita justiça de Deus exige que a pena do pecado seja paga individualmente, pois “todos pecaram” (Rm 3.23).Somente o Homem-Deus perfeito e sem mácula tinha condições de pagar totalmente essa penalidade infinita, e o fez morrendo na cruz. Somente a fé em Jesus reconcilia o homem com Deus.

O vergonhoso evangelho social de hoje não apenas promove “outro evangelho” como ajuda a preparar um reino completamente contrário às Escrituras. Pois “…a nossa cidade está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Ele voltará do céu (Jo 14.3) para arrebatar os que nEle crêem (Sua Noiva), ou seja, para elevá-los às nuvens e levá-los para o céu (1 Ts 4.17). O reino que ficar na Terra será o reino do Anticristo.

O que realmente importa ao coração de Deus é que “todos se arrependam” e creiam no Evangelho.

Em concordância com seus princípios amilenistas/pós-milenistas, os esforços doevangelho social são tentativas terrenas de restaurar aqui o reino de Deus. Eugene Peterson infiltrou essa heresia em sua Bíblia “The Message”:

Deus não teve todo esse trabalho de enviar o Seu Filho simplesmente para apontar o seu dedo acusador, dizendo como o mundo era mau. Ele veio ajudar a colocar o mundo novamente em ordem (uma perversão de João 3.17).

Rod Bell, em seu livro “Velvet Elvis”, reflete a escatologia da “terra restaurada” de quase todos os líderes da Igreja Emergente:

Salvação é quando todo o universo é trazido à harmonia com o seu Criador. Isso tem conseqüências enormes na forma com que as pessoas apresentam a mensagem de Jesus. Sim, Jesus pode vir a nossos corações. Mas podemos nos juntar a um movimento que é tão amplo como o próprio universo. Rochas, árvores, pássaros, pântanos e ecossistemas. O desejo de Deus é restaurar tudo isso… O objetivo não é fugir deste mundo, mas transformá-lo no tipo do lugar para onde Deus possa vir. E Deus está nos transformando na espécie de gente que pode realizar esse tipo de obra.

Para Brian McLaren, líder da Igreja Emergente, essa é a futura maneira de ser dos cristãos. Numa entrevista ao ChristianPost.com de 28/7/2008 ele declarou:

Acho que no futuro também teremos de nos unir de forma humilde e tolerante a pessoas de outras crenças – muçulmanos, hindus, budistas, judeus, secularistas e outros – na busca pela paz, na preservação do meio-ambiente e na justiça para todos, as coisas que são importantes ao coração de Deus.

Não! O que realmente importa ao coração de Deus é que “todos se arrependam” e creiam no Evangelho.

Qualquer pessoa que deposita sua esperança nesse evangelho social, que usa “pessoas de fé” para “fazer deste mundo um lugar para onde Deus possa vir”, deve dar atenção às palavras de Jesus em Lucas 18.8b: “Contudo, quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?” Certamente Ele vai encontrar pessoas de todas as crenças, mas não a fé verdadeira, aquela fé pela qual Judas nos exorta a batalhar diligentemente (Jd 3). Que o Senhor nos ajude a todos para que jamais nos envergonhemos do Seu Evangelho! (T. A. McMahon – The Berean CallChamada.com.br)

Tomando Uma Decisão — Fatos sobre a interrupção da gravidez

Tomando Uma Decisão — Fatos sobre a interrupção da gravidez

Possivelmente você já ouviu dizer que pode fazer o aborto de forma segura e que não resultarão efeitos secundários físicos ou emocionais. Precisamos dizer-lhe que não é bem assim! Por isso, antes de tomar uma decisão, seja qual for, pense um pouquinho sobre as seguintes questões ou situações:

Você está sendo pressionada para praticar o aborto? Está sendo ameaçada de abandono, expulsão e de não receber ajuda caso continue com a idéia de ter o seu bebê? Você está insegura quanto às suas convicções sobre o aborto, mas pensa que é o melhor “diante das circunstâncias”?

É natural que você concorde com seus familiares ou com as pessoas que ama, especialmente se, em função de sua decisão, você possa perdê-los. No entanto, o que acontece quando eles querem que você faça algo que não deseja fazer? O aborto pode solucionar um problema para o seu noivo, esposo ou família, porém, começará um outro para você.

O que realmente acontece…

Se você pensa que um aborto resolverá um problema para o casal, lamento informar que isso NÃO acontecerá. Também não manterá o casal unido numa relação não estável. As estatísticas mostram que, em torno de 70% dos casais se separam no período de um ano após o aborto.

Sua idade é inferior a vinte anos?

Você era ainda uma adolescente? Lamento dizer que então há maior risco de ocorrerem reações negativas após o aborto. Certamente você jamais imaginou que ficaria grávida e agora a sua única preocupação é fazer com que o “problema” desapareça.

O que realmente acontece…

O aborto não faz os bebês desaparecerem. O aborto os mata. Se isso for algo que a perturba e incomoda, não o faça! Você se sentirá muito pior depois de se dar conta de que acabou com a vida do seu bebê.

Há alguma outra razão para que você não queira essa gravidez?

Em torno de 25% das mulheres têm dificuldades para engravidar. Não há certeza de que você não seja uma delas, simplesmente porque ficou grávida quando não desejava. Esse bebê “não planejado” poderia ser o seu único filho. A fertilidade diminui à medida em que envelhecemos.

O que realmente acontece…

O aborto é definitivo. Você nunca poderá recuperar este bebê!

Se você tem dúvidas sobre o aborto, não vá à consulta médica nem procure uma clínica clandestina para a interrupção da gravidez.

Busque alguém de confiança com quem conversar sobre isso. Certamente não faltará quem lhe diga: “Faça esse aborto o quanto antes”! Nós, porém, lhe aconselhamos: “Pare, pense e reflita!” Deus a ama e quer o melhor para você. Ele formou o bebê que você leva em seu ventre e que é um ser sem igual. Lembre-se que seu bebê é uma pessoa diferente de você, tem seu próprio grupo sanguíneo, seu coração começa a bater a partir dos 22 dias após a concepção e terá características que o farão ser tão especial que não haverá outro igual em todo o planeta. O propósito de Deus é que o seu bebê viva, pois, somente Ele é Quem dá a vida e somente Ele pode tirá-la. Você encontrará preciosas promessas na Palavra de Deus que a sustentarão em momentos difíceis. O Senhor promete, de alguma maneira, lhe proporcionar todas as coisas que você necessitar, quer sejam materiais ou emocionais. Apenas confie nEle de todo o coração.

Peça que Deus lhe perdoe seus pecados e confesse-Lhe que somente Ele pode perdoar e livrar de toda a maldade. Se você o fizer, poderá se apropriar da Sua promessa, pois Jesus disse: “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28.20).

Jesus deu a Sua vida por você, Ele sofreu horrivelmente para que você e seu bebê pudessem ter a oportunidade de desfrutar da Sua paz e Sua presença para sempre. Ele pode entendê-la melhor do que ninguém!

A Grande Virada

A Grande Virada

Norbert Lieth

Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Tm 3.1-5; veja também Rm 1.29-32).

Na história recente houve diversas grandes viradas: em 1968 ocorreu a chamada Revolução Cultural; na década de 1990 houve uma virada no mundo comunista; recentemente falou-se de uma virada nos países islâmicos, a “Primavera Árabe”. A Europa enfrentou uma virada econômica e no mundo inteiro há uma virada política (“Nova Ordem Mundial”, Acordos de Lisboa, etc.). A Bíblia fala de uma virada que caracterizará a sociedade nos tempos finais. Provavelmente, o que citamos já faz parte dela.

As palavras: “Sabe, porém, isto”, expressam toda a urgência de atentar para o que vem em seguida, neste caso, declarações proféticas acerca do futuro. Outra tradução diz:“Saiba disto” (NVI). A expressão denota ênfase no que vem logo depois. Isso nos alerta: não devemos deixar de lado nem fechar os olhos para a realidade que nos cercará nos últimos dias. Não devemos evitar nem menosprezar as declarações da profecia bíblica porque nos sentimos desconfortáveis com o que dizem. Não devemos ignorar sua mensagem por nos parecer negativa demais, pouco evangelística ou porque outros temas nos parecem mais relevantes. A Igreja não deve encobrir ou se calar sobre as verdades acerca dos tempos finais, uma vez que estão claramente registradas na Bíblia e representam um aviso antecipado do que está por vir. Na prática, já estamos vendo muitas dessas profecias sendo cumpridas hoje.

Já ouvi o seguinte dito: “As pessoas sempre dizem que os tempos estão piorando. Os tempos permanecem iguais, as pessoas é que pioram”. Em todas as épocas houve gente comportando-se como menciona esse texto bíblico. Então, qual seria a diferença entre o que as pessoas sempre fizeram e o comportamento delas nos tempos finais?

A diferença é encontrada em três níveis:

1. Será assim no futuro

Da expressão “nos últimos dias” (v.1), eschatos em grego, deriva a palavra Escatologia (a Doutrina das Últimas Coisas). A expressão descreve algo conclusivo, um evento que vem por último – o momento em que Deus conduzirá o Plano de Salvação à sua consumação final. Portanto, quando Paulo escreve que “nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis”, usando o verbo no futuro, ele está descrevendo menos o seu próprio tempo – mesmo tendo havido naquela época muitas pessoas com essas características, pessoas das quais Timóteo deveria manter distância (v.5) –, mas fala mais nitidamente de um tempo futuro, dos “últimos dias”.

2. Será um comportamento global

Paulo escreve que “os homens serão…”. Nos tempos finais, haverá uma postura humana globalizada, quando as características descritas em 2 Timóteo 3.1-5 serão generalizadas. O que ainda é individual ou regional, encaminha-se para sua mundialização.

3. Será num mundo cristianizado

O apóstolo escreve a respeito: “tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder”. A versão Almeida Corrigida Fiel diz: “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela”. Isso significa que o cristianismo deverá estar bem difundido antes que os homens possam voltar-lhe as costas e enveredar por essa lista de maus procedimentos, literalmente anticristãos. No tempo do apóstolo Paulo ainda não era possível haver tal postura global única, uma negação mundial da Pessoa de Jesus, se não na teoria, pelo menos na prática. Jesus ainda não era conhecido mundialmente nesse tempo. Mas, no século 21, essa atitude é bem visível no mundo ocidental cristianizado – hoje mais do que em qualquer outra época do passado. As pessoas têm se voltado contra Deus e, mais especificamente, contra Jesus Cristo.

A influência cristã foi muito forte no mundo, principalmente na Europa. O ex-presidente alemão Gustav Heinemann declarou acerca da Europa “cristã”: “A Europa deve a posição de destaque que ocupou no mundo ao Evangelho de Jesus Cristo”. Mas não é só a Europa que tem se afastado mais e mais do cristianismo bíblico. Alexander Soljenitzyn, o famoso dissidente soviético, declarou com acerto: “Se eu fosse instado a descrever de maneira resumida a característica mais marcante do século 20, não encontraria nada mais apropriado e mais exato do que dizer que os homens se esqueceram de Deus”.

“Tempos difíceis” no plural

Tempos terríveis ou tempos trabalhosos, no plural e não apenas um “tempo difícil”, significam que o caos na sociedade aumentará de intensidade – como ondas que se sucederão nos tempos finais. Será um subir e descer, um vai-e-vem. Isso nos lembra dos intervalos entre as dores de parto, como mencionadas em Mateus 24.8. O movimento juvenil e estudantil de 1968, que praticamente coincidiu com a reconquista de Jerusalém pelos israelenses, é uma dessas dores de parto. Em sentido absoluto, os tempos finais estão intimamente ligados com a restauração de Israel (Lc 21.29: a figueira e todas as árvores; Ez 36.33 e Rm 11.25-27; Jr 30.24-31.2; 33.7-8; Sl 102.14-19; Dt 4.30-31; 31.29).

Esses tempos difíceis serão tempos trabalhosos, terríveis, perigosos, ameaçadores ou maus, representando uma grande virada, uma fase marcada pela completa inflexão em todas as áreas da vida e entre todos os povos da terra. Ao fazer essa declaração, o Espírito Santo não deixa margem para que esperemos por tempos melhores. Ele afirma simplesmente, de maneira muito sóbria, que os tempos ficarão piores. Hoje se fala abertamente que somos uma sociedade sem valores, caracterizada pela pressão psicológica e ansiosa por transformações. Nosso mundo é marcado por atos terroristas, pela violência, revoluções e manifestações, levantes e liberalidade moral. A seguir examinaremos as 18 características (mencionadas em 2 Timóteo 3.1-5), que serão marcantes e sobrevalentes na sociedade dos tempos finais.

Os homens serão…

1. Egoístas

Outra versão diz: “amantes de si mesmos”, buscando unicamente seus próprios interesses. O homem egoísta se posiciona no centro das atenções. Um psicanalista explicou: “A suprema máxima da Psicanálise é a auto-realização e a autonomia do homem”.

2. Avarentos

O materialismo e a ganância estão desalojando os valores espirituais nestes tempos do fim. A Bíblia diz que “…o rico responde com durezas” (Pv 18.23). Isso não se aplica a todos os ricos, mas adapta-se muito bem ao nosso tempo, uma vez que o dinheiro pode perverter o caráter e endurecer o coração – e a crise financeira mundial, com focos localizados de enormes perdas e prejuízos, apenas expõe a realidade dessa verdade bíblica. A economia prescinde de fundamentos morais, e muitas vezes não se encontram os verdadeiros culpados pelas fraudes financeiras. Pelo caminho restam as muitas vítimas lesadas pela ganância desmedida dos avarentos.

Percebemos que a crise não é primariamente financeira ou econômica, mas uma crise de valores. Os países fazem dívidas horrendas para financiar o consumo porque ninguém está disposto a abrir mão de qualquer coisa a que julga ter direito.

3. Jactanciosos

Os homens dos tempos finais serão fanfarrões, exibidos, convencidos, exagerados, presunçosos. Basta pensar nos políticos de hoje, nos novos-ricos ou nas celebridades. Programas do tipo reality-show se espalham como um vírus.

4. Arrogantes

Homens arrogantes são soberbos e se colocam acima de todos os limites morais, éticos e sociais. Só o que eles dizem tem valor.

5. Blasfemadores

Os homens se elevam acima dos outros e sentem-se no direito de pisar tudo o que é santo, puro e bom. Suas blasfêmias se voltam contra Deus e rebaixam seus semelhantes. Sem qualquer critério objetivo, atacam políticos, difamam autoridades e denigrem o cristianismo. Programas de televisão e comédias populares zombam das autoridades, fazem piadas sobre Deus e jogam na lama os valores cristãos.

6. Desobedientes aos pais

Isso não significa apenas negar aos pais a obediência que lhes é devida, mas a implementação de um verdadeiro sistema de desobediência aos pais, um amplo e degenerado espectro de comportamento que será típico dos tempos finais. A família, a menor célula da sociedade, é agredida e atacada, a autoridade dos pais é esvaziada e os valores que solidificam a família e a coesão social estão sendo derrubados um por um. É o que estamos vendo em escala global.

7. Ingratos

Os homens consideram tudo como sendo direito seu. Olham com desprezo para os tempos passados, quando seus pais se privavam de bens de consumo em troca de alvos superiores. A ingratidão é generalizada, está por todos os lados e um simples gesto de gratidão, um “muito obrigado”, tem ficado cada vez mais raro.

8. Irreverentes

Para os homens irreverentes nada é sagrado. Não respeitam os padrões divinos, as leis da nação, as normas sociais, a família, a vida antes do nascimento ou os idosos. Por isso derrubam as barreiras legais ao aborto ou à eutanásia, prática já legalizada em muitos países. Mas a irreverência maior é contra o Deus Criador, muitas vezes trocado pela veneração à criatura e à criação.

9. Desafeiçoados

Essa característica é o cumprimento da profecia de Mateus 24.12: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”. Falta de afeição e a frieza emocional são os frutos de uma geração tecnologizada, que prefere a comunicação à distância ao calor humano da verdadeira proximidade.

10. Implacáveis

Homens implacáveis são duros e sem compaixão. Isso transparece em coisas grandes e pequenas, nas relações familiares, entre vizinhos, em manifestações e protestos, no racismo, no anti-semitismo e nas múltiplas manifestações de um coração endurecido. O amor ao próximo está em falta. Muitas vezes é em vão que procuramos a boa-vontade que integra e acolhe o outro.

11. Caluniadores

Em grego é diaboloi. O próprio Diabo é o diabolos, aquele que causa confusão, mas ele também é o acusador (Ap 12.10). Os tempos finais serão literalmente tempos diabólicos, repletos de falsas acusações, com a verdade sendo distorcida e os valores se tornando relativos. A verdade passa a ser mentira e injustiça, enquanto a mentira é elevada à posição de verdade. Despreza-se o que a Palavra de Deus diz acerca do pecado humano, enquanto os crimes ambientais são exemplarmente punidos.

Quem crê na Bíblia, quem se apóia nela e procura viver segundo seus preceitos pode ser processado e perseguido por estar atrapalhando a sociedade. Tudo é diferente quando alguém se baseia no que é politicamente correto. Aí tudo é válido, até as maiores aberrações.

12. Sem domínio de si

Homens sem domínio de si são homens sem freios e sem limites, que dão livre vazão a seus impulsos e instintos. É um andar sem o Espírito Santo (Gl 5.16-21).

13. Cruéis

Homens cruéis são brutos e rudes, impulsivos, homens frios que não refreiam sua ira e revidam pronta e descontroladamente. Mobbing e bullying no trabalho e nos pátios escolares certamente se encaixam aqui. A crueldade é outra característica que tem se alastrado enormemente em nossos dias. Basta olhar para a violência ao nosso redor.

14. Inimigos do bem

Os inimigos do bem desprezam o que é bom e rejeitam as virtudes. Chegam ao extremo de resistir ativamente ao bem e a qualquer moral superior. A desobediência civil já é considerada uma virtude em algumas sociedades mais “progressistas”, assim como a igualdade de gênero, a infidelidade conjugal e o homossexualismo, cujo lobby influencia progressivamente a mídia e o sistema de leis de muitos países.

15. Traidores

Essa característica lembra Judas, que traiu Jesus. Haverá um paralelo nos tempos do fim, quando uma cristandade apóstata trairá a doutrina de Cristo e oferecerá seus préstimos ao Anticristo. Outras doutrinas que não as da Bíblia são disseminadas e se alastram de forma crescente nos países outrora cristãos. Mas a base bíblica é desprezada e ridicularizada.

16. Atrevidos

Outras traduções dizem que os homens “agem no impulso da paixão”. Esses são, por exemplo, os aventureiros que não temem perigo algum e arriscam suas vidas por simples prazer.

17. Enfatuados

Os enfatuados são os vaidosos, presunçosos, cheios de si. Os donos da verdade e os petulantes também se encaixam aqui. Qualquer semelhança com nossos contemporâneos não é mera coincidência. É cumprimento de profecia bíblica.

18. Mais amigos dos prazeres que amigos de Deus

Essa é a descrição de um estilo de vida que exclui a Deus por completo. As pessoas estão abertas para tudo o que dá prazer, mas se fecham para o que vem de Deus. A palavra inglesa fun (diversão) tornou-se um conceito de vida. A Bíblia chega a falar de pessoas cujo deus é o ventre (Fp 3.19). A ordem suprema parece ser prazer e diversão, não só entre jovens e adolescentes.

Resumindo

Essas dezoito (3 x 6 = 666) características que marcarão as pessoas dos tempos finais são resumidas na décima-nona: “Tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder”. Outra forma de traduzir seria: “Têm aparência de religiosidade, mas não querem nem ouvir falar da verdadeira doutrina e do poder da verdadeira piedade”.

Essas mudanças brutais no comportamento e na mente das pessoas dos tempos finais não se deterão diante das portas da Igreja, pois o versículo 13 completa, dizendo que serão enganadores enganados: “Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3.13).

As coisas não irão melhorar. Tudo ficará ainda pior. Todo esse processo é uma forma “paganizada” de cristianismo. Da antiga Reforma Protestante não sobrou muita coisa. O princípio dos reformadores: “Só a Bíblia”, já foi abandonado há muito tempo. A forma exterior ainda se mantém, acompanhada de certa dose de religiosidade, de tradições eclesiásticas, usos e costumes, títulos, cerimônias e rituais, mas o verdadeiro poder do Evangelho está bem distante dos fiéis. Na prática, o verdadeiro poder de Cristo é negado. Padrões não-bíblicos dominam grande parcela do que se chama de cristianismo. Essa foi a grande virada para o mal. Por isso, só resta uma resposta aos cristãos sinceros: “Foge também destes”. Essa é a virada dentro da virada! A virada para o bem!

Timóteo, na sua época, já foi instado a se afastar de gente assim. Quanto mais esse conselho é válido para os cristãos dos tempos finais, a quem Paulo se dirige aqui! Mas para a grande virada dentro da virada devemos prestar atenção a três coisas:

1. A entrega pessoal a Jesus Cristo

Podemos nos perguntar: “Como consigo escapar dessas circunstâncias tão negativas e destrutivas que vejo ao meu redor se eu mesmo me sinto prisioneiro do sistema que rege o mundo e me identifico com essas características dos homens dos tempos finais?” A resposta é: Podemos mudar de lado! Podemos ir para o lado certo! Dora Rappard declarou: “Não há fuga de Deus, só fuga para Deus”. Existem coisas mais importantes do que a crise financeira mundial. As pessoas não estão endividadas apenas monetariamente. Sua dívida maior é com Deus. Voltar-se para Jesus é a única forma de nos libertarmos dessa dívida. “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is 45.22). Essa é a maior reviravolta que alguém pode dar.

2. A virada para uma nova postura de fé

Muitos cristãos ficam desanimados com os acontecimentos à sua volta. Vivem com uma visão muito estreita do que Deus quer fazer e pode fazer. Olham para a sociedade e para os eventos do mundo de forma excessivamente negativa. Não podemos mudar as coisas, mas podemos mudar nossa postura diante do que acontece. Em um mundo cada vez mais destrutivo, espiritualmente falando, deveríamos ser cristãos construtivos e pró-ativos. Para os crentes espirituais existe uma resposta às circunstâncias anticristãs que vão crescendo e tentando nos sufocar: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4.8).

3. A grande virada será a volta de Cristo

Não são as crises espirituais ou políticas, muito menos as econômicas, que falam a palavra final; elas apenas confirmam o quanto a Bíblia é confiável. A palavra final, em todos os assuntos, está com Jesus Cristo: “E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque essas palavras são fiéis e verdadeiras” (Ap 21.5). Em um mundo tão inseguro e pouco confiável, as promessas de Deus foram e continuarão sendo confiáveis e seguras. Com esse foco no Senhor e com essa visão cheia de confiança podemos viver um cristianismo autêntico, mesmo cercados por uma maré de pecado e maldade! Maranata! Jesus voltará!

Batalhar Pela Fé

Batalhar Pela Fé

William L. Krewson

Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo, a misericórdia, a paz e o amor vos sejam multiplicados. Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Judas 1-4).

Alguma vez você já desejou poder voltar à pureza da Igreja cristã do século I, quando não havia diferenças denominacionais e todos os crentes eram simplesmente chamados cristãos? Esta saudade do passado “não-contaminado” é compreensível à luz da história fragmentada da Igreja.

Alguma vez você já desejou poder voltar à pureza da Igreja cristã do século I?

Contudo, a curta epístola de Judas dissipa o mito de que a Igreja do Novo Testamento era um lugar simples, pacífico e perfeito para o louvor tranqüilo e a unidade doutrinária. Na verdade, o livro de Judas revela a intensa batalha da Igreja primitiva pela pureza doutrinária e pela integridade moral.

O Autor

Judas identificou-se como “servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago” (Jd 1). Outras passagens no Novo Testamento revelam mais sobre Judas do que ele mesmo falou a seus leitores. De acordo com Mateus 13.55, ele era filho de José e Maria, o que faz dele meio-irmão do Senhor Jesus Cristo. Contudo, tão surpreendente quanto possa parecer, no início Judas era um incrédulo: “Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele” (Jo 7.5).

Meramente crescer com Jesus não garantia que os corações dos de Sua família seriam regenerados. Isso nos lembra que a salvação é uma decisão pessoal, independente da sua proximidade com pessoas piedosas.

Não obstante, um acontecimento transformou tanto Judas quanto seus irmãos em verdadeiros crentes: a miraculosa ressurreição de Jesus. O Cristo ressuscitado apareceu especificamente para Seu irmão Tiago (1Co 15.7). Sem dúvida, a notícia sobre aquele encontro espalhou-se para o restante da família de Jesus, convencendo Judas de que seu irmão mais velho era, de fato, o Messias divino.

Durante muitos anos, Judas se opôs à mensagem de Jesus sobre o pecado, o arrependimento, o Reino de Deus, e a vida eterna. Mas, depois que ele colocou sua fé em Jesus Cristo, Judas percebeu que todos os outros caminhos religiosos levavam para o engano e para a condenação eterna. Seu zelo de que somente Jesus era o caminho, a verdade, e a vida é uma linha comum em toda a sua carta.

A Mensagem

O amor de Judas pelo Evangelho era tão grande que o impeliu a escrever uma carta sobre “nossa comum salvação” (Jd 3). Ele tinha a intenção de espelhar o apóstolo Paulo, explicando as maravilhas do plano redentor de Deus. Mas, em vez disso, o Espírito Santo moveu-o a enfocar uma exigência mais persistente, a saber, a necessidade de que batalhassem “diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (v.3). A palavra “batalhar” resume o tema dessa carta.

Tanto Paulo quanto Judas usaram a noção de “batalhar”, “lutar”. Através de metáforas militares e atléticas, Paulo usou-a para explanar como os cristãos travam uma batalha espiritual contra o mal (Ef 6.12) e correm uma corrida por uma coroa “não corruptível” (1Co 9.25). Judas instava com os cristãos para que batalhassem “diligentemente, pela fé”, que é o corpo da doutrina cristã passada de Jesus Cristo para Seus apóstolos de“uma vez por todas” (Jd 3) e crida pela comunidade cristã. Judas exortou seus ouvintes para batalharem pela fé, lutando contra as doutrinas envenenadas dos falsos mestres, ensinando fielmente as pessoas sobre a verdade de Deus na corrida pela vida eterna.

O Perigo

Mesmo na Igreja dos primeiros tempos, falsos mestres proclamavam um meio falso de salvação que era extremamente parecido com o verdadeiro. Eles não somente atacavam o cristianismo pelo lado de fora da Igreja, mas também se infiltravam no corpo de Cristo“com dissimulação” (v.4). Sinistramente distorciam o Evangelho, transformando “em libertinagem a graça de nosso Deus” (v.4), afirmando que as pessoas que recebiam a graça de Deus eram livres para viver de qualquer maneira que escolhessem.

Eles não ensinavam que a verdadeira fé salvadora leva a uma vida transformada. A doutrina corrupta deles negava o “único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (v. 4), que torna possível termos uma vida transformada. O senhorio de Jesus Cristo inclui não apenas nossa salvação inicial, mas também nossa busca constante pela santidade; qualquer coisa que seja menos que isso nega Jesus como Senhor.

O ensinamento deles sobre a graça de Deus contradizia a própria essência da mensagem de Jesus, que era chamar “pecadores, ao arrependimento” (Lc 5.32). Paulo exortou os crentes a não abusarem da graça como uma desculpa para pecar: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém, não useis da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl 5.13).

A graça de Deus não nos dá apenas liberdade, ela também produz em nós o desejo por uma vida piedosa.

A graça de Deus não nos dá apenas liberdade, ela também produz em nós o desejo por uma vida piedosa: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente” (Tt 2.11-12).

O senhorio de Jesus Cristo atinge todas as partes de nossa vida. A santidade não é opcional, mas imperativa. Judas disse que os falsos mestres mostram sua verdadeira natureza por meio de sua conduta sensual e imoral (Jd 6-7).

O Novo Testamento está repleto de admoestações semelhantes sobre pessoas que ensinam doutrinas falsas. Jesus nos advertiu de que lobos ferozes virão, disfarçados em pele de ovelha; mas seremos capazes de discernir sua verdadeira natureza por meio de suas vidas ímpias: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20). E Paulo nos adverte: “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles” (At 20.29-30).

O apóstolo Pedro também descreveu os falsos mestres como aqueles que prometem“liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção” (2Pe 2.19).

Nos últimos 2.000 anos, falsos mestres têm se infiltrado na Igreja e promovido suas heresias. Durante os séculos II e III, o gnosticismo infiltrou-se, ensinando que Jesus era um ser divinamente criado, que meramente parecia ser humano. Essa falsa doutrina corrompeu os princípios morais da Igreja, e os líderes da Igreja primitiva batalharam pela fé, opondo-se vigorosamene à falsidade.

Durante o mesmo período, um mestre chamado Marcion negou a autoridade das Escrituras hebraicas e de grande parte do Novo Testamento. Os líderes da Igreja batalharam pela fé, confirmando a inspiração dos livros que agora compõem o cânon do Novo Testamento.

Um líder cristão da Igreja primitiva, muito conhecido por sua zelosa defesa da fé, foi Epifânio, que escreveu o Panarion, no século IV. O título do livro significa “baú de remédios”, porque foi escrito para curar aqueles que haviam sido feridos pelas mordeduras de serpente de 80 diferentes heresias ensinadas durante os quatro primeiros séculos da Igreja. A vigorosa defesa da fé feita pelos crentes da Igreja primitiva deveria desafiar a Igreja de hoje a seguir em suas pegadas e batalhar “diligentemente, pela fé”.(William L. Krewson – Israel My GloryChamada.com.br)

William L. Krewson é diretor dos cursos de licenciatura na Escola de Divindade da Universidade Cairn (antes Universidade Bíblica Filadélfia), em Langhorne, Pennsylvania, EUA.