“Seca-se a erva e caem as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Isaías 40:8).

 

O que é o pecado contra o Espírito Santo?


O que é o pecado contra o Espírito Santo?

Samuel Rindlisbacher

Pergunta: “No aconselhamento bíblico as pessoas perguntam com freqüência: Será que cometi o pecado contra o Espírito Santo? Deus ainda pode me perdoar?”.

Resposta: Só podemos responder uma única coisa àqueles que têm essa dúvida: “Não, você não pecou contra o Espírito Santo!”.

Enquanto estivermos aqui na terra, infelizmente iremos pecar e entristecero Espírito Santo. Todos nós, mesmo depois de salvos, erramos e ofendemos a Deus. João escreve: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos e a verdade não está em nós” (1 Jo 1.8). Infelizmente, a realidade é essa. João afirma que todos pecamos e logo aponta para a possibilidade de sermos perdoados, pois diz no versículo seguinte: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9).

Para entendermos a declaração que Jesus fez acerca do pecado contra o Espírito Santo: “Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada” (Mt 12.21), precisamos observar todo o contexto das Suas palavras e ir ainda mais além, ampliando nosso foco de visão e voltando ao Antigo Testamento. Uma das finalidades principais do Antigo Testamento era anunciar a vinda do Messias, do Salvador. Autenticando Sua vinda, o Messias faria grandes sinais e milagres.

Quando Jesus começou a atuar publicamente, “indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler” (Lc 4.16). Deram-lhe o livro do profeta, e Ele leu: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor” (vv.18-19). E acrescentou, referindo-se a Si mesmo: “Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4.21).

Ao fazer isso, Jesus estava reivindicando ser o Salvador prometido, Aquele sobre quem o Espírito do Senhor repousava. Como confirmação dessa realidade, Ele curou enfermos, expeliu demônios, andou sobre as águas, alimentou uma grande multidão com apenas dois peixes e cinco pães e ressuscitou mortos. E foi um passo além, afirmando ser igual a Deus! Uma pretensão monstruosa, não fosse a existência dos sinais e milagres acompanhando Suas palavras e acontecendo exatamente como previstos no Antigo Testamento. As manifestações que acompanhariam o Messias e a legitimação divina de Seu ministério já haviam sido profetizadas nas Escrituras do Antigo Testamento.

Os fariseus sabiam de tudo isso. E sabiam muito bem. Mas isso os colocava diante de um grande dilema: eles tinham de escolher entre admitir que Jesus Cristo era o Messias e crer nEle – correndo o risco de perder sua posição e seu status – ou rejeitar Jesus como Messias – e, nesse caso, tinham de encontrar outra saída para explicar as obras que Jesus fazia.

Infelizmente, escolheram a segunda opção e rejeitaram Jesus Cristo. Isso aconteceu mesmo tendo eles pleno conhecimento dos milagres e sinais e sabendo com exatidão o que o Antigo Testamento dizia acerca do Messias que viria. Sua rejeição a Jesus como Messias deu-se apesar de saberem que Ele era o Messias de Israel! Sua resistência a Jesus era tão grande que eles tiveram a coragem de atribuir aos demônios os milagres e sinais que Jesus fazia por meio do Espírito Santo: “Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios!” (Mt 12.24).

Essa negação consciente da ação do Espírito Santo, sua inarredável rejeição ao Messias prometido, sua não-admissão de que Jesus era o Prometido, sua decisão consciente: “Nós não O queremos!”, os seus planos malignos para tirar Jesus do caminho, seus jogos de poder para manter sua posição, tudo isso foi chamado por Jesus de pecado contra o Espírito Santo.

Ninguém cuja consciência ainda se manifeste, cometeu esse pecado. Se alguém ainda teme ao Deus vivo, não pecou contra o Espírito Santo. Ninguém é culpado desse maior de todos os pecados se ainda sentir culpa diante de Deus ou lamentar seu estado perdido.

Anime-se outra vez e olhe para Jesus! Ele perdoa, Ele tem prazer em perdoar sempre! E de perdoar mais uma vez! A qualquer hora!

Mas se nossa consciência ainda assim nos acusar e não nos deixar em paz, firmemo-nos na Palavra de Deus, que diz: “se o nosso coração nos acusar, certamente, Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas” (1 Jo 3.20). Deus em Sua graça é maior, bem maior do que a sua consciência em tumulto! (Samuel Rindlisbacher)

O Advento do Espírito Santo

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O Advento do Espírito Santo – Ele Veio Para Fazer Estas Coisas Reais nos Crentes

Chegamos ao advento do Espírito Santo. Você percebe que cada passo deve seguir o precedente, cada um é uma parte do outro. O advento do Espírito Santo foi para absorver todas aquelas coisas que tinham precedido, para trazê-las à terra, do Senhor glorificado no Céu, e para torná-las reais em você e em mim. O Espírito Santo veio para tornar eficaz em você e em mim a redenção para a qual Cristo veio _ ‗a redenção que está em Cristo Jesus‘ (Rom 3.24) _ a reconstituição do homem demonstrada em Cristo. Ele veio para continuar aquela obra que foi aperfeiçoada Nele, e levá-la à perfeição em nós _ para nos aperfeiçoar também, para nos fazer completos com a plenitude de Cristo.
Assim, a base da operação do Espírito Santo é nada menos do que todo o significado da Encarnação, naqueles aspectos. Quanto à vida terrena, aqui está o Homem, o tipo de homem que Deus procura, e o Espírito Santo veio para nos conformar a este tipo de homem, à imagem do Filho de Deus: numa palavra, tornar-nos semelhantes a Cristo. Esta é a obra do Espírito Santo; esta é a coisa pela qual Ele veio. Esta é a gloriosa esperança para nós.
Quanto à cruz _ sim, é igualmente verdade que a atividade do Espírito Santo é constantemente dar testemunho contra aquele homem que foi colocado de lado. Se você e eu somos habitados e governados pelo Espírito Santo, saberemos quando tocamos aquele homem. Saberemos que este é um terreno proibido; saberemos que há um aviso lá: ‗Não ultrapasse _ mantenha-se afastado. ‘ Todo cristão que não sabe, por meio de uma ferroada ou um chute por trás, quando ele ou ela toca o velho homem, está faltando sensibilidade ao Espírito Santo. Mas há outro lado. O Espírito Santo nos mantém do lado positivo, dizendo: ‗Agora este é o caminho, o caminho da vida. Largue o velho caminho _ mantenha-se no caminho da vida!‘ Caro cristão, guarde isto no coração: acabe com aquele velho homem! Não esteja constantemente desenterrando-o e olhando para ele, indo sobre ele e ao redor dele, tentando encontrar algo de bom nele _ isto é, em você mesmo; pois você nunca conseguirá! O veredicto de Deus é que nele ‗não há bem algum‘ (Rm. 7.18); assim, mantenha-se longe deste terreno, e mantenha-se no campo do novo homem. O velho homem foi exposto: certamente você sabe quão mau ele é. Por que ter alguma coisa com ele?
O Espírito Santo veio para nos fazer saber que há um outro terreno sobre o qual devemos viver nossas vidas. Ele veio para levar a termo o efeito da obra da cruz, afastando de lado um, e trazendo o outro: em outras palavras, para fazer caminho para a ressurreição. Você e eu somos agora pelo Espírito Santo chamados para viver no terreno da Sua ressurreição, pela vida da ressurreição. A ressurreição é a grande característica desta dispensação. Essas são duas verdades _ o afastamento de um, a fim de abrir caminho para o outro. E o Espírito Santo veio para trabalhar neste terreno.
Finalmente, tudo isto está reunido no Homem que está na Glória. Ele é a corporificação de todas essas coisas divinas. Ele está instalado lá, longe de quaisquer riscos terrenos, longe de qualquer possibilidade de interferência aqui da terra. Ele está fora de alcance de qualquer toque aqui deste mundo que procurasse alterar as coisas. Ele está bem acima de tudo. E, então, o Espírito Santo vem para continuar tudo isto que está corporificado Nele, e trabalhá-lo em nós e na Igreja.
Isto, então, é a resposta à questão: Por que o Espírito Santo? Para cumprir o significado da encarnação, no que ela se refere ao homem; para cumprir o significado da vida terrena; para cumprir o significado da cruz; para cumprir o significado da ressurreição; para cumprir o significado da ascensão e glorificação do Senhor Jesus. O Espírito Santo absorve todas essas coisas, com o objetivo de realizá-las nos crentes.

O ESPÍRITO SANTO ESTÁ COMETIDO AO SENHOR JESUS

Assim, o Espírito Santo está completamente cometido ao Senhor Jesus. Ele tem um interesse que inclui e abrange todos os demais: Ele está focado com toda a Sua atenção e recursos sobre o Senhor Jesus, a fim de fazê-lo glorioso, e isto nos crentes. Como sabemos, o Senhor Jesus disse: ‗Ele Me glorificará‘ (Jo 16.14). Esta é a Sua obra. Talvez isto seja algo muito familiar para se criar qualquer espécie de barulho, porém, encontro bastante conforto para o meu coração a partir de cada contemplação fresca no fato de que o advento do Espírito Santo foi centralizado e resumido sobre este único assunto: realizar em você e em mim _ isto é, na Igreja _ tudo aquilo que o Senhor Jesus foi e fez na qualidade de Filho do Homem. Isto abre um espaço para confiança em oração, um campo de garantia da esperança. É assim que o Espírito Santo tem governado nesta dispensação.
Este foi o tema principal de nosso Senhor durante aqueles últimos dias com os Seus discípulos. Ele terminou o Seu ministério público, retirou-se das multidões, e, por muitas horas antes do fim, entregou-se a Si mesmo, com atenção concentrada, aos seus discípulos. E, se você olhar para aqueles últimos dias e horas, tão firmemente embalados com esta instrução, este ensino, este abrir do Seu coração, você descobrirá que o seu tema principal durante todo aquele tempo se referia ao dia que estava chegando. ‗Naquele dia…‘, ‗No dia…‘, Ele dizia; e ‗aquele‘ dia era o dia do Espírito Santo. ‗Quando Ele vier…‘; ‗Naquele dia, quando Ele vier…‘ Ele deu a maior importância e valor sobre a vinda do Espírito Santo, porque Ele sabia muito bem que tudo aquilo para o qual Ele tinha vindo, como a encarnação e a vida terrena, e a cruz, ficaria sem qualquer valor caso o Espírito Santo não reproduzisse aquilo orgânica e vitalmente em seu povo.
Ele reuniu aquilo numa declaração muito familiar: ‗se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. ‘ (Jo. 12.24). Agora, Ele disse isto em resposta a certas pessoas que tinham expressado um desejo de ‗ver Jesus‘ (v.21). Foi uma resposta estranha, misteriosa. ‗É chegada a hora em que o Filho do Homem será glorificado… se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só…‘ Certamente o que Ele queria dizer era: ‗Embora você peça, embora você busque, mesmo com sinceridade, você jamais irá ver o Filho do Homem glorificado, somente se Ele for reproduzido em outra pessoa, como o grão reproduzindo a si mesmo. Aí você Me verá, aí você verá a minha glória‘.
Porque há um senso no qual não se vê o Filho do Homem, o glorioso Filho do Homem, exceto na Igreja, nos crentes. Que pobre exibição fazemos disso! Mas este é o Seu caminho. Digo, Ele gastou aquelas horas e aqueles dias concentrado nisto. ‗Por tudo aquilo que vim a ser e a fazer, a necessidade é de que o Espírito Santo venha. É muito mais importante que Ele venha do que Eu fique. Se Eu ficar, sou como o grão de trigo sozinho; se Eu for, abro espaço para Ele reproduzir‘. Ele ensinou, portanto, que a única maneira de conhecê-Lo, a única maneira de vê-lo, era dessa forma.

A MORTE, O OBSTÁCULO PARA O PROPÓSITO DE DEUS, FOI REMOVIDA

Que efeito deve isto ter sobre nós? Certamente, antes de tudo, deve nos dar um real exercício sobre a questão do Espírito Santo ter o seu lugar legítimo em nós, sem obstrução alguma, estando livre para fazer a Sua obra. Vamos nos lembrar de que Deus, do seu lado, tem se movido para remover a grande obstrução de todos. Quando, na carta aos Hebreus, o Senhor Jesus é apresentado como o Homem instalado no Céu _ ‗Vemos a Jesus, coroado com glória e honra‘ (2.9) _ isto significa que é possível agora para Deus continuar com a Sua obra em relação à humanidade. O plano de Deus está sempre voltado para o homem. ‗Que é o homem, para que te lembres dele? Ou o Filho do Homem, para que o visites?‘ (2.6). Aqui está O Homem a quem os homens devem ser conformados: porém havia uma grande obstrução, um grande obstáculo que tornava aquilo impossível, e este era a morte. A morte estava no caminho. O homem jamais podia chegar àquilo enquanto a sentença de morte repousasse sobre tudo. Pois, quando o homem pecou em seu primeiro pai, a morte, o grande inimigo a todo propósito de Deus, foi passada como uma sentença sobre todos os homens; e assim, ela se põe no caminho. Aquele homem, aquela raça jamais pode chegar lá e ser daquela maneira.
Porém, ‗Vemos …a Jesus, por causa do sofrimento de morte, coroado com glória e honra‘. Ele removeu aquela obstrução, o obstáculo, e a destruiu. ‗para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte‘ (Hb 2.14). Ele ‗experimentou a morte por todos os homens‘ (v.9). Ele removeu o grande obstáculo e o tirou do caminho. Agora podemos alcançar aquela semelhança! Do lado de Deus, o maior obstáculo ao cumprimento do Seu propósito Divino foi removido _ e, se você lidar com o maior, terá lidado com todo o resto _ e assim, o caminho está aberto.
O efeito disso sobre nós, então, deve ser que nos damos conta de que escapamos, e nos mantemos afastados do terreno da morte _ a morte que repousa sobre o velho homem. Isto pode soar misterioso, confuso, porém, de fato isto é muito real, prático. Se você e eu começarmos a ter qualquer envolvimento com nós mesmos, como estarmos em nós mesmos, sabemos que a morte começa a operar. É sempre assim. E o inimigo sabe disso também. Se ele puder colocar em movimento esta ‗roda da natureza‘ (Tg 3.6), fazê-la ficar estimulada e nos fazer ficar envolvidos, ele sabe que nos terá novamente debaixo do poder da morte. O Espírito Santo é o Espírito da Vida, e Ele trabalha nesse sentido, e apenas neste sentido, o terreno da vida. Você e eu, portanto, deveríamos fazer disto o nosso exercício para sempre permanecermos no terreno da vida. Precisamos nos lembrar de que o plano de Deus para nós é vida, não morte. Se nos apegarmos à vida, Deus irá reagir: o Espírito Santo irá se mover. Nós aceitamos a morte muito facilmente. O inimigo está sempre oferecendo morte para nós, de uma forma ou de outra, tentando nos fazer aceitá-la. Se começarmos a brincar com a morte, simplesmente estaremos dando terreno para o Diabo, e ele irá arruinar tudo. É contra o Espírito Santo. Que o Senhor nos ensine o que isto significa.
O Espírito Santo, então, está comprometido com o Cristo ressuscitado, para a realização de tudo o que a Sua vida ressurreta significa, visando no final a glorificação.

A PRESENTE DISCIPLINA LIGADA AO GOVERNO FUTURO

Há em Cristo um propósito muito completo em relação ao homem, um propósito muito completo de fato. Dissemos alguma coisa a esse respeito, a partir de Hebreus, em seu último capítulo. ‗E o constituíste sobre as obras das tuas mãos‘; ‗Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés.‘ (Hb 2.8). ‗Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos.‘ (Hb 2.5). Este este é um tremendo chamado, uma tremenda vocação: nada menos do que governar este mundo, em união com Cristo, na época vindoura. Você diz: ‗Esta é uma idéia maravilhosa, uma linda concepção _ porém, qual é o valor de concepções e idéias maravilhosas que estão distantes nos séculos vindouros?‘ Após esta maravilhosa apresentação que vimos em Cristo, e do homem em relação a Cristo, e de sua associação e participação no governo do mundo vindouro, há duas coisas que resultam desta carta aos hebreus.
Uma é que, em relação a este propósito, Deus está fazendo algo nos crentes agora. Você se lembra de Hebreus 12? ‗tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?‘ (vv. 9). A carta toda realmente leva a isto. Com o capítulo 12 o escritor se aproxima do final da sua mensagem; ele está resumindo. Do que se trata tudo isto? ‗Por isso, irmãos santos, participantes da vocação celestial…‘ (3.1). O governo do mundo vindouro em união com Cristo _ esta é a nossa chamada. Porém, temos que ser preparados para isto; e o que está nos acontecendo agora, em nossa vida espiritual, é o nosso treinamento para isto, e é muito prático.
Se há uma coisa que você e eu descobrimos que precisamos aprender, é como obter ascensão de espírito. Por que o Senhor permite todas essas coisas _ essas coisas adversas, penosas? Por que ele não as impede? É para que possamos aprender ascendência de espírito: porque este governo não é oficial _ é um governo espiritual. O real governo deste mundo é espiritual. Por trás dos homens e de tudo o que está acontecendo há um sistema espiritual em ação. É algo diabólico. Deus irá varrer isto do universo e colocar algo bom em seu lugar. Irá ser um governo espiritual, celestial, e, quando houver um cenário celestial neste mundo, que diferente tipo de mundo será. Deus irá tornar este mundo um lugar saudável, colocando sobre ele um governo espiritual salutar, e este governo será colocado nas mãos dos santos.
Porém, com isto em vista, teremos que passar por um exaustivo ensino nas mãos do Pai dos espíritos. Tudo visando esta questão de obter ascendência espiritual. Cada dia temos algo para galgar, espiritualmente; algo que deve ser colocado em sujeição sob os nossos pés. Muito freqüentemente as coisas alcançam o topo e põe os pés sobre nós. A fim de trazê-las em sujeição, temos que cooperar com o Senhor, e o nosso treino é, assim, para que possamos aprender a trazer as coisas sob os nossos pés. O Espírito Santo está aqui para isto. Todas aquelas palavras sobre sermos ‗fortalecidos com poder através do seu Espírito no homem interior‘ (Ef 3.16), ‗fortalecei-vos na força do Senhor‘ (Ef 6.10; 1 Pd 4.11) _ todas essas palavras têm a ver com o assunto de ganhar ascendência espiritual, chegar no topo.

NECESSIDADE DE ENCORAJAMENTO E CONSELHO

A outra coisa que advém desta carta aos Hebreus é aquela nota constantemente tocada de exortação, de encorajamento. ‗Vamos em frente…‘ Há muita exortação e súplica. Por quê? Por causa deste alto chamado, por causa desta grande vocação, por causa deste propósito em nossa nova criação e união com o Filho de Deus. É nossa herança _ o mundo vindouro e o governo dele. Precisamos de muito encorajamento, precisamos de muita exortação, precisamos de conselho constante; trata-se de algo muito grande. Creio que é isto a que o escritor se refere quando diz: ‗Como escaparemos nós se negligenciarmos tamanha salvação?‘ (Hb 2.3). A ‗grande salvação‘ não é apenas escapar do inferno e de alguma forma arranhar o céu _ é tudo isto que está nesta carta: ‗Companheiros num chamado celestial‘.
O Espírito Santo veio para o propósito de efetivar isso. Talvez os nomes pelos quais o Senhor Jesus o chamou não nos impressione muito: por exemplo, quando Ele o chama, em nossa língua, de ‗o Consolador‘. Naturalmente, isto é muito bom: precisamos de consolo; mas isto é apenas uma parte do significado do Seu Nome. Seu nome completo é: ‗Aquele chamado ao lado‘, co-operando conosco; ‗o Encorajador‘, ‗o Advogado‘. Ele veio para estar ao nosso lado _ para ser o nosso Ajudador e Encorajador nesta grande obra de se conformar ao Filho de Deus e realização da vocação eterna nos séculos vindouros.

Por Theodore Austin-Sparks

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Por que os cristãos muitas vezes estão divididos?

Por que os cristãos muitas vezes estão divididos?

René Malgo

Quatro possíveis razões e uma palavra-chave

Já se perdeu a conta da fragmentação do cristianismo em inúmeras denominações, igrejas e seitas. Ao que parece, as cisões estão na ordem do dia. Mesmo a Chamada da Meia-Noite não ficou isenta de múltiplas controvérsias e de amargas discussões ao longo dos seus 60 anos de história (N. da R.: houve algumas discussões e controvérsias na Europa, com a Chamada da Meia-Noite em sua sede na Suíça) – e é provável que assim continue também no futuro. Qual seria a razão disso?

Quero apontar aqui quatro razões ou respostas. A primeira é simples, mas provavelmente é a mais difícil de suportar. A divisão dos cristãos baseia-se na natureza humana. “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa”, diz o profeta Jeremias, “e sua doença é incurável; quem é capaz de compreendê-lo?” (Jr 17.9). Os crentes poderão argumentar que ganharam um novo coração por meio de Jesus (Rm 6). É verdade! Todavia, ainda assim os cristãos lutam com o pecado em seu velho corpo (Rm 7). Enquanto ainda habitarmos este corpo atacado pelo pecado, será para todos nós impossível enxergar tudo corretamente. “Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas então veremos face a face” (1Co 13.12). Somente quando ressuscitarmos ou formos transformados e virmos o nosso Senhor face a face é que entenderemos tudo (cf. 1Jo 3.2).

Os cristãos são personalidades divergentes, têm aspectos fortes e fracos diferentes, diversas preferências e pecados variados com que precisam lutar. Sua formação, maturidade, capacidade espiritual, relacionamento com o Senhor, seu intelecto, sua capacidade intelectual diferem… não admira que tantas vezes discordemos! Os seres humanos são complexos, emotivos e inquiridores, e os cristãos não são exceção. A conversão não nos transformou em robôs padronizados. “Os propósitos do coração do homem são águas profundas, mas quem tem discernimento os traz à tona” (Pv 20.5).

“… Pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor. Todos tropeçamos de muitas maneiras…” Tiago 3.1b,2a

A Palavra de Deus é verdade objetiva, mas as pessoas a interpretam subjetivamente. Tiago, líder da igreja primitiva em Jerusalém, diz a respeito das questões doutrinárias:“Todos tropeçamos de muitas maneiras” (Tg 3.2). Por isso os crentes não deveriam ter muita pressa em ser mestres da Palavra, “pois vocês sabem que nós … seremos julgados com maior rigor” (Tg 3.1).

Tiago 3.2 é um “versículo régio” em relação à nossa questão. Se um meio-irmão de Jesus e uma “coluna” da igreja primitiva (Gl 1.9) diz que “todos [nós] tropeçamos frequentemente, incluindo assim a si mesmo nisso, quanto mais essa declaração se aplicará a nós hoje, 2.000 anos depois e culturalmente a anos-luz de distância dos apóstolos!

Hoje há uma variedade de premissas e sistemas teológicos concorrentes influindo o modo como lemos a nossa Bíblia. Podemos não nos dar conta disso conscientemente, mas por meio das igrejas que frequentamos, os institutos bíblicos nos quais nos formamos ou a literatura cristã que lemos, cada um de nós tem marcas teológicas diferentes. Entre os protestantes há, por exemplo, teólogos da aliança, teólogos da substituição, dispensacionalistas, ultradispensacionalistas, dispensacionalistas progressivos, batistas, calvinistas, luteranos, menonitas, irmãos abertos, irmãos restritos, universalistas, arminianos, amilenistas, pós-milenistas, pré-milenistas, pré-tribulacionistas, mesotribulacionistas, pós-tribulacionistas, presbiterianos, congregacionalistas, anglicanos, pentecostais, etc. etc. … E ainda que todos eles tenham boas razões para afirmar sua fidelidade exclusiva à Bíblia, todos acabam determinados por diferentes sistemas interpretativos e teologias sistemáticas. A cultura cristã na qual nos movemos inevitavelmente tinge os óculos através dos quais lemos a Bíblia.

Não me entendam mal: todos temos óculos como esses, e isso é normal. A arte está em obter as lentes certas. Paulo espera que interpretemos a Palavra de Deus “segundo a sã doutrina” (Tt 1.9). A sã doutrina apostólica terá de ser o nosso filtro. Quem afirma ler a Bíblia sem óculos e sem filtro engana a si mesmo. Assim, por exemplo, é razoável que nenhum cristão normal aplique à sua vida diária a exigência de apedrejar filhos rebeldes fora da cidade, conforme exige a aliança do Sinai (Dt 21.18-21).

Temos de reconhecer que todos nós – mesmo os mais sábios e “piedosos” entre os professores de Bíblia – somos criaturas falíveis. Nenhum de nós seria superior a Tiago neste quesito. Somos pessoas que conseguem enganar até a si mesmas. A Bíblia sabe disso há muito tempo (Jr 17.9). A esta altura, os psicólogos seculares também já descobriram esse fato. Por natureza, tendemos a registrar a realidade de uma forma que se encaixe em nosso esquema e que corresponda à imagem subjetiva que temos do mundo. Por isso o diálogo de surdos entre os cristãos é tão comum e não conseguimos progredir. Constantemente corremos o risco de interpretar palavras e frases da Bíblia segundo as nossas tendências pessoais.

Um exemplo: imagine alguém que em geral raciocine de forma muito organizada e sistemática. Tudo em sua vida precisa ter uma estrutura definida e uma clara explicação. É uma pessoa racional e lógica, que não suporta obscuridades. Qual será sua tendência ao interpretar a Bíblia? É provável que seja simpático a sistemas interpretativos que organizem a doutrina bíblica sem lacunas e que a dividam em várias unidades fechadas e em épocas claramente definidas. Para essa pessoa seria importante ter uma explicação exata de cada detalhe bíblico, e ela cuidaria para que nenhuma incoerência penetrasse ali.

Mas temos então uma outra pessoa, o tal tipo artístico. Seu lema é: só os tolos precisam de ordem; o gênio abarca o caos. E trata-se realmente de um gênio. O que para outros parecem contradições, para ele é apenas o tempero que dá sabor à vida. Ele sempre está em busca de um plano espiritual mais elevado. Nunca se cansa de aprender. Para onde será que ele tenderá ao interpretar a Bíblia? Provavelmente sentirá rejeição por sistemas interpretativos sistematizados e afirmará que se trata de tentativas de enquadrar Deus. Mais atraentes seriam para ele abordagens mais místicas e “holísticas” da Bíblia, que mantenham uma visão do todo. Tais pessoas gostam de paradoxos e reservam espaço para incertezas.

Ambos creem a mesma coisa. Neste exemplo não temos um bom e um mau. Ambos amam Jesus Cristo, afirmam a trindade divina, valorizam a Palavra de Deus e creem no Evangelho. Mesmo assim, porém, em certos aspectos as teologias que ambos moldaram em torno do núcleo da sua fé podem ser totalmente diferentes.

De certo modo, todos buscamos um lar teológico no qual possamos nos sentir bem. E por sermos personalidades diferentes, nossos lares teológicos também podem ter aparências diferentes. Mas, como um professor de Bíblia explicou certa vez, toda casa teológica tem também seus defuntos no porão. Por nos equivocarmos, por sermos pecadores, por termos nossas preferências e limitações, sempre haverá pontos em nossas convicções que outros não poderão assumir e que – segure-se! – estão errados. E com isso chegamos ao segundo ponto.

Nós cristãos vivemos tantas vezes desunidos porque nos baseamos neste mundo e não na eternidade. Será que sempre temos consciência do que, afinal, falamos e sobre o que discutimos? Em última análise, falamos de Deus, do Onipotente, daquele que “mesmo os mais altos céus” não podem conter (1Rs 8.27) e cujos pensamentos são tão mais altos que os nossos como “os céus são mais altos do que a terra” (Is 55.9). É verdade que este Deus se comunica conosco de forma compreensível e comprometida por meio de Sua Palavra e se tornou acessível em Jesus Cristo. Ainda assim, porém, Ele continua sendo o Eterno “que habita em luz inacessível” (1Tm 6.16).

O que tem isso a ver com os defuntos no porão? Muito simples: com os nossos sistemas e os nossos pensamentos humanos, jamais poderemos captar Deus plenamente. Sempre haverá áreas na Palavra de Deus e na Teologia que não poderemos explicar ou que não conseguiremos compreender. Estamos lidando com o Onipotente e a inesgotável riqueza da sua incomensurável e múltipla sabedoria. Lidamos com um plano de redenção que supera todo conhecimento, que mesmo “os anjos anseiam observar” (1Pe 1.12).

Nós, os cristãos, muitas vezes discutimos e brigamos justamente em torno daquilo que não conseguimos entender plenamente: a soberania e a natureza do Deus triúno e Seu plano para o futuro e a eternidade. É plenamente normal que, limitados como somos, esbarremos em nossas conjecturas sobre o Eterno em nossos limites e cheguemos a resultados divergentes.

Nosso Deus é fogo consumidor“ (Hb 12.29). Qualquer encontro com Ele, o Infinito, abalará as criaturas finitas que somos e nos marcará de diferentes maneiras de acordo com a nossa respectiva configuração. Provem e vejam como o Senhor é bom. Como é feliz o homem que nele se refugia! (Sl 34.9). Todos podem experimentar a bondade de Deus, mas por Ele ser em sua natureza tão diferente, tão ilimitado, cada pessoa provará e enxergará essa bondade de modo um pouco diferente.

Atenção: isto não é desculpa para a maior de todas as heresias, segundo a qual de algum modo todas as religiões conduziriam a Deus. A Bíblia é clara e inequívoca em dizer: “Não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12). Salvos serão apenas aqueles que creem tão-somente em Jesus Cristo e O reconhecem como Senhor da sua vida (At 16.31), e ninguém mais. Todavia, esses cristãos, por serem diferentes e limitados, tentarão explicar de formas diferentes a inesgotável plenitude do seu Deus.

Nós cristãos vivemos tantas vezes desunidos porque nos baseamos neste mundo e não na eternidade.

Se todos os cristãos de todas as eras concordassem em todos os detalhes a respeito do conteúdo da Bíblia, seria razoável dizer que teríamos em mãos um livro muito superficial. Como, porém, o que ocorre é justamente o oposto e porque se discute tão acaloradamente sobre a Bíblia porque sua Palavra atinge tanto os corações, dividindo famílias, comunidades e até países, e porque jamais encerraremos os debates sobre ela, sabemos e reconhecemos que Deus é Deus e que Sua Palavra é Sua Palavra.

É claro que um muçulmano poderia dizer o mesmo sobre o Corão, polarizador como ele é. Contudo, isto nos leva ao terceiro ponto. Os demônios calam fundo. É verdade que isto não é bem politicamente correto, mas do ponto de vista dos apóstolos, as falsas religiões têm inspiração demoníaca (1Tm 4.1), e este é um ponto que nós, como cristãos, frequentemente esquecemos. Estamos interagindo com a realidade de principados, poderes, dominadores deste mundo tenebroso e de poderes espirituais da malignidade no mundo invisível (Ef 6.12).

Um professor de Bíblia apontou certa vez para o fato de que os falsos deuses com que Israel se prostituía no Antigo Testamento eram reais. As estátuas de pedra e madeira destinadas a servir de local de veneração desses deuses não tinham vida nem conteúdo, mas os próprios deuses das nações eram reais porque por trás deles havia efetivos poderes demoníacos. Por sinal, não faria sentido dizer que Deus é maior que aqueles deuses se estes nem sequer existissem (cf. Dt 4.7; 10.17; Is 36.20). Seria mais ou menos como se o Senhor proclamasse: “Sou maior que o papai-noel!”

Os deuses eram e são reais. São demônios que inspiram falsas doutrinas e religiões e que combatem o Deus vivo e unicamente verdadeiro, bem como Sua Igreja. Defrontamo-nos com as “ciladas do diabo” (Ef 6.11), um adversário capaz de disfarçar-se de anjo “da luz” (2Co 11.14) e que nos ronda “como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar” (1Pe 5.8).

Será que realmente não cremos que esse inimigo real, com milênios de experiência e uma rede de demônios “semelhantes a deuses”, já não terá conseguido fazer estrago na Igreja do Deus vivo? Sempre que não estivermos vigilantes e não portarmos toda a armadura de Deus, expomo-nos ao ataque de seres muito mais poderosos do que nós, que terão todo o prazer em aproveitar-se dessa vulnerabilidade.

Infelizmente, muitas vezes nossa desunião também resulta de nos deixarmos atropelar por seduções demoníacas. Assim, por exemplo, presumimos o pior sobre o nosso próximo, não nos orientamos pelas diretrizes do Evangelho e do amor, somos vítimas de boatos e difamações e pisamos em armadilhas magistralmente projetadas sob medida para nós, cedemos a bajulações, aceitamos conselhos falsos ou agimos movidos pela ira. É frequente os conflitos entre cristãos serem regidos por ódio, fúria e amargura – e tais sentimentos certamente não provêm de Deus, em que existe apenas luz e nenhuma sombra.

Preciso julgar a mim mesmo: esquecemos com excessiva rapidez que somos criaturas facilmente influenciáveis, frágeis e dependentes, expostas a um combate cósmico que não poderemos vencer com nossas próprias forças. E isto, por sua vez, nos conduz ao quarto motivo da nossa divisão.

À medida que o fim se aproxima, esse combate espiritual torna-se cada vez mais violento e perigoso. A prosperidade que gozamos no Ocidente e a sedução que nos cerca por todos os lados podem turvar nossa visão para esta realidade. Todavia, o Novo Testamento esclarece que os tempos entre a cruz e a volta de Jesus são tempos finais “maus”, que vão piorando continuamente (cf. Hb 1.2; Ef 5.16; Mt 24-25). A respeito da Igreja, Paulo enfatiza em uma de suas cartas que “nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis” (2Tm 3.1), nos quais “os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder” (2Tm 3.2-5).

Note que, entre outras coisas, a falta de amor, a arrogância e a indisposição para reconciliação aumentarão nos últimos dias. Não sei até que ponto já penetramos nos tempos do fim, mas é inegável que hoje estamos mais perto do fim do que há 2.000 anos, e o aumento das características citadas acima em nossos dias deveria ao menos dar o que pensar. Não devemos espantar-nos pelo fato de hoje o cristianismo parecer mais separado do que no início. Os sinais dos últimos dias se infiltram na Igreja e, quanto mais o tempo avança, tanto pior será. É a profecia bíblica que o afirma.

Por isso chega a beirar o milagre que os cristãos mantenham algum tipo de unidade até hoje! A pergunta formulada no título está errada. Considerando as limitações da natureza humana, a infinita diferença da natureza de Deus, o poder demoníaco no mundo invisível e o anúncio bíblico dos tempos finais, seria mais razoável perguntar: por que os cristãos muitas vezes estão unidos? A resposta é: graças ao Espírito Santo.

O Espírito Santo é o Deus subestimado. Alguns Lhe atribuem suas próprias ideias absurdas, outros não esperam nada Dele. No entanto, nosso Deus não é biúno, mas triúno – e esta é a garantia da nossa segurança. Por meio do Espírito Santo, a plenitude de Deus habita em nós (Ef 1.13-14,17; 3.14-19). Ele é o Consolador e Apoio que acalma e sela o nosso coração indisposto, tempestuoso e frágil. É por isso que ainda conseguimos entender a Palavra de Deus (1Co 2.11). E por isso somos mais que os maiores profetas do Antigo Testamento e podemos realizar mais que os milagres de Jesus (Lc 7.28; Jo 14.12). Deus mesmo habita em nós, e já faz 2.000 anos que isto nos capacita a funcionar como povo sem rei visível, como “religião” sem santuário visível e como unidade orgânica sem parentesco de sangue. Pela fé em Jesus Cristo temos condições de ser um com pessoas das quais nos separam milhares de anos, milhares de quilômetros ou milhares de diferenças culturais. Esse milagre é muito maior do que tudo o que aconteceu no Antigo Testamento!

O que nos une não é nem a espada, nem o medo, nem uma nacionalidade, mas o Espírito Santo de Deus. O poder que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos está há 2.000 anos zelando para que os salvos adorem o Pai “em espírito e em verdade”, confessem o nome de Jesus e esperem por Sua volta. Este é o maior milagre que o mundo invisível jamais presenciou (Ef 3.9-10): a ilimitada plenitude de Deus em homens fracos, outrora caídos e ainda agora limitados.

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É claro que agora se poderá objetar que tudo isso é muito bonito, mas que, apesar do Espírito Santo, não deixa de ser fato que ainda assim os crentes muitas vezes não têm unidade no Espírito. O que podemos fazer contra isso? No meu entender, só há uma resposta, que, entretanto, se refere apenas a diferenças de opinião (especialmente as teológicas) entre os cristãos. Portanto, não se trata da questão do que fazer quando outros crentes pecam contra nós por seu comportamento, seus atos, suas palavras ou suas omissões. Também não se trata de cristãos que tentam apelar para o Evangelho com o fim de disfarçar ou justificar seus pecados, como por exemplo a imoralidade, a avareza ou similares.

Antes de tudo precisamos reconhecer o seguinte: existe um bom motivo para os cristãos parecerem tão combativos. É sua missão. Paulo enfatiza que os bons líderes devem “silenciar“ falsos mestres e repreender “severamente“ crentes desviados (Tt 1.11,13). Tal como Paulo fez, eles não devem ceder nem “submeter-se nem por um instante” a “falsos irmãos infiltrados” (Gl 2.4-5). Os cristãos, e especialmente os líderes de igreja e pastores, não podem comprometer-se (cf. Tt 2.7). Os crentes precisam lutar pela sã doutrina (2Tm 1.13; Tt 1.9; 2.1). A questão que se impõe aqui é: quem na selva das confissões e denominações cristãs seria o portador da sã doutrina e quem deverá ser combatido? – A Bíblia fornece indicações.

Durante a sua prisão em Roma, Paulo soube que alguns cristãos (ou pseudocristãos) anunciavam o Evangelho com a intenção de prejudicá-lo. Ele se alegrou com isso porque para ele o principal era que Cristo fosse anunciado, “seja por motivos falsos ou verdadeiros” (Fp 1.15-18). Paulo não se importou em repreender aqueles criadores de conflitos. Para ele, esses homens não eram daqueles a quem se deveria “tapar a boca”. Portanto, para Paulo o sinal da sã doutrina não era que alguém pertencesse ao seu “grupo”, mas que a pessoa pregasse a Jesus Cristo. As cartas apostólicas esclarecem que pregar a Cristo é o mesmo que anunciar o Evangelho (cf. Rm 1.9,16; 10.15-16; 15.20; 16.25; 1Co 9.12; 2Co 11.4; Gl 1.6-11; 2.5,14, entre outros). Na última carta do apóstolo Paulo vemos que a pregação do Evangelho está estreitamente ligada à sã doutrina (2Tm 1.8; 2.8; 4.5). Quem reconheceu Jesus, reconheceu o Evangelho; quem reconheceu o Evangelho, reconheceu a sã doutrina – e vice-versa. Sã doutrina é o Evangelho!

Portanto, se na Carta aos Efésios Paulo espera de nós, cristãos, “conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4.3), isto jamais será possível sem o Evangelho de Jesus Cristo. A seguir, Paulo demonstra por que os cristãos podem e devem ser unidos, porque somos 1) um só corpo, cremos 2) em um só Espírito, temos 3) uma mesma esperança, servimos 4) a um mesmo Senhor, compartilhamos 5) a mesma fé, praticamos 6) um só batismo e temos 7) um só “Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos” (Ef 4.4-6). Pode-se considerar isso um resumo da sã doutrina do Evangelho.

No entanto, o grande desafio está em oferecer um preenchimento concreto a esse envoltório. Uma questão crítica é, por exemplo, o único batismo. Será que com isso Paulo exclui o batismo de bebês ou não? Ou o que se entenderá por uma só esperança? Seria preciso que incluísse o Arrebatamento antes da Tribulação? O princípio que decidirá tudo é o exame pela pergunta: anuncia-se a Cristo?

Vamos deter-nos na controvérsia do batismo infantil. Martinho Lutero defendeu com veemência o batismo infantil e protestou contra os anabatistas. Não teria ele com isso entrado em contradição com o batismo único? Esta questão crítica pode ser uma boa medida do grau em que no nosso relacionamento com outros crentes somos mais determinados por nossos sistemas dogmáticos ou pelo propósito do apóstolo Paulo: o principal é que Cristo seja anunciado!

Em Marcos 16 vemos que o batismo se destina a crentes. Em Atos 16 vemos famílias inteiras sendo batizadas. Poderíamos, por um lado, afirmar com cem por cento de certeza que não havia criancinhas pequenas ali? Por outro lado, poderíamos afirmar com cem por cento de certeza que sequer havia crianças pequenas ali? Passados 2.000 anos, não temos como sabê-lo com certeza. O batismo único pode ser uma ênfase para o fato de que os cristãos devem batizar e ser batizados. Parece, todavia, que no mínimo se poderá discutir se apenas o crente adulto deveria ser batizado ou também todas as crianças de toda a sua casa com ele.

Poderíamos acaso afirmar que Martinho Lutero não tenha proclamado o Senhor Jesus Cristo? Um possível problema no nosso julgamento de outros crentes é que pretendemos uma unidade sobre um fundamento irrealista. Aceitamos apenas aqueles cristãos que concordarem conosco em praticamente todos os detalhes, e com isso transformamos criaturas falíveis no padrão de todas as coisas. O padrão da unidade, porém, é muito mais simples: trata-se do Evangelho de Jesus Cristo. Isto não significa que não devamos questionar equívocos na medida em que possamos avaliá-los, e muito menos tolerarmos pecado. Se simplesmente deixarmos valer todos porque citam o nome “Jesus”, não chegaremos a lugar nenhum. Mas convém examinar muito criteriosamente se realmente será necessário lutar e, se for, tratar de aplicar amor, tolerância e paz. E assim finalmente chegamos à resposta para o modo como podemos preservar a unidade.

A resposta ou palavra-chave chama-se humildade. Às vezes precisamos simplesmente nos retrair e considerar morto o nosso orgulho (Rm 6.11). Não é fácil, mas necessário. Se lermos atentamente a Carta de Tiago, perceberemos que seus destinatários tinham seus problemas com orgulho e arrogância. Todos queriam ensinar os outros e ser mestres da igreja. Então, porém, Tiago pergunta àqueles que tanto queriam ser a medida de todas as coisas: “Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria” (Tg 3.13). Isto representa um ataque ao nosso orgulho: nossa sabedoria e nosso entendimento em questões de doutrina não se depreende da nossa bem detalhada dogmática, mas do nosso trato manso com os outros. Esta é a verdadeira sabedoria.

Se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de ‘sabedoria’ não vem dos céus, mas é terreno; não é espiritual, mas é demoníaco. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores” (Tg 3.14-18).

A unidade no Espírito será possível se demonstrarmos a genuína sabedoria do alto, e essa sabedoria não se manifesta em combatividade, em prepotência ou arrogância, mas na disposição de deixar predominar a mansidão, de exercer misericórdia e de buscar a paz.

Bem entendido: estas palavras constam do capítulo no qual Tiago diz que não convém muitos serem mestres, já que todos nós “muitas vezes” tropeçamos no uso da língua. A unidade no Espírito será possível se demonstrarmos a genuína sabedoria do alto, e essa sabedoria não se manifesta em combatividade, em prepotência ou arrogância, mas na disposição de deixar predominar a mansidão, de exercer misericórdia e de buscar a paz. Com isso, a unidade não começa primariamente com o cristão que na nossa opinião defende uma teologia equivocada e que será indispensável corrigir, mas em nós mesmos – em cada um muito pessoalmente.

Bons cristãos e mestres da Bíblia são pacificadores que se alegram quando Jesus Cristo é proclamado. Por isso Paulo diz: “Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam. Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor. Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4.1-3).

O desafio para cada um de nós é não ser orgulhoso, mas humilde; não combativo, mas manso; não teimoso, mas misericordioso. É muito fácil denegrir outros crentes do púlpito, em e-mails, em circulares, em conversas “confidenciais” ou em revistas. A verdadeira grandeza e sabedoria segundo Tiago é algo bem diferente.

Nossa atitude em relação àqueles seguidores de Cristo que talvez não pensam exatamente como nós pode ser similar àquela revelada por Paulo: “Mas que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro. De fato, continuarei a alegrar-me” (Fp 1.18). (René Malgo – Chamada.com.br)

 

A Verdadeira Alegria e o Sentido da Vida

A Verdadeira Alegria e o Sentido da Vida

Thomas Lieth

Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer” (Ec 12.1).

Paulo nos conclama em Filipenses 4.4: “Alegrai-vos sempre no Senhor; mais uma vez vos digo: alegrai-vos!”. Essa alegria verdadeira, não passageira, constante e permanente, está fundamentada na fé na ressurreição de Jesus Cristo. É claro que existe uma diferença gritante entre as alegrias do homem ímpio e a alegria de alguém que crê em Jesus Cristo. O livro de Eclesiastes, que fala repetidamente no gozo da vida, nos exorta a pensar que Deus vai chamar cada um de nós à responsabilidade. “Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas” (Ec 11.9).

Como o Senhor vai exigir prestação de contas de tudo o que fazemos, deveríamos sentir um grande e profundo temor a Deus. Podemos e devemos nos alegrar em nossa juventude. Podemos ser felizes e devemos nos alegrar até quando ficarmos velhos. Podemos e devemos curtir a vida. Mas Deus nos cobrará satisfação de tudo! Essa prestação de contas a Deus não deveria diminuir nossa alegria. Deveria torná-la mais profunda e ainda mais significativa. Deveria nos estimular a buscar a alegria verdadeira, real e perene. Encontramos essa alegria legítima unicamente no Senhor.

Olhando a natureza, percebemos que Deus tem por princípio nos proporcionar alegria. A natureza é cheia de beleza e encanto. Deus nos equipou, por exemplo, para sentirmos o sabor dos alimentos. Por que será? Se a comida servisse apenas para não morrermos de fome, esse sentido seria completamente supérfluo. Deus nos deu o sentido do sabor para nos deliciarmos com o que comemos, para termos prazer com os alimentos que Ele nos dá. Ele nos concedeu o sentido do olfato para percebermos o perfume das flores. Deu-nos o tato para sentir o carinho de um toque afetuoso. A Criação toda é cheia de fontes de alegria. Parece feita para proporcionar alegria aos homens. Infelizmente, o pecado entrou no mundo e deixou para trás apenas uma cópia barata do que Deus havia planejado originalmente para suas criaturas. Como será glorioso quando Deus nos reconduzir de volta às nossas origens, de volta aos Seus planos originais!

A Bíblia, e com ela o próprio Deus, quer nos conduzir à alegria, uma alegria sem egoísmo, uma alegria que não se regozija quando o outro passa mal, que não nutre inveja nem ciúmes. Essa alegria verdadeira não se mantém à custa dos outros, não despreza a Deus mas, antes de tudo, se alegra no Senhor. Essa alegria dos filhos de Deus alegra o coração do Senhor e os corações dos que estão ao redor deles. Essa alegria que vem de um coração sincero, limpo e puro é uma alegria que o homem natural é completamente incapaz de ter. Por isso, Paulo disse aos cristãos daquela época:“Alegrem-se no Senhor!”. E essa ordem continua válida!

Essa alegria que vem de um coração sincero, limpo e puro é uma alegria que o homem natural é completamente incapaz de ter.

Tudo o que os homens fazem, deixam de fazer, sentem ou deixam de sentir está permeado pelo pecado. Mesmo nossas boas obras estão maculadas pelo mal se não forem inteiramente feitas em Jesus Cristo, exclusivamente por amor a Ele. Não basta dizer que cremos na Pessoa de Jesus. Muitos fazem isso, mas pensam em um Jesus meio mitológico, um bom exemplo de homem santo ou um milagreiro poderoso. Mas a fé verdadeira, aquela fé que produz a alegria que não vai embora mesmo quando vêm as lutas, quando nossa vida é sacudida e chacoalhada, é a fé baseada na ressurreição de Jesus Cristo. Para ter a alegria legítima que a Bíblia ensina é preciso crer em Jesus, e crer que Ele está vivo!

Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram” (1 Co 15.14,17-18). Em outras palavras, se Jesus Cristo não ressuscitou de verdade, então a nossa fé cristã é o maior logro. Sem a ressurreição de Jesus Cristo não teria havido nunca o perdão dos nossos pecados. Se você acredita em um Jesus histórico, apenas crê que Ele fez milagres e chegou a morrer no Calvário, se você somente crê que Jesus foi uma pessoa especial, um homem bom, talvez até com atributos divinos, e mesmo que você siga Seu exemplo de vida, molde sua vida aos valores que Ele ensinou, pratique o bem, ajude o seu próximo e baseie sua moral e sua ética superiores nos ensinamentos de Jesus, se você não crer na ressurreição literal dEle e não acreditar que Ele realmente ressurgiu de entre os mortos, tudo que você fizer não terá valor algum. Aos olhos de Deus, suas boas obras não serão apenas supérfluas; serão erradas e más! Deus não se interessa nem um pouco se você fez coisas maravilhosas, se você teve muitas realizações na vida, salvou animais, fez pão para os pobres, ajudou as velhinhas a atravessar a rua ou trocou muitas fraldas de bebês. Sem crer em Jesus Cristo e em Sua ressurreição dentre os mortos, todo o seu ativismo não serve para nada. Tudo o que você fez é tão inútil como levar uma pá de areia ao deserto do Saara. No final, você será um descrente crédulo sem encontrar a verdadeira felicidade.

Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (1 Co 15.19). Muita gente tem fé, mas é uma fé limitada a este mundo e às coisas desta vida. Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, quer que entendamos que nossa fé precisa, antes de tudo, estar centrada e embasada na ressurreição. Essa será uma fé ancorada na eternidade. Essa fé é a fonte da alegria genuína e pura, verdadeira e real, que não passa nunca e que dá sentido à vida. Se a fé em Jesus se limitasse a esta vida, teríamos de nos perguntar que proveito ela nos traz. Os cristãos, em geral, passam pelos mesmos problemas que os ateus ou pessoas de outras crenças. Crentes em Jesus também adoecem e morrem. Se eu me deitar por uma hora no sol intenso, terei uma insolação igual a qualquer descrente. Se cair numa poça de lama me sujarei como qualquer hindu. Cristãos que não acreditam numa ressurreição real, que aconteceu de fato, são pobres miseráveis e sua fé é morta. Não têm motivo para se alegrar.

Em Eclesiastes 11.10-12.8 Salomão nos dá o conselho de nos mantermos longe de tudo o que é mau e que traz tristeza ao nosso coração, pois tudo seria vaidade. Ele nos incentiva a pensar em Deus nos dias da nossa mocidade, antes que venham os dias maus que não nos agradam. Esses dias maus são descritos por meio de diversas imagens e ilustrações que exemplificam o processo de envelhecimento até chegar à morte. Portanto, não basta saber que existe um Deus. Eu preciso de um Salvador! Preciso aceitá-lO como meu Salvador e Senhor. Saber, apenas saber, não basta. Se eu souber que um banco de praça foi recém-pintado e me sentar nele, ficarei sujo de tinta. Saber é importante, mas o mais importante é agir de acordo com o que sabemos. Devo conhecer a Deus e agradar a Ele, vivendo do jeito que Ele aprova. Todo o livro de Eclesiastes mostra sem rodeios que uma vida, da juventude à velhice, que tem somente a perspectiva terrena é uma vida sem sentido. Não importa a sabedoria, a riqueza, a felicidade, a beleza ou o prazer – tudo é passageiro, tudo é vão. Quando alguém parte desta terra não leva nada disso consigo. Tudo fica para trás. Salomão, obviamente inspirado por Deus, nos alerta a vivermos uma vida com Deus enquanto ainda somos jovens, começando o mais cedo possível. Pois quanto mais esperamos, mais difícil será! Quanto mais velha a pessoa vai ficando sem ser nascida de novo, mais endurecido torna-se seu coração.

O resumo de tudo é o temor a Deus. Tudo que importa e que traz a verdadeira felicidade é temer ao Senhor Deus! “De tudo que se tem ouvido, a suma é: teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Ec 12.13). “Bom é que retenhas isto e também daquilo não retires a mão; pois quem teme a Deus de tudo isto sai ileso” (Ec 7.18).

Bíblia e Ciência

O que significa temer a Deus? Para cristãos, não para aqueles apenas nominais, mas para os verdadeiros renascidos que seguem a Jesus sem questionar, só existe um tipo de temor. Vejamos:

Sabemos que não precisamos temer aos homens.

Romanos 8.31-39 é um texto maravilhoso sobre o temor a Deus, que devemos ter, e o temor aos homens, que não precisamos nem devemos ter: “Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do provir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. O amor de Deus está em Cristo, e Cristo está vivo!

Não precisamos temer a Satanás, pois nosso Salvador Jesus o venceu! Na cruz do Calvário tomou dele todo o seu poder sobre nós.

Para nós, cristãos, só existe um único temor, que é o temor a Deus. Temor no sentido de honrar a Ele, sabendo de Sua santidade, pureza e justiça. Temor a Deus é um temor sábio, o primeiro passo para o caminho certo, que conduz para o alvo, e o alvo é Cristo! Com o verdadeiro temor em nossos corações poderemos chegar diante do Senhor (veja Pv 1.7). Esse é o temor que leva à alegria e que dá sentido à vida! (Thomas Lieth — Chamada.com.br)

Deus Não Permitirá Que o Islamismo Vença

Deus Não Permitirá Que o Islamismo Vença

Kit R. Olsen

Levando em consideração os atentados que aconteceram na França, é fácil que qualquer um pense que o islamismo não será derrotado em um momento próximo. A mídia em todo o mundo é muito competente em minimizar tudo o que diz respeito à malignidade do islamismo. E as células islâmicas em estado latente – prontas para impingir o terror – estão plantadas em todo o mundo.

O atual governo dos Estados Unidos ou é mentalmente incompetente e/ou traidor, colocando em perigo a vida de todos os americanos e de outras pessoas ao redor do mundo, por ser indulgente com esse inimigo bárbaro, torturante e impiedoso. A perspectiva do crente deve sempre ser que vivemos nas trincheiras de um campo de batalha espiritual e o mal é manifesto através de pessoas más. Nossa esperança não está nos governos; ela está em nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.

Anime-se. As Escrituras nos dizem que Deus não permitirá que o islamismo vença sua campanha de terror. Numa perspectiva animadora, é importante mantermos em mente que uma das guerras profetizadas na Bíblia, entre as mais comentadas – a batalha descrita em Ezequiel 38 e 39 – está no horizonte. Sabemos que Israel será o alvo e que aí Deus vai tratar com a dominação islâmica. Na Bíblia, a batalha de Ezequiel 38 e 39 (a Guerra de Gogue e Magogue) tem a descrição mais detalhada entre todas as guerras profetizadas.

Um ponto importante para lembrarmos é o seguinte: em Gênesis 15.16, o Senhor nos diz que a medida da iniquidade dos amorreus ainda não havia se completado; mas, quando ela se encheu, Deus tratou com eles. O mesmo acontece com o islamismo. Deus ainda está permitindo que os muçulmanos causem as devastações e os massacres (por enquanto). Mas, Ele tem planos bastante intensos para o blasfemo islamismo.

Em breve virá o dia em que Deus já não tolerará o fanatismo islâmico e Ele derramará o Seu juízo sobre os seguidores de Alá – na batalha de Ezequiel 38 e 39, quando as hostes das tropas islâmicas marcharão contra Israel, lideradas pela Rússia. O grande milagre no Antigo Testamento é o Êxodo, mas ele empalidecerá em comparação com o que acontecerá como resultados da guerra Gogue-Magogue (veja Jeremias 16.14).

Quando Deus salvar Israel, e Alá estiver sumido durante essa batalha épica, os devotos sobreviventes do islamismo em todo o mundo já não estarão mais dispostos a lutar por amor a Alá. Isto abalará os fanáticos mantras psicopáticos deles até a raiz.

O próprio Senhor intervirá sobrenaturalmente nessa guerra e a maioria dos agressores será aniquilada. Esses guerreiros se voltarão uns contra os outros. Deus vai fazer a terra tremer com um poder fantástico e os invasores desejarão nunca terem tido um pensamento sequer de maldade contra Israel. As Escrituras nos dizem que essa guerra se espalhará.

As “terras do mar”, às quais se refere a Escritura, também experimentarão a ira de Deus por participarem da ofensa contra Israel, o que indica que a população islâmica diminuirá significativamente. As terras do mar são regiões marítimas no Oriente Médio, com densa população muçulmana.

Estas são as pátrias daqueles que darão assistência à Rússia, contra Israel, com suas frotas de guerra e tropas. As “terras do mar” se estendem ao que, na verdade, abrangeria o islamismo global, alcançando o mundo todo, inclusive a Indonésia. Um dos resultados dessa guerra será a remoção de uma porção significativa da dominação islâmica. Deus frustrará a agressão do islamismo.

“[Eu, Deus] Meterei fogo em Magogue e nos que habitam seguros nas terras do mar; e saberão que eu sou o Senhor. Farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo de Israel e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel” (Ezequiel 39.6-7).

O islamismo será profundamente marginalizado e a Rússia será destruída. Levará sete anos para que os danos sejam limpos e sete meses para que sejam enterrados os mortos (Ezequiel 39. 9, 12). Ninguém, a não ser o próprio Deus, ajudará a resgatar Israel quando este for atacado. Sem a intervenção divina, Israel não terá chance de sobreviver a essa invasão. Deus preservará Sua nação escolhida. O Senhor não fará isso por amor a Israel, mas por amor ao Seu próprio Nome, para deixar bem claro que Ele está no controle de todas as coisas e que é o Deus Altíssimo, que não poderá mais ser ignorado. De fato, Deus trará essas nações contra Israel, que O rejeitou – para Sua glória.

Este será um importante chamado ao despertamento para o mundo inteiro, principalmente para Israel, mostrando que o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó vive para sempre e é Rei. Todos deverão perceber que, sem Ele, estão condenados. Os seguidores de Alá serão deixados em uma situação difícil, tentando entender como poderão continuar afirmando que Alá é Deus. Alá não poderá ser encontrado em lugar algum quando essas forças, principalmente islâmicas, muito numerosas, marcharem contra Israel.

Por causa dos milagres que causarão grande espanto, milagres esses realizados por Deus durante a batalha de Ezequiel 38 e 39, Israel e os judeus como um todo experimentarão uma imensa ressurgência em sua busca por Deus – pelo Messias. O mundo inteiro terá a oportunidade de ver Deus em ação, como o verdadeiro Protetor de Israel e muitos virão a ser salvos nessa ocasião. […]

Também é muito provável que Meca, a Mesquita al-Aqsa e o Domo da Rocha sejam severamente danificados ou destruídos pelo tremendo terremoto mencionado em Ezequiel 38.19. Não será possível que um governo mundial único, uma igreja mundial única e um sistema econômico mundial único sejam implementados a não ser que a influência do islamismo seja tremendamente reduzida ou removida. Senão, teríamos um governo mundial único, um sistema econômico único e uma igreja única do tipo aiatolá. Os globalistas não seriam capazes de controlar o islamismo, logo os muçulmanos devem ser seriamente marginalizados a fim de que os globalistas possam implementar seus planos para uma ordem mundial.

Para mim fica claro que seria quase impossível que o governo mundial único, o sistema econômico mundial único e a igreja mundial única, conforme profetizados, sejam estabelecidos enquanto o islamismo estiver na frente do domínio mundial. Através do estudo das Escrituras, meu ponto de vista é que uma igreja mundial única, ecumênica e apóstata, é muito mais provável do que uma tomada geral do controle religioso pelo islamismo. É certo que, no momento, parece que o islamismo, por causa de sua enorme população, riquezas e ataques terroristas agressivos, poderia governar o mundo inteiro. Mas, como vemos através das Escrituras, existe um ponto em que Deus já não mais se manterá silencioso, em uma atitude paciente, permitindo que Seu santo Nome seja profanado.

Se a dominação mundial islâmica não fosse removida, então o Anticristo seria muçulmano, a igreja mundial seria muçulmana e o governo mundial único seria um califado. Mas não é isto que está descrito nas Escrituras. Há duas pernas na imagem de Daniel, capítulo 2. As duas pernas representam as duas divisões do Império Romano, o qual foi dividido em duas partes no ano 400 d.C., com a morte de Teodósio: a capital ocidental, em Roma, e a capital oriental, em Constantinopla. A parte ocidental, com sua capital em Roma, caiu e não foi restaurada até o ano 800 d.C., quando o papa coroou Carlos Magno como rei do Sacro Império Romano. Aquele império foi, depois, invadido pelos hunos e aquele tipo de governo chegou até a Alemanha, sob o Kaiser Guilherme.

Bíblia e Ciência

A parte oriental permaneceu intacta até o ano 1453 e depois foi invadida pelos muçulmanos – então temos a opção de considerarmos o Anticristo, o governo mundial e a religião mundial única provenientes daquela divisão oriental (islamismo), ou da divisão ocidental. Eu escolho a divisão ocidental por causa da tipologia. Antíoco Epifânio, um grego-sírio, é apresentado em Daniel como um tipo do Anticristo, e era europeu. O Anticristo virá do Ocidente, do lado europeu e, portanto, não será muçulmano.

Além disso, o Anticristo é visto cavalgando do Ocidente para o Oriente, à medida que estabelece sua capital na antiga Babilônia. E quem cavalga aquela besta hoje é o Vaticano, ou seja, o lado ocidental do antigo Império Romano (a Igreja Católica Romana da perna ocidental). E a igreja mundial não será islâmica porque ela vem de Ninrode, com a adoração do bebê Tamuz nos braços de Semíramis (Babilônia de Ninrode/A Igreja Católica Romana).

Os israelitas adoravam o deus babilônio Tamuz, a quem os cananeus se referiam como Adonai (Meu Senhor). O festival de verão de Tamuz celebrava a morte da natureza, e o reavivamento era celebrado na primavera. Tamuz estava associado à deidade babilônia Ishtar (Astarote, deus que mais tarde foi chamado de Adônis pelos gregos).

Ele também estava associado a Afrodite, a deusa grega que era adorada pelos romanos. Observe a atitude de Deus em relação àqueles que se engajaram na adoração a Tamuz:“Pelo que também eu os tratarei com furor; os meus olhos não pouparão, nem terei piedade. Ainda que me gritem aos ouvidos em alta voz, nem assim os ouvirei” (Ezequiel 8.18). Deus disse que não ouvirá ninguém que participar do culto idólatra a Tamuz.

A situação com a Rússia, a Ucrânia, a Síria e os crescentes ataques terroristas realizados pelos militantes muçulmanos é um passo em direção à guerra profetizada em Ezequiel – quando o islamismo for marginalizado, mudando a dinâmica de todo o mundo em múltiplos níveis, abrindo o caminho para que tomem posse o governo mundial único, a religião mundial única e o sistema econômico mundial único.

Em determinada época, a igreja em Roma foi uma igreja sadia. O apóstolo Paulo escreveu uma de suas maiores cartas àquela igreja e nela ele menciona a fidelidade dos crentes que se reuniam ali. A igreja dos romanos tinha muitos seguidores. Depois, o Império Romano declarou o cristianismo ilegal e aquela igreja foi forçada a se reunir clandestinamente. Era uma igreja verdadeira e fiel e foi muito perseguida pelo governo romano.

Então, Constantino subiu ao poder como mandatário de Roma e se converteu nominalmente ao cristianismo no início do século IV. Até aquela época, o cristianismo era ilegal, mas Constantino declarou que Jesus Cristo era o único e verdadeiro Deus, e o cristianismo se tornou a religião oficial do Império. Ele declarou que os templos pagãos teriam que ser destruídos. Naquela ocasião, os templos em todo o mundo conhecido haviam sido edificados para a “Rainha do Céu”, a deusa-mãe virgem retratada com o menino Tamuz em seus braços.

Então, o cristianismo se tornou a única religião legal do Império. Constantino disse que Tamuz e a Rainha do Céu não poderiam ser adorados. O que os sacerdotes dos templos de Ishtar (Innini) poderiam fazer? Será que eles destruíram seus ídolos e se voltaram para o cristianismo? Não, eles não fizeram isso. Eles removeram os nomes de Ishtar e de Tamuz desses ídolos e, no lugar, gravaram novos nomes: Jesus e Maria!

E a prática da idolatria proibida nas Escrituras – o culto a Maria – continua até hoje na Igreja Católica Romana. As raízes da igreja mundial dos tempos do fim serão uma sobrevivência do antigo misticismo da Babilônia dirigido pelo Falso Profeta, profetizado em Apocalipse 16.13.

A situação com a Rússia, a Ucrânia, a Síria e os crescentes ataques terroristas realizados pelos militantes muçulmanos é um outro passo em direção à guerra profetizada em Ezequiel – quando o islamismo for marginalizado, mudando a dinâmica de todo o mundo em múltiplos níveis, abrindo o caminho para que tomem posse o governo mundial único, a religião mundial única e o sistema econômico mundial único.

Quando acontecerá essa invasão? Ela se dará quando Israel estiver de volta à sua terra, reunido como nação, como é hoje. Essa guerra acontecerá “sobre os montes de Israel” (Ezequiel 38.8). Acontecerá quando o próprio Deus disser que está na hora – quando Ele, em Sua soberania, derrotar os invasores. “Eu [o próprio Deus] porei anzóis nos teus queixos e te levarei (derrotarei) a ti…” (Ezequiel 38.4a).

Que o Senhor tenha misericórdia das vítimas inocentes dos terroristas islâmicos, que são dirigidos de maneira extremamente demoníaca e que espreitam e perseguem suas presas de forma tão impiedosa. O juízo de Deus sobre o islamismo radical não pode acontecer cedo demais… Ele se dará no momento exato estabelecido pelo Senhor. (Kit R. Olsen — raptureready.com — Chamada.com.br)

Adorando o Deus da Tecnologia

Adorando o Deus da Tecnologia

Thomas C. Simcox

“Com a tecnologia, podemos mudar o mundo”. Eu estava sentado em uma sala de exames no Hospital da Universidade da Pennsylvania, em Filadélfia, ouvindo meu oncologista falando sobre “os projéteis mágicos” e os novos medicamentos que, segundo os cientistas acreditam, podem erradicar muitas formas de câncer. “Você provavelmente não vai morrer por causa deste tipo de câncer”, disse-me ele. “Já chegamos tão longe e tão rapidamente que os tratamentos que você fez estão ficando obsoletos”.

Certamente era uma boa notícia para mim. Embora muito feliz com esse prognóstico, não pude deixar de sentir que talvez a visão de mundo do meu médico depositava demasiada fé na ciência.

Atualmente, muitas pessoas crêem que o conhecimento pode salvar o mundo. Elas acham que a ciência e a tecnologia podem vencer a enfermidade, estabilizar a economia, preservar nossos recursos naturais, estocar suprimentos de alimentos e até mesmo abolir os conflitos entre as nações e as facções religiosas. Segundo o que dizem, estamos apenas a umas meras descobertas de distância da resolução de todos os problemas do universo.

De acordo com esta visão de mundo, tudo o que a humanidade precisa para obter a Utopia na Terra pode ser gerado por sábios em tecnologia e cientistas, pessoas com um espírito de “podemos fazer”, que acreditam que, se você é capaz de sonhar, é capaz de realizar. Portanto, quem precisa de Deus?

Em vez de adorarem o Criador, eles adoram o trabalho tecnológico de suas próprias mãos. Essa filosofia pode muito bem se tornar o verdadeiro centro da mensagem a ser pregada durante a futura Tribulação de sete anos.

A besta tecno vem aí

Duas bestas distintas aparecem em Apocalipse 13. João, o apóstolo, escreveu:

Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. (…) Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão” (v.1,11).

A besta que emergiu do mar é o pseudo-messias, o Anticristo. Seu surgimento do mar provavelmente significa que ele vem do mundo gentílico. O Dr. David Jeremiah, professor de Bíblia, explica: “No imaginário bíblico, o mar significa a massa em geral da humanidade, ou, mais especificamente, as nações gentias”.[1]

A segunda besta é o Falso Profeta. Seu advento, emergindo da terra, contrasta-o com a besta que emerge do mar e pode significar que ele é judeu. J. Hampton Keathley III, estudioso da Bíblia, disse que a terra “pode simbolizar a nação de Israel, que é constantemente relacionada com a terra nas Escrituras”.[2]

O trabalho do Falso Profeta é atrair adoração à primeira besta. O desejo de Satanás é ser Deus (Is 14.12-14). Parece que, no futuro, seu objetivo chegará perto de ser realizado. O Falso Profeta exercerá “toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta” (Ap 13.12).Ele seduzirá “os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta” [o Anticristo] (v.14). Depois, lhe é dado “comunicar fôlego à imagem da besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta” (v.15).

Este feito será realizado através de meios únicos, singulares.

Em 1964, Walt Disney desvendou uma maravilha tecnológica na Feira Mundial de Nova Iorque. Era uma representação de Abraão Lincoln que se movia, falava, e, até mesmo, estava sentado e ficou em pé. Disney chamou essa nova forma de animação de Audio-Animatronics. O homem havia encontrado uma maneira de fazer um objeto inanimado se mover, falar e exibir expressões faciais, usando uma forma especial de robótica.

Hoje, na Walt Disney World e na Disneylândia, podemos ver todos os tipos de objetos inanimados, feitos pelo homem, milagrosamente receberem vida através da Audio-Animatronics. Ainda resta-nos ver até onde a tecnologia avançará antes que venha o tempo em que a realista e convincente imagem da besta fará sua entrada no palco dos acontecimentos.

A imagem é reminiscente da estátua gigantesca erigida pelo rei Nabucodonosor, da Babilônia, descrita em Daniel 3. Nabucodonosor deu ordens para que todos se ajoelhassem diante da imagem ou morreriam. Esta efígie futura irá um passo adiante: Parecerá viva. O Falso Profeta iludirá grande parte da humanidade a crer que ele tem poder para criar vida. É um milagre, ou é ciência e tecnologia?

Bíblia e Ciência

666: a Marca da Besta

Esse mestre do engano finalmente obrigará “a todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos [a receberem] certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte” (Ap 13.16). A marca os identificará com o Anticristo. Sem ela, “ninguém[poderá] comprar ou vender” (v. 17). Essa marca da Besta é “o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis” (v.18).

Durante décadas, as pessoas têm especulado sobre essa marca perigosa e misteriosa. Ninguém sabe exatamente o que ela é ou como ela será aplicada à carne humana. O Dr. David Jeremiah escreveu:

Os poderes governantes geralmente possuem uma insígnia identificadora – a Alemanha nazista tinha sua cruz suástica; a União Soviética tinha a foice e o martelo. A idéia em si remonta aos tempos da história antiga. Babilônia, a primeira potência gentílica, era simbolizada por um leão com asas de águia (Dn 7.4). (…) Volumes e mais volumes já foram escritos com idéias fantasiosas que tentam identificar essa marca. Alguns a identificaram com cartões de crédito, chips de computadores, códigos de barra, até mesmo com nomes de determinadas pessoas (Adolf Hitler ou Saddam Hussein). Ninguém sabe dizer exatamente que forma a marca da Besta terá, mas o número seis parece ser importante. (…) O número seis é o número do homem. A humanidade foi criada no sexto dia e recebeu a ordem para trabalhar durante seis dias. O número 666 é o número do homem – triplicado. (…) Talvez o número da Besta represente a extrema e final oposição a Deus.[3]

Talvez o número seis também represente o melhor que o homem tem a oferecer – aquilo que ele mais valoriza ou em que mais confia, acima de tudo: sua habilidade para criar novas maravilhas da ciência e tecnologia extraídas das profundezas de sua própria mente.

Parece que, atualmente, muitas pessoas quase que deificam a ciência e a capacidade do homem de fazer os materiais na Terra se adaptarem à vontade humana. Elas crêem que está dentro de seu poder controlar a vida completamente, e, arrogantemente, desafiam a Deus. O Anticristo tipificará esse espírito de arrogância e de rebelião.

Uma espada de dois gumes

Logicamente a ciência e a tecnologia não são inerentemente más. Muitos avanços são bons e úteis. Eu claramente prefiro os “projéteis mágicos” de meus médicos do que todo tipo de quimioterapia que fui forçado a suportar. Mas nem a ciência nem a tecnologia vencerão a enfermidade e a morte, embora estejam tentando vigorosamente. E a mesma tecnologia da qual as pessoas podem depender para se salvar poderia finalmente ser usada para caçá-las e destruí-las.

Por exemplo, a Associated Press relatou que um chip de computador do tamanho de um grão de arroz pode ser implantado em seu braço com informações vitais sobre sua história médica, e isto pode salvar sua vida. “Com a picada de uma seringa, o microchip é inserido debaixo da pele em um procedimento que dura menos de 20 minutos e que não leva pontos. Silenciosa e invisivelmente, o chip escondido possui um código que libera informações específicas sobre o paciente quando um scaner passa sobre ele”.[4]

E aqui está o problema. Esses microchips também dariam à pessoa com o scaner certo acesso a todas as suas informações pessoais. No fim, o chip que salvaria sua vida se torna um dispositivo de rastreamento capaz de monitorar todo e qualquer passo que você der.

A humanidade não consegue curar nem consertar o mundo. Essa tarefa pertence ao Senhor. Ele voltará para este planeta e colocará as coisas de volta no lugar onde elas deveriam estar.

A Bíblia afirma que, sem a marca da besta, ninguém poderá comprar ou vender. Presume-se que, da mesma forma, ninguém poderá receber cuidados de saúde. Falta apenas um pequeno passo entre rastrear a saúde da pessoa e rastrear seus movimentos e, subseqüentemente, rastrear todos os aspectos de sua vida pessoal.

Parece que a marca está ligada ao futuro da economia mundial. Hoje, os bancos podem rastrear as pessoas através do uso dos cartões de crédito e débito. Podemos ser rastreados a partir de nossos cada vez mais sofisticados telefones celulares e até mesmo através dos convenientes coletores eletrônicos de pedágio em nossos carros. Aqueles que recusarem a marca acharão a vida horrivelmente difícil.

Infelizmente, todo o mundo seguirá a Besta: “e adoraram o dragão [Satanás] porque deu a sua autoridade à besta” (Ap 13.3-4). E o governo buscará matar a qualquer um que adore o verdadeiro Deus vivo.

Em nossos dias, o mundo confia mais e mais em sua habilidade de resolver problemas, de corrigir todos os erros e de criar uma sociedade perfeita, saudável, utópica. Muitos adoram os deuses tecnológicos e zombam do Deus que se assenta nos céus.

Embora a ciência possa ajudar as pessoas a viver mais e proporcionar-lhes mais dispositivos, implementos, medicamentos e amenidades, ela nunca será capaz de apagar os efeitos do pecado. As pessoas ainda ficarão doentes, morrerão, roubarão e assassinarão umas às outras. Nem a ciência nem a tecnologia podem produzir a vida eterna. Esse domínio pertence exclusivamente a Deus.

Na verdade, muitos de nossos avanços vêm com suas conseqüências. Inventamos maneiras de preservar os alimentos, mas, para tanto, freqüentemente são usados elementos químicos maléficos. Inventamos o ar condicionado, mas ele supostamente destrói o ozônio. Inventamos os carros, mas eles aparentemente envenenam o ar. A humanidade não consegue curar nem consertar o mundo. Essa tarefa pertence ao Senhor. Ele voltará para este planeta e colocará as coisas de volta no lugar onde elas deveriam estar:

Porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém. Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Is 2.3-4).

Nesse dia, as pessoas já não adorarão a obra de suas mãos: “Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrar a Festa dos Tabernáculos” (Zc 14.16).

Eles adorarão o Deus de Israel, o Messias, que os salvou! (Thomas C. Simcox — Israel My Glory — Chamada.com.br)