“Seca-se a erva e caem as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Isaías 40:8).

 

O Tribunal de Cristo

O Tribunal de Cristo

Thomas Lieth

Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5.10).

Os destinatários da Segunda Carta aos Coríntios eram filhos de Deus, pessoas renascidas que um dia estarão com o Senhor. Apesar disso, 2 Coríntios fala de um tribunal e de um julgamento que ainda virá. Está escrito que “todos nós” compareceremos diante do tribunal de Cristo. O apóstolo Paulo inclui a si mesmo ao usar o plural, nós. À primeira vista, essa passagem parece estar em contradição com João 5.24, que diz: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. Mas essas passagens serão contraditórias apenas se não levarmos em consideração que haverá diversos julgamentos futuros. Em sua carta aos coríntios, Paulo está mencionando um julgamento bem diferente daquele a que Jesus se refere no Evangelho de João. Nós cristãos também teremos de prestar contas diante de um tribunal. Mas neste estará em julgamento apenas nosso galardão e não a sentença por nossos pecados. Nossa culpa foi expiada pelo sangue do Senhor Jesus, que Ele derramou na cruz do Calvário, onde pagou por toda a nossa culpa de uma vez por todas! “Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados… Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniqüidades para sempre” (Hb 10.14,17). Em Colossenses 2.13-15, a Bíblia fala que o Senhor rasgou o escrito de dívida que era contra nós e que Ele triunfou sobre o pecado e a morte. Existem passagens que dizem que somos participantes dessa vitória de Cristo, por exemplo 2 Coríntios 2.14: “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo…” Que triunfo seria esse se um cristão acabasse perdendo sua salvação outra vez? Que vitória seria essa se o Deus Todo-Poderoso, que não poupou Seu próprio Filho, permitisse que Satanás lhe arrancasse novamente Seus filhos salvos e eleitos? Isso não seria triunfo! Mas nós somos vencedores por meio dEle, já e desde agora: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15.57).

Nossa culpa foi expiada definitivamente e nosso pecado está esquecido. O escrito de dívida foi rasgado, não apenas colocado de lado para uma cobrança futura. Isso é perdão pleno e completo! Não há mais nada que acuse os filhos de Deus. É por essa razão que não entraremos mais em juízo. “Quem nele crê não é julgado…” (Jo 3.18).

O Tribunal de Cristo julga o quê?

Como podemos imaginar o Tribunal de Cristo? Obviamente qualquer tentativa de comparação é deficiente, mas eu gostaria de traçar alguns paralelos com a premiação do Oscar. Todos os convidados não vêm ao evento para serem insultados ou zombados; são personalidades escolhidas e privilegiadas participando dessa grande festa. Muitos deles são homenageados, recebem um Oscar, um buquê de flores, um beijinho no rosto ou alguma outra distinção. Mas nem todos recebem o prêmio máximo, que é a estatueta do Oscar. Obviamente haverá os frustrados por terem sido preteridos enquanto outros recebem as honrarias. Mas apesar das decepções, todo mundo fica feliz por estar ali, participando. É algo bonito, mesmo que os níveis de alegria e satisfação não sejam iguais para todos.

Segunda Coríntios 5.10 diz: “importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”. Portanto, nossas obras estarão em julgamento, ou seja, o que fizemos ou deixamos de fazer com os dons e talentos que nos foram confiados – depois de salvos. Que fruto produzimos, que semente plantamos? Essas coisas serão reveladas no Tribunal de Cristo e condicionarão o que receberemos como recompensa. Um cristão deve produzir fruto e não contentar-se apenas com sua própria salvação. Deve servir com boas obras para alegrar seu Senhor. Essa é nossa tarefa: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).

Mas, o que são boas obras?

São aqueles atos e palavras que contribuem para a glorificação do nome de Deus: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16). Entendemos bem? Cada palavra e cada ato que contribui para que o nome do Senhor seja glorificado é uma boa obra.

O malfeitor na cruz não tinha nenhuma oportunidade de fazer o bem, apenas sua confissão: “Nós, na verdade, com justiça, …recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez” (Lc 23.41). Essa foi uma boa obra, porque glorificou o nome de Jesus. Por exemplo, se eu prego a Palavra e depois do culto a igreja fica falando que eu sou o máximo como pregador, então minha mensagem certamente não foi uma boa obra, já que evidentemente desviei a atenção dos ouvintes do que é essencial, que é o Senhor, e a dirigi à minha própria pessoa. Mas se os ouvintes chegam à conclusão: “Como é grande o nosso Deus! Que salvador maravilhoso nós temos! Louvado seja o nome do Senhor!”, então essa minha mensagem foi uma boa obra. Ela honrou o Senhor e contribuiu para Sua glória.

Qual seu alvo ao fazer boas obras?

Pergunto: No que você faz ou deixa de fazer, sua motivação é agradar aos outros, agradar a si mesmo ou agradar ao Senhor e exaltar o Seu maravilhoso Nome? Cada um de nós tem a responsabilidade de usar para a glorificação de nosso grande e Todo-Poderoso Deus todos os dons que recebeu. O que realmente importa não é o quanto alguém faz mas a motivação de seu coração e a consagração e fidelidade em tudo o que realiza.

Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1 Co 4.2). Deus não espera de nós atos grandiosos e heróicos. Ele espera nossa fidelidade genuína – nada mais e nada menos. Uma coisa é bem certa: o Senhor conhece nosso coração. Não conseguimos enganá-lO de forma alguma. Como é fácil ficar dizendo: “Tudo para o Senhor! Tudo para a glória de Deus!”, enquanto nosso coração fala uma linguagem bem diferente!

No Tribunal de Cristo

Não será nossa arte dramática e nossa capacidade de representar e fingir que estará sendo avaliada quando estivermos diante do Tribunal de Cristo, mas a verdadeira disposição de nosso coração. Tudo o que um cristão possui na vida é dom de Deus. E quanto mais recebemos, mais teremos de prestar contas quando estivermos diante de Cristo. O parâmetro não é termos tido muitos admiradores para nossos dons ou sua apreciação e seu louvor para o que fizemos em vida, mas se fizemos o uso correto e adequado, de coração sincero, de tudo aquilo que o Senhor nos concedeu.

Entre os cristãos existem muitas capacidades enterradas porque ficamos preguiçosos demais e perdemos a coragem de servir.

Você tem o dom de falar? Então não fique falando superficialidades, mas proclame o Senhor ressuscitado! Você tem o dom de escrever? Então não escreva extensos tratados de filosofia – que tão pouco proveito trazem, mas escreva de seu Senhor! Você tem o dom de contribuir? Então não jogue fora seu dinheiro em caça-níqueis ou jogos de azar mas use-o para Deus! Você tem o dom de servir? Então não sirva organizações seculares – “deixe os mortos sepultar seus mortos” –, sirva ao Senhor. Você tem mãos habilidosas? Então não construa uma casa sobre a areia mas na rocha, que é Jesus! Não há igreja ou obra missionária que não seja grata por ajuda, seja da forma que for. Entre os cristãos existem muitas capacidades enterradas porque ficamos preguiçosos demais e perdemos a coragem de servir. Muitos cristãos vivem sonolentos, desperdiçando seus dons, sem usar tudo aquilo que receberam do Senhor e que poderia contribuir tanto para a honra dEle. Assim, muitas igrejas vivem no marasmo. Vamos imaginar cada filho de Deus usando plenamente todos os seus dons e talentos na obra do Senhor. Que força concentrada isso representaria na terra! Ao invés disso, muitas igrejas ficam atacando as outras. Vemos apenas as coisas que nos separam e gastamos muito tempo em batalhas na trincheira, enquanto o inimigo está lá fora. Sempre deveríamos colocar o Senhor Jesus no centro de nossos esforços conjugados. Aí nossa luta não será em vão.

Obras com fundamento

Em 1 Coríntios 3.11-15 está escrito: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo”.

devemos ter em mente que poderá ser vergonhoso quando for revelado como desonramos o Senhor enquanto vivemos.

O fundamento dos crentes é Jesus Cristo. Esse fundamento está assentado sobre a graça de Deus. É um presente. Vamos fazer a comparação com uma casa. O fundamento está posto e é o mesmo para todos os cristãos. Mas agora cada um dos cristãos começa a edificar individualmente a sua casinha sobre esse fundamento. O que edificamos são as nossas boas obras. Aí nos perguntamos, curiosos: será que a casa vai agüentar as provações? Tormentas, enxurradas e até o fogo? Aqueles cuja obra permanecer são os que edificaram sobre o fundamento de Cristo e receberão recompensa no Tribunal de Cristo: “Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão” (2 Co 3.14; veja 2 Tm 4.8). Porém, aquele cuja obra queimar, sofrerá dano (v.15). Mas o fundamento permanecerá intacto. Ou seja, a salvação, que se firma sobre o fundamento e é sua base, não será perdida pelo cristão: “…mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” (v.15). Lembremos da comparação com a premiação do Oscar. O convite foi feito, irrevogavelmente. Estamos lá na festa, talvez nominados para algum prêmio, mas não recebemos nenhum. Porém, isso não fará com que nos expulsem do recinto. Naturalmente, precisamos ter cuidado com esse tipo de analogia, para não pensarmos de forma demasiadamente humana. Em relação a todas essas coisas que se referem ao futuro, precisamos ter em mente que tocamos uma área que supera em muito nossa capacidade de imaginação e desafia por completo toda a nossa lógica. Alguém poderia argumentar: “Tudo bem, estar lá já será ótimo. Por que almejar um Oscar? Participar ainda é melhor do que não ter sido convidado. O que importa é estar salvo!” Outro poderá ficar pensando: “Como deve ser terrível o Tribunal de Cristo, quando eu perceber que grande recompensa eu poderia estar recebendo e que me coube tão pouco!” Não sei como será realmente quando estivermos diante do Tribunal de Cristo, mas deveríamos ficar bem conscientes de que ali não será um lugar de juízo e castigo, mas de recompensa e premiação. Por outro lado, devemos ter em mente que poderá ser vergonhoso quando for revelado como desonramos o Senhor enquanto vivemos: “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados” (1 Jo 2.28). Alguém disse: “Quem exagera o aspecto triste do Tribunal de Cristo faz do céu o inferno. Quem negligencia o aspecto triste do Tribunal menospreza o valor da fidelidade”.

Como podemos receber galardão no Tribunal de Cristo?

Os apóstolos já se ocupavam com a questão: quem seria o maior e quem se assentaria à direita ou à esquerda do Senhor? (Mt 20.20ss.; Mc 9.33ss.). O homem é e continuará sendo egoísta e egocêntrico. Isso não é perceptível apenas nos discípulos daquela época, mas em todos, inclusive em nós. Seria tão bom se de fato levássemos a sério o que dizemos e cantamos com tanta facilidade. “Tudo, ó Cristo, a Ti entrego!” é mais uma frase piedosa do que um desejo sincero que vem do nosso coração. Em geral nossa preocupação primordial não é a glória de Deus, mas nosso próprio reconhecimento, nossa glória, honra e louvor. Tantas vezes nosso temor aos homens é tão maior que nosso temor a Deus!

Por que você quer mesmo ir para o céu? Há aqueles que desejam ir ao céu para não acabarem no inferno. Outros querem ir para o céu para reencontrar seu marido ou sua esposa que já faleceram. E existem aqueles que pretendem chegar ao céu para apanhar seu “Oscar”. Cada uma dessas três motivações é altamente egoísta. Será que alguém teria a gloriosa idéia de dizer: “Eu quero chegar ao céu para servir ao meu grande Deus e Salvador. Quero chegar ao céu para dizer ‘Muito obrigado!’ a Jesus”. A maior recompensa para nós é sermos salvos, termos a vida eterna e podermos ver Deus face a face. Tudo isso já está prometido a nós quando cremos no Filho de Deus ressurreto – é nosso e ninguém poderá tomá-lo de nós. Estaremos na premiação do “Oscar” e nosso “cartão de entrada” é o sangue derramado de Jesus! Mas as recompensas, que serão entregues diante do Tribunal de Cristo, são simbolizadas na Bíblia por meio de coroas (Tg 1.12; 1 Pe 5.4; Ap 3.11).

Boa Semente

A coroa incorruptível

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co 9.24-27).

Como em uma luta na arena, nós também deveríamos empreender todos os esforços pela causa do Senhor. Não para receber alguma recompensa humana ou para nossa própria vanglória. Essa seria uma recompensa corruptível. Nossa luta espiritual é por uma coroa de vitória que não estraga nem se deteriora. Para isso vale a pena se preparar bem, exercitar-se de verdade e, bem motivados, empenhar-nos por uma coroa incorruptível, lançando mão de todos os nossos dons para servir o Senhor e cumprir nossa missão. Enquanto estivermos aqui na terra devemos estar dispostos a servir. E essa prontidão não ficará sem recompensa. Como já disse o Senhor Jesus a seus discípulos: “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mc 10.43).

O exemplo do lutador

Um lutador, para voltar ao exemplo usado por Paulo, não irá se embriagar ou exagerar na comida pouco antes da luta. Ele se absterá do que lhe faz mal e priorizará uma alimentação saudável. Por que não fazemos igual? Abstinência. De quê? Das coisas sem valor, que só pesam e atrapalham – é ficar longe do pecado, que impede uma vida de santificação. No lugar delas, vamos nos alimentar de comida boa, espiritualmente saudável. O que é alimento espiritual para nós, cristãos? Não são barrinhas de cereal ou energéticos açucarados, mas a Palavra de Deus e os ensinamentos de Jesus Cristo. Paulo estava convicto de que era imprescindível abrir mão de todas as coisas mundanas para conseguir uma coroa de vitória não-perecível, para receber pleno galardão e para, um dia, estar diante do Senhor servindo-O em posição privilegiada, “para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co 9.27).

A certeza da salvação não está em questão

Paulo não tinha qualquer dúvida acerca de sua salvação. Ele tinha a mais plena certeza – uma certeza que qualquer cristão pode ter. Ele não tinha receio acerca da garantia de sua salvação, mas estava cônscio do fato de que se pode perder o galardão. Assim, todas as exortações dentro desse assunto não são no sentido de cuidarmos para não perdermos a salvação, mas de estarmos atentos e empenhados em não perder a recompensa: “Ninguém se faça árbitro contra vós…” (Cl 2.18). A Bíblia de Estudo MacArthur diz: “Paulo adverte aos colossenses a não permitir que os falsos mestres os enganassem a respeito das bênçãos passageiras ou do galardão eterno…”. E o prêmio pela luta não tem relação com a salvação, e sim com as coroas, com a recompensa que receberemos no Tribunal de Cristo. “Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão” (2 Jo 8). Portanto, é possível perder parte dele, e nessa perda, mais uma vez, não é a salvação que está em discussão. É a recompensa na eternidade. “Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11).

Paulo também teve lutas como cada um de nós, mas podia dizer: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co 9.27). Como Paulo conseguia isso? Pelo poder do Espírito Santo. Ele se mantinha sempre ligado ao Senhor em oração, servindo-O com alegria. Dessa forma ele conseguia dominar seu corpo, impedindo que a carne assumisse o controle. Quanto mais você ora, quanto mais serve, quanto mais estuda as Escrituras – deixando o Senhor falar com você – menos tempo terá para ocupações inúteis ou pensamentos imorais. O Espírito Santo deseja transformar você. Quer transformá-lo na imagem do Senhor Jesus. A questão é: você dá lugar e reserva tempo para o Espírito Santo fazer Sua obra? A salvação é de presente. Não podemos dar nada ao Senhor em troca, pois jamais poderíamos pagar por ela (Hb 10.18). A única coisa que devemos ao Salvador, a única coisa que podemos trazer a Ele é uma vida de consagração e de absoluta fidelidade, oferecendo nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12.1-2). Essa consagração, essa entrega de si mesmo, certamente não ficará sem retribuição.

Qual será a recompensa no Tribunal de Cristo?

Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas” (Cl 3.23-25). Tudo para o Senhor! Quanto antes você começar a perseguir esse alvo, maior será sua herança!

Ainda que não saibamos exatamente como será a vida na presença de Deus, creio poder dizer que pelo menos uma das atividades será louvar e servir ao Senhor. “Quero ir para o céu para louvar e servir ao meu grande Deus e Salvador…” Sim, eu creio que esse é o rumo. Nossa recompensa poderia consistir em serviço a Deus. Mas será que iremos mesmo servir a Deus na eternidade? “Servir no céu? Então prefiro tocar harpa!”, dirão alguns. Calma, irmão! Vejamos Apocalipse 22.3: “Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão”.

Quem são esses “servos de Deus e do Cordeiro” que O servirão?

São os salvos, que um dia estarão com o Senhor! Sendo assim, a maior alegria será de fato servir o Salvador. Esse serviço na eternidade não será serviço de escravo ou trabalho de servo no sentido comum. Nós serviremos a Ele. De fato, somos chamados de servos, assim como somos chamados de sacerdotes e reis, irmãos e amigos de Jesus, bem como de filhos de Deus e herdeiros Seus. Por exemplo, em Apocalipse 21.7 está escrito: “O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”. A Bíblia diz ainda que iremos reinar com Ele, pois conforme Apocalipse 22.5 os servos de Deus “reinarão pelos séculos dos séculos”. Esse reinado em conjunto com Cristo também é um serviço. Não reinaremos para nós mesmos mas para o Senhor e com o Senhor.

Atentemos: Apocalipse 22.4 fala que veremos Sua face e que Seu nome estará em nossa fronte. Seu nome, Seu santo nome estará em nossa fronte. Isso demonstra que somos propriedade dEle e que nada mais poderá nos separar do amor e da presença de Deus e do Cordeiro. Para todo o sempre somos Seus! Que privilégio poder servir na imediata presença do Deus santo e todo-poderoso Criador! Será no lugar que Apocalipse 21 descreve assim: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles… Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram”. Usufruir do agrado do Deus santo e todo-poderoso, fazer parte do Seu círculo mais íntimo, ficar sempre perto do Salvador – isso tudo não é uma recompensa altamente desejável? Podemos dizer com convicção que este será um trabalho privilegiado, que Paulo almejava e que será motivo de alegria transbordante para cada um de nós. Será um servir cheio de satisfação, sem preocupações e sem privações – um serviço celestial no sentido literal da palavra. Mesmo não conseguindo compreender plenamente essa realidade com nosso raciocínio limitado, não haverá nada mais belo, e jamais teremos experimentado algo mais sublime do que estar na imediata presença de Deus, servindo e adorando a Ele. Com palavras nunca conseguiremos exprimir nem descrever vagamente tudo aquilo que um dia experimentaremos e viveremos na presença de Deus. Não podemos nem imaginar o que realmente significará reinar com Ele, ser filhos e herdeiros Seus e estar servindo a Ele para todo o sempre.

Um poderoso estímulo

O fato de que cada cristão estará diante de Deus no Tribunal de Cristo, prestando contas a Ele, deveria nos estimular a sermos fiéis e a direcionar as prioridades da nossa vida de acordo com a avaliação que nossos atos terão diante da eternidade. Não terão importância as belas palavras e os elogios proferidos junto à nossa sepultura. Importante será o que o Senhor nos dirá na hora do julgamento diante do Tribunal de Cristo, quando nosso Salvador pesará e avaliará nossas obras. Uma coisa é bem certa: nesse julgamento a alegria será preponderante, já que teremos parte na vida eterna e estaremos vendo o Senhor face a face, adentrando a indescritível glória eterna.

diante da eternidade, Não terão importância as belas palavras e os elogios proferidos junto à nossa sepultura.

Tudo isso será motivo de alegria, júbilo e adoração: “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança…” (1 Jo 2.28). Diante de toda essa alegria indizível que espera por nós, enquanto andarmos aqui na terra animemos e incentivemos uns aos outros a servir ao Senhor de todo o coração e a sermos administradores fiéis, para que “dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda”. Louvado seja o Senhor por Seu amor e pela fidelidade que tem demonstrado para conosco. Queremos ser fiéis por amor Àquele que nos amou primeiro e que entregou tudo, mas tudo mesmo – por nós, por mim e por você! (1 Jo 4.9-11,14-16,19). (Thomas Lieth — Chamada.com.br)

A intenção Dele é tão boa…!

A intenção Dele é tão boa…!
… o abençoarei…!

“Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção” (Gênesis 12.2).

“Abraão! Arrume suas malas! Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Farei de você um grande povo, e o abençoarei…”

Sem qualquer dúvida, esse fiel homem de Deus obedeceu a ordem de partir recebida de seu Senhor. Foi o início de uma aventura! A terra que Deus havia prometido era habitada pelos cananeus. Ali Abraão colocou um sinal da presença do seu Deus: ele construiu um altar e invocou o Nome do Senhor!

No entanto, Abraão seguiu cada vez mais em direção ao sul! É o que lemos em Gênesis 12.9. Dessa vez, porém, não houve ordem de partida dada por Deus! Infelizmente! Com o surgimento de uma crise de fome no país, parecia algo lógico agir de acordo com as circunstâncias. Por isso, foi rumo ao sul, em direção ao Egito! Era hora de evitar as dores do estômago!

Ali, no entanto, Abraão se envolveu em dificuldades inesperadas por temer por sua vida. Ele temia que a sua bela Sara pudesse atrair a atenção do Faraó, e então a próxima decisão dele seria fazer com que Abraão simplesmente “desaparecesse”! Então Abraão abriu sua caixinha de estratégias e aconselhou a sua Sara: “Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa” (Gênesis 12.13).

Chegou o momento em que o Faraó descobriu a farsa. Quão embaraço foi isso para Abraão! Totalmente envergonhado e muito ruborizado, ele abandonou o Egito. O que se passava na alma de Abraão nesse momento? Ele havia sido designado para ser portador de bênçãos – mas tornou-se um fracassado!

Surgiu nele, então, o anseio por um novo encontro com o seu Deus: voltou a Betel, onde havia construído um altar em tempos passados. Voltou ao lugar santo da presença de seu Deus, pois lá ele havia recebido a promessa Dele: “Eu o abençoarei!”

Quão grande era agora o seu anseio para uma comunhão pura com seu Senhor! A triste “experiência do Egito” mudou suas convicções. Quando, não muito depois disso, houve a briga entre os pastores de Abraão e os pastores de Ló, Abraão generosamente desistiu de seus direitos: com um coração bondoso, ele cede as pastagens suculentas de Sodoma ao sobrinho Ló. Ele preferiu aceitar as áridas regiões externas para suas grandes tropas de gado. Ele optou pelas desvantagens porque a comunhão com seu Senhor significava mais do que qualquer coisa do mundo. “Eu o abençoarei”, ressoava em seu coração. Então Deus lhe abriu os olhos. Mostrou-lhe a maravilhosa terra das futuras promessas. Abraão peregrinou pelos montes e vales, prados e matas, mares e rios e sabia, a cada passo dado: esta é a terra que o Senhor deu para mim e para meus descendentes para todo o sempre.

O Senhor Jesus também deseja conceder novas bênçãos para você. Em Cristo, todas as promessas valem também para você, quando a sua fé peregrina pelas terras das bênçãos. Aproprie-se delas. O Senhor concedeu também a você a Sua força divina e tudo o que for necessário para sua vida e para a piedade (ver 2Pedro 1.3).

Mesmo que o caminho da humilhação seja dolorido, como foi com Abraão, saiba que sempre há a promessa de bênçãos para o humilde! Não importa o que houve no passado. Não importa o que lhe conduziu em direção ao “Egito”. Deus não está com o chicote na mão, esperando para castigá-lo em razão do seu fracasso. O Seu amor atrai todo aquele ao Seu coração que lhe clama por Sua graça e perdão. O caminho de volta aos braços amorosos do Senhor Jesus é sempre uma feliz volta para o lar.

Eu sei que o Diabo quer evitar, a qualquer custo, que o seu anseio interior se volte para a sua Betel. Ele luta com milhares de armas contra a possibilidade de que você tenha um novo encontro com o seu Senhor Jesus. Ele combate qualquer iniciativa de fé com argumentos refinados. No entanto, se o seu coração perguntar: “Senhor, que queres que eu faça?”, então o Céu se abre e você poderá contar com a maravilhosa intervenção de Deus. Então o seu coração cansado será confortado e a sua alma abatida será revigorada.

O Seu amor atrai todo aquele ao Seu coração que lhe clama por Sua graça e perdão.
A viagem de retorno de Abraão para Betel demorou muitos dias. Você, porém, pode chegar à presença de Deus neste momento e ouvi-Lo dizer: “Eu o abençoarei! Eu quero lhe proporcionar o bem! Quero abrir-lhe as janelas do Céu e derramar bênçãos em abundância!”

É uma dádiva maravilhosa da graça de Deus que existe uma “Betel” para cada filho de Deus e que podemos, a cada dia, encontrar paz para nossa alma agitada nos braços de Deus. Ele enxuga todas as nossas lágrimas, cura todas as feridas, sabe de todas as nossas dores e concede consolo, força e esperança para cada tarefa. Receba com alegria, para você pessoalmente, as Suas bênçãos. Assim, a sua fé será ricamente fortalecida e você será uma bênção para os outros. — Manfred Paul

Um cristão pode perder a salvação?

Um cristão pode perder a salvação?
Norbert Lieth

Pergunta: “Alguém que se arrependeu de seus pecados, converteu-se a Jesus e experimentou o novo nascimento pode perder sua salvação?
Resposta: Não, é impossível perder a salvação! No contexto geral, e em muitas passagens individuais, a Bíblia fala tão claramente sobre a eterna bem-aventurança de um filho de Deus, que não é possível que em outras passagens anule a garantia de salvação eterna. Se alguns versículos deixam dúvidas, devem significar algo diferente. Lendo atentamente essas passagens críticas, e observando o contexto geral das Escrituras, teremos o entendimento correto de seu sentido.

Somos salvos única e exclusivamente pela pessoa de Jesus Cristo. Lemos em João 17.19, na conhecida oração sacerdotal de Jesus: “E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade”. Isso significa que todo aquele que crê em Jesus é santificado em Sua santificação – pela sua posição “em Cristo”. Portanto, uma pessoa que se tornou crente assumiu sua posição em Cristo. Ela passa a ser vista por Deus, o Pai, na posição de Seu Filho. Jesus deu Sua vida perfeita pelos pecadores, para que a vida deles pertencesse ao Pai. Ele é a base e o fundamento. Se alguém se torna crente, nascendo de novo, sua vida é transferida para a vida de Cristo, e esta jamais pode ser perdida. Por isso, Jesus ora na oração sacerdotal de forma muito concreta: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste…” (Jo 17.24). Todos os que nasceram de novo são dados ao Filho pelo Pai. Estarão com o Filho e ficarão para sempre com Ele e verão a Sua glória. Esse grupo de pessoas é a Sua Igreja, um só corpo, inseparável e indivisível.

A declaração de João 6.37-39 aponta nessa mesma direção: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. E a vontade daquele que me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia”. Se um nascido de novo pudesse perder sua salvação, entendo que isso seria uma afronta ao sacrifício de Jesus na cruz. A doutrina que ensina que o crente pode perder a salvação tira a honra de Jesus e faz com que a graça deixe de ser graça. Em relação à obra completa de Jesus, é da vontade do Pai que não se perca ninguém que veio a Cristo e pertence a Ele. Jesus consumou uma vitória plena, e Seu triunfo consiste em termos sido resgatados do inimigo de uma vez por todas e agora pertencermos ao Seu reino.

O apóstolo Paulo escreve em Romanos 8.38-39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Esse é o amor experimentado pelos salvos. Não é o amor de Deus por todos os homens em geral, mas o Seu amor por aqueles que encontraram a Cristo. Não existe argumento mais evidente e mais abrangente! A expressão “nem a morte, nem a vida”, inclui tudo o que possa ter alguma influência na nossa vida. Uma pessoa realmente renascida não pode se separar de Deus; isso só é possível para alguém que não nasceu de novo, mesmo que aparente ser cristão. Na vida ou na morte nada poderá nos acontecer que esteja fora da esfera da vontade de Deus. Mesmo no mundo dos espíritos não há poder ou potestade que exerça alguma influência que nos separe de Jesus. Não há acontecimento, presente ou futuro, que possa nos separar do Senhor. Nem mesmo o poder do pecado, nada que seja elevado ou profundo, nem qualquer criatura tem esse poder de nos separar do amor de Deus. Por que não? Porque a obra do Gólgota transcende a tudo. Lemos em Romanos 8.34: “Quem os condenará? É Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

A salvação eterna não está baseada em nossas obras, mas somente na graça. Tomemos como exemplo o direito civil: você nasceu num país e é cidadão desse país. Você não fez nem poderia ter feito qualquer coisa para receber sua nacionalidade. Se não obedecer às leis do país, poderá ser punido, mas sua cidadania não poderá ser questionada. Você pode perder muitas coisas: sua liberdade, dinheiro, trabalho, casa e bens, mas não sua cidadania. Portanto, a graça deixaria de ser graça se um filho de Deus pudesse perder sua salvação. Se colocamos em dúvida a segurança da salvação eterna, estamos outra vez dentro do círculo vicioso da justificação pelas obras, e aí ninguém poderia ter certeza de sua salvação.

Em Efésios 2.8-9 está escrito: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. A graça de Deus é o único fundamento para sermos e estarmos salvos. Sempre que se tratar do pacote do presente da salvação eterna, é a graça que o torna possível. Se pudéssemos nos perder depois de termos sido salvos, teríamos de ganhar nossa certeza de salvação pelas nossas obras.

William MacDonald escreve: “O único caminho em que Deus podia dar uma firme salvação ao homem era pela graça, por meio da fé. Salvação pela graça significa que tudo reside em Deus e nada depende do homem. Mas se tudo repousa unicamente em Deus, não há falha”. No que diz respeito à graça e à salvação, Jesus Cristo é o Autor e Consumador da nossa fé. Lemos em Hebreus 12.2: “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus”, e em Filipenses 1.6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”. (Norbert Lieth)

MOVIMENTO DOS IRMÃOS

“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”
II Timóteo 2.2

UM POUCO DE NOSSA HISTÓRIA E QUEM SOMOS
O movimento dos “irmãos” é conhecido e formado por cristãos indenominacionais, que se reúnem num terreno comum a todos os que pertencem à Igreja de Cristo.
Os iniciadores deste movimento, eram jovens, a maioria ligada ao Trinity College, Dublin, Irlanda. Buscavam encontrar uma forma em que pudessem reunir-se para adoração e comunhão, desprezando as barreiras denominacionais, reunidos simplesmente como “irmãos em Cristo”.
Como procuravam reunir-se nesta simplicidade, não pretendendo formar um grupo à parte, não usavam qualquer nome que os diferençasse dos grupos existentes. Não faziam ideia que começavam um movimento, e não tinham esta intenção, pois isto seria a negação do verdadeiro propósito pelo qual se reuniam. Por volta de 1825-1827, em várias cidades da Irlanda e da Inglaterra, foram se formando pequenos grupos de discípulos de Cristo para um estudo mais aprofundado das Escrituras. Eram crentes que pertenciam a denominações diversas.

O Movimento se espalhou pelo Continente Europeu, na Inglaterra receberam o nome de “irmãos de Plymouth” (Plymouth Brethrem), porque no início, formou-se uma igreja local bem numerosa na cidade de Plymouth. Em outros lugares são chamados de “darbistas” (Por causa de John Nelson Darby) para designar o grupo exclusivista. Em Portugal, Argentina e outros países são conhecidos como “assembleia de Deus”. No Brasil, alguns lugares são conhecidos como “igreja cristã”, “irmãos unidos” e até mesmo “casa de oração” por geralmente denominarem assim a casa onde se reúnem.
Sobre este assunto, assim escreveu o irmão Silas G. Filgueiras:

“A existência de muitos nomes indica que nenhum satisfaz plenamente, porque nenhum preenche a finalidade e alguns envolvem alguma inverdade. O desejo, porém, tem sido sempre o de se reunirem como cristãos, remidos por Cristo, como uma expressão local da Igreja de Cristo na terra, sem usar qualquer nome, ou outro distintivo, com o fito de direfençá-los dos outros irmãos em Cristo. Esta é a razão de preferirem tratarem-se uns aos outros como “irmãos” (com “i” minúsculo) por ser um nome aplicável a todos os membros da Igreja de Cristo na terra, não podendo, entretanto, ser apropriado por um grupo somente. A ideia de divisão em grupos e o uso de nomes para se designarem é um mal que começou muito cedo na história da Igreja, e que foi prontamente condenado por Paulo. (1 Co 1.11-13).
O uso de designações, tais como “irmãos”, “igreja cristã” não escapa à acusação de ser impróprio, uma vez que toma para um grupo, nomes que pertencem a todo o povo de Deus, embora, diga-se de passagem, nomes como “presbiteriano”, “batista”, “assembleia de Deus”, etc. são também passíveis da mesma acusação.
O importante não é pertencer a este ou àquele grupo, porém, pela graça de Deus, ter um espírito indenominacional, e ter a visão da comunhão universal, da única verdadeira Igreja que é formada por “todos os que, em todo lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”. (1 Co 1.2) “
No Brasil, o primeiro grupo a reunir-se, foi em 1878, na cidade do Rio de Janeiro à rua da América, 4, formado por membros oriundos da Igreja Fluminense, influenciados por Richard Holden, então residente em Portugal, que fora co-pastor da igreja Fluminense quando esteve no Brasil.
Mais tarde, em 1896, chega o primeiro missionário ao Brasil. Stuart Edmund Mc Nair. Atuando primeiro na cidade do Rio de Janeiro, mais tarde, Petrópolis, Sampaio, Del Castilho, Bemposta e Zona da Mata, região limítrofe entre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, posteriormente fixando residência em Conceição de Carangola-MG.
Não se sabe ao certo quantas igrejas locais existem hoje no Brasil, porém estima-se mais 700 espalhadas por todas as regiões, sendo a região Sudeste com maior número.

CONVICÇÕES E POSIÇÃO DOS “IRMÃOS”

A) A Igreja de Cristo é constituída de todos os que foram comprados com Seu sangue (Atos 20.28) e Jesus orou para que todos fossem um (Jo 17.21), e assim sendo a divisão em seitas, partidos e denominações é contrária à vontade de Deus (1 Cor 1.11-13). O argumento de que as divisões estimulam os crentes a se esforçarem pela sua denominação, produzindo emulação, e assim dão maior contribuição para o progresso do Evangelho, é pensamento humano, esquecendo que a obra de Deus é somente aquela feita pelo poder de Deus, dirigida pelo Espírito Santo.

B) Entendem que no Novo Testamento não encontramos base para a divisão dos crentes em ordenados (clero) e não ordenados (leigos), colocando assim, todos os crentes no mesmo nível eclesiástico. Também não encontramos o ensino de que a execução de certos atos (batismo, Ceia do Senhor, etc.) fica restrita aos ordenados, ou a uma classe.

C) Impedem a promoção pessoal e condenam o culto da personalidade.

D) Consideram a distinção entre Israel e a Igreja de Cristo, que são ambos povo de Deus, porém tem bênçãos e privilégios próprios a cada um.

E) Suas igrejas locais são autônomas, mantendo somente relações de fraternidade cristã umas com as outras. O governo é exercido pela igreja reunida, e por unanimidade (1 Co 1.10; Rm 12.16). Compreendem que é o Espírito Santo quem dirige as reuniões da igreja, e usa os instrumentos que Ele escolhe como no citar hinos, orar, ler um texto das Escrituras, fazer o comentário do mesmo, etc. Quanto ao ministério, na reunião da igreja, os “irmãos” seguem o princípio da liberdade de ministério segundo os dons concedidos pelo Espírito Santo, conforme I Cor 14.26-33, mas entendem que o ministério não proveitoso deve ser evitado, ou não permitido.

F) Entendem estes irmãos que na Bíblia se encontra todo o ensino sobre a Igreja, e só nela. Não há outra fonte de informação. Quando não há um ensino claro a respeito de determinado assunto, não deve ser estabelecida uma interpretação que terá de ser aceita por todos.

Sinésio Barreto, Petrópolis-RJ

Bibliografia:
– Álbum de Reminiscências – Stuart E. McNair
– Mair Reminiscências – Stuart E. McNair
– “Os irmãos” – Silas G. Filgueiras
– Convicção e posição dos “irmãos”
– A History of the Brethrem Movement – F. Roy Coad

A Beleza dos Besouros


A Beleza dos Besouros

Thomas Lachenmaier

Quem observa a Criação com a mente aguçada descobre uma infinidade de espécies nos mares e nas florestas, descobre a imensa diversidade da flora e da fauna, descobre os espaços profundos do Cosmos…

Um livro sobre insetos esclarece justamente isso. Käfer und andere Kerbtiere (Besouros e outros Insetos), contendo desenhos de Bernard Durin (1940-1988) é um deleite para os olhos. Com sua habilidade praticamente insuperável, Durin desenhou uma seleção de insetos hexápodes (que têm seis pernas). A coloração, os mínimos detalhes – perfeição técnica, capacidade artística e exatidão científica se mostram neles de maneira belíssima.

Observando esses desenhos – desde o besouro longicórnio à cigarra – o leitor é imediatamente impactado pela diversidade e beleza desses seres vivos. Ele abre seus olhos para seres vivos do cotidiano e que normalmente não observamos, por serem muito pequenos ou talvez por rejeição (insetos nocivos). A beleza desses insetos leva o observador ao fascínio. As figuras proporcionam alegria diante da multiplicidade e beleza das formas bizarras, das cores e combinações. Não raramente elas provocam um sorriso ao observador diante da aparência desses animais. Fica evidente que o Criador, além do Seu poder de criação, também possui senso de humor. Através do olhar a cada um desses fascinantes besouros, Deus proporciona ao homem uma clara noção da Sua existência.

Não somente a maravilhosa constituição desses animais, mas também a conceituação e a fala das pessoas apontam para o fato de terem sido criadas. Não é à toa que se fala em criaturas e seres criados – e não de “obras do acaso” ou “sem-projeto”. Se as pessoas não têm palavras corretas para reconhecer algo casual ou involuntário, isso indica que os seres vivos foram criados e que não surgiram casualmente. Quando a pessoa fala em ser vivo, então ela obviamente o formula de uma maneira partindo do princípio de que esse ser vivo foi criado (criatura, creatio = criação). De onde essa obviedade influencia a definição dessa denominação? Ela ocorre porque, de certa maneira, de fato é autoexplicativa, de que o ser vivo surgiu de modo criativo (isso significa: com poder de criação, inteligência e fantasia): criaturas são seres formados, originárias de uma Criação.

É algo admirável observar como a natureza domina a difícil tarefa de conciliar o luxo (os fantasiosos modelos, cores e formas) e a estratégia de sobrevivência. “A natureza”, dizem os biólogos evolucionistas, “apresenta uma inteligência direcionada e planificada”, o que, no entanto, ela nem poderia ser de acordo com o modelo da Evolução. Com isso eles entendem que a natureza de fato “dominou” uma tarefa difícil – isto é, que ela sabia antecipadamente dos requisitos que seriam necessários para o ser vivo formado e assim o concebeu de acordo (!). Acrescente-se a isso ainda essa inteligência literalmente imprevisível, incontida e infinitamente criativa: a diversidade desses seres hexápodes é tão imensa que mesmo “as extensas enciclopédias não seriam suficientes para documentá-las mesmo apenas aproximadamente ao modo completo”. Entre os especialistas em insetos, os entomologistas, há muita discórdia sobre a quantidade de espécies de insetos que existem. Até hoje, foram descritas entre 1,2 a 1,5 milhão de espécies.

Ao final, o espanto se transforma em admiração e louvor para Aquele que criou tudo isso com sabedoria imensurável. Se Deus já dedica essa transbordante estima criativa ao escaravelho e ao percevejo-escudo, quanto mais nós deveríamos entoar hinos de gratidão? Entoar hinos de gratidão que ecoam através de toda a Bíblia, desde o Gênesis ao Apocalipse? Não deveríamos também, ao vê-Lo em Seu poder de Criador, reconhecê-Lo como o Senhor e Salvador do mundo e que, com nosso retorno para Ele, deseja somente o nosso bem? “Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações” (Apocalipse 15.3).

O mundo criado é um convite para crer e se alegrar reconhecendo essas maravilhas. “Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção” (Sl 139.14). (Thomas Lachenmaier  — factum-magazin.ch)

Qual deve ser a atitude da igreja quando um de seus lideres, (missionário, pastor, ensinador, presbítero, evangelista,) adulteram?

 

Resultado de imagem para imagem pregador

Qual deve ser a atitude da igreja quando um de seus lideres, (missionário, pastor, ensinador, presbítero, evangelista,) adulteram?

Este é um assunto que me tem preocupado bastante nos últimos dias, porem quase não é falado pelos pregadores. Eu não sei se é por que a grande maioria dos que exercem tais funções na igreja em algum momento já caíram neste pecado, ai temem falar e serem investigados e descobrirem algo a seu respeito. Ou se tem medo de falar e escrever algo e não ser aceito pela maioria dos crentes e assim sofrer algum tipo de represália, e caírem o volume de ofertas que recebem. Ou se não compreende a situação de uma maneira clara, e então não comentam, não falam, ou escrevem algo a respeito simplesmente por falta de conhecimento do assunto. Bom embora as duas primeiras razões sejam completamente reprováveis. Á ultima é compreensível e tolerável. Porem, se a ultima for o motivo de falta de material sobre este assunto, então estamos vivendo numa verdadeira carência de ensinadores no meio do povo de Deus, ou pior temos ensinadores que não estão exercendo sua função com zelo pela casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo coluna e esteio da verdade (1ºTm 3. 14-15).

Eu não estou aqui para ser juiz, e estou ciente que como ser humano que sou, com uma natureza pecaminosa terrível em meu corpo, estou sujeito a cair neste tipo de pecado. Sei que só alcançarei a plena santificação, juntamente com todos os meus irmãos em Cristo, no dia em que o Senhor vir nos buscar nas nuvens, onde todos os salvos terão seus corpos corruptíveis transformados em corpos gloriosos, e ali no céu verdadeiramente serviremos ao Senhor sem pecado. Aquilo que vou dizer aqui serve e deve ser aplicado também a mim, caso eu venha cair neste tipo de pecado, pois assim como você eu também estou sujeito a cair, e com certeza cairei se o Senhor não me ajudar em sua graça a vencer a terrível inclinação da minha carne. Então assim como você eu preciso vigiar e orar, para não entrar em tentação neste aspecto. E se você caiu neste pecado não estou querendo te afrontar, mas tenho que ser realista e dizer aquilo que a palavra de Deus ensina, mesmo que você não concorde, mesmo que você fique ofendido, mesmo que torne até meu inimigo, eu não tenho a intenção de te ofender, mas também não posso negligenciar aquilo que a palavra de Deus nos diz.

I. Esclarecendo o termo “missionário, pastor, ensinador, evangelista, e presbítero”.

Quero deixar bem claro que a palavra de Deus não descreve estes adjetivos como cargos, e posições de destaque no meio do povo de Deus. Isto são funções que são exercidas por irmãos no meio das igrejas de Deus. Esses nomes descrevem áreas diferentes de serviço, e não títulos honoríficos. Não podemos aceitar de forma alguma qualquer ação que leva a distinção de clero e leigo no meio do povo de Deus. Devemos com todas as forças odiar as obras dos nicolaitas assim como a igreja de Éfeso fez recebendo assim elogio do Senhor por esta atitude, (Ap 2. 6).

1. Pastor, ensinador e evangelista, são dons dados por Deus a igreja Dele,( Ef 4. 11). Ou seja irmãos que são levantados por Deus no meio de Sua igreja para exercerem o ministério de evangelizar, conduzir e ensinar o povo de Deus. Não temos tempo para tratar da cada um destes serviços no meio dos irmãos. Mas resumindo: o evangelista prega aos perdidos, estes ao se converterem são ensinados pelos ensinadores, e cuidados pelos pastores que zelam por sua almas. Onde termina o serviço do evangelista, começa o trabalho do pastor, e do ensinador. Esses irmãos podem ou não se dedicarem exclusivamente a obra do Senhor. Isto dependera totalmente e exclusivamente do discernimento desses irmãos a vontade do Senhor para suas vidas. Esses irmãos não são pessoas que “vivem da obra do Senhor”. Alias você não irá encontrar nas escrituras esta expressão “viver da obra do Senhor”. Eles são irmãos que vivem para obra do Senhor, são pessoas que se doam gastando e sendo gastos na obra do Senhor, e não pessoas que recebem altos salários explorando a ingenuidade das pessoas.

2. “Missionários”, simplesmente é alguém que esta incumbido de uma missão. Sinceramente não gosto dessa expressão. Pois quando colocamos esta nomenclatura em alguém, transparecemos que ele tem uma missão especial e nós não. Isto é de uma maneira disfarçada dividir o povo de Deus em clero e leigo. Todo verdadeiro cristão é um missionário, ele tem a missão de adorar e servir ao Seu Senhor e Salvador pessoal o Senhor Jesus Cristo. Como na igreja de Deus que o corpo de Cristo, não existe nenhum membro sem utilidade, e todos nós temos uma função a realizar por mais simples que seja, então todos nós somos missionários, todos nós temos uma missão especial, e quem nos deu essa missão foi o próprio Deus, quando nos salvou mediante a Obra Redentora de Seu Unigênito Filho o Senhor Jesus Cristo.

Reconhecemos que há irmãos que são chamados pelo Senhor a dedicar toda sua vida a obra do Senhor. Infelizmente para piorar o erro, somente os irmãos que são chamados e enviados para missões transculturais são chamados de “verdadeiros missionários”. O que também é um erro. Todos os servos de Deus são missionários, e cada crente devia se conscientizar disso. Porem quando um irmão na igreja local, sente-se chamado por Deus a dedicar sua vida totalmente a obra do Senhor tanto local, como transcultural, geralmente ele é chamado de “missionário por tempo exclusivo, ou obreiro por tempo integral”. Mas esse irmão não é alguém que manda e desmanda na igreja, intocável, e que as regras não se aplicam a ele. Ele precisa ter uma igreja onde ele ira prestar contas do seu serviço, e ele esta sujeito a ser disciplinado como qualquer outro irmão. Ele não é uma autoridade sobre as igrejas, antes pelo contrario ele é alguém que serve ao Senhor, e as igrejas. Esta estória de “obreiros itinerantes” ou seja, irmãos que tão mais para turistas, que não respondem a nenhuma igreja local, que ficam só viajando, que não tem uma base, ou um projeto especifico, não é bíblico. E geralmente alguns desses agem como se fosse uma autoridade suprema nas igrejas. Se intrometendo em problemas que não lhes diz respeito, e muitas vezes causando divisão, ou ate apostasia no meio do povo de Deus. Um irmão que abandona o serviço secular, porque sentiu que o Senhor o chamou a dedicar todo o seu tempo a Obra Dele, é um servo que trabalha nas igrejas, e não que manda nas igrejas. E pode ser um irmão que exerça a função de evangelista, pastor, ou mestre. Ele é missionário assim como todo verdadeiro cristão é um missionário, somente foi chamado a dedicar integramente ao serviço do Senhor.

3. Presbíteros, significa literalmente “anciãos”. Eles são mencionados em Ato, 20. 17: Tito 1. 5. Eles também são chamados de bispos “que olham por cima” Atos 20. 28: Felipenses 1. 1.

Infelizmente estes termos têm sido usados de maneira errada na cristandade professa. Costumeiramente ouvimos e vemos uma escada hierárquica, aonde, primeiro vem o bispo, depois o pastor, em seguida o presbítero, e o diácono. Só que esta hierarquia não existe na Bíblia.

A diferença de bispo, pastor e presbítero são somente nominais, ou seja, nomes diferentes para mesma função. Ou seja, cada igreja local é liderada por uma pluralidade de anciãos nas Escrituras Sagradas. Presbítero indica a maturidade desses anciãos, e não a idade deles. Bispo a responsabilidade que eles tem de zelar pelo o povo de Deus e da sã doutrina. Pastor cuidado e trabalho árduo que eles executarão como quem hão de dar contas vejam Hebreus 13. 17.

Creio que a função de presbítero em uma igreja local, não deva ser confundida com o dom de pastor, de Efésios 4. 11. Nós já consideramos este dom acima. Porem, precisamos destacar que os presbíteros exercem o pastoreio local, e o pastor tem um serviço mais abrangente, ou seja, como ele é um dom dado a igreja universal, Deus pode e usar esse irmãos neste ministério fora da jurisdição da igreja local. Enquanto que um presbítero só exerce seu serviço na esfera da igreja local.

II. A questão da disciplina sobre estes irmãos que exercem esta função.

Bom ninguém no meio do povo de Deus é intocável, ou esta acima dos princípios bíblicos para igreja. Nem missionário, nem presbíteros, nem pastores, ensinadores ou evangelista. Pode ser meu pai, meu irmão segundo a carne, meu filho, por mais estimado que a pessoa seja, por mais influente que seja seu ministério, por mais usados que ele seja para conversão de perdidos, ou edificação da igreja, ou resoluções de problemas que surgem no meio do povo de Deus, ninguém esta acima do que a palavra de Deus ensina.

E a palavra de Deus é bem clara: Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada.
E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.”,Mateus 18:15-17

Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais”. 1 Coríntios 5:9-11.

Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.
E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar.
1 Timóteo 1:19,20

Estas regra se aplica a todos os cristãos, não há exceção. Todo cristão que cai em qualquer um desses pecados, tendo a devida comprovação do fato, deve ser afastado da comunhão da igreja local, o que inclui seus privilégios. E estar ativo no ministério público da igreja exercendo qualquer das funções citadas acima é um privilégio que o salvo pode e deve gozar. Porem se ele cair nestes pecados, ele automaticamente ao ser afastado da comunhão também o é de seus respectivos ministérios, e privilegio que gozavam do mesmo.

Claro que o objetivo da disciplina não deve ser a destruição, mas a restauração do faltoso. Porem há outro ponto que devia ser observado na disciplina que é esquecido muitas das vezes em nome da falsa ideia de amor ao irmão. Principalmente quando o ministério desse irmão tem certa relevância, ou destaque no meio das igrejas. O principio da ordem e da decência que está relacionada a gloria devida ao Nome de Deus.

Todo irmão que cai em qualquer desses pecados pode e deve ser restaurado a comunhão, eu não tenho sombra de duvida em relação a isto. Porem dependendo da gravidade e do escândalo de determinados pecados, esse irmão deve ser impossibilitado de exercer seu ministério novamente.

Tem me causado muita angustia e preocupação, certos casos que causaram um escândalo terrível no meio das igrejas, irmãos que foram envolvidos em adultérios, homossexualismo, pedofilia, corrupção, desvios de dinheiro, e até assassinato. E estes irmãos continua viajando, pregando, tendo comunhão com varias igrejas, sem terem sido devidamente disciplinados, e mal restaurados, se é que podemos usar este termo. E tem me incomodando que muitos têm a mesma preocupação que a minha, porem ninguém fala nada a respeito, e muito menos fazem algo em relação a este assunto.

1. A restauração de um pecador.

Quando um irmão cai em qualquer destes pecados tem uma serie de etapas pelo qual ele deve passar antes de voltar a comunhão. Arrependimento, confissão e abandono do pecado. Porem certos pecados envolvem atitudes que são difíceis para se tomar, mas deve se fazê-las para a restauração correta.

1) A ofensa a um irmão da igreja. O Senhor Jesus não disse à natureza a ofensa que um irmão ofendeu o outro, nós não sabemos. Mas é um pecado cometido contra um irmão. O ofendido de procurar o ofensor e tratar do caso só entre os dois, se este não o ouvir, o ofendido deve levar junto com ele mais um ou dois irmãos, e juntos devem tratar do caso. Se o ofensor continuar na sua ofensa sem se arrepender, deve se levar o caso à igreja, se ele não ouvir a igreja, ele deve ser afastado da comunhão, e consequentemente do seu ministério. Ele deve ser restaurado somente depois de devida convicção de pecado, confissão e abandono do mesmo, no caso da postura em não concertar sua situação com seu irmão que ficou ofendido com ele. Neste caso a volta para o ministério dependera da repercussão, e da gravidade de tal ofensa. Pois pode ser por coisa sem muita importância. Ou por questões mais serias isto dependera muito das circunstâncias em que a situação foi envolvida.

2) Devassidão, que envolve toda a sorte de pecado imoral. Certos casos envolvem um escândalo muito grande ao testemunho da igreja local, como adultério, homossexualismo, fornicação, e pedofilia.

a) A fornicação é relação sexual com sexo oposto antes do casamento, geralmente acontece com casal de namorados crentes, alem do arrependimento, confissão e abandono às vezes resolvem com o casamento. Mas ainda fica a mancha e levara um tempo ainda até a igreja aceitar o envolvimento desses irmãos nos trabalhos da igreja local sem censura-los. E estes devem dar tempo ao tempo ater estarem ativos novamente.

b) Adultério que é o relacionamento sexual de alguém casado, com pessoas do sexo oposto que também é casado ou não. Já envolvem uma serie de fatores, principalmente quando o caso é flagrado e vem à tona. Creio que neste caso precisa-se não somente arrepender-se, confessar e abandonar o pecado, mas uma confissão publica acompanhada de um pedido de perdão a igreja local. E uma atitude de tentativa de reconciliação com o conjugue, caso haja separação, e um pedido formal de perdão aos familiares que foram afetados no processo, pelo menos uma tentativa no caso, pois pode ser que os familiares que foram ofendidos no processo tenham dificuldade em exercer o perdão nestes casos, principalmente quando estes não são cristãos. Mas se ouve uma tentativa legitima, ou pelo menos um desejo expresso, mas que não pode ser realizado por que os ofendidos ameaçaram o que adulterou. Creio neste caso que com estes processos realizados, a comunhão possa ser restabelecida, porem o ministério não, devido a mancha que ficou no testemunho da igreja local, toda vez que este irmão usar a plataforma alguém será levado a censura-lo terrivelmente por causa do seu erro cometido no passado. Podendo assim impedir o progresso do evangelho naquela localidade.

c) Homossexualismo, é o relacionamento intimo com pessoas do mesmo sexo. Se a mancha do adultério e algo que prejudica o testemunho da igreja local, imagina o homossexualismo. Então creio que é o mesmo processo para restaurar o que adulterou, talvez com alguns agravantes a mais. Porem possível de restaurar a comunhão sim, mas ao ministério não.

d) Pedofilia. Este aspecto de devassidão alem de manchar o testemunho da igreja local terrivelmente, ainda é crime hediondo segundo a constituição do nosso pais. Pessoas que são evolvidas neste tipo de pecado devem ser denunciadas para as autoridades. Pois elas não só pecaram, mas cometeram um crime dessa natureza. Alguém pode ma acusar de estar sendo duro, mas tenho pessoas em minha família que foram vitimas de pedofilia, e o estrago que isto faz numa criança é terrível. Um irmão que caiu neste pecado pode ser perdoado sim, ele pode ser restaurado a comunhão sim, mas não creio que ele jamais deva exercer ministério publico novamente, pois ele não só manchou o testemunho da igreja, ele cometeu um crime, considerado hediondo pela sociedade que é incrédula. E isto é um prato cheio para aqueles que gostam de ridicularizar o evangelho e as igrejas de Deus.

3) Idolatria, avareza, maledicência, são pecados mais difíceis de provar. E infelizmente muitas igrejas estão praticando idolatria disfarçada. Neste dia 25 de dezembro por exemplo, a chamada data do nascimento de Cristo. O que vejo de igreja celebrando o natal até com presépios, e peças teatrais, foi uma coisa absurda. Igrejas usando amuletos como óleo ungido, lenços, toalhas, rosas e etc. Irmãos crendo em obra de macumbaria, despachos, adivinhações, e toda sorte de superstições, só que no meio “evangélico” é chamado de ato profético, exercício de fé e ate de dinâmica de grupo. Para estes irmãos isto não é idolatria, porem muitos irmãos ficam escandalizados com estas praticas que estão se espalhando cada vez mais nas igrejas neotestamentarias.

Avareza é desejo desenfreado de querer adiquirir cada vez mais, e esse é um pecado que a maioria dos cristãos estão comentendo nos nossos dias. Porem isto tem sido considerado “legitimo” então tem se tempo para trabalhar, estudar, especializar, reciclar e etc. Mas não tem tempo para ler a Biblia, estudar a palavra de Deus, orar, reunir com a igreja e etc. Existe igrejas que adotaram de uma maneira disfarçada a teologia da prosperidade, que é uma escancarada promoção da avareza no meio da cristandade.

Maledicencia é o ato ou efeito de acusar alguém sem provas, visando deteriorar o caráter da pessoas lhe atribuído ma fama. Não e falar que algo que a pessoa fez errado, mas é de espalhar noticias exageradas, ou falsas visando destruir a índole e a moral do irmão. E este é um dos pecados que são mais cometidos no nosso meio principalmente por nós que somos chamados de “obreiros por tempo exclusivo”. Como é triste ir a encontro de obreiros, onde no lugar de irmãos compartilharem de suas experiências vivenciadas na obra do Senhor, perdem um precioso tempo falando mal uns dos outros. E cada um desses pecados são passiveis de afastamento da comunhão e do ministério. Creio que nestes casos quando há um sincero arrependimento confissão e abandono de pecado, há plena restauração, porque são pecados sérios quer precisam ser tratados, porem são mais facilmente esquecidos, tanto pela igreja local, como pelo mundo onde a igreja deve dar o seu testemunho.

4) Beberrão, é um irmão que de alguma forma é entregue ao abuso do álcool, creio que nesta questão se enquadra os que são usuários de drogas. Claro que uma pessoas incrédula que foi viciada nestas substancias, convertendo a Cristo ela é salva. E pode ser que em algum momento da vida ela tenha uma recaída. Essas recaídas devem ser tratadas pela liderança da igreja local com amor e levando a pessoa que caiu a uma verdadeira convicção de pecado, arrependimento e confissão do mesmo. Porem não creio que seja alguém que teve uma recaída, mas sim de alguém que teve varias reincidências, neste caso depois de varias tentativas este deve ser afastado da comunhão, e consequentemente ministério. Onde este deve buscar uma ajuda especializada para abandonar seus vícios, e somente depois de isto ser efetivado de maneira concreta, este deve ser restaurado em comunhão. No ministério será um pouco mais difícil pois há a necessidade de se averiguar os escândalos que esta pessoa foi envolvida sob o domínio desses entorpecentes, como brigas, orgias, badernas e etc. E a mancha que isto causou no testemunho da igreja local, ou até no meia da igreja de Deus onde eles esteve envolvido no ministério outrora.

5) Roubadores, aqui envolve uma serie de situações, corrupção, sonegação de imposto, fazer hora no serviço, pegar emprestado e não devolver, comprar a prazo e não pagar, e etc. Há vários casos que se enquadram, e que são difíceis de provar. Porem caso seja provado, alem de convicção de pecado, arrependimento, confissão e abandono do mesmo, há a necessidade de uma devida restituição. Neste caso creio que pode haver uma restauração a comunhão, porem ao ministério dependera da forma que afetou o testemunho da igreja. Por exemplo, cristãos que se envolveram e política e foram acusados e provados o seu envolvimento em esquema de corrupção. Tais como recebimento de propina, desvio de verba, lavagem de dinheiro e etc. Um irmão com o nome citado na lava jato, por exemplo, terá seu ministério censurado na igreja, ele pode e deve ser restaurado a comunhão, mas dificilmente seu ministério será aceito, devido ao escândalo que este esteve envolvido.

6) Propagadores de heresias. Como Himineo e Alexandre que foram entregues a Satanás para que aprendessem a não blasfemar. Entregar a Satanás seria no caso afastar da comunhão da igreja local e respectivamente do ministério junto a ela, veja o caso do irmão impuro de Corinto, 1ªCor 5. 1-5. Este afastar da comunhão é chamado de “entregar a Satanás”, isto é uma expressão dura usada pelo apostolo, mas que é real, pois os afastados da comunhão da igrejas estão sob a influencia direta do inimigo, pois o mundo é a esfera onde ele atua. Neste caso eles estão fora da proteção de Deus sobre a igreja local, e assim podendo ser atacados com toda sorte de males físicos, para serem castigados, visando assim serem restaurados. Estes Himineu e Alexandre estavam blasfemando, pelo que está em 2ªTimoteo 2. 16-19. Estas blasfêmias seriam ensinos contra a Pessoa e Obra de Cristo. Neste caso eles foram afastados da comunhão e seus privilégios derivados desta comunhão com os santos.

Creio que nestes casos a restauração só é possível depois de uma convicção de pecado, arrependimento, e confissão. E de uma retratação aberta dos seus erros ensinados outrora. Porem o estrago já fora feito, ou seja, a heresia contaminou a muitos, e deve haver um esforço da parte do que a propagou de desfazer o erro causado. Porem eu nunca ouvi falar de alguém que fez isto. Que reconheceu que ensinou algo errado, e voltou atrás se retratando, e tentou desfazer o estrago feito outrora. Geralmente estes continuam teimando, e não aceitam a disciplina e muitas das vezes forma denominações, ou seitas baseadas em suas doutrinas perniciosas.

III. As referências que são a base do que creio e que expus acima.

Sei que falei mais o que creio, e mencionei isto muitas vezes. Porem o que creio esta baseada naquilo que a palavra de Deus diz. E que deve ser praticado pela igreja local.

Sei que cada igreja local é autônoma, porem nenhuma igreja local é independente para fazer aquilo que é certo aos seus próprios olhos. Principalmente quando temos na palavra de Deus princípios claros para obedecê-los em relação a ordem e decência nas igrejas de Deus veja 1ªCor 14. 40.

Então vamos aos textos bíblicos.

Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.
Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? ); Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo.
Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância; Guardando o mistério da fé numa consciência pura.
E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis.
Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo.
Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas”, 1 Timóteo 3:1-12.

Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei:
Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes”, Tito 1:5-9.

Estes dois textos são claros e até dispensam comentários em relação as qualificações dos presbíteros e dos diáconos. Como já vimos os presbíteros são os irmãos que exercem a liderança na igreja local. Os homens-dons que no caso são os irmãos que são levantados na igreja como evangelistas, pastores e mestres (ensinadores) no meu entender estão mais relacionados a diáconos pois, eles servem onde forem solicitados, claro que cada um tem sua respectiva igreja onde é sua base, seu apoio, onde prestam contas do seu ministério.

Aqueles que chamamos de “missionários de tempo exclusivos” ou “obreiro de tempo integral”, são servos das igrejas, e seus respectivos ministérios estão mais relacionados ao diaconato, do que o presbitério.

E tanto os presbíteros quanto o os diáconos devem ter quase as mesmas qualificações para exercerem suas devidas funções. Agora sejamos sinceros será que um irmão que exerce o presbitério, ou ministério da palavra em uma igreja local, ou até mesmo seu ministério seja reconhecido e solicitato em varias igrejas. Quando este adultera, mesmo que ele confesse e abandone o pecado, e seja de fato restaurado, ele será irrepreensível? Sempre que alguém que foi afetado por seu mau comportamento direta ou indiretamente ao vê-lo no púlpito, o censurará por causa de seu pecado de outrora. Será que ele de fato é “home de uma mulher só”? Ou seja , a ideia não é somente de ser casado uma única vez. Como muitos aplicam na questão de irmãos que divorciaram e casaram com uma segunda esposa. Mas a ideia e de alguém que sempre foi fiel a sua esposa segundo os estudiosos do grego.

Porem em muitas igrejas, alem de irmãos divorciados, ou que se casaram com divorciadas exercerem o presbitério na sua igreja local, o que é um absurdo. Existem aqueles que caíram em adultério e a igreja somente o afastou por três, ou seis meses da comunhão e do ministério, e novamente os receberam tanto na comunhão como no ministério que exerciam outrora. E em muitos casos houve o escândalo, e uma confissão puramente formal, sem uma real convicção de pecado, e um verdadeiro arrependimento e abandono de pecado. Pois estes reincidiram na pratica do adultério e o método de disciplina foi o mesmo. O chamado “por no banco, ou tempo de disciplina”. Não existe este método de disciplina na bíblia, dar um tempo. E a restauração para da imoralidade é somente para a comunhão, não para o ministério, por que tal pecado manchou o testemunho da igreja.

Alguns sugerem que se este irmão mudar para outro lugar, lá poderá exercer seu ministério. Com o avanço da tecnologia, e das locomoções e com os “encontros de obreiros” e confraternizações das igrejas. Dificilmente alguém não saberá do ocorrido com este irmão.

Isto sem falar que em muitos casos as chamadas restaurações estão mais relacionadas a carência da igreja local, ou ao não perder qualidades notórias do ministério do irmão. Sei de caso de um irmão que foi flagrado numa pratica imoral, onde este falou com os que o flagraram, que não era para contar para ninguém, pois se o caso viesse a tona ele perderia as ofertas que recebia, e ele vivia de ofertas. Ou seja, a preocupação desse individuo não era o pecado que cometeu, nem sua gravidade, nem sua repercussão negativa manchando o testemunho da igreja, era deixar de receber as ofertas. Mas pouco tempo depois este foi restaurado a comunhão da igreja local onde reunia, e esta viajando para todos os lados realizando seu suposto ministério, causando situações desconfortáveis no meio do povo de Deus.

Existem pecados que são mais graves que os outros, e a imoralidade sexual de qualquer sorte se enquadra nestes. As consequências deles é a neutralização do ministério publico junto a igreja.

Algo que ilustra este principio é o que esta registrado em Levíticos 21. 17-23:

Fala a Arão, dizendo: Ninguém da tua descendência, nas suas gerações, em que houver algum defeito, se chegará a oferecer o pão do seu Deus. Pois nenhum homem em quem houver alguma deformidade se chegará; como homem cego, ou coxo, ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos,Ou homem que tiver quebrado o pé, ou a mão quebrada,Ou corcunda, ou anão, ou que tiver defeito no olho, ou sarna, ou impigem, ou que tiver testículo mutilado. Nenhum homem da descendência de Arão, o sacerdote, em quem houver alguma deformidade, se chegará para oferecer as ofertas queimadas do Senhor; defeito nele há; não se chegará para oferecer o pão do seu Deus. Ele comerá do pão do seu Deus, tanto do santíssimo como do santo. Porém até ao véu não entrará, nem se chegará ao altar, porquanto defeito há nele, para que não profane os meus santuários; porque eu sou o Senhor que os santifico.

Os descentes de Arão que tivessem algum defeito físico, ou como diz o verso 23 alguma falta, exercer o sacerdócio. Podiam comer do pão e das ofertas que eram destinadas aos sacerdotes, porem, não podiam exercer o ministério sacerdotal, e nem tocar nas coisas santas do templo, pois se assim o fizessem eles o profanariam. Todo verdadeiro cristão é um sacerdote do Senhor, e tem um ministério, um serviço para o qual o Senhor o chamou. Porem dependendo do seu pecado (sua falta), ele pode comer das coisas santas, ou seja, desfrutar da comunhão da igreja, participando da ceia do Senhor, e da alegria de estar com seus irmãos em Cristo, porem exercer ministério publico seria o mesmo que profanar o Nome do Senhor, levando os inimigos do Senhor a blasfemar do Nome do Senhor, por causa da mancha deixada pelo pecado imoral cometido outrora.

Infelizmente as igrejas tem errado neste conceito alegando supostamente amar estes irmãos que caíram, realmente estes irmãos devem ser amados. E devem ser alvos de nossas orações, porem devemos amar o Senhor, a casa do Senhor que é a igreja a coluna e esteio da verdade, e também a sã doutrina que esta registrada para nós nas paginas das Escrituras Sagradas. Amar o irmão passando por cima do mandamento do Senhor, não é amor. É outra coisa qualquer, mas não é o verdadeiro amor, por Deus é amor. E o verdadeiro amor é o que corrige, que exorta, que repreende, que consola, que anima, que desvia do erro, que faz converter do mal caminho o pecador.

Porem estamos vivendo tempos trabalhosos, onde as pessoas se recusam a dar ouvidos a verdade da palavra de Deus, elas não suportam a sã doutrina como diz 2ªTimoteo 3. 1; 4. 1-4.

Onde muitos no lugar de aceitarem a palavra de Deus na sua pureza e simplicidade, criam teorias mirabolantes, se apegando em vãs filosofias como a alta critica da bíblia. Tirando comichão dos ouvidos das pessoas que ficam incomodados com a verdade. O que tem de “mestres” que engenhosamente elaboram argumentos para contradizer a verdade da palavra de Deus levando pessoas sinceras a desobediência descarada, é fora do normal.

Vemos em nossos dias pessoas que dizem “obreiros” e “missionários” introduzindo o clericalismo, o neopentecostalismo, o dualismo, a confissão positiva, o liberalismo, e tantas outras heresias perniciosas nas igrejas, e ninguém se manifesta contra. Obreiros que foram disciplinados, e afastados por causa de terem incitado heresias sendo disciplinados por uma igreja, e outra igreja tornando recuidá-los. Outros “obreiros” ou prebiteros que foram comprovado sua pratica imoral, sendo poupados da disciplina, supostamente restaurados, exercendo ministério como se nada tivesse acontecido, e pior querendo dar lição de moral nos outros.

Irmãos que são zelosos das Escrituras, sendo difamados, e caluniados. Tendo seu ministério prejudicado por estas fofocas. Sendo tachados de extremistas, mas na realidade são é zelosos dos princípios bíblicos para a igreja local. Enquanto que outros que são “liberais” para não dizer libertinos, e que foram disciplinados por causa de imoralidade, tendo livre acesso nas igrejas. E ai daquele que ousa questionar essas igrejas que agem em conivência com o erro. Sinceramente eu não sei onde nós iremos parar.

Igrejas que tem um envolvimento exarcebado com o chamado “louvor”. Mas que são analfabetos dos princípios bíblicos para igreja. “Missionários” que ficam exibindo descaradamente nas redes sócias viagens ao exterior, em parques de diversões, em lugares paradisíacos, enquanto igrejas estão desaparecendo no interior de nosso país, e em muitas capitais. Pela falta de trabalhadores em seu meio. E muitos desses “obreiros”, só curtindo com o dinheiro das ofertas que recebem. Enquanto irmãos que realmente zelam do povo de Deus, e verdadeiramente se gastam na obra do Senhor, tem que conciliar o serviço secular com a obra do Senhor. E estes que verdadeiramente se doam pela causa do evangelho, sofrendo com lagrimas, são duramente criticados, porque segundo alguns eles não estão vivendo pela fé.

Que Deus tenha misericórdia de nossas igrejas, que haja verdadeiramente, um despertamento para a verdade da palavra de Deus em relação a igreja. Que realmente as igrejas possam tomar vergonha na cara, parar de passar a mão na cabeça desses manipuladores, agindo em amor sim, mas também em justiçar exercendo a disciplina em seu meio, principalmente naqueles que exercem ministério no meio do povo de Deus. Para que haja um verdadeiro crescimento na igreja de Deus tanto espiritualmente, como coletivamente. Pois o que estamos vendo é casas enchendo numericamente de pessoas com profissão vazia de fé, atraídas a toda sorte que coisas frívolas, mas não ao Senhorio do Senhor Jesus Cristo. Que Deus tenha misericórdia de nós.

 

Jesué da Silva Andrade.